Tempo Perdido
17 Pesadelo
Notas iniciais
SantaRossa, 1738
–Se mamãe descobrir que estou ajudando você a se encontrar com um homem ela nos mata. — Enzo disse enquanto andávamos a cavalo para o lugar onde Miguel havia me encontrado quando fugi.
–Não é pecado irmão, você está me ajudando a ser feliz. — disse contente e ele sorriu.
–Se você está feliz, eu estou feliz. — ele disse suave e sorrimos.
–E acho bom você cuidar da minha irmã Valentini. — Enzo disse e Miguel sorriu.
–Vou cuidar Enzo. — ele prometeu e meu irmão se despediu antes de sair.
–E como está minha Rosa essa tarde? — Miguel questionou segurando minha cintura para me ajudar a descer do cavalo.
–Impaciente. — disse tentando ignorar o calor que sempre sentia quando estava perto dele.
–Há algo que eu possa fazer? — ele questionou preocupado enquanto me soltava dele.
–Já estávamos nos encontrando escondidos há 1 mês e não estou bem com isso. Isso não é certo. — disse seria e de braços cruzados.
–Eu sei Águida, eu sei. Mas meu pai me pediu para só pedir sua mão quando ele voltasse de Paris. — ele disse e suspirei.
–Eu sei disso. Mas ele está demorando. — disse nervosa e ele sorriu.
–Não está não. Papai chegou ontem à noite e hoje vamos a sua casa. Você será oficialmente minha noiva a partir de hoje. — ele disse e sorrimos.
–Verdade?!
–Verdade Rosa. — Miguel disse e sorri. — Tenho um presente para você.
–Um presente, não precisa. — sussurrei envergonhada enquanto ele tirava uma pequena caixa vermelha do bolso do paletó e a abria.
Dentro da caixa havia um colar de ouro rose com um pingente em formato de rosa.
–Miguel. — sussurrei sem saber o que dizer e ele sorriu enquanto me virava de costas, afastava meu cabelo e colocava o colar.
–É lindo, mas não posso aceita-lo.- sussurrei corada e ele beijou meu pescoço antes de me virar para vê-lo.
–Pode sim, é para se lembrar de mim. Do quanto amo você, amo você para sempre. — ele sussurrou me olhando nos olhos enquanto acariciava meu rosto.
–Também amo você. Amo pra sempre. — sussurrei e ele tentou me beijar, mas me afastei dele começando a correr entre risos.
–Adoro correr atrás de você. — Miguel gritou e sorriu antes de correr atrás de mim.
Mas ele acabou me alcançando, acabamos caindo no chão entre risos.
–Vai continuar fugindo de mim?!- Miguel questionou enquanto ficava por cima de mim.
Nossas respirações aceleradas e juntas, no mesmo ritmo suave e apaixonado.
–O senhor só ganhou por que eu estava de salto. — disse e rimos.
–Nada disso, sou mais rápido que você. — ele disse e beijou a ponta do meu nariz me fazendo rir.
–Rápido e forte. — disse sorrindo.
–Rápido sim, mas forte não. Só sou forte quando estou com você, você é a minha fraqueza. — Miguel disse e acariciei seu rosto.
–Isso é bom ou ruim?!- questionei nervosa e ele sorriu.
–Bom, muito bom Rosa. — ele sussurrou e nos beijamos.
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–Gostei do vestido. — Enzo disse assim que desci ás escadas usando um vestido rosa claro.
–Será que Miguel vai gostar?!- questionei e ele sorriu.
–Ele te ama Águida, não vai ligar para vestidos. — Enzo disse e revirei os olhos enquanto abriam a porta.
–Boa noite Sra. Defilippo. — Sr. Valentini disse assim que entrou na sala acompanhado de Miguel.
–Boa noite Sr. Valentini, ao que devo a visita? — mamãe questionou.
–É sobre meu filho e sua filha senhora. — ele adiantou e sorri internamente.
–Águida, Enzo subam, por favor. — Mamãe pediu e Enzo me arrastou para meu quarto.
–Isso é tão injusto, eu deveria estar já, afinal é sobre meu futuro que eles estão falando. — disse andando de um lado para o outro.
–É injusto, mas podemos ouvir da escada. — ele ofereceu e sorri.
Andamos em direção ás escadas e logo podemos ouvir uma discussão acalorada vinda do escritório e me concentrei nela.
–Isso não é verdade. — ouvi Miguel rugi furioso.
–Pelo documento é sim filho. – senhor Valentini disse sério.
–Não acredito que Hernandez fez isso. — ouvi mamãe soluçar e olhei para Enzo confusa.
O que papai havia aprontado antes de morrer de tão grave?!
–Não vou deixar Águida com você. Não vou. — Miguel gritou.
–Isso é problema seu Miguel, como pode ver o pai de Águida apostou a própria filha e perdeu. Ela é minha agora. — uma voz disse e senti calafrios de pavor.
–Só por cima do meu cadáver é que vou deixar você se casar com ela. — Miguel disse furioso e me segurei no corrimão para não cair.
–Águi?!- Enzo sussurrou preocupado enquanto me via tremer.
–Se ela não se casar comigo, vou cobrar minha dívida e sei que os Defilippo não tem esse dinheiro. — a voz misteriosa disse sem pressa.
–O Sr. Benaducci tem razão. — Mamãe disse cansada. — Não suportaria ver o nome da minha família.
–Não senhora Defilippo, eu amo a sua filha e ela me ama, não faça infeliz obrigando-a a se casar com Maurizio. — ouvi Maurizio implorar. — Se e o problema for a dívida, eu pago.
–Miguel é muito dinheiro, mesmo que tenhamos dinheiro não temos essa soma tão grande. — Sr. Valentini disse e ouvi alguém soluçar.
–Não posso casar com a mulher que amo por causa de uma dívida?!- Miguel sussurrou horrorizado e comecei a chorar também.
–Me desculpe, mas tenho que pensar n bem de Enzo ele precisa ter um nome respeitável para oferecer. Apenas me desculpe. — mamãe pediu culpada.
–Então, Águida é minha. Onde ela está?!- Maurizio disse enquanto eu enxugava minhas lágrimas e descia para o escritório.
–Então, Águida é minha. Onde ela está?!- Maurizio disse enquanto eu enxugava minhas lágrimas e descia para o escritório.
–Estou aqui. — disse e olhei com raiva para a mulher que acabou com a minha vida.
–Por que ás lagrimas querida? Você será tão feliz em minha casa. — Maurizio disse acariciou meu cabelo de leve.
–Tire suas mão dela. — Miguel gritou e seu pai o segurou.
Meu pai pode ter me vendido como uma coisa, mas jamais serei sua mulher de verdade. — disse fria e dei um tapa em sua mão que me tocava.
–Filha. — mamãe sussurrou culpada.
–Esqueça que sou sua filha, ela morreu. — disse furiosa para ela. — Só vou me casar por causa do Enzo e não por você.
–Amor, não. — Miguel pediu desesperado em dor enquanto me olhava.
–Me desculpe amor. — sussurrei entre lágrimas e corri para o meu quarto.
Assim que cheguei em meu quarto tranquei a porta e me joguei na cama chorando sem parar.
Havia perdido minha chance de ser feliz e não perdoaria minha mãe por isso.
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