Tenha Bons Sonhos, Pirralho.
1 Sonhos Ruins.
Notas iniciais
Os olhos azuis de Hijikata se abriram sonolentos e completamente pesados de cansaço, havia sido um dia tortuoso de trabalho, e agora sentia seu corpo ser empurrado para fora de seu futon, direto para o chão gelado.
Ele olhou para o lado e devido a luz da lua, que adentrava a janela do seu quarto, conseguiu ver uma cabeleira castanho claro para fora das cobertas.
Uma veia saltou da testa do moreno e ele puxou as cobertas para longe de quem estava invadindo sua cama:
— OE, SOUGO! O QUE ESTÁ FAZENDO?!
O garoto o fitou com os grandes olhos avermelhados, que pareciam brilhar no escuro, e ainda deitado disse:
— Hijikata-san, faça menos barulho, estou tentando dormir — Sougo fechou os olhos e suspirou profundamente.
O rosto do vice-comandante se tornou mais vermelho de raiva e uma de suas mãos, imediatamente, alcançou a cabeça do mais jovem e o empurrou para fora do futon:
— VÁ DORMIR EM SEU QUARTO!
Após conseguir empurra-lo para fora do futon, Hijikata voltou a se deitar dando as costas para o mais novo, se cobrindo e fechando os olhos, tentando esquecê-lo, porém antes de conseguir pegar no sono sentiu as costas de Sougo encostarem nas suas, ele havia se deitado novamente.
— Ei, eu já disse para ir dormir em seu quarto. — O moreno bufou impaciente.
— Eu não quero dormir sozinho. — Sougo continuou de olhos fechados, pouco se importando com as reclamações de Hijikata.
— O que você é? Uma criança com medo do escuro? —Hijikata disse com um sorriso. Talvez o envergonhando desse jeito, ele desistiria de continuar ali e voltaria para o seu quarto.
— Eu não sou uma criança. Eu só tive sonhos ruins e não consegui dormir. — O mais novo insistiu. Realmente não se importava quando lhe chamavam desse jeito, apenas retrucava negativamente.
Hijikata bufou e então se virou para o lado contrário agora fitando o garoto, que estava de costas para si, e que ao notar a movimentação, se virou de frente para o mais velho. Neste momento, os olhos se encontraram.
— Você é um pirralho mesmo — Hijikata sorriu um pouco e afagou os cabelos do menor brevemente. — Não importa quanto tempo se passe, continua vindo para cá quando tem pesadelos, não pretende crescer nunca?
— Hmm, eu estou satisfeito dessa maneira. — o garoto disse com sua típica indiferença.
— Maldito, que fique bem claro que essa será a última vez. — O moreno jogou as cobertas por cima de ambos.
— Hijikata-san, você sempre diz isso, até quando pretende ficar mentindo? — perguntou com um tom de deboche.
— Calado e durma logo. — Hijikata se irritou com o tom debochado que Sougo havia usado e se deitou logo, fechando os olhos e cobrindo parte de seu rosto.
Um sorriso bem sereno se desenhou nos lábios de Sougo, e Hijikata não pode vê-lo, pois já tinha fechado os olhos, mas talvez pôde senti-lo devido a sensação agradável que correu seu corpo. Não demorou para que o jovem sadista adormecesse, e nesse tempo o vice-comandante sentiu o corpo do garoto se aproximar e os seus braços lhe envolverem em um abraço. Os olhos azuis se abriram e sua boca igualmente, já pronto para reclamar, mas sua voz não saiu quando percebeu que Sougo dormia.
Talvez esteja reclamando demais, foi o que Hijikata pensou. Não pôde conter um sorriso ao ver o rosto do mais novo adormecido e tão calmo e logo o abraçou também:
— Espero que esteja tendo bons sonhos, pirralho.
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