Não!

Minha vida inteira fui enganada por minha mãe, que me fez acreditar que meu pai havia morrido em um acidente de carro.

Pode não ser verdade.

Mas... e se for?

Saí correndo porta afora e saí do dormitório. O vento frio balançava meus cabelos e minha roupa. Chorando, tudo estava cada vez mais confuso.

*GLOMP*

– OUCH!

Bati em algo. Ou melhor, em alguém.

– ... Pai?

– Pelo jeito alguém está com saudades de casa....

Era um rapaz alto, loiro, olhos castanhos e um sorriso gentil. Sua voz era grave e ao mesmo tempo doce. Ele esticou a mão para que pudesse levantar. Apoiei-me em seu peitoral e encarei-o.

– Não, pelo contrário — respondi de maneira ríspida.

– Um abraço ajudaria?

– Não. Agora me larga!

– Ai, desculpa! O que faz aqui?

– Não te interessa, mas devolvo a pergunta.

Antes que ele respondesse, uma voz grossa ecoou.

– O que fazem aqui?

Era a monitora do dormitório feminino. Ela era gorda e baixa, caminhando a passos largos até mim.

– Desculpe Sam — ele disse — Ela estava sonâmbula, próximo ao dormitório. Vim ajudá-la e devolve-la para cá.

– Ah, sim, obrigada — ela sorriu, e ele devolveu. — Cada um pros seus dormitórios!

– De nada — ele sibilou enquanto dava meia volta.

Apesar de ele parecer confiável, precisava de alguém pra contar. Alguém que me conhecesse, e saberia me apoiar, mesmo me achando doida.

Celine, é claro. Minha melhor e única amiga.