Tempo Perdido
21 Tragédia
SantaRossa, 1738
–Se mamãe ou Maurizio sonhar sobre o que você fez eles a matam. — Enzo disse enquanto eu guardava meu anel de noivado.
Havia contado para Enzo tudo o que fiz ontem à noite, ele era meu irmão e jamais esconderia algo dele.
–Nós vamos fugir Enzo e preciso de você para me ajudar. — pedi e ele concordou.
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Todos dormiam enquanto Enzo me ajudava a fugir de casa, sei que colocaria o nome de minha família na lama, mas só queria ser feliz e seria.
Frei Luigi aceitou nos casar antes de irmos embora de SantaRossa, foi uma cerimônia simples e curta, agora meu anel de noivado estava em minha mão esquerda e estava feliz por isso.
–Cuide da minha irmã Valentini. — Enzo disse apertando a mão de Miguel.
–Vou cuidar e você cuide da minha. — ele pediu e Enzo concordou.
Sabia que meu irmão estava começando a cortejar Nicola, a irmã caçula de Miguel.
–Não se preocupe irmão, Enzo vai cuidar de mim. — Nicola disse e abraçou o irmão com força. — Cuide-se.
–Vou me cuidar.
Assim que nos despedimos de todos fomos para fora da igreja e estávamos cercados por homens de Maurizio. Logo Miguel me puxou para trás dele.
–Hora, hora se não é minha noiva cortesã. — Maurizio disse furioso.
–Vou fazê-lo engolir o que disse sobre minha esposa. — Miguel ameaçou furioso.
–Esposa?! Não caio nessa mentira Valentini. — Maurizio disse rindo.
–Não é mentira, é verdade. — disse seria e ele olhou para seus homens.
Miguel tentou lutar contra eles mas eram muitos, logo dois homens o seguraram enquanto dois homens me afastavam dele.
–Ela é minha mulher Maurizio, e se você se casar com ela estará cometendo um pecado terrível. — Miguel disse tentando se soltar.
–Não ligo para convenções ela será minha e ponto final. — ele disse furioso.
–Jamais serei sua. — gritei histérica.
–Isso é o que veremos Águida. – ele disse furioso e foi para frente de Miguel e começou a bater nele.
–Para com isso. — gritei e me soltei dos homens de Maurizio.
–Solte meu marido agora. — disse batendo em Maurizio e ele me deu um tapa tão forte que cai no chão.
–Você é um covarde Benaducci, para me bater precisa que seus homens me segurem e ainda tem coragem de bater em uma mulher indefesa?! Você é um covarde. — Miguel sussurrou com dor e Maurizio rugiu furioso antes de apunhalar Miguel.
–Não. — gritei desesperada e corri para Miguel, mas Maurizio me segurou com força.
– Me solta seu monstro. — solucei desesperada.
–Agora posso casar com você, já que seu marido morreu.
–Jamais vou me casar com você.
–É o que veremos querida. — ele disse e me arrastou para longe da porta da igreja.
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Meu casamento foi celebrado por um padre que veio outra cidade, já que frei Luigi se negou em celebrar um casamento sem amor e também com uma noiva que já era casada. Para muitos foi uma cerimônia “linda e rica”, mas para mim era minha sentença de morte.
Meu grande amor estava morto e meu melhor amigo havia sumido, tudo que eu tinha agora era minha fé em nossa senhora do perpetuo socorro que era a padroeira da minha história de amor.
Sabia que ela iria me proteger de qualquer mal.
–Já estas pronta minha esposa? — Maurizio disse entrando no quarto.
–Você jamais vai me tocar, não sou sua. — disse furiosa e ele me jogou na cama enquanto ficava em cima de mim.
–Se não queres ser minha por bem, será por mau. — ele ameaçou e começou a tentar rasgar minha roupa.
Mas antes dele consumar seu ato brutal Maurizio soltou um grito e caiu no chão se contorcendo em agonia.
No começo me assustei, mas logo entendi o que estava acontecendo.
Era a resposta das minhas orações.
–Você jamais vai me profanar, por que nossa senhora do perpetuo socorro está me protegendo. E você acabou de ser amaldiçoado por tentar possuir a mulher de outro homem. — gritei e sorri descontrolada.
–Você vai pagar sua vadia Defilippo. — Maurizio rugiu furioso assim que se recuperou da sua crise.
Ele tentou novamente consumar o seu “casamento” e foi atacado novamente por crises de tremedeiras.
Toda vez que ele tentava algo a crise voltava, até que ele desistiu e saiu do quarto louco de fúria.
Logo a notícia de que Maurizio não consumou seu casamento comigo se espalhou por SantaRossa e todos falavam mau dele. Falavam que nossa senhora do perpetuo socorro estava furiosa por ele desonrar sua casa, forçando uma jovem já casada a se casar.
Desde esse dia Maurizio ficou impotente pelo que ouvi das empregadas da mansão, ele tentou dormir com uma criada e não conseguiu.
A maldição estava apenas começando eu sentia isso.
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