Tempus Reliquius

6 Amassos no Salão Comunal


Já era tarde da noite, e ambas não conseguiam dormir.

—Belle, Belle. Acorda.

—Hum...

—Acorda. Preciso falar com você.

—Eu não estou dormido, por isso não precisa me balançar!

Larrysa e Isabelle estavam a sós em seu dormitório escolhido pelas quatro, enquanto Danielle estava na enfermaria.

—Belle, será que tudo vai ficar bem?

—Tomara que sim... — Respondeu se sentando na cama ao lado de Larrysa, enquanto esta acendia a luz com a varinha. -Tudo isso foi tão inesperado... Vydu não nos contou que era ofidioglota, nossas duas melhores amigas estão hiper mal, já criamos inimigos nesse internato... E também se não fosse aquele garoto para ajudar a esquentadinha da Vi... Non quero nem pensar.

—É... Mas era sobre isso que queria falar.

—Pode começar, não estou com um pingo de sono.

—Sabe os garotos? Sirius, Lupin e Tiago?

—Aham, o que têm eles?

—São bem gatinhos...

—Ah Larrysa faça meu favor, nem numa situação dessas!

—Não, não. Você não está entendendo. Lembra que eu fiquei me informan... Quer dizer, conversando com o Tiago?

—Sei, mas se for bobeira nem quero ouvir.

—Pô, me deixa falar!

—Sim, estou ouvindo, o que de importante ele te disse?

—Que o Sirius não queria te magoar, que as vezes ele é meio que... Grosseir'ro com o sentimento dos outros, mas ele não sabia que uma simples pergunta te perturbaria tanto. Ah! E vê se não faz essa cara. — Acrescentou Larry pela expressão de Belle. -E está disposto a te pedir desculpas.

—Não estou nem aí. Tudo bem que foi minha culpa, eu admito isso, ele não fazia nem ideia que... Bom, você sabe. Só que realmente temos que ter cuidado com quem confiamos. Temos exemplos suficientes para fazermos o contrário.

—Por Merlin Belle! Sei que é difícil de esquecer, mas você precisa se distrair com alguém.

—Não Larry!

—Belle, você precisa deixar para trás o infeliz do Bruc...

—POR MERLIM, NÃO FALE O NOME DELE! — Berrou Belle interrompendo Larry, sentindo o animal adormecido rugir em seu peito.

—Se você não esquecer nunca vai ser feliz! — Insistiu a outra.

—CHEGA!

Nisso Isabelle saiu do dormitório, batendo a porta ao passar.

“Como... Como... Como ela se atr'reveu a falar daquele desgraçado! Mas... Não! Não posso me enganar novamente! Sirius? Por que você não sai dos meus pensamentos?! DROGA! MIL VEZES DROGA!” Pensou.

***

Enquanto isso, alguns minutos antes, no dormitório dos garotos...

—Hahahaha, vocês viram quando o purê explodiu na cara do Ranhoso?

—Foi demais Tiago! — respondeu Sirius, rindo. -Mas teria sido perfeito se não tivesse aquela confusão no expresso... nem pude comer sapos de chocolate...

—Ah toma aí, deu tempo de comprar antes de desembarcar. — Jogou Pedro um sapo de chocolate de sua cama para Sirius.

—Foi uma pena que você não pode ver a cena Remo, você teve que acompanhar a Vydu para a enfermaria... Falando nisso, como elas estão?

—Hum... — Suspirou cansado olhado para o teto, deitado em sua cama. -Ela foi removia para o St. Mungus para transfusão de sangue, não estava nada bem, a Danielle está na enfermaria junto com a prima do Sirius e aquela outra garota lá.

—Sinceramente, a Bellatriz não tem jeito, eu preferia que ela e aquela turminha se...

—Sirius, é melhor você nem completar, você vai se arrepender de ter dormido com ela. — Disse Tiago.

Imediatamente o sapo de chocolate caiu da boca de Pedro e os olhos de Remo se despregaram do teto.

—Desculpe, esqueci de falar para vocês... E não me olha assim Remo que você também... Er, bom, você sabe... Com a Narcissa.

Ao ouvir aquilo, seu estomago revirou, com certeza Sirius não tinha nenhuma sensibilidade, mas engolindo seco, ainda olhando para o amigo devolveu.

—É tem razão, e eu acho que a Bellatriz mereceu o Crucio. — Mas ele não esperava a resposta que Tiago daria.

—Concordo, ela jogou uma maldição imperdoável na Vydu, além de estuporar Danielle... Devia mesmo levar outra em troca, por mais que eu ache errado lidar com magia negra.

—Mas conta aí Sirius... Você pegou a Bellatriz de jeito? – Perguntou Pedro querendo mudar de assunto, pouco a vontade.

—Foi ótimo... — Murmurou.

Eles esperaram mais alguma reação de Sirius, mas este meramente suspirou. Não é porque teve um caso, mesmo que com sua prima, que teria o dever de defendê-la verbalmente, não amava, não tinha obrigação com ninguém. Com a família que tinha e o destino que ela lhe reservara, teria que aproveitar o máximo.

—Agora eu queria saber o que Dumbledore irá fazer... — Emendou Sirius. -Bom, é melhor eu dar uma volta, não vou conseguir dormir tão cedo hoje.

—E você vai assim? – Apontou Tiago, pois seu amigo estava somente vestindo roupão e um samba-canção preta.

—Não vai ter ninguém acordado a essa hora.

E saiu fechando a porta de leve, ouvindo Pedro perguntar para Tiago detalhes sobre Bellatrix.

***

A chama crepitava na lareira refletindo no rosto de uma bela jovem absorta em seus pensamentos.

‘... não foi do jeito esperado, Merlin, me desculpe por isso mas... Nossa chegada causou...’

Ele a viu de relance, sentada no sofá somente de camisola, e resolveu se distrair.

—Um sicle por seus pensamentos. — Sussurrou em seu ouvido.

Isabelle saiu de seus pensamentos, toda arrepiada.

—Er, o que você esta fazendo aqui? — Perguntou intrigada.

—Que eu saiba, a sala comunal é pública... — Disse se sentando ao seu lado.

—Que bom que mais uma vez você mostr'ra seu lado irritante.

—E qual é o outro? — Sussurrou se aproximando e dando um sorriso de lado malicioso.

— Não sei. — Falou enquanto se afastava. -Só sei que um sicle não está a minha altur'ra, aliás, não chega nem perto, mas você não deve saber disso, por que é claro, não me conhece direito.

Sirius parou, surpreendido pela resposta, mas não era o suficiente para fazê-lo desistir.

—Se você parar de se esquivar, posso te dar tudo o que quiser, — Disse se endireitando no sofá, e olhando superiormente para ela, um olhar digno de um Black. -e até o que não quiser.

—Sua nobreza não me surpreende, muito menos o dinheiro que possa ter, Black. Tenho o suficiente para três.

—Eu, você e nosso herdeiro. — Olhou agora ela de cima a baixo, se espalhando e deixando ela no canto, encolhida.

—Haha, estou perdendo meu tempo aqui com você. Pelo visto você não tem outro lado, a não ser esse. — Se irritou se levantando violentamente.

—Ah, não vai não, você me ofendeu, e vai conhecer meu outro lado...

E puxou ela pelo braço, fazendo-a cair em cima dele.

—Agora.

—Eu não beijo desconhecidos... – Conseguiu dizer tentando se afastar.

—Pelos seus olhos, vejo que está mentindo.

A ultima palavra foi um fio de voz, pois Sirius roubou um beijo de Belle. No começo ela resistiu, mas deixou a língua quente de Sirius se aprofundar em sua boca.

Depois de se beijarem, Sirius a levantou (esta estava muito confusa para raciocinar direito) e a vou para o tapete, onde a deitou delicadamente.

Os olhos esmeraldas não conseguiam se desgrudar de sua pupila preta, e pôde ver até o contorno de sua íris que era de um azul claro, que pareciam perfurar sua alma. Ele subiu em cima dela aspirando seu cheiro de camomila, ao mesmo tempo em que beijava seu pescoço.

—Daria tudo para saber... o que te fizeram... para você ficar tão esquiva. — Sussurrou, sua respiração provocando arrepios em Belle.

—Sirius...

—Shhh... Interprete isso como um pedido de desculpas. Você não imagina como tem sorte... — A calou com um meio sorriso; ele foi descendo seus beijos enquanto subia sua mão por de dentro da camisola transparente de Belle.

Cada pedaço de seu corpo gritava por mais, e com um certo temor podia sentir o membro de Sirius pulsando no meio de suas pernas.

—Chega! – Recuperou a voz e a consciência. Deu-lhe um tapa no rosto que o fez rolar para o lado.

Sirius ficou a olhá-la enquanto esta calçava suas pantufas e tropeçava em direção às escadas, com uma virada desajeitada, falou com a voz incrivelmente firme e olhar frio.

—Boa noite Black, e obrigado pela diversão, até que deu pro gasto... – Falou dando lhe as costas, deixando–lhe confuso e com um pouco de raiva. –Aliás, não precisava me pedir desculpas, mas já que é assim, ficou a desejar.

—Você vai me desejar Isabelle, guarde que eu estou dizendo. – Conseguiu dizer enquanto Isabelle subia as escadas. E ficou sozinho.

***

O sol amanheceu entre nuvens, e Isabelle já estava pronta, ansiosa pelo inicio das aulas, e Larrysa ainda estava dormindo, assim como todos da casa da grifinória.

—Larry... acorda Larry.

—Não mãe, só mais um pouquinho...

—Que mãe o que! Vamos, levanta! Quero ver se a Danielle está melhor.

—Ta bom... Ta bom...

Passados 10 minutos, Belle percebeu que não ia conseguir acordar a amiga, pegou sua bolsa e decidiu ir para a enfermaria sozinha.

Pelo caminho foi pensando em tudo, em Dani e Vydu, pensando no discurso de Dumbledore que teve tantas palavras sábias sobre a guerra que está por vir (o que a deixou com um pouco de dúvida, pois, na França não teve nenhum conhecimento sobre qualquer guerra que estava havendo na Grã–Bretanha), o bonito banquete, pensando no que levou Bea’rtrix (ou qualquer que fosse o nome da louca) e Tonks a fazerem aquilo, a saudade de seus pais, pensando em Sirius...

Chegou à ala hospitalar, a porta estava aberta e pelo que lhe parecia, alguém lá dentro estava muito brava.

—Eu já disse que estou bem!

—Não, mocinha não insista! Você não está em condições de exigir. Ordens diretas de Dumbledore, só sairá amanhã.

—Mas...

—Sem mas. — E de onde Belle estava, viu que uma mulher enfiou um termômetro na boca de Dani a calando.

Isabelle adentrou o recinto, reprimindo um riso ao ver o ar de Dani, de total mau humor.

—Parece que já está muito bem. — Disse risonha e correu para lhe dar um apertado abraço.

—Belle! Que bom que você está aqui, mas parece que só você percebeu que melhorei. — Disse depois que devolveu o abraço.

—É, não pude deixar de ouvir sua bela voz reclamando de lá de fora.

—Então ouviu que só sairei daqui manhã, ordens expressas de Dumbledore. — Falou de forma teatral.

—Professor Dumbledore. Mas… ele falou com você?

—Não, mas de madrugada ele veio, e, você sabe, não pude deixar de ouvir a conversa.

Flash Back

—Elas melhoraram? – Disse uma voz cansada.

—Sim professor. E como está aquela outra?

—Levei-a a tempo, mas está mal, muito mal. Não posso me demorar muito, os pais da senhorita Black vão estar aqui a qualquer momento e o ministro está a minha espera. Qualquer coisa me avise.

—Sim professor, e amanhã liberarei a menina que foi só estuporada.

—A senhorita Rughy?

—Sim, ela mesma.

—Não, ela, ou qualquer aluna que melhorar deverá sair somente depois de dois dias.

—Mas ela já melhorou com o remédio que dei.

—Desculpe, mas deverá ser assim. Atá Papoula.

E saiu esvoaçando suas longas roupas douradas, manchadas de sangue.

Fim do Flash Back

—Ai não, será que ela não...

—Belle, por Merlin nem pense em algo desse tipo!

—Bom, deve estar tudo bem...

—Então, como foi o banquete? – Falou Dani, meio cabisbaixa.

—Foi lindo! Pena que vocês perderam... Teve uma apresentação de música antes do discurso de Dumbledore.

—Sério? A Vydu ia adorar, ela toca piano tão bem... Mas e aí, o que o Dumbledore falou?

E então Isabelle contou o informe de Dumbledore sobre a guerra que estava por vir, os dormitórios, como eram as provas de Horgwats, os horários de aula. Só não teve coragem de contar sobre a noite passada.

—E a primeira aula é de Transfiguração. Por Merlin! Já vai começar o café da manha, non posso perder...

—Então corre, acho que ninguém vai querer ficar'r perto de você quando está com fome...

—Haha engr’raçadinha... — E deu um beijo de despedida na bochecha pálida de Dani. –Se der eu venho depois e arrasto a preguiçosa da Larrysa junto.

—Au revoir, e aliás, você ficou uma fofa nesse uniforme de freira!

—Você sabe como eu amo esses uniformes...

E com uma risada saiu às presas da enfermaria.

***

—Ah! Oi Ti...a...go. – Cumprimentou Larrysa bocejando.

—Bom dia Larrysa.

—Por favor, pode me chamar de Larry, e aí, é verdade que você é capitão do time de quadribol?

—Sou, porque? Quer entrar no time?

—Non, vôo muito mal, mas a Danielle adora quadribol, e a propósito, ela voa muito bem.

—Você sabe qual a vassoura que ela tem?

—Não, infelizmente não, mas você pode perguntar para ela...

—Sério? Aliás ela melhorou?

—Isso eu também não sei dizer. Mas se quiser pode visitá-la na enfermaria.

Tiago pensou bem nessa hipótese, e olhando para seu relógio constatou que não daria tempo de visitá-la, teria que tomar café.

—Agora não vai dar... Mas, você pode me contar mais da Danielle a caminho do café da manhã, depois das aulas vou dar um pulo para vê-la.

—Então vamos, a Danielle tem uns segredos que deixaria qualquer menino pirado.

—Nossa, e quais são?

—Ah, isso já, já você vai descobrir, se me prometer não contar para ninguém.

—É claro. – Disse com um olhar malicioso conduzindo Larrysa para o buraco no retrato.

‘E a cupida ataca novamente. É, a Danielle me deve uma...’ Pensou Larrysa com um sorriso no rosto.

Estavam atravessando o retrato quando um garoto tropeçou neles eles.

—Ei idiota, não olha por onde anda?... Ah, oi Sirius.

—Oi Tiago, oi Larrysa, agora não dá para falar, tenho que encontrar com alguém.

—Au revoir Sirius! – Gritou Larry para este que já estava longe.

Tiago meramente riu, já adivinhando o que seu amigo iria fazer.

***

‘Merlin, como me deixei levar!? Hum... Mas foi bom, tomara que eu não esteja tão enganada assim a respeito dele...’ Pensou Isabelle. Esta virou o rosto para se localizar e teve uma desagradável surpresa.

Sirius Black estava em uma entrada lateral, no maior amasso com uma garota de cabelos castanhos e olhos puxados. Fitou-os por alguns segundos e virou o rosto, apressando o passo e sentindo o rosto esquentar de raiva.

‘Mal o ano começou e eu já quebro a cara, enganada por um cafajeste... Que ótimo!’

Isabelle passava por um grupo de garotos do 1º ano da Corvinal quando não conseguiu se segurar.

—Malditos sejam todos os Black! – Disse em voz alta quase gritando. Alguns calouros assustados se prensaram na parede, deixando-a passar.

‘Usada, burra, isso que eu fui e estou sendo... Non irei perder meu tempo pensando nesse imbecil, insensível... Tenho mais com que me preocupar, por exemplo... Com... Err... Meus estudos...’

Com esse pensamento final, se sentou à mesa da grifinória ao lado de alguns conhecidos, pouco ligando para as perguntas preocupadas de Larrysa. Pegou a torrada mais próxima, tentando em vão fazer com que suas mãos parassem de tremer.

Notas finais
Demorou um pouquinho, mas aí está o sexto capítulo... Espero que estejam gostando! Beijinhos, Belle Black. :D