Tempted

6 Impressões - Especial Grey


Notas iniciais
A surpresinha! Espero que goste!

Especial Grey

Anastasia Steel... Então essa era a namoradinha de Elliot. Anastasia... Eu repetia seu nome em pensamento enquanto acelerava rumo à Seattle, voltando para meu apartamento no Escala.

Eu não costumava me dispor a atividades familiares, mas havia recebido um convite de minha mãe e uma intimação de Mia para estar presente quando Elliot fosse apresentar sua futura esposa. Eu não tinha dado uma resposta certeira. Eu sabia muito pouco da vida pessoal de Elliot, tinha apenas a impressão geral de que ele já foi para a cama com a maioria das mulheres bonitas da cidade, por isso fiquei chocado e um pouco curioso a respeito do caso. Não fosse isso e o fato de fazer muito tempo que não via Grace, eu não teria ido.

No determinado dia, chego à casa dos Grey, vou para meu antigo quarto e o encontro aberto. A princípio achei que talvez Mia ou minha mãe tivesse adivinhado que eu chegaria e mandaram alguém arrumar... Mas não. Ao entrar na suíte para preparar meu banho encontro uma linda intrusa, nua, dentro da minha banheira.

“Quem é você?” perguntei no impulso da surpresa. Eu poderia ter ficado mais tempo aproveitando a visão daquela mulher jovem ali, relaxada, dormindo.

Assim que ela acorda e se assusta comigo, percebo um par te olhos muito azuis, tão puros, arregalados em alerta súbito. Ela corou tão furiosamente que me senti inclinado a acalmá-la, por isso, puxei a primeira toalha que estava em meu alcance e lancei para ela.

“Quem é você?” perguntamos os dois ao mesmo tempo.

Sua voz era doce e agradável.

Ela estava tão nervosa que respondeu primeiro enquanto enrolava o tecido em torno do seu corpo bonito. Sua pele era tão lisa... Suas formas tão harmônicas, brilhando molhadas. Eu quis tocá-la para saber se também era suave e macia.

Depois de se apresentar, Anastasia correu os olhos sobre mim. Era uma sensação prazerosa seu olhar surpreso conectado ao meu corpo como ímã ao metal.

“A namoradinha do Elliot?” perguntei um pouco incrédulo.

“Sim”, ela me respondeu franzindo as sobrancelhas. De novo olhou para mim, para meu corpo. Eu podia sentir que sua presença e beleza estavam começando a fazer efeito sobre mim, a cada instante mais. Imediatamente ela pediu que eu me cobrisse. Imaginei o porquê e ri. Separei um roupão para mim. Também não queria assustá-la ficando “indecente” frente a ela.

“A propósito, sou Christian Grey”, falei.

Vi sua boca se abrir em esclarecimento. Um par de lábios vermelhos e cheios. Hum... Começou a ficar da vez mais difícil manter a decência.

Tive que explicar a ela que aquele era meu quarto para que ela acreditasse que não invadi sua privacidade de propósito. Aliás, era quase o contrário: era ela quem estava invadindo a minha privacidade, levando em conta o meu lado da história, o que quase nunca acontecia.

“Você pode, por favor, sair enquanto eu me arrumo?”, ela pediu.

Fiz esse favor com parte de mim protestando por dentro. A parte mais irracional. Essa parte estava completamente desperta e encantada pela Srta. Steele, e me fez dispersar um longo olhar por cima daquela figura bonita e sensual a minha frente antes de sair.

Voltar para o quarto desfez a tensão no ar que eu nem percebi que havia antes, e precisei ir até a sacada na esperança de que o vento acalmasse meu fluxo sanguíneo. Ah! Meu corpo havia despertado e estava totalmente sob o efeito daquela estranha jovem no banheiro.

Se fosse minha... Se ela fosse minha...

Sacudi a cabeça tentando afastar aquele pensamento. Logo ela sairia do banheiro e eu não gostaria de parecer um tarado, incontido perante ela. Por isso, fui até minha mala e peguei uma calça jeans. Voltei para a sacada e esperei.

Logo Anastasia estava de volta. Sua roupa cobria, mas não escondia suas refinadas curvas. E só de pensar como estava tão exposta há poucos minutos atrás eu já começava a sentir meu corpo se animar de novo. Forcei-me logo a falar:

“Eu estranhei essas coisas ali... Mas como estava cansado, não parei para investigar do que se tratava”.

Esperei que ela me respondesse, mas não. Parecia não querer colocar os olhos em mim de novo, o que era uma pena, pois adoraria admirá-los outra vez.

Continuei falando na expectativa que ela fizesse algum comentário ou me olhasse, mas cada vez mais ficava nervosa e não conseguia cumprir com sua tarefa de dobrar e guardar as roupas em sua bolsa.

“Quer ajuda aí?”, perguntei.

“Não”.

Anastasia estava na defensiva, arredia e arisca. Talvez ela não estivesse acostumada a ver homens nus, o que, de alguma forma, foi um pensamento reconfortante. Mas aí lembrei que ela era a noiva de Elliot. NOIVA! Não era possível. Não Anastasia... Eu não a conhecia, mas poderia jurar que não havia homem menos compatível com ela do que Elliot. Era muito estranho imaginar eles dois.

Quando terminou seu desafio com as roupas, Anastasia finalmente se ergueu tentando ficar suficiente altiva, na defensiva novamente.

“Eu vou falar com a senhora Grey e esclarecer o mal entendido”, ela disse.

Precisei convencê-la de que eu poderia cuidar disso. Como falei a ela, eu mesmo gosto de resolver assuntos que envolvam a mim.

“Venha. Eu vou lhe mostrar outro quarto”, falei.

Direcionei-a até o quarto em frente ao meu. Parecia arrumado o suficiente para um hóspede e a deixei ali.

Voltei para o meu cômodo e enfim segui para o banho. Anastasia havia deixado seu perfume impregnado no banheiro e na toalha que usou para se enxugar. Era uma das minhas toalhas. Ah... Era um cheiro muito bom.

Meu corpo se acendeu novamente à mera lembrança do corpo dela, misturado ao perfume. A visão dela dentro da minha banheira estava marcada sob minhas pálpebras, quando fechei os olhos ao ir para a cama descansar. Fiquei por algum tempo imaginando o que teria feito se ela fosse minha.

Eu estava agindo como um adolescente, impressionado pela vizinha nova e bonita. Mas o melhor é que eu causava efeitos nela, eu sabia que sim... A parte racional do meu cérebro dizia que tudo que ela expressou foi espanto, surpresa e vergonha, mas a parte irracional dizia que ela gostou do que viu, e ficou abalada com isso... Eu precisava testar. Eu precisava ter certeza do efeito que eu causei na Srta. Steele. Por que eu tinha certeza do efeito que ela causou em mim.

***

À sala de estar encontrei o momento perfeito para colocar minha análise em prática. Anastasia estava linda num vestido rosa que não se grudava em seu corpo, mas dava margem para minha imaginação desenhá-lo como eu já sabia que ele era... Isso era tentador.

Ela estava sentada frente a mim, apertando as pernas cruzadas e cobertas com uma almofada. Ela dispersava toda vez que me olhava por muito tempo. Já conheci mulheres que ficavam assim também, mas a maioria uma hora ou outra começava a ceder e, mais cedo ou mais tarde, se jogar para cima de mim. Algo me dizia que as coisas com Anastasia não aconteciam desse jeito.

O modo como ela se portava e falava era muito digno e também muito inocente. Seus olhos azuis demonstravam inteligência, o que a tornava ainda mais interessante. Seus lábios... Mexiam comigo.

Não era difícil entender porque um homem a pediria em casamento em tão pouco tempo. Está na vaidade masculina o desejo de ostentar, ao menos para si mesmo, o privilégio de ter como companheira uma mulher do tipo da Srta. Steele. Imaginei novamente se ela fosse minha... Com quanta deferência eu não a trataria? Seu refinamento era merecedor dos melhores prazeres que a vida pode oferecer! Sua beleza mexia comigo... Eu poderia colocar o mundo aos seus pés.

Passei o dedo pelo meu próprio lábio, vagamente consciente de que o fazia, tentando acalmar a vontade de sentir os lábios dela nos meus. Ela se engasgou bebendo vinho olhando para mim.

“Cuidado Srta. Steele”, eu disse. Mas não era só sobre o vinho, era sobre o que ela estava fazendo comigo. Seja lá o que for, era bom que parasse... Ou então...

Por sorte, Mia nos interrompeu.

***

A hora do jantar chegou e eu tive a chance de confirmar outra coisa além das reações que eu causava em Anastasia: o quanto Elliot definitivamente não era homem para ela. Eu não sei o quanto Anastasia conhecia meu irmão. Julgando pelo tempo de relacionamento que fiquei sabendo que eles tinham, não poderia conhecer muito... Elliot era um adolescente no corpo de um homem. O que Anastasia merecia era um homem de verdade.

Ele contou a todos sobre os problemas que vinha enfrentando na empresa. Podem me chamar de workaholic, mas eu nunca deixaria o caos se instalar desta maneira nos meus negócios. Isso era irresponsabilidade. Abstive-me de comentar mais sobre qualquer coisa, afinal, meu pai também estava metido nos negócios de Elliot, e com certeza ele desprezaria minha opinião. Sei que ele nunca foi muito meu fã. No fundo eu também sei que só Sra. Grace realmente quis me adotar, mas nunca falei sobre isso com ninguém. Eu me sentia um tanto preso a eles, os Grey, por isso. Posso ter conseguido tudo com a força do meu trabalho, mas eu vim de um nada onde não teria conseguido sequer sobreviver. Eu devia à bondade de Grace e ao dinheiro de Carrick. Era minha única dívida com ele.

Mas voltando à Anastasia, fiquei analisando seus modos durante a maior parte do jantar, e cada vez mais comprovava para mim mesmo que Elliot era insuficiente para ela. Estava começando a ficar internamente irritado e ao mesmo tempo entediado com isso. Eu poderia estar ganhando alguns dólares a mais trabalhando em vez de ficar aqui tendo que suportar a visão divergente deles dois juntos. Foi então que Mia e Grace começaram a fazer suspense sobre uma proposta para Anastasia. Logo, eu quis saber do que se tratava.

Quando elas finalmente desfizeram o mistério, fiquei surpreso. Queriam que Anastasia ficasse ali mais tempo para que pudessem conhecê-la melhor antes do casamento!

No segundo seguinte me peguei ansioso pela resposta de Ana, mas no final, apesar de sua negativa momentânea, fiquei satisfeito em ver que ela valorizava seu trabalho e iria pensar. Definitivamente era uma mulher de espírito forte. Uma mulher, não uma garota fútil e vaidosa como a maioria das quais eu conheci como namoradas de Elliot.

Oh! O que diabos uma mulher como ela estava fazendo com um cara como Elliot?

***

Mais tarde, todos seguiram para a sala e eu fui para o jardim. Precisava de privacidade para dar uns telefonemas importantes e me colocar a par de tudo o que aconteceu na empresa durante o dia. Mandei e-mails do próprio celular e li os relatórios que minhas assistentes me enviaram. Era muito bom manter tudo sob controle.

Assim que acabei meu trabalho, percebi que as luzes da sala estavam apagadas. Apenas um abajur iluminava uma poltrona vazia. Ainda assim, vislumbrei na penumbra o braço de Elliot por cima do encosto do sofá. Ele estava inclinado e eu poderia imaginar a cena como se estivesse tão claro quanto o dia...

Novamente a parte racional do meu cérebro interrompeu uma raiva súbita que cresceu em mim, dizendo que eu não deveria me meter. Eles eram os noivos, a final. Mas a parte irracional não estava gostando de nada disso. Eu gostava mais da parte irracional.

Entrei na sala fazendo a porta soar mais ruidosa que o normal. Percebi o burburinho que me indicava o movimento rápido de Elliot e Anastasia se ajeitando no sofá. Uma satisfação idiota me preencheu por tê-los interrompido. Segui em direção às escadas como se sequer estivesse os vendo, mas depois falei:

“Comportem-se!”.

Eu queria mesmo que Elliot saísse se perto dela.

***

À noite foi um pesadelo cheio de sonhos. Ah, como eu detestava me sentir excitado e impotente. Sim, porque a visão de Anastasia na banheira vagou pela minha inconsciência, onde eu pude colocar em prática tudo o que senti vontade de fazer com ela mais cedo. Entrei na banheira com ela e a mantive presa entre meus braços e pernas. Ela virava a cabeça para trás, tentando me enxergar. Seus olhos eram ansiosos e vivos. Eu sentia meu corpo ferver contra o dela, incontido e irrefreável.

Anastasia era tão macia e suave quanto achei que fosse. Também era quente e estava tão excitada quanto eu. Massageei seu corpo com o óleo de banho e a senti se desfazendo em meus braços, cada vez mais entregue. Passei meus lábios pelo seu pescoço e ela se apertou contra mim, contra aquela parte do meu corpo que era o centro de todo meu desejo.

“Ah, Anastasia...”, suspirei.

“Christian...”.

Coloquei-me de pé e saí da banheira, puxando-a para meus braços em seguida. Ela sorriu e se pendurou em meu pescoço. Fomos para o quarto e a deitei na cama, molhada, em todos os sentidos. Seu corpo brilhava incandescente, como seus olhos. Ela sorria para mim, e eu sabia que me queria, do mesmo jeito, na mesma intensidade.

Ela era minha. E não apenas porque eu gostaria que fosse. No sonho ela era minha, e eu dela. Sabia disso.

Achei que eu fosse explodir perante a visão de Anastasia, em minha cama, entendendo sua mão para que eu me aproximasse, suas pernas roçando uma na outra. Pairei sobre ela e a provoquei, beijando seu corpo pelo pescoço, seios e abdômen. Ela se contorcia, mordendo o lábio e movendo os quadris, o que me fazia sorrir. Mas eu estava chegando ao limite, assim como ela. Então, posicionei-me melhor entre suas coxas e me coloquei dentro dela. Tão quente, tão minha.

“Minha Anastasia”, falei incontido.

“Sua, Christian”, ela confirmou.

Movi-me sem controle, impulsionado por ela e pelos reflexos de seu corpo em relação a mim. O modo como ela me apertava... Todo meu ser estava rendido e entregue àquela sensação bruta e primitiva. “Ah!”, Anastasia gemeu. Ela era uma perdição. Ela queria mais. Eu queria mais.

Saí de dentro dela rapidamente e ela gemeu em protesto. Virei-a de costas e puxei seus quadris para mim, colocando-a sobre os próprios joelhos e a tomei novamente. A cada movimento sua respiração saía mais forte e trêmula. Ela se inclinava mais contra mim, estava louca, como eu. Era quase animal, não havia controle ou raciocínio e estava levando tudo de mim.

Com força, dentro e fora. Era tudo meu.

Eu estava perdido.

***

Acordei sentindo os efeitos do sonho. Era uma droga! Eu estava pegando fogo, mas a cama estava fria e não havia Anastasia. Demorei muito tempo para aceitar a realidade de que ela não era minha, que na verdade eu mal a conhecia e que ela era noiva de outro.

“Ódio!”, praguejei lançando os lençóis para longe de mim. Estava suado e excitado, desejoso de uma mulher que conheci há apenas um dia.

Já era manhã, cinco horas. Não consegui dormir desde então. Tive que suportar o relógio até estar claro suficiente para correr. Foi quando estava saindo que encontrei Anastasia no corredor. Minha sorte (ou a dela), que minha cueca era apertada. Tive que usar mais do que toda a força de vontade que possuía para tentar soar comum, indiferente, se é que consegui.

Anastasia estava nervosa com minha presença. Eu a queria entregue e desejosa como no sonho, tranquila, certa de que era minha. Mas não era!

Ah, como eu gostaria de tê-la conhecido antes, antes de Elliot ou qualquer outro.

Ódio!

Onde eu estive? Onde ela esteve?

Não fui tomar café em sua presença, pois estava ficando doloroso me controlar. Corri em torno da propriedade de meus pais e não voltei mais até a hora do almoço, ficando na casa de barcos, fazendo séries de exercícios do meu treino semanal. Esgotado, voltei para a casa grande e fiquei decepcionado e aliviado ao mesmo tempo por saber que ela não estava mais.

Meu lado racional me alertou de que era o melhor que poderia acontecer: manter distância.

Eu estava prestes a ir embora quando Grace me convenceu a almoçar com ela. Não consegui dizer não. Tive que fazer uma conferência online com uns sócios logo em seguida, no meu escritório que estava sempre bem equipado.

Negócios me acalmavam. Mesmo quando me irritavam, era melhor lidar com assuntos frios. E consegui esquecer Anastasia por algumas horas. Até que vi, pela janela, o carro de Elliot voltando para casa horas depois. Ele não estava sozinho, então eu soube que Anastasia havia se decidido por aceitar o convite de minha mãe e Mia. Eu precisava dar o fora dali.

A cena na cozinha me deixou furioso e também ressentido. Não quero nem especular por quê. Mas ver Anastasia e Elliot, jogados no chão, sujos, rindo, era uma cena onde eles, pela primeira vez, aparentaram alguma semelhança: como duas crianças grandes fazendo brincadeiras. Eu não era assim. Anastasia era assim? Como Elliot?

Eu não sabia dizer.

A ideia de que talvez eles tivessem qualquer coisa em comum me encheu de raiva. Eu tive certeza de que precisava ir embora. Não ficaria para o jantar. Grace me seguiu e tentou me convencer do contrário, mas ela sabia que quando eu estava determinado, nada poderia me desviar dos meus objetivos. Disse-lhe que não me afastaria de meu trabalho nem um momento a mais, e quanto a isso ela não poderia se opor.

E cá estou eu, voltando para o Escala, para meus negócios e minha rotina.

Notas finais
Obrigada por ler!