Tempo Perdido
5 A dor de cada um
Notas iniciais
Aquelas palavras certamente doeram até em mim. Ele provavelmente estava na mesma situação que eu, desesperado, sozinho.
Puxei ele para fora do dormitório e me escondi em uma antiga casinha de gás não mais utilizada. Ele se surpreendeu, e me olhou com os olhos tristonhos.
– Você é uma bruxa?? — ele perguntou, raivoso.
– N-Não! Eu estou na mesma situação!
– NÃO ACREDITO EM VOCÊ! — ele gritou, abrindo a porta da casinha e saindo — Me deixe em paz!
– Espere...! — mas ele já estava longe.
Corri até a um pouco antes dele e gritei:
– ENTÃO TÁ! Se você não quer nem me escutar, vá para o inferno!
Voltei para o dormitório com lágrimas nos olhos. Ninguém acreditaria em mim, nem na minha história. Nunca.
~~
Durante dois dias, tive o mesmo sonho: eu e Andrew deitados em uma relva, conversado, tranquilamente. De repente, uma tempestade e duas pessoas apareciam: meu pai e o amigo dele — pelo pouco que vi, tinha olhos verdes profundos e cabelos castanhos. Nós corremos para alcançá-los, mas eles se afastam. De repente a terra racha e tentamos nos agarrar neles, mas não conseguimos. Na hora em que algo ia acontecer, a monitora nos chamava para a aula.
Eu não gostava muito de ir às aulas. Mas como era aula de física e falta pouco pra prova, eu ia.
Quando entrei, escutei o professor falando:
– Melody Sheron faltou de novo...
– PEIN — fiz com a boca — eu estou aqui.
– Olha que maravilha — ele disse em tom sarcástico.
Eu estava pronta pra responder, mas ele gritou para eu ir para a carteira.
Sentei e olhei para o lado.
Andrew.
Ele me olhou assustado, depois recuou a vista. Claro, hoje é aula mista. Tentei chamá-lo, mas ele não escutava.
"Não banque o idiota" eu sibilei. Ele ignorou.
Bufei e voltei a atenção para a aula. Esqueça ele! É o mais fácil a fazer.
Anotei algumas coisas, mas poucas, e logo deu a hora do intervalo de 05 minutos entre uma aula e outra. Sempre gosto de sair da sala e ficar no meu armário, esperando por ele.
Dean Hilou. O garota que ficava a duas salas de distância de mim.
Hum, Melody apaixonadinha. Patético. Mas eu gostava bastante dele. Ele sempre passava por mim e sorria, mesmo tendo várias meninas do lado dele. E eu ficava feliz com isso.
Enfim, logo o almoço chegou. Comi um pouco numa mesa no canto, excluída. Às vezes algumas pessoas me irritavam. Mesmo a maioria sendo bandidos, algumas meninas fúteis estavam lá para os pais ficarem livres para viajar, e ficavam juntas falando sobre futilidades.
Terminei de almoçar rapidamente e levantei, até que alguma menina idiota me empurrou. Eu caí e o prato também, me cortando um pouco.
– Olha por onde anda, criatura!
– Eu que o digo — falei baixinho e me levantei.
Lavei minhas feridas, mas deixei um pouco de sangue no rosto. Saí da escola e fui respirar um pouco de ar puro, mas parei assim que vi Andrew sendo judiado com um grupo de garotos.
– E aí, "matou o melhor amigo"? Vai encarar?
Ele tremia.
– PAREM!
Fui tomada pela raiva de ver um fraco apanhando.
– Olha, olha, se não é a mestre dos delinquentes... Por que está defendendo o idiota aqui??
– Vocês não sabem NADA sobre ele! — cerrei meus punhos — Não tem o direito de falar!
Parti pra cima deles. Uma voadora, alguns socos, chutes e defesas. Todos saíram correndo em seguida, assustados.
– Hey, Melody...
Lancei um olhar triste pra ele. Estava suja, descabelada, sangrando, com marcas de socos. Saí andando. Mais afrente estava Dean.
Ó CÉUS! Ele me viu lutando???
– Hey Melody! — ele exclamou — está tudo bem? — ele parou na minha frente.
– Como sabe meu nome?
– Sabendo — ele abafou uma risadinha — Você foi incrível ali. Quer ajuda?
Antes que eu pudesse responder, Andrew parou ao meu lado.
– Obrigada Dean — ele falou docemente — Mas eu cuido dela por enquanto.
Ele pegou meu pulso e saiu me puxando.
– Me solta, seu vadio!
– Eu quero falar com você — as palavras dele ecoaram pela minha mente.
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