Tempo Perdido

28 Vengeance


Notas iniciais
Heyo, peoples. Desculpa pela demora, muita demora na verdade. Estive muito ausente, tanto por motivos pessoais e tanto por um grande bloqueio criativo. Se tiver mais alguém lendo essa fic, quero que saibam que vou voltar a postar :) Desculpa mais uma vez. Espero que gostem do capítulo!

Narrador

Com a cabeça encostada no vidro frio Thomas estremeceu ao perceber no que poderia acontecer a ele. Era algo egoísta, mas não se importava em pensar em tal. O filho de Hades já perdera a irmã graças a Corvus. Miles e Effy tinham se unido aos Outros. Soube que Miles perdeu o irmão também. Mas não se via disposto a pensar nele.

Ethan, o garoto loiro absurdamente alto, tinha sentado ao seu lado e não parava de ficar olhando por cima do ombro Sara. Sara estava sentada dois bancos atrás do outro lado. E o garoto parecia estar ansioso com algo, batucava seus longos dedos na perna e murmurava alguma coisa. Ainda não acreditava que ele tinha 15 anos. Ele não parecia ter essa idade. Sabia de uma parte da vida de Ethan, pelo menos do que ouviu e que o disseram. Não iria perguntar.

Thomas se virou para olhar a estrada, seguia os pingos da chuva no vidro fazendo um percurso se juntando com outras gotas até se perderem.

– Então você é filho de Hades? — ouviu a voz distante e extremamente irritante de Ethan perguntar. Virou a cabeça para o loiro com os olhos azuis curiosos, os olhos escuros de Thomas mostravam cansaço. Ethan pareceu não notar que tudo o que ele não queria naquele momento era conversa. — Bom, parece ser legal, sabe, viajar pelas sombras e, sei lá... Convocar os mortos e tudo isso. — Thomas suspirou se encolhendo no banco do ônibus, fechando os olhos e colocando as mãos no bolso do sobretudo. — Ok, é melhor eu ficar quieto.

– Também acho bom. — Respondeu o outro sem abrir os olhos. Suspirou mais uma vez sem se importar com o barulho irritante que a chuva provocava a bater no vidro inquietamente.

Encostou novamente os cabelos negros já gelados pelo tempo. Ouvia a discussão entre as pessoas sentadas atrás dele. Algo sobre discos que a ex-namorada de alguém tinha deixado no apartamento, ou algo sobre como se sentia como se ela queria saber de todos os passos. Pensamentos que Thomas queria ter, que não se dava o privilégio. As conversas se inquietavam, o barulho da chuva só aumentava, e seu cabelo ficava cada vez mais gelados e molhados pelo vidro. Tudo ficava mais distante enquanto se lembrava da última vez que viu Effy e Miles.

Flashback

– Eu não acredito neles. — disse o garoto quase em um sussurro. Sua voz tremia. Suas mãos também como tivesse sido eletrocutado, seu olhos escuros arregalados. — Nem uma palavra. Estamos vivendo em uma mentira.

Já a sua irmã não estava mais com vontade de ouvir o irmão reclamar. As palavras que ele falava ficavam cada vez mais repetitivas. Deu um passo para frente com o salto das botas fazendo o chão ranger. Seus olhos cerrados olhavam perigosamente para o irmão.

– E no que devemos acreditar, Thomas? — Effy pronunciou seu nome com desprezo.

Nada podia fazer Thomas se sentir em casa novamente. O filho de Hades cambaleou se sentando em uma cadeira velha de madeira. Sentiu o ar gelado entrando pelas hastas da janela. Ele não podia conter o sentimento que estava tudo acabado. Com a cabeça jogada para trás observou o teto alto do chalé. As sombras pareciam dançar, como crianças perseguindo uma borboleta.

Cresceu ouvindo os contos de um grande mau corrupto. Corvus. Um nome estúpido para alguém com tamanha fama. Thomas foi ensinado para odiar tal. Tinha matado milhares sem nem encostar neles. Sua razão? Nunca soube. Talvez Effy sim, ou Miles. Esse deve ter sido o motivo, pensou. Mas não tinha muita esperança. Corvus é um covarde, contrata assassinos por nenhuma razão aparente.

As mãos deslizavam pelo chão gelado. Ele conseguia ouvir o piano em sua cabeça. Rapidamente se curvou colocando as mãos na nuca entrelaçando seus dedos sentindo o cabelo recém cortado. Passou seus dedos, seguindo o percurso até o topo da cabeça. Seu pé direito batucava o chão ansiosamente esperando o pior a vir.

– Você se importa comigo, claro, mas não significa que acredita em mim e na minha causa. — Effy disse, as palavras queimavam como veneno. — E enquanto a Miles, você está apaixonado por ele, não é? Ele nunca irá amá-lo — ela riu. — Eu sinto pena de você. Sua irmã se voltará contra você, junto com a pessoa que ama. E ainda tem um bônus adicional! A pessoa que ama não pode retribuir o mesmo. Você é tolo, meu caro.

Levantou-se rapidamente da cadeira de madeira e olhou perigosamente para a irmã. Seu olhar de desdém. Aquele olhar Thomas só mostrava em ocasiões extremas. Inclinou a cabeça para um lado se aproximando mais da irmã, a observando de ponta a ponta.

– Não fale comigo como se eu não fosse do seu nível. Não direcione uma palavra para mim como se eu não entendesse do mundo, como se eu fosse um mortal qualquer. — Seus olhos duros, escuros, inexpressivos. Sua irmã cruzou os braços como se não importasse com que o irmão dizia. — Não podemos prever o que vai acontecer. Nem um passo. — Lentamente deu um passo para frente e abriu os braços com um sorriso doentio na cara. — Mas quando tudo virar cinzas e sangue não espere que eu esteja de braços abertos. Quando você for rastejando até mim. — Falava cada vez mais rápido, seus braços se abaixaram lentamente, Thomas ria com uma certa loucura. — Feito um verme. — disse com sua voz ríspida.

Canalha.– foi tudo que sua irmã respondeu antes de empurrá-lo. Thomas cambaleou para trás se arrependendo de tudo que tinha dito. Effy foi para outro quarto do chalé deixando o irmão olhando para sua mão que pousava no peito. O quarto em sua volta parecia rodar, o vento que saía sutilmente pela janela soprava seus cabelos negros como se dançassem. Respirou fundo se recompondo. Fez o máximo para parar de sentir raiva e culpa.

Fechou os olhos mais uma vez tentando sentir a emoção que o quarto o trazia. Conseguia ouvir o vento uivando, os passos de alguém pela neve, o cheiro do cinzeiro desaparecendo. Arrumou o casaco abrindo os olhos e saiu do chalé fechando a porta com delicadeza.

Miles se encontrava com as costas acomodadas na parede do chalé tentando acender um cigarro. Thomas revirou os olhos irritado.

– Para onde está indo? — quis saber o de cabelos castanhos exalando a fumaça.

– Desde quando importa para onde estou indo? — Thomas respondendo evitando contato visual. Sentiu Miles se aproximando, seus olhos estavam ardendo, tudo que sentia era o frio.

– Você sabe que não escolhemos isso, não sabe? Não quero juntar forças com um deles. — A voz dele estava calma. Como se realmente acreditasse no que falava. Ele se virou para Miles. Os olhos do amigo estavam preocupados, os cabelos castanhos dele estavam com uma aparência pálida, como a pele, que antes era bronzeada.

– Então não vá. Não me deixe sozinho. Não me abandone como todo mundo faz. — Conseguia sentir as lágrimas queimando em seus olhos, lutava para não derramar nenhuma. Sua garganta parecia que estava se fechando. Era quase a mesma sensação de quando contou para ele o que realmente sentia. — Miles, por favor, não me deixe. Pelo menos não assim. Eu sei que eu estraguei tudo naquele dia. Mas eu consigo conviver com isso. — Suas palavras pareciam pesadas em sua boca. Ele tremia tentando conter as lágrimas de caírem e ele despencar.

Miles olhou para a neve deixando o cigarro cair. Respirou fundo passando a mão pelos cabelos e olhou de novo para Thomas com os olhos azuis o encarando. Colocou uma das mãos na lateral do rosto do amigo.

– Mas talvez eu não consiga conviver com isso. — foi tudo que ele respondeu.

E essa foi a última vez que os viu.

Sara

Quando ainda estávamos naquela clareira tudo parecia estar longe. Como se fosse um refúgio, um lugar onde eu podia ficar para sempre sem me preocupar. Sadie, Percy e Annabeth partiram mais cedo indo em sua direção para procurar Carter. Eles não tinham chance alguma.

O tempo tinha esfriado, um ar gélido como se fosse cortar a minha pele. Ouvia o barulho que o fogo fazia. O rádio de Uriah tocava de longe, depois que aquele lobo atacou a clareira ele não saiu da cabana, nem mesmo para se despedir deles.

Tudo estava desmoronando aos pouco e eu nem conseguia pensar nisso. Eu já tinha passado por isso tantas vezes que não conseguia nem acreditar quando me falavam "Esse pode ser o fim do mundo, Sara! Não consegue ver?" Isso pode ser só uma guerra tola, não consegue ver? É isso que eu tenho vontade de falar.

Ethan tinha sentado na rocha onde ficava o rádio. O fogo refletia seus cabelos loiros que estavam com a aparência mais escura, sua pele pálida parecia quase cinza naquele ângulo. Era como ver um desenho, nada muito perfeito. Seus olhos azuis olhavam para o nada. E em sua boca se formava algo parecido com um sorriso. De longe podia ouvir uma melodia conhecida, talvez Belle and Sebastian.

Não podia culpa-lo pelo sorriso.

O magenta de seu suéter servia de contraste em sua pele. Não conseguia evitar de olhar o sorriso que formava em seu rosto. Era um sorriso sincero, não como os dos outros que os acompanhavam. Não era como o de Uriah que era repleto de ironia e insanidade. Não podia julgá-los, nem conseguia contar quantas vezes já sorriu como Uriah. A simplicidade no sorriso de Ethan era admirável, no mundo distorcido e sujo que viviam, era difícil achar alguém que conseguia sorrir mesmo assim.

Em uma ação totalmente inconsciente sorri. O de cabelos loiros percebeu que olhava em sua direção, não me desesperei como várias pessoas fariam. Não é nada grandioso observar alguém. Ele se levantou e foi em minha direção.

– Vamos. Você não pode recusar. Te salvei uma vez. — Ele olhou para trás e soltou e riu. — E além do mais, é Belle and Sebastian.

– Por que não? — sorri. O loiro abriu um sorriso abobado soltando uma risada um pouco constrangida.

– C-claro.

Agora momentos assim pareciam estar mais distantes do que o possível. Queria voltar para aquele dia, ter a mesma conversar, dançar tropeçando nas pedras com Ethan. Conversar sobre besteiras e nem esperar o que estava por vir.

Rose estava ao meu lado olhando para as mãos ansiosa. A garota abriu um sorriso e riu.

– Ele gosta de você, e você dele. Não entendo porque não fazem algo logo, vocês podem morrer amanhã ou até hoje. — ela me olhou com um olhar desconfiado. — Você sabe disso, não sabe?

Olhei para o banco onde Ethan e Thomas se encontravam. O de olhos azuis tentava falar com o filho de Hades que não queria ouvir nenhuma palavra que o loiro falava. Ele estava nervoso. Viu que que os seus olhos encontram com os dele. Por um momento se olharam, mas o loiro voltou a posição que estava um pouco envergonhado.

– Eu sei — respondi. — Mas não é tão fácil assim.

– Claro que é. Não é como se ele e Thomas estivessem em um relacionamento.

Rimos por um tempo. Até Rose voltar para posição que estava antes e dormir mais uma vez.

Na minha frente Uriah e Julia murmuravam algo. Eles estavam aflitos. Julia falava não querer morrer em uma guerra. Uriah falava que o plano não daria certo e que tudo estava dando errado, não chegariam a tempo.

Encolhi-me no banco querendo não atrapalhar, respirei fundo e fechei os olhos querendo esquecer.

Notas finais
Heey, reviews? Espero que tenham gostado, é o penúltimo cap, o último já está sendo escrito e a segunda temporada também! Beijos e até o próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.