Tempo Perdido
14 Jantar entre amigos
Hoje era o aniversário de Enzo e Karen estava eufórica tentando fazer uma festa inesquecível.
O romance dos dois estava indo de vento e popa, pelo menos uma de nós estava sendo feliz aqui.
–O Miguel não para de olhar para você. — Karen disse enquanto andávamos pelo jardim do casarão.
Ofereci minha casa para a festa pois tinha um espaço aberto maravilhoso e também por que queria fazer as pazes com meu primo, o que deixou Karen e ele felizes.
–Que olhe, não quero ele perto de mim. — disse e tomei minha cerveja.
–Águida. — ela disse seria.
–Preciso de outra bebida. — disse e fui em direção a cozinha.
–Precisamos conversar Águida. — Miguel disse atrás de mim.
–Não precisamos não. — disse furiosa e Miguel segurou meu braço antes de me puxar para um lado escuro do jardim.
–Já disse que não quero falar com você. — disse furiosa e ele me puxou de encontro a uma arvore pressionando seu corpo ao meu me impedindo de fugir.
–Você está me deixando louco Águida. — ele disse angustiado.
–O problema não é meu. — disse tentando me soltar, mas ele me prendeu mais forte. — Você está me machucando.
–Você também está fazendo isso comigo. — ele disse desesperado enquanto me olhava nos olhos. — Tentei afastar você de mim para te proteger, mas não tive forças.
–Me proteger do que? — questionei seria.
–Do que somos ou sentimos um pelo outro, sei que você sente algo por mim.
E as palavras do meu bisavô voltaram a ecoar na minha cabeça.
Não confie em ninguém Águida…
Evite a todo custo se aproximar de Miguel Valentini....
Tal aproximação trará sua morte....
–Eu não sinto nada por você. — disse com raiva e ele me soltou.
– Nunca mais se atreva a me agarrar desse jeito. Nossos antepassados se apaixonaram no passado, mas eu não sou regida por crendices. Agora, me deixe ir. — disse furiosa e ele se afastou de mim enquanto eu saia de perto dele.
Fui até a cozinha tomar um copo de agua, mas acabei ligando a torneira e molhando meu pescoço e colo para aliviar o calor
–O que está dando em você Águi? — sussurrei para mim mesma.
Não podia acreditar que estava mexida por Miguel, isso não podia acontecer.
Nós dois juntos éramos letais e nocivos um para o outro, jamais daríamos certo.
–Tudo bem Águida? — Frankie perguntou e virei para vê-la.
–Estou tão confusa Frankie. — sussurrei e a abracei enquanto chorava.
Frankie me levou para o meu quarto e ouviu minhas angustias sem julgar como uma verdadeira mãe, me aconselhou e disse que amanhã seria um novo dia.
Um dia para recomeçar.
.....................................................................................................................
–Águida. — Miguel sussurrou surpreso assim que entrei em sua sala na delegacia.
–Será que podemos conversar. — pedi sem jeito e ele concordou.
Nós sentamos no sofá e ficamos alguns minutos calados antes dele romper o silencio.
–Me desculpe pelo que eu fiz ontem, foi algo imperdoável. — ele disse constrangido.
–Não se preocupe, eu já desculpei. — disse suave. — Mas queria te dizer uma coisa.
–O que? — ele questionou nervoso.
–Sei que vivemos brigando como cão e gato, mas decide que quero ser sua amiga. Acho que podemos começar de novo. O que acha? — questionei e ele sorriu.
Ainda não estava pronta para contar a ele sobre a carta de meu bisavô, iria dá uma chance de conhecer Miguel melhor, talvez ele me ajudasse a desvendar por que éramos “perigosos” juntos.
–Acho maravilhoso. — ele disse suave e sorri.
–Sou Águida Defilippo, é um prazer conhece-lo.- disse oferecendo minha mão a ele.
–Sou Miguel Valentini e estou encantado em conhece-la. — Miguel disse segurando minha mão e a beijando.
Espero que seja o começo de uma bela amizade.
Fale com o autor