Tengen Toppa Gurren Lagann - Renascimento
2 Capítulo 2: Sonhos e julgamentos
Era um curto caminho até a cúpula. Alguns minutos de caminhada resolveriam o problema, mas era como os soldados eram treinados para fazer: Casos não eram para ser mostrados explicitamente ao público. Desde o ocorrido dos 30 anos anteriores, casos assim eram para ser mantidos isolados.
O caminho podia ser curto, mas para Luno foram como horas. Seu coração acelerava cada vez que via a cúpula se aproximar. Sua impaciência não conseguia ser contida. Sorria cada vez mais e mais por estar naquela situação. Um dos guardas notou sua felicidade e debochou:
– Você não para de sorrir desde que foi pego. Está tão determinado assim pra ser preso? Puxa vida, se todos fossem assim, a Grapearl estaria implorando por folgas.
– Acho que é por pessoas como você que a Grapearl tá nessa decadência que todo mundo fala. Parabens por deixá-la assim. – Luno devolvia as palavras do guarda em dobro.
– Ora seu...
– Chegamos. – O outro guarda falava e interrompia uma possivel briga no carro.
Luno estava aliviado:
– Ainda bem. Vamos lá. Façam seu trabalho e me levem pra la, como bons soldadinhos de chumbo.
Lá dentro, havia o que Luno não esperava: Todos os grandes líderes da Cidade Kamina se encontravam alinhados em uma grande mesa. Paceria um júri. Eram um tanto idosos e não pareciam estar muito dispostos por estar lá julgando um garoto em algemas. Luno decidiu fazer piadas:
– Caramba, isso aqui é o conjunto de líderes? Parece que todos deveriam estar aposentados.
– Por favor, faça silêncio. Sou Rossiu, presidente da Cidade Kamina. Nos foi requisitado a nossa vinda aqui pelo Comandante de Relações Intergaláticas e Defesa Nacional. Gostaria que colaborasse conosco enquanto decidimos.
Rossiu já era bastante velho. Rugas e seu cabelo grisalho eram evidência disso. Não parecia ser muito “legal” com quem ele falava daquele jeito. Luno guardou as piadas pra depois e perguntou:
– Decidir o que? E aliais quem é esse “Tal” comandante? – Ele não gostou daquelas pessoas lhe olhando.
– Sou eu. Eu mandei lhe trazerem aqui. Então é melhor se preparar pro que vier.
Descia das escadas do nível onde estavam todos sentados. Era jovem no meio dos velhos lideres. Um longo cabelo branco cobria sua nuca, tal como seu olho direito. Tinha um rosto extremamente mal humorado, braços de algum animal com garras, sem contar nos dentes pontiagudos e evidentes. Era um homem-besta:
– Parece que temos um gatinho que acha que é um tigre por aqui. Por que causou tanto alvorosso lá no quartel? Anda, me fala: o que você queria com aquilo?
Luno olhava para aquela cara sem paciência:
– Como lá estava demorando demais, acho que deveria fazer meu pedido á vocês: quero me alistar para a Grapearl e pilotar um Gurren Lagann para proteger a cidade.
Um homem e uma mulher com roupas militares na mesa interromperam:
– Entrar para a Grapearl para pilotar um Gurren Lagann? Grapearl não é apenas isso.
– É verdade. Deve ter disciplina e ordem para poder se dizer digno para entrar na Grapearl e pilotar conosco!
Pareciam irmãos. Luno percebeu isso quando viu os dois e não conseguia parar de pensar que eram a versão mais velha dele e Lily, apesar da mulher ter um cabelo rosa e não azul. Achava engraçado, mas antes que pudesse ficar só pensando nisso, o comandante interviu:
– Gimmy, Darry! Será que vocês vão aprender que discurso resolve pouca coisa nesses casos?
– Se acha em posição maior para falar deles? Eles são da Grapearl pelo que da pra ver. Eles pilotam os Gurren Lagann. Você não deve nem sair de um escritório. – Luno insultava o comandante cara-a-cara.
– Grrr... Confiante mesmo em algemas, não é seu maldito?!
O comandante desferiu um soco com aquelas mãos enormes no rosto de Luno. Não parecia que o garoto levantaria por um tempo. Rossiu interrompeu:
– Viral, já chega! Você não tem o direito de fazer isso com um cidadão!
– “Quando razão falha, alguém precisa dar-lhe um soco para te fazer voltar a realidade”. Você, Rossiu, mais do que ninguém, deveria saber disso.
– Não tiro sua razão, Viral. Mas... não precisa fazer isso com um garoto bonito assim. – Respondeu um dos homens na mesa. Cabelos curtos e verdes e uma pele extremamente lisa e quase plástica, além de cheia de maquiagem. Era difícil determinar se era um homem, uma mulher ou um manequim.
– Me poupe dessas suas atrações por jovens garotos, Leeron. Se algum dia trabalharem contigo, pode ter certeza que os garotos vão se demitir. A questão aqui é...
Viral levantou Luno pelo colarinho:
– Você é uma pessoa impulsiva, imprudente, ousada, despreocupada, indiferente e cabeça-dura. E sabe...
Um sorriso se abriu no seu rosto sinistro:
– ...Eu gosto disso.
Agora ele se dirigia para a mesa:
– Está decidido. Esse garoto está sob minha responsabilidade. Treinarei ele para pilotar um Gurren Lagann.
– Viral, você enlouqueceu?! Esse garoto não tem responsabilidade nenhuma para pilotar um Gurren Lagann! — Respondia Darry que bateu as mãos na bancada
Luno, tonto pelo soco e com seu nariz sangrando levantou e respondeu com toda a força de seus pulmões:
– QUEM DIABOS VOCÊS PENSAM QUE EU SOU?!
Todos entraram em silêncio:
– Mesmo eu não tendo experiência alguma com Gurren Lagann, eu vou aprender! “Não importa qual seja o obstáculo, não devemos recuar. Se não há um caminho, devemos abrir um com nossas próprias mãos para que possamos prosseguir”. É o que minha mãe sempre me diz.
Após esse pequeno discurso, todos se calaram por completo. Viral, que não conseguia conter sua admiração pelo garoto, sentiu aquilo nostálgico e respondeu a todos:
– Acho que já sabemos o que decidir. Vou levar o garoto para o Quartel. Decidam o que anunciar sobre o tumulto. Guardas, tirem as algemas! Me siga, garoto.
Algemas tiradas e Luno seguiu Viral. No caminho, Viral lhe perguntou:
– Garoto, qual é o seu nome?
– Luno. Meu nome é Luno. Pode ter certeza que não vai ser a primeira vez que vai ouvir meu nome. – Falava com um tom determinado.
– Hmph. É realmente confiante. Uma vez, tive um inimigo parecido com você. Confiante e cabeça dura, mas admito que ele era forte. Eu o odiava do fundo do coração, mas não deixava de admirá-lo. Ele morreu há muito tempo, porém não por minhas mãos. Espero que você não tome o mesmo fim. – Viral parecia estar mergulhado em suas memórias.
– Quem você pensa que sou? Posso não ser o melhor, mas sei que não vou morrer fácil.
Viral se surpreendia novamente:
– Heh. Você é como ele mesmo. Isso vai ser interessante. Vou te levar para o Quartel e lá você vai pilotar um Gurren Lagann. Mas não um Gurren Lagann comum. O primeiro de todos.
– Então isso quer dizer... – Os olhos de Luno brilhavam.
– Exato. Bem-vindo á Brigada Gurren, garoto.
Luno sentia como se fosse explodir de alegria. Parecia o fim da realização de um sonho, mas no fundo, ele sabia que era apenas o início e que muito mais dificuldades e desafios viriam. Aquilo se tornaria perigoso brevemente. Nada disso impediria ele e Viral sabia disso. De fato, aquilo era mais que o incentivo que ambos precisavam para estarem animados.
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