Notas iniciais
Desculpe a demora. Estou com muitas idéias para próximos capítulos porem, não sabia como escrever esse. Então ele ficou com muitos detalhes e poucas coisas importantes para a historia, mas espero que gostem. Me desculpe pela demora.


LEMBRETE: Antes de começar, queria dizer que eu NÃO sou a favor do uso de drogas. De NENHUM TIPO. Os fatos aqui escritos são todos fictícios e eu NUNCA usei nenhum tipo de droga. Obrigada, espero que gostem.



Uma fresta de luz entrava pela janela iluminando uma pequena parte do meu quarto cujo estava escuro. Estava deitada em minha cama vestindo uma camiseta masculina que havia roubado de Pete muito antes dele falecer, o cheiro doce dele se misturava com um amargo cheiro de fumo e sabão em pó. Não sabia se ficava feliz ou deprimida, feliz por não estar gravida e deprimida pelo o que está acontecendo com Tracy. Ela decidiu contar para Phil na hora certa, mas eu sei que essa hora vai demorar para chegar, ela provavelmente nunca vai chegar, se eu conheço Tracy, ela vai esperar Phil descobrir sozinho. Então decidi contar eu mesma, o que não seria fácil.

O alarme começou a tocar, fazendo minha cabeça doer. Peguei o celular, desativei o alarme e decidi que iria contar para Phil hoje. Virei de barriga para cima e fiquei olhando para o teto por um tempo até que me levantei, tirei a camiseta deixando meus seios a mostra, peguei o maço de cigarro que ficava escondido entre o colchão de minha cama e o estrato, acendi um cigarro e fui ao banheiro. Enchia a banheira enquanto me olhava no espelho, não via nada de especial, abri o armarinho e retirei alguns analgésicos, tomei dois deles com um pouco de vodka que estava dentro de um pequeno copo encima da pia, traguei o cigarro e entrei na banheira. Olhava para meus pés e via as manchas em minhas pernas e braços que surgiram graças ao uso de heroína, estava com um hematoma onde costumo injetar a droga, comecei a aperta-lo, era uma leve dor que me satisfazia por alguns minutos. Apaguei o cigarro na borda da banheira e enfiei minha cabeça lá, continuei com a cabeça imersa até me faltar o ar, quando levantei e comecei a inspirar rapidamente.

Quando terminei de me secar, coloquei uma roupa e sai de casa. Andava pelas ruas da cidade, sempre fumando e Phil morava em um bairro chique, longe de minha casa, longe de minha realidade. Um vento frio passava por mim levantando minha blusa e bagunçando meus cabelos, quando cheguei ao bairro onde se localiza a casa de Phil, as pessoas onde lá moravam estavam olhando para mim, uma criança deixou sua bola cair próximo a mim, ela veio correndo buscar, quando chegou perto, sua irmã -eu suponho- puxou ela para longe e começou a lhe dar uma bronca. Apaguei o cigarro e fui até a casa de Phil.

"Ding Dong" assim fazia a campainha todas as vezes que eu tocava nela esperando ansiosamente alguma resposta. Era uma tarde agradável de fim de primavera, a brisa vinha calmamente e bagunçava um pouco meus cabelos. Estava vestindo um shorts preto e uma camiseta regata que eu e Tracy havíamos cortado nas laterais, especialmente para deixar meus piercings no quadril a mostra. O short era curto a ponto de deixar a camiseta cobri-lo, usava uma maquiagem preta como todas as vezes que saía e um coturno preto cujo cobria minhas canelas.


"Ding Dong" toquei a campainha novamente e comecei a dar pequenos pulos ansiosos no lugar. Bati algumas vezes na porta e finalmente alguém atendeu, era uma mulher alta e loira, com os cabelos soltos no comprimento de seus ombros, ela usava um vestido até um pouco abaixo do joelho, um casaco fino e azul jogado por cima dos ombros, mas sem desfazer seu penteado, era uma mulher de alta classe, com roupas de alta classe, logo dava para notar sua cara de nojo.


– Posso ajuda-lá? — questionou a mulher com uma cara de nojo aparente. Ela me olhava dos pés a cabeça e cada vez que seus olhos subiam, ela se decepcionava mais com minha aparência.

– Sim, estou procurando o Phil.... Ele está? — perguntei.

– Espere um segundo — a mulher fechou a porta em minha cara mas logo depois abriu — Pode entrar.

– Obrigada — logo que entrei, me deparei com Phil.

– Sarah? Oi... O que você está fazendo aqui? — Phil usava uma camisa branca fechada até o penúltimo botão e uma calça jeans.

– Oi Phil, podemos conversar em particular? — sua mãe nos olhou e logo se dirigiu a outro cômodo, Phil disse que sim então subimos até seu quarto. Sentei na cama e esperei ele fechar a porta. — Então, lembra da sua noite com a Tracy?

– Sim, o que que tem? — meus olhos começaram a lacrimejar.

– Desculpa, desculpa. Eu não consigo... Não consigo te contar isso. — comecei a soluçar e as lagrimas começaram a vir

– Contar o que? Conte-me o que quiser. — Phil estava com os punhos cerrados, de pé na minha frente.

– A Tracy está com AIDS.

– Eu não tenho essas coisas, ela não pegou de mim. — a voz de Phil estava com um tom bravo e preocupado.

– Realmente, ela não pegou de você. Ela... Ela...

– ELA O QUE?

– Ela te passou HIV. — o silencio tomou conta do quarto pelas duas horas seguintes. Phil sentava ao meu lado enquanto eu chorava ele ficava parado mordiscando seus dedos e roendo suas unhas.

– Porque ela fez isso? — sua voz estava rouca.

– Não sei. — o silencio continuou até que sua mãe entrou no quarto e mandou eu ir embora. Sai de sua casa e acendi um cigarro, antes de seguir meu caminho, consegui escutar os gritos agoniados de Phil que saiam de sua casa. Continuei meu caminho sem chorar, meu celular vibrava, sabia que era Tracy, não atendi a nenhuma de suas ligações, não li nenhuma de suas mensagens. Cheguei em casa e sentei nas escadas que separavam a porta do quintal, alguns minutos depois Ron apareceu lá.

– O que é o amor? — ele perguntou enquanto sentava ao meu lado, pegava o cigarro de minhas mãos e tragava.

– O amor? Amor... — suspirei e comecei a pensar em uma resposta a sua pergunta — Imagine-se em uma completa escuridão, agoniado, assustado, com a esperança de que algo bom aconteça, de que alguém abra uma porta e te leve a um lugar onde não haja mais escuridão, só que isso não acontece. Ninguém abre uma porta e te resgata. Nem mesmo uma pequena fresta de luz. Assim que o amor é, essa ilusão, esse sentimento de decepção e agonia juntos. Ah, como o amor é lindo.

– Então o amor não é bom?

– Digo que sim. As desventuras que alguém passa quando está apaixonado são as mesmas de que alguém que está prestes a cair de um precipício. Você vive nessa montanha-russa sentimental na esperança esse sentimento seja reciproco. Mas ele não é.

– Então o que é toda essa felicidade que as pessoas chamam de amor?

– Uma ilusão. No amor só se perde, nunca se ganha. Se você ganhar, não é amor.

– Quando o sentimento é reciproco, isso é diferente, não?

– Quando o sentimento é reciproco, os sentimentos são os mesmo, apenas mais intensos e é claro, com sexo. — paramos de conversar. Toquei em seus cabelos avermelhados e deitei em seu ombro enquanto Ron fazia carinho em minha cabeça. Dormi lá, em minha varanda, deitada nos ombros de meu irmão, com um cigarro na boca. Quando acordei já havia anoitecido, Ron nem estava mais lá, estava deitada sozinha, com um cigarro na mão, e vários vizinhos parados em frente minha casa perguntando se eu havia morrido, desejava que sim. Deitei de barriga para cima e acendi outro cigarro. Assim acabou outro dia, que nunca mais voltará. Um dia a menos nos melhores anos de minha vida, anos que nunca mais irão voltar. Nunca mais.



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Notas finais
Espero que gostem e comentem :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.