Tengen Toppa Gurren Lagann - Renascimento

14 Capítulo 14: A garota que roubou as estrelas


Os irmãos chegaram na cozinha do quartel. Se depararam com quase todo mundo da Brigada Gurren devorando a comida na mesa com muito gosto, menos Gimmy, que caiu no sono e babava na mesa. Solvie estava no fogão, fazendo mais comida para todos. Quando notou Luno, o convidou para comer com todos:

– Ah, bem vindo de volta, filho. Sente-se, estou fazendo o seu preferido. Barbatanas de tubarão fritas com legumes. Só espere um pouco que já vai ficar pronto.

Luno babava e ficava hipnotizado pelo cheiro delicioso da comida da mãe. Ele se sentava e ficava esperando, enquanto um dos homens que estava lá perguntou para ele:

– É você então que vai pilotar o Gurren Lagann amanhã? Jovem e com talento. Eu gosto disso. Prazer, meu nome é Naakim. – Ele estendeu a mão para cumprimentar Luno.

– Meu nome é Luno. Ainda vai ouvir muito dele, então não precisa decorar ele agora. – Sorria animado e relaxado.

O homem tinha cabelo curto, levemente roxo e parecia ser da idade de Solvie. Ele ficou intrigado pela roupa e os óculos que Luno usava, ele perguntou:

– Sabe, estou curioso. Onde conseguiu essa roupa?

– Estavam no túmulo de Kamina. Usar isso me deixa mais confiante, como se ele estivesse me protegendo. Yoko que me levou até lá.

– Ahhh, então a professora Yoma...digo, a senhorita Yoko que te levou para lá? Eu nunca fui lá pessoalmente, mas sempre tive vontade.

Luno estava curioso pra saber sobre a “professora”, mas estava com muita fome pra querer perguntar agora. Poucos minutos depois, Solvie trouxe muitas panelas e pratos cheios de comida para a mesa. Em questão de segundos, aquela comida foi parar nos estômagos de quem estava lá na mesa. Solvie sorria e ficava muito feliz vendo todos gostando da comida. Luno notou que nem Leeron nem Viral estavam á mesa. Ele perguntou para Naakim, sendo ele o único que não estava ocupado demais com a comida ali:

– Onde estão Leeron e Viral? Não vejo Viral desde manhã e o Leeron não vejo desde ontem!

– Eles? Leeron deve estar fazendo ajustes finais naquela máquina que sabe-se-lá o que faz e Viral estava monitorando o progresso das tropas em outras galáxias. Eu chamei ele para jantar, mas disse que iria ficar lá até quando achasse que tudo estivesse sob controle.

Luno compreendia, enquanto estava com meia barbatana de tubarão dentro da boca. Enquanto ele comia, Lily se aproximou, colocou a mão no ombro de Luno e disse:

– Quando terminar, vá até o terraço. Quero conversar com você á sós.

Solvie estava lavando os pratos na pia, mas quando viu a irmã falando com ele, parou por um instante e segurava os pratos com um pouco mais de força. Luno afirmou com a cabeça, apesar de achar muito estranho um pedido desse vindo da irmã. Ela nunca foi de guardar segredos desse jeito. Mesmo assim, ele continuou comendo tranquilamente. Conversava com Naakim e com o resto do pessoal que estava lá. Brincava com Gimmy, que começava a se descabelar ouvindo as besteiras que fez enquanto estava bêbado. Luno, Solvie, Naakim e todos lá riam juntos. Aproveitavam o ultimo dia de paz para festejar enquanto podiam.

Terminada a festa, todos se despediram e desejaram uma boa sorte e bom descanso para todos na luta. Luno foi para o terraço, como Lily havia pedido. Chegando lá, viu ela sentada em um banco que estava lá. Ele se espreguiçou e foi andando ao banco, enquanto falava:

– Nossa, essa festa foi demais. Acho que comi todos os irmãos e primos tubarões do Viral nesse jantar.

Lily olhou para traz, um tanto insatisfeita:

– Demorou bastante. Fiquei te esperando esse tempo todo.

– É a minha primeira vez aqui no terraço, então tive que perguntar por alguns caminhos. Não fique brava, agora eu sempre vou saber o caminho pra cá.

Ele se sentava ao lado da irmã. Era noite, e o céu além de estar estrelado, tinha Lua cheia. Ele olhava para cima e falava:

– O céu com certeza está bonito hoje. Fazia tempo que não via ele estralado desse jeito.

Lily estava quieta, olhando para frente. Parecia não ter ouvido o que o irmão lhe dissera. Ele estava curioso pelo motivo de chamá-lo para um lugar daqueles apenas para conversar:

– Bem, o que você queria conversar comigo?

Luno olhava para ela, mas ela continuava olhando para frente. Alguns segundos depois, ela respondeu:

– Muitas coisas, na verdade. Queria saber, como você conhecia Simon antes mesmo dele se apresentar?

– Ah, isso? Já fazem uns 10 anos. Foi naquele dia em que estávamos tirando férias na praia, lembra? A mamãe tinha ido pra casinha que temos lá e nos ficamos na praia. Depois você começou a falar pra mim que duvidava que eu conseguia fazer algum buraco naquele coco que estava jogado lá. Eu estava com a broca que a mamãe deu para brincarmos na areia de abrir caminho e tentei abrir um buraco no coco. Eu não estava conseguindo e você falou que eu não ia conseguir e que eu tinha que desistir daquilo, mas eu fui cabeça-dura e acabei gritando contigo e você ficou chateada e correu pra casinha. Eu fiquei lá tentando abrir o coco até de noite, quando Simon apareceu e me ensinou como fazer um buraco com a broca, e depois eu e ele vimos juntos os Gurren Laganns voando pelo céu. Depois ele foi embora e falou que se eu quisesse realizar meus sonhos, eu tinha que ter a mesma vontade que eu usei para abrir aquele coco.

Lily ouvia atentamente a história:

– Então foi naquele dia. Bem que você voltou tarde pra casa mesmo. Me desculpe se eu deixei você bravo aquele dia.

Luno sorria e balançava a cabeça:

– Nem esquenta. É passado. Eu que devia me desculpar por te chatear daquele jeito. Até porque, o filho mais velho é quem tem que dar o exemplo, hehehe.

– É, tem razão...

Ambos entraram em silêncio de novo. Lily ficava esfregando as mãos uma na outra e entrelaçando os dedos. Parecia preocupada, quase tensa. Luno iria começar a falar, quando ela tomou a dianteira:

– Luno, eu conversei com Viral hoje...

Ele parou e ficou surpreso, de uma boa maneira.

– Conversou com Viral? Isso é legal! Aquele ranzinza precisa de um pouco de conversa pra acalmá-lo.

– Bem...não foi bem uma conversa. Foi mais pra uma discussão.

– Discussão? Sobre o que?

Lily segurava a saia do vestido com as duas mãos:

– Na luta de amanhã contra Simon, eu...eu vou pilotar o Gurren Lagann com você.

Luno se espantou e se virou inteiro para ela em um instante:

– Você o que?!

Ela falava com ainda mais determinação:

– Isso mesmo que você ouviu. Quem vai pilotar o Gurren Lagann com você vou ser eu, e não Viral.

Luno chegou mais perto dela, sem conter sua insatisfação:

– Você vai pilotar o Gurren Lagann comigo amanhã?! Que história é essa? Viral por acaso te deixou simplesmente ir comigo lutar?!

– Eu e ele discutimos muito a respeito. Foi difícil convencer ele de que estava querendo ir a qualquer custo.

Luno agora estava ficando bravo com aquilo:

– Bem, vou ter uma conversa com ele depois. Mas a questão aqui é, mesmo que Viral tenha deixado, eu não vou deixar!

Lily se virava para ele agora:

– Eu consegui te ajudar ontem. Pode ter certeza que eu vou te ajudar amanhã!

Luno agora estava a ponto de explodir de raiva:

– Você me ajudou ontem, mas o inimigo agora é Simon. Ele é infinitamente mais poderoso que qualquer uma daquelas coisas que atacaram a cidade!

– Mas qual é o seu problema de ficar me impedindo de ir lutar com você?!

– Qual é o SEU problema de querer vir comigo?! Acha que eu vou simplesmente cruzar os braços e deixar você ir morrer nas mãos de Simon?! EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ IR!!

Nisso, Lily levantou do banco, estendeu os braços para traz e deu um forte tapa no rosto dele. Luno ficou em choque com aquilo. Era um tapa que não doía no corpo, mas sim no coração. Era uma dor muito maior do que qualquer ferimento que ja tivesse sido feito. Ela abaixava a cabeça e falava:

– Eu sabia. Você não entende de nada mesmo. Você nem liga.

Ele recobrou a consciência e olhou para Lily. Estava chorando. Não conseguia entender o porquê da irmã estar tão triste assim. Ele olhava para ela, enquanto ela continuava a falar:

– Eu dou o meu máximo pra tratar você bem. Eu rezo noite e dia pra você ficar bem e seguro. Eu faço o possível pra te ajudar no que puder ser e é assim que você me trata. Eu ainda morro de medo de pilotar o Gurren Lagann. Eu estou morrendo de medo de enfrentar Simon e acabar estragando tudo. Mesmo assim, eu quero ir com você...até o fim...

Luno se acalmava aos poucos e perguntava para ela:

– Mas Lily, por que tanto desejo de ir comigo, mesmo com medo assim...?

Ela parecia soltar mais lágrimas do que antes:

– Eu te falei. Eu prefiro morrer do que viver um mundo sem você. Será que você não percebe? Não percebe que eu...eu...!

Ela levantava o rosto e falava em voz alta, com toda a força do seu coração partido:

– ...NÃO PERCEBE QUE EU AMO VOCÊ, LUNO?!

Luno parou. Estava extremamente confuso com aquilo:

– Mas...mas eu te amo também, Lily. Afinal, você é minha irmã.

Ela ria melancolicamente daquilo, e tentava limpar as lágrimas, que não paravam de escorrer pelas suas bochechas:

– Você não entende mesmo se eu te falar...eu te amo como se você fosse mais que um irmão. É isso que você é para mim!

Ela colocava as mãos nos ombros de Luno. Então, lentamente ela o deitava de costas no banco. Ficava encima dele. Ambos estavam cara-a-cara. Luno estava em choque. Parte dele queria tirar a irmã de cima dele, mas parte dele queria continuar daquele jeito, até o tempo que pudesse. A irmã dele falava:

– Falando pra você, nunca que você vai entender. Então, pelo jeito, vou ter que te mostrar...aí vamos nos...

Ela ainda mais devagar aproximava seu rosto ao de Luno. Ela acariciava o rosto e os cabelos dele. Haviam curtos momentos em que ela parecia hesitar, mas voltava a de aproximar. Estava perto. Muito perto. Cada vez mais perto. Foram segundos que pareciam eternidades para ela, quando finalmente chegou. Ela delicadamente beijou os lábios do irmão. Não se contentava com apenas um beijo, mas dava vários. Suaves e delicados beijos.

O coração de Luno disparava. Aquilo o fazia ficar sem fôlego. Seu peito queimava com aquela sensação. Era agradável. Mesmo fazendo ele ficar exausto, era como se cada pouco de ar que ele perdia aumentasse um pouco o calor dentro dele. Ele sentia o coração de Lily pulsar rapidamente. Sentia como o peito dela também estava quente. Ele ignorava todo o desconforto e se concentrava em sentir aquele calor. Lily se afastou um pouco para poder respirar. Estava ofegante e com o rosto vermelho. Luno falou em voz baixa para ela:

– Ainda não. Quero mais...

E então ele agarrou Lily em seus braços e a beijou, agora com menos delicadeza. Ele passava a mão em todo o corpo dela, devagar. Queria sentir cada fibra daquele corpo macio. Sentir cada arrepio daquela pele fina ao seu toque. Ela se excitava mais e mais. Entrava em um êxtase maior cada vez que sentia as mãos dele passarem e se aquecerem em cada pequeno pedaço do seu corpo. Ficou espantada com a reação do irmão, mas ficou muito feliz com aquilo. Queria comemorar, no meio daquele beijo. Suas bocas, suas línguas e seus corações. Foi como se ambos tivessem se tornado um só. Ficavam sentados no banco, sem interromper aquele beijo. Era um transe de ambos. Estavam hipnotizados um pelo outro. Lily se afastou um pouco e Luno deixou. Se olhavam de uma maneira afetiva, diferente. Não pareciam mais se ver como irmão um do outro. Lily olhava nos olhos dele, toda vermelha, e dizia, quase parando:

– Bem...o que você...achou...?

Luno abria um sincero sorriso, e falava com ternura nunca antes vista pela irmã:

– Era isso que você estava querendo dizer...finalmente entendi.

Ela ficava feliz por ouvir aquilo, quando ela menos esperava, Luno lhe da um abraço e diz:

– Me desculpe, Lily. Me desculpe por não ter entendido antes. Agora eu entendo tudo. Entendo porque você quer ir comigo no Gurren Lagann.

Ela ficava quase sem reação, e também muito feliz. Abraçava o irmão suavemente e falava baixinho:

– Sim...sonhei com isso a minha vida inteira. Nunca mais vou deixar isso fugir de mim...

E ficavam lá, de olhos fechados e sorrindo. O tempo parava com aqueles dois. A Lua brilhava no céu, revelando a fonte de amor e carinho que tinha naquele terraço. Uma hora, Luno se afastou um pouco e perguntou para Lily:

– Mas Lily...e a mamãe? Como que ela vai ficar quando souber isso de nos dois?

Ela acordava para o mundo real e respondia:

– Eu conversei sobre isso com ela ontem a noite. Ela ficou assustada no começo, me falando que não era certo dois irmãos se amarem dessa forma, mas...

– “Mas”...? – Ele esperava por uma resposta logo.

– ...Mas ela me disse que se é você quem eu realmente amo, não cabe a ela querer entender o porquê, muito menos tentar impedir. Se é com você que alcançarei a minha felicidade, então é com você que devo ficar! – Ela sorria alegremente falando sobre isso.

Luno sorria também. Olhava para os olhos da irmã. Estavam brilhantes e reluzentes. Luno olhava com tamanha atenção para eles, que falou:

– Sabe, o céu estava estrelado até agora pouco. Mas agora, não consigo mais ver as estrelas no céu brilhar.

Lily não entendia aquilo e perguntou sobre, quando o irmão a deu uma resposta:

– É porque você roubou o brilho de todas elas. O brilho de todas essas estrelas agora estão em você. Nem mesmo a luz do luar consegue brilhar mais que você nessa noite. A estrela mais brilhante desse universo está aqui...nos meus braços...

Lily ficava imensamente feliz ouvindo. Olhava para o irmão e via ele como alguém totalmente diferente. Estava mais maduro e mais carinhoso. Ela abraçava ele, e logo depois falava:

– Eu te amo, Luno. Quero sempre estar com você. Sempre...

– Eu vou sempre estar aqui pra você, Lily. Eu te prometo.

E voltavam a se beijar apaixonadamente. Não queriam nunca mais sair daquele momento. Era como um sonho. Um sonho que para os dois, nunca deveria acabar. Lily sentia amor de verdade. Principalmente, sentia que estava sendo amada por quem ela mais queria. A unica motivação dela era ser amada pelo irmão. Luno agora entendia o que movia a irmã a fazer tudo aquilo e ainda encontrou uma motivação a mais para vencer Simon. Era poder cumprir sua promessa para Lily, mas também para ser feliz consigo mesmo, ao lado dela. Ela era realmente uma estrela cadente que pousou na vida dele. Pensou que era iria ser a luz que o guiaria para o caminho certo. Ela seria a pessoa que faria ele feliz. Seria a pessoa que o faria nunca esquecer quem ele é: Luno. Um homem, um herói, uma lenda, mas acíma de tudo, um ser humano capaz de amar, até mesmo sua própria irmã assim e fazer o possível para manter vivo seu amor. Sua promessa.

Notas finais
Os sentimentos dos irmãos se afloraram e agora não há mais dúvida entre eles. Daquele momento em diante, sempre teriam um ao outro para ajudar e confiar. Avaliem ;)