Hoje era o aniversário de Enzo e Karen estava eufórica tentando fazer uma festa inesquecível.

O romance dos dois estava indo de vento e popa, pelo menos uma de nós estava sendo feliz aqui.

–O Miguel não para de olhar para você. — Karen disse enquanto andávamos pelo jardim do casarão.

Ofereci minha casa para a festa pois tinha um espaço aberto maravilhoso e também por que queria fazer as pazes com meu primo, o que deixou Karen e ele felizes.

–Que olhe, não quero ele perto de mim. — disse e tomei minha cerveja.

–Águida. — ela disse seria.

–Preciso de outra bebida. — disse e fui em direção a cozinha.

–Precisamos conversar Águida. — Miguel disse atrás de mim.

–Não precisamos não. — disse furiosa e Miguel segurou meu braço antes de me puxar para um lado escuro do jardim.

–Já disse que não quero falar com você. — disse furiosa e ele me puxou de encontro a uma arvore pressionando seu corpo ao meu me impedindo de fugir.

–Você está me deixando louco Águida. — ele disse angustiado.

–O problema não é meu. — disse tentando me soltar, mas ele me prendeu mais forte. — Você está me machucando.

–Você também está fazendo isso comigo. — ele disse desesperado enquanto me olhava nos olhos. — Tentei afastar você de mim para te proteger, mas não tive forças.

–Me proteger do que? — questionei seria.

–Do que somos ou sentimos um pelo outro, sei que você sente algo por mim.

E as palavras do meu bisavô voltaram a ecoar na minha cabeça.

Não confie em ninguém Águida…

Evite a todo custo se aproximar de Miguel Valentini....

Tal aproximação trará sua morte....

–Eu não sinto nada por você. — disse com raiva e ele me soltou.

– Nunca mais se atreva a me agarrar desse jeito. Nossos antepassados se apaixonaram no passado, mas eu não sou regida por crendices. Agora, me deixe ir. — disse furiosa e ele se afastou de mim enquanto eu saia de perto dele.

Fui até a cozinha tomar um copo de agua, mas acabei ligando a torneira e molhando meu pescoço e colo para aliviar o calor

–O que está dando em você Águi? — sussurrei para mim mesma.

Não podia acreditar que estava mexida por Miguel, isso não podia acontecer.

Nós dois juntos éramos letais e nocivos um para o outro, jamais daríamos certo.

–Tudo bem Águida? — Frankie perguntou e virei para vê-la.

–Estou tão confusa Frankie. — sussurrei e a abracei enquanto chorava.

Frankie me levou para o meu quarto e ouviu minhas angustias sem julgar como uma verdadeira mãe, me aconselhou e disse que amanhã seria um novo dia.

Um dia para recomeçar.

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–Águida. — Miguel sussurrou surpreso assim que entrei em sua sala na delegacia.

–Será que podemos conversar. — pedi sem jeito e ele concordou.

Nós sentamos no sofá e ficamos alguns minutos calados antes dele romper o silencio.

–Me desculpe pelo que eu fiz ontem, foi algo imperdoável. — ele disse constrangido.

–Não se preocupe, eu já desculpei. — disse suave. — Mas queria te dizer uma coisa.

–O que? — ele questionou nervoso.

–Sei que vivemos brigando como cão e gato, mas decide que quero ser sua amiga. Acho que podemos começar de novo. O que acha? — questionei e ele sorriu.

Ainda não estava pronta para contar a ele sobre a carta de meu bisavô, iria dá uma chance de conhecer Miguel melhor, talvez ele me ajudasse a desvendar por que éramos “perigosos” juntos.

–Acho maravilhoso. — ele disse suave e sorri.

–Sou Águida Defilippo, é um prazer conhece-lo.- disse oferecendo minha mão a ele.

–Sou Miguel Valentini e estou encantado em conhece-la. — Miguel disse segurando minha mão e a beijando.

Espero que seja o começo de uma bela amizade.