Tempo Perdido
29 Casamento
Havia se passado dois meses desde o meu resgate que se deu através de um telefonema de um amigo da polícia de Miguel. O amigo de Miguel era o homem de camisa vermelha que me reconheceu.
Ele ligou confuso para Miguel dizendo que havia me visto, o que era estranho já que ele havia ido ao meu enterro no dia anterior. Miguel custou a acreditar, mas aceitou chamar a polícia italiana como reforço e ir atrás de mim, se não fosse pelo amigo dele ter insistido tanto de que tinha me visto hoje não estaria aqui vestida de dama de honra para o casamento de Karen que estava linda.
–Relaxa amiga, vai dá tudo certo. — disse lhe dando seu buque e ela sorriu. — Sei que você vai ser feliz.
–Eu sei. Mas minha felicidade não seria completa se você não tivesse aqui. — Karen disse chorando. — Deus não acredito que pensei que você havia morrido.
–Há Karen, nada de tristeza. Eu estou viva e o seu lado. — disse abraçando-a.
–Eu te amo tanto amiga. — ela disse me abraçando com força.
–Eu também te amo amiga. — sussurrei em seu cabelo.
Logo Daniele veio nos chamar para entramos.
A sobrinha de Miguel foi na minha frente jogando pétalas de rosas na passagem enquanto eu levava as alianças.
Minha amiga vinha logo atrás sendo conduzida por Marcello, assim que cheguei ao altar fui ficar ao lado de Miguel que era padrinho do casamento, afinal se não fosse por ele apresentar os dois não estaríamos aqui.
–Você acha que a Karen vai ser feliz? –questionei sentada ao lado de Miguel vendo minha amiga dançar com Enzo.
–Tenho certeza, os dois se amam. Nada pode dá errado. — ele disse sorrindo para mim.
–Quer saber acredito em você, quando se tem amor tudo ser superado. — disse antes de tomar meu refrigerante e ele sorriu.
–Nunca pensei que fosse ouvir isso da minha noiva cética. — ele disse sorrindo enquanto se levantava e me oferecia sua mão para dançarmos.
Naquele momento nos braços de Miguel me lembrei da noite em que o pedi em casamento.
Pois é, sou uma mulher moderna.
FHASBACK ON:
Havia acabado de sair do hospital depois de dias internada, o médico me recomendou repouso absoluto e que eu levasse uma vida sem “explorações arqueológicas”.
–Karen para de me olhar desse jeito, estou me sentindo um bicho de zoológico. — disse assim que Miguel me colocou na cama.
–Desculpe, mas não consigo evitar passei semanas achando que você havia morrido e agora...- ela disse começando a chorar.
–Tudo bem Karen, vem cá. — disse e ela veio me abraçar.
–Nunca mais faça isso. — ela pediu chorando.
–Pronto, agora tente se acalmar tá. Você está gravida.
–É eu estou. — ela disse sorrindo. — Bom, vou descer por que Enzo está me esperando e vocês dois comportem-se.
–Cuide dela direitinho, ouvi Miguel? — Karen disse assim que saia.
–Pode deixar. — ele prometeu e revirei os olhos.
Não era criança pra ter uma babá 24 horas.
–E então senhorita Defilippo como se senti? – Miguel questionou se sentando na cama assim que Karen saiu.
–Como se tivesse sido atropelada. — brinquei e rimos. — O que aconteceu depois que apaguei?
–Prendemos todos eles, Maurizio e sua gangue vão apodrecer na cadeia. — ele disse com raiva. — Depois levei você e Elena para o hospital.
–Você atirou na Elena?!- questionei chocada.
–Atirei sim, ela ia matar você. Atirei e não tenho um pingo de remorso.
–Maurizio me deixa que estava fazendo tudo aquilo por que estava pobre. Pelo que percebi ele não queria ser humilhado pelo fato de você ser mais rico que ele. — acusei seria e Miguel ficou desconfortável. — Quando você a ia me contar que era o “Xeique da Itália?!”
–Eu ia te contar, no momento certo.
–Não ia não. — disse furiosa.
Odiava ser enganada, ainda mais por quem eu amava.
–Só queria que você se apaixonasse por mim e não por um homem rico. Já passei por isso várias vezes, não ia suportar passar por isso de novo. — ele disse magoado.
–Foi o que aconteceu com a Elena não foi?!- questionei suave e ele concordou.
–Eu gostava dela de verdade, mas minha família toda era contra por que eles haviam enxergado o que eu não via. Quando descobri a verdade terminei tudo com ela e fui embora daqui. — ele disse triste.
Devia ser difícil gostar de alguém e depois perceber que era só interesse.
–Desculpe. — sussurrei sem jeito enquanto me aproximava de Miguel. — Desculpe pelo que eu disse agora, e pelo que eu disse na casa dos seus avôs.
–Tudo bem, já perdoei você. — ele disse olhando em meus olhos e sorri. — Mas acho que está faltando algo em você?
–O que? — questionei confusa enquanto me olhava e ele se levantava para pegar um estojo de joias.
–O que é isso?
–Isso é uma devolução. — Miguel disse e abriu o estojo revelando meu colar de rosa reluzindo como novo.
–Meu colar. — sussurrei feliz por vê-lo.- Como você o encontrou?
Já que nem eu lembrava onde ele estava.
–Ele estava na sua sócia, a sorte é que no fundo nunca acreditei que fosse você e pedi para Nicole tirar o colar. O levei a joalheria Valentini para restaurá-lo e o guardei, agora ele está com sua dona. — ele disse e colocou o colar em meu pescoço.
–Obrigada Miguel, ele significa muito para mim. — disse tocando meu colar.
–Eu sei Rosa. — ele disse e se inclinou para me beijar, mas o afastei.
–Precisamos conversar. — pedi vendo seu olhar confuso.
–Claro. — ele disse sem jeito.
–Quando estava passando por aquilo tudo só conseguia pensar em tudo que tinha vivido e nas minhas escolhas. E vi o quanto estava errada sobre várias coisas. — disse e ele balançou a cabeça concordando.
–Você quer terminar comigo é isso?!- Miguel questionou com dor e pisquei confusa.
–Não. — gritei nervosa. — Não foi isso que eu queria dizer. Disse que revi meus conceitos de tudo, principalmente sobre nós dois.
–E? — Miguel questionou desconfortável.
–E... Quer casar comigo? — perguntei e ele sorriu.
–Você está me pedindo em casamento? — ele questionou divertido.
–O que posso fazer?! Sou uma mulher. — disse dando de ombros.
–Mais aqui na Itália as coisas continuam “conservadoras”.
–Se você aceitar, vou deixa-lo dizer para todo mundo que foi você que me pediu.
–Acho que não seria o certo. — ele disse tirando algo do casaco. — Eu aceito me casar com você Rosa.
–Aceita?!- sussurrei eufórica e ele sorriu.
–Aceitou, mas eu dou o anel. — Miguel disse abrindo uma caixa de joias me fazendo arfar com seu conteúdo, era o anel mais lindo e perfeito que já tinha visto na vida.
–Ele é lindo. Como você...- sussurrei pasma com a surpresa.
–Levei você a casa dos meus avôs para lhe pedir em casamento, mas as coisas não saíram como eu imaginava. — ele disse triste.
–Ele é lindo. — sussurrei encantada e ele sorriu.
–Lindo e exclusivo, pedi para o meu avô fazê-lo. Me permitir? — ele questionou pegando o anel e concordei antes dele colocá-lo em meu dedo anelar da mão direita.
–Você não tem jeito para joias, não é?!- brinquei e rimos.
–Não, eu e Nicola somos os desertores. Nunca conseguimos fazer um brinco. — ele disse e rimos.
–Obrigada pelo anel, nem sei o que dizer.
–Apenas diga que ama, isso já basta para mim.
–Eu te amo. E vou te amar para o resto da minha vida. — sussurrei enquanto segurava seu rosto em minhas mãos antes de beijá-lo.
FHASBACK OFF:
–Seja feliz Karen. — disse abraçando minha amiga enquanto nos despedimos. — E cuide-se.
–Vou me cuidar e vou ser feliz. — ela me prometeu sorrindo.
–Cuide dela Enzo. — pedi e ele sorriu.
–Vou cuidar Águi. E você Miguel, cuide da minha prima. E você Águi, cuide do meu irmão. — Enzo pediu e sorrimos.
–Vamos cuidar. — prometemos e lhes demos nosso último abraço antes deles irem para a lua de mel.
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