Tempo Perdido
27 Perdas
Notas iniciais
A cidade de SantaRossa inteira estava mobilizada para encontrar Águida, já havia se passado duas semanas e nenhuma notícia havia dela.
Era como se Águida tivesse sumido no mapa.
–Miguel, você precisa comer algo. — Karen disse preocupada assim que entrou no quarto de sua amiga e viu o namorado dela sentado na poltrona com o olhar perdido.
–Estou sem fome Karen. — Miguel disse distante.
–Miguel, estou preocupada com você. Você não come e nem dorme a dias se continuar assim vai acabar doente. Quando encontrarem a Águi, ela não vai gostar de saber que você não se cuidou e ficou doente.
–Se ela voltar Karen. — ele disse com dor e algumas lágrimas caíram de seus olhos. — Eu disse coisas horríveis para ela, Karen se algo acontecer a ela...
–Hei, não vai acontecer nada. — Karen disse se ajoelhando ao lado de Miguel que chorava desesperado.
Karen também sentia vontade de chorar de tanta saudade e preocupações pelo sumiço de sua amiga, mas ela tinha que ser forte para ajudar todos. Ser racional.
–Miguel, filho. -Marcello entrou no quarto com os olhos vermelhos, parecia que ele havia chorado muito antes de entrar no quarto.
–O que houve pai? — Miguel questionou aflito.
–Você precisa vir comigo. — ele pediu indo até o filho e ajudando-o a levantar.
–Pai o que houve? Conseguiram encontrá-la ?! É isso não é?! Como ela está?! – Miguel questionou eufórico sem prestar atenção ao rosto de seu pai que dizia tudo.
Um tudo que foi entendido por Karen.
Assim que saíram do quarto Karen sentou na cama chorando desesperada. Sua amiga não voltaria mais.
–Karen, amor. — Enzo sussurrou chorando assim que entrou no quarto e correu para abraçar Karen.
–Minha irmã morreu Enzo. — ela soluçou com dor. — Ela se foi e eu nem pode contar a ela que estava gravida. E o Miguel?! Oh meu Deus ele vai enlouquecer.
–Vamos cuidar dele, prometo. Agora tente se acalmar em nome do nosso bebê. — ele pediu enquanto acariciava o cabelo de uma Karen chorosa.
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–O que estamos fazendo no hospital pai? — Miguel questionou nervoso. — Águida está muito machucada é isso?
–Filho, sei que é duro e difícil, mas Águida...- Marcello começou a dizer e Miguel o interrompeu.
–Não ouse completar essa frase pai. Eu lhe proíbo.
–Sandro, meu filho. — Daniele disse aparecendo no corredor e foi abraçar o filho, mas ele se afastou dela.
–Não preciso ser consolado por ninguém. Rosalinda vai aparecer, eu sei que vai. — ele disse convicto.
–Miguel, sei que é difícil, mas você precisa nos escutar. Sua irmã precisa que você a reconheça. — Daniele pediu chorando ao ver seu filho desnorteado.
–Não. Não. Não. — Miguel soluçou de dor enquanto segurava a cabeça com ambas as mãos e andava de um lado para o outro, até que ele perdeu as forças e caiu no chão sendo amparado por seus pais.
–Tudo bem, meu menino vai passar. — Daniele sussurrou acariciando o cabelo negro de Miguel enquanto ele chorava no peito de seu pai.
Não havia mais sentindo na vida para ele.
Não havia mais nada.
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Toda SantaRossa estava de luto por Águida Defilippo, ás lagrimas do delegado eram capazes de fazer qualquer um chorar.
–Você precisa descansar meu amor. — Daniele disse para o filho que estava sentado ao lado do caixão de Águida.
–Não estou cansado mãe. — Miguel disse com a voz cheia de dor enquanto repousava a cabeça no caixão de sua amada.
–Mais meu filho.
–Não posso deixa-la mamãe, prometi a ela que nada de ruim lhe aconteceria e aconteceu. — ele soluçou com dor enquanto acariciava a tampa do caixão de Águida. — Águida nem pode estar tendo um velório de caixão aberto por que ela foi encontrada em estágio avançado de decomposição mamãe, se não fosse pelas roupas e pelo colar, não poderia reconhecer a mulher que tanto amei. Nada no mundo me afastará dela no nosso último adeus.
–Sandro. — Daniele pediu desesperada pela dor do filho.
–Deixe-o meu amor, ele precisa dizer adeus. — Marcello disse suave e levando a esposa para sentar.
O enterro foi um momento de dor e pesar, principalmente para Miguel e Karen.
–Adeus amiga. — Karen sussurrou e colocou uma rosa na lapide que exibia o nome de sua amiga no mausoléu da família Defilippo. — Vou sentir sua falta.
–Me desculpe por não ser mais forte minha Rosa, por não poder evitar que nos separarem. Mesmo que estejamos distantes vou continuar te amando com a mesma força de antes. Minha Rosalinda. — Miguel sussurrou entre lágrimas antes de beijar uma rosa da espécie Rosalinda para depositá-la na lápide de sua amada.
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