Notas iniciais
Primeiramente, vou agradecer meu abiguinho Gabs que me deu a inspiração pra escrever isso tudo; agradecer também meu outro abiguinho Tommilson que me mandou uma hora de música high quality enquanto eu escrevia. não tá tão bom, mas espero que gostem ♥

Escuro.

Eu corria, corria o máximo que as minhas longas pernas aguentavam. Eu sentia o vento gelado contra meu rosto, cortando minha pele; o sangue endurecia em poucos segundos nos meus lábios.

Eu já estava acostumado a correr, e estava correndo havia alguns anos, para ser sincero. Meu sangue já não fazia diferença. Eu já não sentia tanta dor, não sentia o vento frio, já estava acostumado com tudo isso. Fazia muito frio. Sequer sei como eu conseguia respirar.

Eu não enxergava onde estava indo. Estava escuro demais. Eu só sabia correr, ainda que tropeçasse e caísse algumas vezes, ainda que o vento anestesiasse as minhas mãos, ainda que eu diminuísse ou acelerasse a velocidade, ainda que eu não sentisse mais forças ou até mesmo motivação para continuar correndo. Mas eu continuava do mesmo jeito; algumas pessoas me diziam que algum momento ia valer a pena, outras me falavam que alguma hora eu saberia onde estava indo e por quê continuava. Tiveram umas pessoas que me contavam histórias boas de como era o lugar que eu tanto corria para chegar; como Lá era claro, confortável e quentinho.

Escuridão.

Mas eu não entendia. Não conseguia. Havia tanto tempo que eu estava correndo, tanto tempo que o vento ardia minhas bochechas, tanto tempo sem enxergar nada, que eu não lembrava mais como era sentir outra coisa. Não conseguia imaginar o lugar que me prometiam, assim como também ninguém conseguia me explicar com exatidão como e o que era Lá.

Talvez era isso que me motivava a continuar correndo. Esse mistério, a minha vontade de descobrir como era Lá, a necessidade de sair do escuro e do contato do ar gelado. Parecia tão bom, que o vazio que eu sentia no meio do caminho ficava mais suportável.

Ausência de luz.

Contudo, em algum momento, o caminho pareceu ter mais buracos. Eu estava tropeçando com mais frequência; meus joelhos e as palmas das minhas mãos se cortavam a todo momento por causa das pedrinhas cada vez mais afiadas do chão, e o vento congelante só dificultava mais ainda. Eu estava cego, rodeado da mais completa e total escuridão, mas mesmo assim, eu sabia que estava me perdendo. Algo na minha cabeça me dizia para parar, me dizia que eu estava perdido e que nunca acharia aquele lugar bom. Ainda continuei correndo, tentando ignorar aqueles pensamentos ruins.

Só que uma hora ficou simplesmente insuportável. Essa voz que eu continuava ouvindo não parava de gritar que o Lá nunca existiu, que foi somente uma invenção das outras pessoas; que eu estava correndo para um lugar mais escuro e com um vento mais gelado ainda.

Meus músculos das pernas concordaram com a minha mente, e começaram a atrofiar. A dor era agonizante, e instintivamente, aos poucos eu fui parando de correr. Eu caí de joelhos o chão, sentindo aquelas pedrinhas perfurar minhas pele. A escuridão nunca foi tão negra como aquele momento. O ar nunca foi tão sufocante.

Eu estava perdido.

Eu não sei como, ou quando aconteceu. A única coisa que eu lembro é que foi muito rápido.

Alguém me ajudou.

Alguém me ajudou a levantar.

Alguém me ajudou a voltar a correr.

Alguém, mesmo eu não querendo, me deu uma lanterna.

Eu não entendia o por quê daquele alguém estar me ajudando. Eu não sabia por quê, dentre tantas outras pessoas que corriam no mesmo escuro que eu, aquele alguém resolveu me dar uma lanterna.

Aquele momento em específico quando Você apareceu, eu fiquei atordoado. Aquela lanterna que Você me deu me providenciava alguma luz, e eu, pela primeira vez, vi o chão que eu pisava, o ambiente que eu me encontrava. Me surpreendeu que o piso era liso, sem qualquer relevo a mais ou a menos. Me surpreendeu que o caminho estava todo indicado por placas com grandes setas pintadas em tinta vermelha. Me surpreendeu que eu não estava perdido de verdade.

Ou ao menos, ao lado de Você, eu não me sentia perdido.

Você me ajudou. Consegui continuar correndo, e agora acredito que enfim esteja no caminho certo, enfim estou chegando em Lá.

Eu continuo sentindo frio. Eu continuo correndo, com tanta força e velocidade quanto antes. Eu estou longe de chegar Lá ainda, isso eu tenho certeza. Mas estou mais certo ainda de que, com Você, e toda essa luz que Você me oferece, o caminho vai se tornar muito mais curto.

Notas finais
quem será o Você das nossas vidas? thx 4 reading
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!