Tempted
10 Faíscas
Notas iniciais
POV Anastasia – tempo presente
Nada mais de Elliot me ligar pelo resto da tarde. E essa história de que ele só voltaria no fim de semana... O que ele estava pensando? Tudo bem que já era quarta-feira, e ele estava resolvendo um problema mais que sério, mas... Supostamente era para eu estar me sentindo em família, só que não estou. Mia tem sido adorável comigo, mas ela tem seus próprios assuntos e não é a única Grey que “deveria me conhecer melhor” nesse mês. A Sra. Grey está no trabalho e o Sr. Grey tentando salvar a pele de Elliot. Christian... Bem... Eu nem sei o que pensar! Talvez ele seja o único Grey do qual eu não devo me aproximar de mais. O fato era que eu estava começando a me sentir sozinha nessa casa imensa. Com o trabalho feito, não havia mais nada o que fazer...
Já era noite quando resolvi ligar para Kate.
— Ana! Que bom que você ligou!
Sorri ao ouvir a voz dela.
— Senti sua falta... Ah, Kate, aqui está tudo tão estranho!
Contei a ela minhas lamúrias e preocupações. Tive que abrir o jogo também sobre os problemas na Grey Publicity para que ela entendesse melhor a questão.
— Mas você, por favor... Não se meta nisso, ok? Sei que seu faro investigativo é ótimo, mas, Kate, nada disso pode ir a público ainda, não enquanto não se sabe quem é o culpado. Carrick e Elliot estão trabalhando duro para manter o assunto abafado.
Eu quase pude visualizar Kate fazendo “blá blá blá” mudo enquanto eu falava aquelas coisas. Ela não gostava quando eu agia com receio por ela ser jornalista. Mas se tratando de uma empresa grande, com nome no mercado, o problema da Grey Publicity seria um prato cheio para qualquer jornalista.
— Ana, quando você vai entender que eu jamais venderia os nossos assuntos por uma primeira página?
— As agências têm mecanismos de pressão, poderiam forçar a barra com você se soubessem da nossa proximidade e da relação que eu tenho com os Grey.
— Certo, Ana. Tudo bem. Vou me fingir de cega, surda e muda para tudo que dizer respeito a esse assunto. E, para garantir, eu não conheço nenhuma Anastasia Steele a partir de agora. Saiba que as redações ainda estão completamente ignorantes sobre o fato.
— Que bom!
— Mas o Elliot deve estar bem ferradinho, não acha?
— Kate!
— Ana, só estou dizendo o que penso. Mas o que interessa é: como você está se sentindo em relação a tudo isso?
— Ah! No momento? Desanimada!
— E os outros Grey? Você disse que Christian e Mia estão em casa. Você deveria tentar se enturmar com os dois.
Mordi o lábio. Não sabia se dizer para Kate que Christian me deixava intimidada era uma má ideia ou não.
— Pode ser. – menti. — Mas queria mesmo era que você estivesse aqui.
— Oh, Ana, você sabe que eu iria... Mas não acho que seja a hora de fazer uma visita. Podem pensar que você está se aproveitando da hospitalidade dos donos que não estão em casa.
— Cem certeza. Mas você me deu uma ideia. Vou propor um jantar para apresentar você a eles.
— Ótima ideia!
Continuamos conversando por mais um tempo antes de Kate começar a bocejar e eu ter que, educadamente, propor que desligássemos. Eu teria virado a noite no telefone se ela não tivesse aparentado cansaço. Assim, fui para o quarto me preparar para dormir. No caminho, passei, inevitavelmente, pela porta do quarto de Christian. Que incrível! Tive a sensação de sentir o perfume daquele homem ao me aproximar da porta!
Encostei de leve o ouvido na madeira lisa para ter uma noção qualquer do que se passava do lado de dentro. Não sei por que fiz isso. Talvez só quisesse saber se ele estava ou não lá dentro de verdade. Foi quando fui sobressaltada.
— Me espionando, srta. Steele?
Puta merda!
Num pulo, dei meia volta e, adivinha! Christian estava atrás de mim. Como eu não o ouvi se aproximando? Ah, claro! Ele estava descalço, e... Droga! Seminu. Quer dizer, ele usava calça de moletom preta, mas sem camisa, o que era uma visão completamente opressora. Imediatamente lembrei o sonho impróprio que tive com ele e minha pressão caiu. Da cintura para cima, Christian era largo e definido. Numa mão ele trazia um copo de água e, na outra, o celular. Seu cabelo estava molhado e espetado para todas as direções. Os olhos pareciam límpidos, curiosos. Mas era nos seus quadris de onde pulsava maior parte do magnetismo visual daquele homem. A calça frouxa parecia que ia cair a qualquer momento, e isso criava uma tensão constante que não me permitiu tirar os olhos daquela região por alguns segundos incrivelmente constrangedores.
— Anastasia, você está bem? – Christian perguntou. Eu deveria ter empalidecido ou algo do tipo para ele ter se sentido impelido à pergunta.
— Eu não... Não sei... – balbuciei como uma idiota. — Só queria saber se tinha alguém aqui em cima. Desculpe. Eu não tenho o hábito de... O que disse? Espionar? Não. Eu...
— Estava procurando por alguém? Por quê? Algum problema? Se sente mal? – Christian enfiou o celular no bolso do moletom e meu olhar seguiu o movimento. Tive a impressão de que o cós da calça escorregou dois centímetros para baixo com o peso do celular, expondo o contorno do osso do quadril de Christian. — Vamos, beba um pouco da água.
Ele pegou minha mão com sua mão livre e encaixou o copo que trazia nela. Eu estava entrando em pane de tanta vergonha.
— Beba! – Christian... ordenou? Direcionando o copo em minha mão até a boca.
Depois de engolir dois goles, a temperatura da água conseguiu reativar alguns neurônios no meu cérebro e eu pude tentar articular melhor.
— Eu só estou preocupada. Não é nada demais. Estou bem.
— O que houve?
— Estava pensando sobre os problemas pelos quais Elliot está passando.
Christian soltou minha mão que segurava o copo e cruzou os braços, assumindo uma postura mais séria e menos preocupada.
— Digamos que eu não tenho permissão para me intrometer nesse assunto, então acho que não há muito no que eu possa lhe ajudar.
— Você... Nunca passou por nada parecido? Sabe, na sua empresa.
— Não. E você já está melhor? Precisa de mais alguma coisa? – foi impressão minha ou o tom dele mudou completamente, como se quisesse encerrar a conversa?
— N-não.
— Certo. Qualquer coisa, lembre-se de usar o interfone. Pode ligar para Martha. – Ele começou a dar um passo para frente, o que automaticamente fez eu me afastar da porta. — Tenha uma boa noite, Srta. Steele. – e entrou no quarto.
Ótimo. Era tudo o que eu precisava para acabar com meu dia: passar um constrangimento desses! Emburrada, fui para o quarto da frente e me joguei na cama, desejando que o colchão me engolisse e teletransportasse para meu apartamento com Kate.
***
A noite passou muito rápido. Acordei no outro dia me sentindo como um pedaço de pão amassado do dia anterior. Parecia que eu estava numa viagem a trabalho e tinha ficado até tarde numa daquelas reuniões maçantes e agora precisava sair e começar tudo de novo num lugar estranho.
Levantei da cama estalando o pescoço e sentindo meu corpo mole e fraco. Fui até o guarda-roupa procurar algo para vestir e tive uma ideia. Separei uma combinação de roupa de ginástica, um par de tênis, meias e uma toalha. Estava decidida a me animar nem que para isso fosse preciso chegar ao limite do esforço físico (o que pra mim não deveria demorar muito).
— Oi Martha! – cumprimentei assim que cheguei à cozinha.
— Bom dia, senhorita, como vai? Vai passear?
— Dar uma corrida ao redor da casa, parece que tem muito espaço para isso aqui.
— Tem mesmo! O senhor Christian adora fazer isso também. – Ela comentou me entregando café e queijo quente.
Imaginei rapidamente Christian naquela calça de moletom, correndo. Com certeza uma hora ela ia cair daqueles quadris.
“ANA!” – me repreendi mentalmente.
— E Mia, já levantou? – Perguntei.
— Ainda não. Hoje ela deve acordar lá pelo meio dia! – Martha riu.
— Por quê?
— Ontem vi a mocinha zanzando por aqui. Já era mais de meia noite e estava no celular. – de repente Martha ficou séria. — Ah, me desculpe! Eu não deveria ficar comentando sobre os patrões.
— Não tem problema, Martha, não se preocupe. Estamos só tendo uma conversa comum, informal. Gosto disso. – Garanti. — Não quero que me veja como sua senhora. Quantos anos você tem?
— Vinte e cinco.
— Viu? Eu tenho vinte e dois. Podemos nos tratar como colegas de... moradia, sei lá!
Martha riu.
— Tudo bem então.
— E você estuda, Martha?
— Eu comecei faculdade há uns quatro anos atrás, mas tive que parar.
— Por quê? – perguntei sinceramente interessada.
— Eu fiquei grávida no segundo semestre. Certas coisas aconteceram na minha família e eu precisei parar. Conheci a senhora Grey no hospital quando fui dar à luz.
— Oh, não me diga! – exclamei surpresa. — E seu bebê já está com quantos anos? Três? Quatro? Onde ele está? Mora em alguma parte da casa?
Martha baixou os olhos.
— Não, não. Ele nasceu prematuro. Não... resistiu.
A declaração de Martha me acertou em cheio e senti minha garganta fechar.
— Sinto muito. Muito mesmo.
— É... Mas com o tempo percebi que tudo teve um lado bom. A senhora Grey me deu esse trabalho. Agora moro aqui e vivo muito melhor que antes.
Fiquei instigada a fazer mais perguntas, sobre como era a família dela, de onde ela vinha e onde estaria o pai da criança que ela teve, mas achei que seria intromissão demais. Então, tentei retomar um tema mais fácil.
— E você não pensa em voltar a estudar?
— Ah, penso sim! – Martha sorriu, o que foi um alívio. — O Sr. Grey já se ofereceu para conseguir uma bolsa para mim na faculdade que ele ajuda a financiar. Mas na época eu estava tão abalada... Decidi esperar. Quem sabe ano que vem?
Sorri. Meu ânimo decididamente estava começando a melhorar em relação aos Grey.
— Então Carrick financia uma faculdade? Qual?
— Não, não. Eu me referia ao outro senhor Grey. O moço, Christian.
Ao ouvir isso o café que eu tomava quase subiu pelas minhas narinas.
— Christian?
— Sim. Ele é um ótimo patrão, apesar de não parar aqui.
Terminei de engolir meu café tentando digerir aquela informação sobre Christian. Um lado que eu definitivamente não poderia nem imaginar. Quer dizer, dificilmente eu poderia imaginar um lado qualquer, já que ele era tão difícil de ler. Levantei.
— Bom, sinto-me feliz em saber que você tem perspectivas de voltar a estudar. É ótimo que os Grey apoiem isso.
— É sim! – Martha sorriu parecendo mais feliz.
— Bom, Martha, eu já vou. – avisei. — Devo estar de volta ao meio dia.
— Tudo bem senhorita. Aproveite o passeio.
Assim, saí pelas portas de trás da mansão Grey. O dia estava muito fresco e levemente úmido. Na solidão e vastidão daquela área me forcei a afastar a última nova sobre Christian dos meus pensamentos. Havia muita coisa para ver. A primeira parte do jardim era composta de grama, arbustos e pequenas árvores ornamentais. Não tinha uma trilha, então comecei caminhando, aproveitando para reparar nos detalhes bonitos da decoração, aquele coreto de pedra onde Elliot me levou para fazer piquenique noturno, alguns chafarizes pequenos cujas flores de pedra espirravam finos esguichos de água, um banco de pedra aqui e ali à sombra de uma árvore mais robusta.
Aos poucos comecei a correr. Correr de leve, sem ir rápido demais para não perder a paisagem. Era o lugar perfeito para um romance. Eu poderia escrever sobre um e quem sabe até publicar!
Aos poucos o cenário foi mudando e mais árvores começavam a aparecer, mais próximas umas das outras, com folhagens coloridas em diversos tons de verde. Algumas davam flores rosas e amarelas. Nessa parte do jardim havia uma trilha de terra com pedras que não pareciam ter sido postas ali de propósito. Era muito mais natural. Preferi seguir a trilha para não me perder. Aqui o canto dos pássaros era mais forte e minhas pisadas no chão, mais ruidosas, conforme eu amassava as folhas e gravetos caídos. Às vezes parecia até que tinha mais alguém correndo junto comigo. Eu olhei para trás algumas vezes, mas tudo era uma confusão de troncos e folhas e flores. Deveria ter animais, pensei. Eu deveria estar ouvindo os bichos do jardim.
Começou a ficar quente, à medida que eu corria, o bosque começou a rarear e antecipei a expectativa de encontrar o lago.
***
POV Christian
— Bom dia, Martha. – cumprimentei. Martha sorriu timidamente, como sempre. — Meu café está pronto?
— Já separei, senhor. Está na mesa da varanda, como o senhor pediu.
— Obrigado, Martha. – disse, e ela sorriu de novo.
Martha era jovem e eficiente. Isso me agradava muito. Acho que eu tinha alguma simpatia por ela e poderia conversar com a Sra. Grey para considerar um aumento para a garota. Eu deveria começar a pensar numa substituição para ela quando ela decidisse aceitar a bolsa de estudos. Quem sabe quando ela se formar, poderíamos contratá-la novamente, num outro cargo, em uma das empresas, talvez.
Saí para a varanda e enchi os pulmões com ar. Devorei um misto quente em apenas três mordidas. Noite passada tinha sido mais uma noite de sonhos confusos. Tudo começava com problemas na empresa, negócios e, de repente, ela de novo. Srta. Steele. Acordar na madrugada, suado, excitado e sozinho estava começando a me estressar. Mesmo agora, só de imaginar onde estaria Anastasia, com aquele seu par de olhos vivos e seu jeito afetado por mim, eu começava a sentir meu sangue se agitar.
Ontem à noite... Não pareceu que ela estava bem, mas também não tenho certeza se a desculpa que me deu para estar ouvindo atrás da porta era verdadeira. Sua preocupação com o caso do meu irmão (para todos os casos) era plausível, mas não o suficiente para quase hiperventilar. Se não estivéssemos nessas circunstâncias, se ela não fosse noiva de Elliot e estivesse fazendo esse intercâmbio ridículo em nossa casa, eu poderia tentar alguma coisa.
Muitas mulheres já foram opção para mim desde que ingressei nos negócios. Mas com o histórico de vida que eu tenho, sou capaz de perceber o que atrai as pessoas até mim. Antigamente, a maioria delas se afastava. A atração que exerço hoje tem muito mais a ver com meu dinheiro e posição social do que comigo mesmo.
Antes que meus pensamentos divagassem por caminhos mais desagradáveis decidi levantar e começar a correr. Chegar ao esgotamento físico era a única fórmula que costumava dar certo para me acalmar. Infelizmente a extensão da propriedade de meus pais estava se tornando uma distância insuficiente para o fôlego que eu já tinha. Eu precisava achar algo que me esgotasse mais.
***
POV Ana
Suando que nem uma porca na esteira, eu finalmente cheguei até o lago. O pouco ar dos meus pulões escapou de vez enquanto eu me impressionava novamente com a vista. A manhã dava novo ar à paisagem, parecendo mais pacífica e tranquila. Caminhei até a margem do lago e me abaixei para lavar o rosto. A água era um pouco gelada e mais clara do que parecia à distância, o que era excepcionalmente convidativo. Era como estar naqueles romances antigos onde a personagem principal vive naqueles interiores idílicos, onde a natureza faz com que sonhemos com romance e magia. Hum... Isso parecia bom!
Antes que eu começasse a pensar demais e encontrar razões que me impedissem de executar minha vontade, decidi que daria um mergulho. Corri até a casa do lago para verificar se não havia um segurança ou alguém que pudesse me bisbilhotar. Não me surpreendi de encontrar a porta aberta, mas com certeza me surpreendi com a beleza da casinha. Era ainda mais bonita de perto. Havia uma escadinha lateral que descia para onde os barcos ficavam guardados. Subindo os primeiros degraus da entrada, cheguei até uma espécie de sala, equipada com poucos móveis para se acomodar. Contudo, havia dois pares de armários que guardavam um monte de ferramentas que não sei para que serviam. Adiante, um cômodo mais vazio ainda, somente uma mesa de sinuca no centro. Do lado de fora, outra escadinha.
Subindo por ela, cheguei até uma sacada que dava vista para o anexo da casa que ficava por cima do lago. Dava a impressão de estar num barco. Atravessando uma porta, me vi numa espécie de loft, com mini cozinha, sala de estar e, aos fundos, aparecendo através de uma porta aberta, um quarto. Fui até lá.
Era pequeno, porém cômodo. Um quarto romântico, cujos móveis estavam cobertos com lençóis brancos indicando a falta de uso daquele lugar. Imaginei que em pouco tempo eu talvez estivesse me arrumando ali para o casamento. Nossa!
Bisbilhotei pelas gavetas de uma cômoda procurando alguma toalha maior do que a que eu havia trazido para a corrida, mas não tinha mais nada por lá. Teria que me enxugar com aquele meio metro de pano felpudo mesmo.
Tirei a roupa, ficando apenas com a de baixo: sutiã de nadador e calcina de malha. Desci a escadinha novamente, caminhando até o salão sobre o lago. Deus! Meu casamento seria ali! Estremecendo levemente com a ideia, caminhei até a borda cercada de madeira e ornada com vasinhos de flores. O pessoal aqui caprichava mesmo na decoração das coisas!
***
POV Christian
Como previ, a corrida até o lago não demorou quase nada eu não me cansou o suficiente para dissipar a tensão que eu estava sentindo. Pelo contrário, com o corpo aquecido e suado, não conseguia parar de pensar nos sonhos da madrugada.
— Mas que inferno! – insultei num fôlego parando abruptamente à margem do bosque quando olhei para a casa do lago e vi aquela cena:
No começo achei que fosse alguém desconhecido, mas rapidamente discerni quem estava lá, sentada sobre a mureta que cercava a varanda sobre o lago. Ela havia assombrado meus sonhos a noite toda, como poderia não reconhecer?
— Anastasia. Só pode ser brincadeira! – comentei comigo mesmo caminhando rente às árvores, tentando não chamar atenção. — Que droga que ela está fazendo?
Minha tensão aumentou um pouco mais quando vi Anastasia ficar de pé, se equilibrando sobre a cerca. Ela definitivamente não deveria fazer isso! Algumas partes de madeira estão ali há muito tempo e...
Antes que eu completasse meu raciocínio, aconteceu: um pedaço da cerca se soltou e, num reflexo, Anastásia se jogou em direção ao lago. Claramente não foi o salto que ela esperava fazer. Àquela distância eu não tinha como ter certeza se alguma parte da madeira a atingiu.
Sem pensar mais nem um segundo, cruzei os metros de distância entre o bosque e o lago e mergulhei. Anastasia ainda não tinha voltado à superfície e o lago era muito fundo. Ela sabia disso?
Emergi depois de estar bem mais próximo do ponto de onde Anastasia caiu.
— Anastasia! – Gritei. Olhei em volta. — Onde, diabos, você está, droga!?
Senti meus batimentos latejarem no ouvido. A água estava muito fria a essa profundidade.
Tornei a mergulhar. Eu não tinha direção. Para onde ela poderia ter ido?
Tive a impressão de ouvir um guincho estrangulado e precisei emergir novamente para ter certeza de onde vinha. Foi quando finalmente, depois de segundos de aflição, vi Anastasia se debatendo a poucos metros de mim. Alcancei-a com facilidade. Encaixei meu braço ao redor de seu peito e a arrastei pela água até a escada do píer, de onde os barcos saíam e chegavam.
Anastasia começou a tossir incontrolavelmente. Icei seu corpo para cima do ombro e subi os degraus até alcançar a varanda, deitando-a no assoalho em seguida. Ela se dobrou, de lado, cuspindo água e arfando.
— Anastasia, está me ouvindo? Tenta se acalmar! – Falei, mas claramente ela estava com dificuldade para baixar o surto de adrenalina.
Fiquei de joelhos e puxei-a para mim, colando suas costas em meu peito e apertando meus punhos na direção do seu diafragma. Um, dois apertos e parecia não ter mais água para cuspir. Assim, Anastasia começou a respirar. Virei-a de frente para mim e recebi finalmente seu olhar lúcido, enquanto ela tentava se acomodar melhor e restabelecer a respiração.
— Está tudo bem. – garanti tirando o cabelo de seu rosto.
— V-você! – Ela balbuciou.
— Está melhor? – Perguntei.
— Estou. O que... O que você está...?
— Fazendo aqui? Ah, qual é! O que você pensou que estava fazendo? – falei, sentindo a preocupação dar lugar à raiva. Será que ela não percebe? Poderia ter se afogado sem ninguém ver e o pior ter acontecido.
— Eu estava dando um mergulho.
— Pareceu mais que estava tentando se suicidar! – continuei, dando vazão à tensão que estava sentindo. — Não dava para ter mergulhado da margem? Você, por acaso, avisou para alguém que estava vindo para cá? Sabia da profundidade desse lago? MAS QUE DROGA, ANASTASIA!
— HEY! – ela gritou de volta, se arrastando para longe de mim. — Quem você pensa que... AH! – gritou novamente, mas agora de dor.
Olhei para a perna que Anastasia rapidamente agarrou e vi que um ponto próximo ao tornozelo estava incrivelmente vermelho e inchado.
— Eu devo ter batido antes de cair. Merda! – ela falou quase que para si mesma.
— Vem! Vamos voltar para casa!
— Ai! Minhas roupas! Elas estão...
— Eu mando pegar depois!
***
POV Anastasia
Christian me colocou no colo e saiu marchando até descer da casa do lago e pararmos na parte gramada da margem. Eu deveria ter pressentido que qualquer coisa poderia dar errado! É isso que dá eu querer dar uma de inconsequente!
— Você consegue se firmar? – Christian perguntou me colocando na vertical.
Apoiei o pé direito, que não estava machucado, no chão, mas assim que coloquei o esquerdo, o baque no meu tornozelo irradiou dor por todo meu corpo.
— ARGH! – grunhi. — Não aguento meu peso.
— É. Acho que não. – Christian falou. — Vamos facilitar um pouco as coisas então.
Ele se pôs na minha frente, passou meus braços por cima de seus ombros e, num impulso, me ergueu em suas costas, onde fiquei pendurada.
— Agora cruze suas pernas ao meu redor. – Ele ordenou. Ainda estava perceptivelmente fulo, e eu definitivamente debilitada, então, obedeci sem reclamar.
Enlacei a cintura de Christian com as pernas e ele as sustentou com os braços por baixo dos meus joelhos.
“Beleza, agora estou trepada nas costas o irmão do meu noivo”, pensei. “Droga, Ana, não tinha um verbo melhor para usar?” – me repreendi mentalmente em seguida.
Christian se pôs a andar e eu comecei a desejar ter morrido afogada. Isso tudo começou a parecer muito impróprio. Eu estava apenas com as roupas de baixo, agora molhadas, e esse tipo de contato com Christian não era nada do que eu jamais esperei. A única coisa boa era que ele não tinha visão do meu rosto, e eu poderia corar e esboçar minha vergonha sem me preocupar com seu olhar sobre mim. O que não quer dizer que eu não tivesse outras coisas com as quais me preocupar.
Conforme ele andava pelo chão irregular (logo ele alcançou a região do bosque), eu subia e descia alguns centímetros em suas costas. Se não fosse ele estar em movimento... Droga! Era como se eu estivesse me esfregando nele. Meu corpo reagiu sem meu comando. Comecei a ficar quente em pontos pouco decentes.
— Anastasia pare de tentar se afastar de mim ou você vai cair! – Christian comentou em certo momento. Ele fechou mais o enlace de seus braços ao redor dos meus joelhos, o que colou definitivamente meu tronco em suas costas.
Ok. A proximidade extrema diminuiu e muito o movimento de esfregado causado pelo sobre e desce do andar de Christian, mas meu corpo ficou ainda mais quente e eu tentava me enganar recitando mentalmente “ele não está percebendo, ele não está percebendo”.
***
POV Christian.
Droga! Isso estava sendo demais para mim! Se o sobe e desce de Anastasia nas minhas costas estava me deixando excitado, tê-la grudada em mim acabou piorando minha situação. Eu tentei me focar no caminho, olhando de tempo em tempo para o horrível inchaço em seu tornozelo esquerdo para tentar focar meus pensamentos na situação real. Mas, merda! Também era real que eu estava sentindo os seios de Anastasia atrás de meus ombros. Ah, droga! Ela era tão suave e macia quanto imaginei que fosse, no dia em que nos conhecemos.
Tentei caminhar o mais rápido que pude para evitar ficar indecente, mas, se eu estava a fim de algum exercício que me esgotasse, bom, caminhar com (o que?) uns cinquenta quilos nas costas era uma forma eficaz de conseguir isso. Contudo, a energia sexual que Anastasia estava despertando em mim fazia meu vigor perdurar. Eu precisava pensar em algo que me distraísse de sexo. Qualquer coisa. Então, decidi conversar.
— Está tudo bem aí? – Perguntei.
— Aham.
— Hum... Desculpe por ter gritado.
— Hum...
— O que foi? Está com raiva de mim?
— Não exatamente.
— O que quer dizer?
— Acho que eu deveria tentar andar.
— Por quê?
***
POV Anastasia
“Porque você está me excitando e isso é completamente impróprio!” – respondi mentalmente.
— Não me sinto a vontade de fazer de você um burro de carga.
— Não se preocupe com isso. Já vamos chegar.
“Eu realmente espero que sim”.
— Sabe, ajudaria muito se você tentasse conversar. – Christian disse um tempo depois.
— Ah é? Por quê?
— Ajuda... a distrair... – Ele ponderou antes de responder.
Será que realmente uma conversa ia me distrair? Eu estava me sentindo uma árvore de natal: era como se certos pontos em eu corpo estivessem piscando em alerta sexual. Bom, não custava tentar...
— Ok. Então... Hum...
— Está confusa Srta. Steele? – ele perguntou. Imaginei que estivesse com aquele sorriso meio torto pra mim.
— Depois de um afogamento eu consideraria normal. – respondi. Ok. Vamos lá. Conversar.
— Vamos, pergunte algo. – ele ordenou.
— Você é muito mandão! – Comentei. Christian riu. Um riso sem som, mas eu pude sentir a vibração que irradiou pelas suas costas, indo direto em direção ao meu baixo ventre. “Pense Steele! Pense! Vamos conversar!” — Hum... Então... Você é comprometido com alguém?
“Droga, Steele! Isso não é pergunta!” – ralhei comigo mesma mentalmente.
Outro riso de Christian, outra vibração indecente do corpo dele para o meu.
— Não, não sou.
— E por que não?
“Puta merda, Steele! Realmente, conversar não foi uma boa ideia!”.
— Sou muito focado no trabalho. É difícil... – ele parou subitamente de falar.
— Difícil...? – insisti.
— Difícil arranjar tempo.
— E isso é um grande papo furado!
— O que? – ele perguntou, surpreso pelo meu comentário.
Finalmente alcançamos a parte do jardim de novo.
— Seu problema não deve ser tempo. Isso deve ser só uma desculpa porque você tem dificuldades de se envolver.
— Como assim? – ele perguntou sério. “Merda, falei demais!”.
— Você... Bom... Não se abre com facilidade.
— É. Não mesmo.
— Por quê?
— Não sou do tipo de pessoa que tem boas histórias ou... Histórias boas para contar.
— Acho que se são boas ou não cabe ao ouvinte dizer.
— Bom... – ele falou depois de um tempo em silêncio. — Vamos deixar assim: eu não me relaciono porque, no mundo onde eu vivo, as pessoas não são do tipo que podem lidar com quem eu sou ou fui, ou com o mundo de onde eu vim. – ele disse parecendo soturno. De novo o tom de quem dá o assunto por encerrado.
— Mas e quanto aos negócios? – Tentei desanuviar a conversa. — Para ser tão bem sucedido assim, imagino que você deva ter que lidar com muitas pessoas.
— É verdade. Mas é um tipo de relação diferente. Eu preciso apenas saber o que elas querem; deixar bem claro o que eu espero que elas façam; aproveitar potenciais e... Proporcionar a satisfação de ambas as partes.
Ao dizer isso, todo meu esforço em manter a conversa não serviu de mais nada. Uma nova onda de energia percorreu meu corpo e eu decidi que era hora de parar de interagir antes de esboçar qualquer reação pior.
Christian continuou a caminhada em silêncio também. Eu não sei se tinha ido longe demais nessa conversa, mas logo fui distraída desse tipo de preocupação. O atrito entre nós, fisicamente falando, estava secando a água em meu corpo. O calor já era quase obsceno
***
POV Christian
Eu só poderia ser o infeliz mais azarento do mundo! Se eu estivesse em um dos meus sonhos, onde Anastasia era minha e não noiva do meu irmão, ela ia me pagar direitinho pelo susto que me deu no lago. Dificilmente estaríamos agora voltando para a casa. Cobraria o preço da sua irresponsabilidade lá mesmo, na casa do lago. Ainda mais do jeito como ela me fazia sentir excitado e impotente. Era uma droga! Eu estava ferrado!
Finalmente chegamos a casa.
— Eu vou deixar você no seu quarto. – Avisei.
A parte irracional do meu cérebro dizia que era para lá mesmo que eu deveria ir, mas a parte racional dizia que eu devia deixá-la na sala, ou na cozinha, em algum lugar onde Martha pudesse vir o mais de pressa cuidar de Anastasia e fazer eu me manter a uma distância segura para nós dois. Mas aí Anastasia respondeu:
— Ok então.
Nas escadas, puxei Anastasia das minhas costas e a suspendi nos braços, da forma “convencional”. Ela fez um pequeno ruído de dor e colocou as mãos no rosto. Logo, suspeitei que ela fez isso para esconder sua expressão envergonhada de mim. Com ela a minha frente, era muito mais fácil admirá-la. Eu já tinha visto seu corpo, é claro, mas vê-lo tão perto e podendo tocá-lo... A sensação era completamente diferente.
Quando chegamos à porta do quarto, ela descobriu o rosto e me ajudou a girar a maçaneta. No breve caminho entre a porta e sua cama, ela olhou para mim, diretamente, como se sentisse a mesma expectativa que eu.
— Eu... Bom... Vou deixar você sentada aqui. – falei posicionando-a na beira da cama. — Não se mova. Entendeu? – Anastasia balançou a cabeça. — Responda.
— Sim, eu entendi.
— Ok. Eu já volto.
Saí. Meu primeiro impulso foi chamar Martha, mas logo senti que deveria cuidar de Anastasia eu mesmo. Era como eu gostava de tratar dos meus assuntos. No momento, Anastasia era assunto meu.
***
POV Anastasia
Nossa! Como Christian era mandão! E, céus, como isso parecia incrivelmente sexy!
Toda frente do meu corpo agora parecia sentir um frio absurdo depois de se afastar das costas de Christian. Contudo, outras regiões continuavam quentes. Ele com certeza não ia demorar a voltar e talvez não viesse sozinho. Então, tentei levantar para pegar um robe ou alguma outra peça para me cobrir. Quando apoiei o pé direito no chão, por um momento vacilei e encostei o esquerdo. Outra onda de dor insuportável subiu por minha perna. O ponto acima do meu pé estava realmente, realmente, inchado. Uma marca vermelha retangular grossa, formato da tira de madeira em que bati, se ressaltava no resto da minha pele. Tornei a me puxar para cima da cama e tive que me contentar em cobrir o corpo com o lençol.
Christian voltou logo depois.
— Pensei que fosse chamar a Martha, — comentei. Mas até eu mesma devo admitir que não pareci desapontada ao dizer isso.
— Eu mesmo vou cuidar de você. Gosto de fazer as coisas até o fim, Ana – ele disse me encarando com um olhar flamejante. Continuou olhando ao longo do lençol vermelho que agora escondia meu corpo e se deteve na altura do tornozelo. — Vamos começar por isso aqui.
Christian se abaixou à minha frente e eu lembrei o meu sonho.
“Não pense nisso agora, Ana, não pense” – me alertei.
Christian pousou no chão uma caixa de metal que havia trazido e subiu o lençol expondo minhas pernas até o joelho. Pegou meu tornozelo machucado e apoiou na própria perna.
— Consegue mexer? – ele perguntou. Eu experimentei. Doía, mas eu conseguia mexer. — Então não está quebrado. Vou limpar e passar um gel que vai diminuir o inchaço. Você vai tomar um anti-inflamatório.
— Tem certeza do que está fazendo?
— Você não faz ideia do quanto já estive quebrado na vida. E do número de vezes que tive que me remendar sozinho.
Oh! Christian!
Eu me calei e deixei que ele trabalhasse.
***
Anastasia se deitou na cama, fugindo do meu campo de visão enquanto eu trabalhava em seu machucado. Realmente eu já tinha visto piores, mas este com certeza doía. Ela aguentou bem o processo de limpeza com água gelada, mas na parte da pomada ela arfou. Eu sabia que aquele gel ardia, e que provavelmente sua reação não tinha nada a ver com sexo, mas levando em conta meu nível de atração, quase tudo que ela fazia parecia sexy.
— Já acabou? – perguntou. Pelo abafado de sua voz, ela deveria estar mordendo o lençol.
— Quase Lá, baby. Agora fique quieta.
Comecei o processo de enrolar uma atadura em volta do tornozelo. No fim, arrematei com esparadrapo. Fiquei olhando por uns segundos a mais para o resultado e me pareceu muito bom. Mas logo comecei a me distrair. Os pés de Anastásia eram brancos e finos, delicados como todo o resto de seu corpo alvo. Ela era exatamente do tipo de mulher que poderia me deixar assim: no chão.
***
POV Anastasia
Depois da tortura com aquele gel, pude sentir Christian enrolando uma atadura. Fiquei deitada, mordendo um pedaço do lençol para conter qualquer pico de dor. Não queria parecer fraca. Ao fim, o incômodo do gel que ardia diminuiu e uma sensação gostosa aos poucos começou a sobrepujar a dor. Christian começou a massagear a parte de baixo do meu pé. Droga! Isso era bom! Muito bom!
— Christian! – saiu da minha boca sem querer.
— Diga, Anastasia, — ele respondeu. Sua voz saindo grossa.
Merda! Era justamente o que eu temia. Acho que era tarde demais para disfarçar ou ignorar o que estava acontecendo.
— Isso não está certo... – comentei.
— Isso o que?
Oh, não! Ele queria me forçar a dizer!
Tirei meu pé de suas mãos e me apoiei nos cotovelos para poder enxergá-lo. Christian havia se colocado de joelhos e apoiava os antebraços em cima das minhas pernas. Essa posição criava uma conexão invisível entre a parte mais íntima do meu corpo e ele, que parecia perceber o mesmo.
— Sabe do que eu estou falando.
— Está falando disso? – Ele perguntou passando um dedo ao longo da minha coxa, por cima do lençol. Até os pelos do meu braço se arrepiaram e ele, claro, percebeu.
— É... Isso mesmo. – respondi.
— Você sabe o que está acontecendo. Nós não pedimos por isso. – Ele continuou. Seu longo dedo subindo e descendo pela minha coxa.
— Christian, eu sou noiva do seu irmão! – disse, procurando em mim a voz da razão que me dissesse por que mesmo que esse argumento era importante agora.
— Tem razão... – Christian falou num tom baixo, colocando-se de pé. — Acho que agora devo dar seu anti-inflamatório.
Ele veio para meu lado na cama e se sentou. Sentei-me também e esperei enquanto ele remexia na caixa de remédios. Eu não conseguia desgrudar os olhos dele. A espera enquanto ele procurava o remédio certo só aumentava a tensão entre nós. Ele finalmente achou uma caixinha pequena e abriu. Voltou-se para mim e arrumou uma parte do meu cabelo para trás da orelha. Droga! Isso foi demais pra mim! O calor de sua mão era exatamente o tipo de resposta que meu corpo estava esperando enquanto sentia toda aquela expectativa e, instintivamente, encostei meu rosto em sua palma, fechando os olhos.
Eu estava me rendendo, mas isso não parecia mais errado. Tudo que eu sentia era a satisfação do toque e uma irresistível necessidade por mais.
— Anastasia... – ele quase rosnou.
— Hum... – Senti sua outra mão alcançando o outro lado do meu rosto e seu polegar tocando meu lábio inferior. — Diz...
— Não faz isso...
— O que? – perguntei debilmente, entreabrindo os olhos e me deparando com os de Christian muito, muito perto dos meus.
— Eu preciso lhe dar seu remédio. – Ele sussurrou. Assenti com a cabeça. — Abra a boca.
Obedeci.
Christian pegou o comprimido e o levou até meus lábios enquanto eu mantinha meus olhos nos dele.
— É um pouco grande, – ele informou, provocando ondas de expectativa em mim — abra mais.
Senti a cápsula e afastei meus dentes para ela. A ponta da minha língua tocou o dedo de Christian e uma compressão primitiva reverberou lá no meu baixo ventre.
Christian não olhava mais nos meus olhos, olhava fixamente para meus lábios, e o modo como eles se fecharam em torno de seu dedo.
— Eu vou acabar indo pra cima de você – ele sussurrou.
Descolei meus lábios do dedo dele e me forcei a olhar para além dele. Foi quando meus olhos bateram na porta e vi Martha, que vinha com um cesto de roupas limpas, provavelmente minhas. Ela mal viu a cena de Christian e eu na cama, deu meia volta e sumiu de vista. Eu sobressaltei e dei um pulo para longe de Christian no mesmo segundo.
— O que foi? – Ele perguntou, sobressaltado como eu.
— Foi Martha. Ela nos viu – me apressei em dizer, tapando o rosto com as mãos e me sentindo a pior espécie de pessoa que eu poderia ser.
Depois de um tempo em silêncio, percebi que Christian havia se levantado da cama e agora voltava para perto de novo.
— Não se preocupe. Martha não vai comentar nada com ninguém.
— É melhor você ir embora! – Falei. Mas Christian já recolhia os instrumentos da caixa de remédio e já parecia disposto a ir embora por conta própria. — Christian! – chamei quando ele me olhou da porta. — Para todos os casos, nada disso aconteceu. Esqueça isso.
Ele apenas me olhou, um olhar pesado e sério. Depois, saiu, fechando a porta atrás de si.
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