Tempo Perdido
23 Bastardo
Notas iniciais
P.O.V Cassie
– Cassie? — perguntou Corvus atrás de mim. Virei para ele, levantei-me da cadeira, abaixei as mangas de minha jaqueta e olhei para Corvus com um sorriso torto crescendo nos lábios.
– Eu mesma. — andei até ele balançando a cabeça pelos lados, segurei seu manto e aproximei ele de mim. Fiquei nas pontas do pé e disse em seu ouvido: — Espero por suas ordens, Corvus. — Afastei-me um pouco dele. — O que é dessa vez?
Corvus alisou seu manto, tirando a poeira dos ombros, e olhou para mim com os olhos brilhando e com um sorriso com seus dentes afiados a amostra. Ele parecia um pouco com Ethan, seus cabelos eram loiros bagunçados, sua pele era pálida com pouca tonalidade e seus olhos eram de um azul escuro.
Ele alcançou sua mão em seu bolso e retirou de lá um aparelho, o aparelho que Lahey inventou.
– Lahey! Por favor explique como funciona toda essa merda! — Gritou Corvus por cima do ombro. Lahey, Miles Lahey, filho de Baco. Ele se levantou rapidamente da cadeira fazendo-a cair, e veio até Corvus. Lahey era quase da altura de Corvus, seus cabelos eram castanhos curtos um pouco encaracolados, seus olhos também castanhos, mas claros, sua pele era um pouco bronzeada, mas só um pouco, seu nariz era um pouco longo e não era tão forte.
Ele colocou a mão fechada na boca e pigarreou. Vi que tremia e suor em suas mãos era notável, ele limpou as mãos na calça jeans e começou a explicar com a voz trêmula:
– Bom, e... É um Biforme, o nome é Biforme, não é uma merda. — murmurou. — Cassie, aperte esse botão aqui — disse apontando para um pequeno botão vermelho no aparelo de metal. — A lâmina vai crescer em menos de segundos, não vai sobrar sangue nem nada no corpo, suas digitais — pigarreou mais uma vez evitando uma crise de tosses — nem vai ter feridas internas, a lâmina vai absorver tudo, e evaporar o restante dentro dela. — Ele olhou em meus olhos. — Rápido e fácil, vai sair ilesa, quem encontrar o corpo, igual o que fez com Peter, ninguém ira saber.
Corvus riu da explicação de Lahey.
– Sabe o que fazer, Cassie? — ele me perguntou. Por que não estaria. Fiquei em sua frente, agarrei o colarinho de seu manto beijei seus lábios furiosamente sem sentimento algum. Afastei-me um pouco com um sorriso torto na cara.
– Diga-me quando não sei o que fazer?
P.O.V Ethan
– Ah, por favor, Percy, Annabeth e Sadie estão bem. — disse Hazel pulando um galho que estava no caminho.
– Além do mais — disse Félix — alguém tem que ir achar Carter... Se não for tarde demais.
Rose negou.
– Deveríamos pensar direito nesta situação... — então ela parou. — Saímos daquela clareira, e agora onde vamos ficar? Temos que descobrir quem são eles, o que querem...
– Talvez. – disse subindo em uma rocha depois pulando dela continuando a caminhada. – Talvez devêssemos ir para um lugar que nenhum deles iria nos achar... –Virei para trás, conseguia ver o olhar de alguns que queriam exatamente isso, queriam fugir, mas vi que Rose estava com um ar de negação, e Uriah ficava suas unhas nas palmas das mãos ficando rochas e pálidas, ele tentava acalmar sua respiração. Então ele me olhou com os olhos injetados de sangue, suor brotava de sua testa. Acho que eu tinha feito algo de errado. Sem nem perceber Uriah foi em minha direção e me pressionou contra uma árvore rangendo os dentes.
– Se eu quisesse fugir, já teria os largado, os largado para morrer. E sabe de uma coisa, Ethan? – ele disse quase em um sussurro tentando não gritar. – Alaska está morta. Alaska, não morreu, mas sim foi morta. Não foi uma morte natural. Não foi uma morte que desejamos ter, Walker. A morte que tanto desejamos ter é quando estamos velhos acompanhado por uma boa vida, em uma cadeira de balanço vendo o pôr do sol, ou o lusco fusco se formando. – Ele estalou seu pescoço então me olhou. – Alaska não teve o tal privilégio, e se está querendo fugir, deixe eu te contar algo: Isso é covardia, se quiser fugir. Volte para Chicago.- Então foi para árvore mais próxima e a socou, vi as farpas entrando em sua mão, e os milhares cortes. E então ele continuou andando como se nada tivesse acontecido.
Todos me olharam. Olharam-me como se soubessem que eu iria falar. E eu iria respondê-lo. Ele agia como se soubesse de tudo, como se eu fosse inocente, como se eu realmente fosse um covarde. Admito que não seja audacioso como eles, eles tem mais experiência, entrei a pouco tempo neste mundo. Então todos olharam para frente e andaram atrás de Uriah.
– Está falando isso por que está com medo que aconteça o que aconteceu com Jane. -. Vi o olhar de aviso das Julias e Félix. E o olhar curioso de Rose e Sara.
Ele virou sua cabeça em minha direção.
– O que você disse? — ele perguntou em um tom baixo. — O que você disse, seu pequeno bastardo?
Bastardo, ele tinha acabado de me chamar de bastardo.
– Você sabe o que ouviu. – disse dando um passo para frente. – Jane, eu disse Jane. E a sua maldição, hein? Ninguém nunca soube dela. Deixe-me adivinhar... Nem você mesmo sabe dela. – Uriah me lançou um sorriso doentio. Uma sombra cobria seus olhos.
– E você, nunca soube sobre Ethan Walker o bastardo? Na primeira vez que te vi só perguntei se era irmão de Cassie. Que agora é uma vadia, ou sempre foi, ah, me desculpe. – cobriu a mão na boca cheio de sarcasmo, fingindo se desculpar, minhas mãos tremiam de raiva. – Aquela vadia. Mas vamos voltar a o que interessa. Sei muito mais do que “Ethan Walker perdeu os pais, parece que tem sonhos estranhos com pessoas queridas mortas”. Sei muito sobre os Walkers, e sei muito bem que você, você querido Ethan, não deveria ter nascido, não deste jeito. – Eu queria que tudo que ele falasse fosse mentira, mas Uriah não é de mentir. Então fingi não ter ouvido nada do que disse.
– Teve que matá-la do que me lembro. –Então Uriah parou em minha frente e ficou me olhando, sentia sua respiração pesada. – Desculpe. – disse baixo olhando para o chão percebendo oque fiz. Parecia que o peso do céu estivesse em minhas costas. Uriah se afastou alguns passos parecendo enjoado.
– Não... Tudo bem... Eu também não deveria ter dito aquilo. – o filho de Hécate disse virando de costas andando mais uma vez um pouco zonzo. – Você estava certo.
Flashback
P.O.V Narrador
– Tem certeza? Tem mesmo certeza que foi ele? – perguntou a voz firme de Duncan.
Carter estava nervoso, estalava seus dedos impacientemente. Ele não tinha contado para ninguém sobre isso, ele só mandou um telegrama para Duncan assim que pode.
– Se não fosse importante você não estaria aqui, eu não estaria aqui. Desde que Amós virou o sacerdote chefe eu e minha irmã cuidamos desta casa... – ele falava um pouco trêmulo. – É ele, Duncan. Só pode ser ele.
Duncan estava com o seu olhar inexpressivo, estava claro que estava com raiva. Seu cabelo castanho escuros estava ficando já grisalho, estava com o seu habitual terno cinza, sua barba sempre raspada e seus olhos escuros frios.
– Você está sugerindo que temos que mudar de Chicago? – sua pergunta parecia mais uma afirmação. – Está dizendo que todo este esforço foi para nada? – Carter abriu a boca para falar algo, mas o outro impediu. – Você sabe como é guardar um segredo, Kane?! Você sabe como é tentar ter uma vida normal, tentando fazer que seus filhos não sofram o que você sofreu?! – ele foi um passo adiante, mas Carter permaneceu onde estava, com o mesmo olhar duro.
– Você já guarda o segredo de Ethan ser um bastardo, Duncan! Você e sua mulher. Nem sei como vocês dormem na mesma cama, você é um nojento, Walker. – Carter poderia ser mais baixo do que ele, mas era mais intimidador daquele ponto de vista. – Sim, deveria se esforçar mais. Ele vai saber uma hora. Sua filha Cassandra já sabe-
– Ela é mais forte que Ethan.
– E se ele estiver pronto? De qualquer maneira é um Walker, ele tem o seu sangue. – Ele era intimidador até o momento que sentiu um cano frio apontando para sua barriga, uma arma escondia na manga de Duncan. – Você não faria isso. – disse com um sorriso na cara.
Duncan deu uma risada desgosto.
– Você não sabe o que sou capaz.
O sorriso de Carter só aumentava. Ele cruzou seus braços sobre o peito e jogou o peso de seu corpo para o pé esquerdo.
– Ah, eu sei muito bem o que você é capaz. – ele disse rindo de sua própria voz, então olhou para cima olhando nos olhos de Duncan com um olhar frio. – Se você pensa que eu ainda sou aquele garoto de quatro anos atrás... Você não sabe o que sou capaz. É ele, eu chamei você porque era importante. E eu tenho um palpite que você será o primeiro.
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