Tempo

1 Make a Party


Notas iniciais
Bem, essa é a minha primeira fic e eu estou com medo. FATO. Então, eu só queria que vocês gostassem. O primeiro cap. é narrado pela Serena.

O meu telefone tocara. Eu estava lendo e mais uma vez tive que abandonar o livro pra fazer alguma coisa trivial. Vi na tela que era Blair que ligava. Provavelmente, ela devia querer buscar apoio, com certeza ela precisava. Eu definitivamente não sei o que faria se estivesse na situação dela, todos esses problemas iam fazer a minha cabeça explodir.

“B. Você está bem?” Eu tentei tornar a minha voz a mais tranqüila possível, mas nunca sabia o que Blair fazia nessas crises.

“S. Você pode me encontrar? Agora, urgentemente?” Algo estava acontecendo ou ia acontecer. A voz dela estava demasiadamente controlada, não era algo normal pras circunstâncias em que ela se encontrava.

“Claro. Onde? B. O que ta acontecendo?” Eu já separara uma roupa enquanto andava com o celular entre o ombro e a orelha.

“Minha casa. Eu te explico tudo aqui. Por favor, não demore.” O controle estava sumindo, eu podia sentir as lágrimas escorrendo pelo rosto dela, o que ela queria que eu fizesse com certeza eu não sabia, poderia ser um dos planos diabólicos “a là Waldorf”? Nesse, eu tinha que ajudar.

“Estou indo.” Falei rapidamente. Quanto mais rápido eu chegasse, melhor seria.

“Ok. Não demore. Beijos, S.” Ouvi aquele barulhinho irritante de quando o telefone desliga. Eu simplesmente odiava quando desligavam o celular sem dar chance pra me despedir, achava de uma certa maneira, arrogante.

Tomei um banho rápido e coloquei uma calça jeans skinny com uma regata xadrez e um blazer nude, calcei qualquer sapato jogado pela casa, provavelmente um com um salto agulha. AI! Que memória! Era pra eu ter chamado um táxi antes de me arrumar. De qualquer jeito não importa. Eu vi um passando e rapidamente acenei, meus reflexos ficavam mais rápidos nessas situações críticas. Disse o endereço e notei que o taxista me olhava, eles não tinham nada pra fazer, como redirecionar o olhar pra onde rua?

Não senti o tempo passando dentro daquele carro e nem o cheiro que tendiam a estar impregnados neles, geralmente táxis cheiravam a cerveja, creme de barbear e colônia masculina barata, esse não, era pior, cheirava a vômito, carne podre e colônia masculina barata, claro. Eu coloquei o meu rosto o mais perto da janela possível, ver as luzes passando rapidamente era divertido, mas pensar no que a minha missão me aguardava não era nada.

“Chegamos senhorita. É...” Ele ia resmungar alguma coisa que não ia fazer a menor diferença na minha vida, então, pra quê perder tempo escutando? Atirei duas notas no banco da frente e subi. Ai, eu me sentia em um desses filmes que você corre, corre pensando que ia fazer algo importantíssimo pra humanidade, mas no final das contas, era tão óbvio que qualquer pessoa sem cérebro seria capa de fazer.
Pareceu uma eternidade dentro daquele elevador. Mas nesse meio tempo, eu pensara que ainda não conversei com B. sobre o ocorrido de hoje. Que ótima amiga eu estava sendo... Nem sei como ela deve estar, é tão difícil imaginar essas coisas. Aquela mensagem informando detalhes sobre a vida “amorosa” dela foram chocantes para todos, e principalmente pelo fato de um dos caras ter enviado. Chuck. Onde ele tava com a cabeça? Será que ele podia parar de pensar só nele, um dia? Aposto que ele nem pensou no quanto isso ia arruinar a vida dela. Não esperava isso dele, não algo tão horrível.

O elevador abriu e eu fui surpreendida por ver a sala de Blair cheia de malas. O que ela estava pensando fazer? Nada, como “A fuga”, certo? Eu sai andando e vi Dorota se matando pra carregar outras malas. As férias começaram agora, provavelmente ela queria se despedir, devia passar as férias na França. É... Devia ser isso.

Eu vi Blair descendo as escadas e carregando uma bolsa gigante e algumas planilhas. Ela não descansara nada, tinha olheiras marcando o seu rosto, seu cabelo estava desgrenhando. Ah não, pior, muito pior que isso, ela estava sem aquelas tiaras, que eu particularmente sempre odiei, mas que faziam parte dela.

“B. O que aconteceu?”

“Minha situação ta tão horrível assim?” Ela resmungara enquanto abria a bolsa e pegou um espelhinho. “Bem, agora não importa. Eu terei tempo de cuidar disso depois.” Ela guardara o espelhinho e me encarou com aqueles olhos amendoados. Eles estavam tão cansados, e encharcados.

“Não, não... De verdade, está. Mas pra quê tantas malas?” Depois do meu comentário sobre o seu estado horripilante ela me fuzilara com o olhar, será que nem agora, ela podia me dizer diretamente o que estava acontecendo?

“Bem, acho que pra chegarmos na parte... Qual é a parte das malas, Dorota?” Seu olhar desviara pra empregada baixinha e polonesa.

“Parte 4, Srta. Blair.” A Dorota já fungava silenciosamente. Era estranho ver ela tão triste, aquilo nunca acontecia, eu sempre a via um tanto irritadinha, ou preocupada com qualquer coisa que B. fosse fazer.

“Ok. Para chegarmos na parte 4 do plano “Escape” eu vou ter que te contar exatamente tudo, do começo até agora. Eu vou falar da forma mais resumida possível e não quero que você me interrompa.” Ela me puxara e me sentara em um pequeno espaço que tava disponível naquele monte de malas que ocupavam o sofá, parecia que metade do closet dela estava ali, e olhando bem, isso era muita coisa.”Agora, me escute. Primeiro, acho que você sabe o que a Gossip Girl postou, e não vai ser preciso repetir. Bem, aquela foi a parte em que a minha vida foi arruinada, e pelo cara que eu realmente passei a... passei a...” AH! Sabia, ela não precisava completar. Ela passara a amar o Chuck!

“Blair, eu sei o que você quer dizer, não precisa falar a palavra.” Um sorriso forçado apareceu ali. Meu Deus! Aquela não era a Blair que eu conhecia.

“Então você já sabe. O fato é: a partir que eu tinha começado a sentir-esse-sentimento-desprezível-por-esse-ser-desprezível eu descobri que isso só me fazia mal, mas eu já tinha feito aquilo por ele, então não tinha como eu voltar atrás, e ele ficava me perseguindo. Não, não é exagero meu. Depois de um tempo, eu percebi que Nate talvez fosse a escolha certa pra mim, então eu fiquei com ele. Só que Chuck insistia que eu não devia ficar com ele e me ameaçava toda hora, a qualquer minuto. Então, uma hora eu me cansei e disse que se ele fosse pra ele fazer alguma coisa ele já teria feito. Foi o meu erro. Depois disso ele enviou a mensagem pra Gossip Girl e acabou com a minha vida. Pois bem. Eu iludida, ridícula, idiota, pensei que ele ia me querer depois disso. O que eu realmente pensei foi que ele fez aquilo só pra me ter pra ele, então, eu corri atrás dele como uma cachorrinha sem dono. Só que quando eu cheguei lá, disse que ele me tinha só pra ele, ele simplesmente disse que não me queria, que eu era atrativa quando era bonita, recatada, e me comparou de um jeito horrível, S. E eu não, simplesmente não agüento ficar aqui por mais um segundo. Eu não quero, não posso, não agüento!” As lágrimas já estavam escorrendo do rosto dela. Era absolutamente raro, quase impossível de acontecer. Ela odiava chorar, pois mostrava que ela era humana, não uma deusa perfeita. Ela devia estar sofrendo mais do que eu pensava. Muito mais. Eu puxei a cabeça dela e coloquei em meu colo. Eu já sentia lágrimas esparramando a minha calça.

“B. Não chora, por favor. Eu vou te ajudar, independentemente do que você me pedir. Eu vou fazer qualquer coisa.” Ela levantara a cabeça e me encarara. Ela não tinha terminado de falar, ela começara agora.

“Eu sei, S. Mas eu ainda não te contei o que eu preciso que você faça, e nem terminei de contar a história dramática da vida de uma Waldorf.” Ela rira. Bem, foi engraçado, mas eu não tinha ânimo pra rir vendo a minha melhor amiga naquele estado, absolutamente nenhum. “É, depois do que ele me falou, eu voltei pra casa, e pensei em várias maneiras de acabar com a vida dele, fazer ele se arrepender lentamente de tudo que ele me fez e me disse, só que simplesmente eu não queria nem podia, algo dentro de mim me impedia. Então, eu vi que a coisa certa a fazer era me afastar, sair de toda essa confusão. Definitivamente, fugir. Você deve ta pensando, OH, BLAIR, VOCÊ NUNCA FARIA ISSO! Mas S., eu estou sofrendo tanto, é tão difícil, eu nem sei como te explicar o que estou passando, a única coisa que me vem a cabeça é me afastar, fugir, sair daqui, de toda essa poluição, dessa confusão.” Ela parara de chorar. Eu nem sabia o que pensar. Não quero a B. longe de mim, principalmente agora, que ela tanto precisa da minha ajuda. Mas era só eu olhar pra súplica nos olhos dela que eu percebia que aquilo podia ser o melhor. Merda. Por que eu tinha que ser tão compreensiva? Eu deveria ser uma pessoa que só pensava em mim e dizer pra ela ficar aqui.

“Ok, B. Mas exatamente, o que você quer que eu faça?” Agora eu sentia o perigo. Esses planos “a là Waldorf” nunca eram bons, mesmo que não tivessem fins drásticos como “A morte de Chuck Bass e Nathaniel Archibald”.

“Ah, ainda vou te explicar as partes. Bem, a primeira parte foi quando a GG estragou a minha vida. A segunda parte foi quando o Chuck me rejeitou. A terceira parte foi quando eu bolei meu plano. A quarta parte é quando eu estou arrumando minhas malas pra fugir. E a quinta, e a parte que cabe a você, e é a distração.” A voz de derrota passara a ser divertida! Como ela se divertia com essas coisas? Eram tão absurdas. E olha, que eu ainda nem sabia o que eu ia fazer, mas aposto que não era nada como buscar uma pizza, ou fazer tranças no cabelo dela.

“E o que você quer?” O tom da minha voz transmitia basicamente desespero! Claro que eu tinha que ficar desesperada, eu não queria morrer “distraindo” o que quer que fosse por uma causa nem um tanto nobre!

“Bem, se você pensar bem, é simples. Você vai dar uma festa, que vai atrair toda a atenção pra ela, provavelmente.” Ela falara tão normalmente, quase cantando. Mas, bem. O plano era realmente simples, mas tinha algumas falhas.

“B. sempre tem alguém que fica de plantão por fora das festas, ela provavelmente vai estar de olho em você. E eu ainda não entendo porque você quer sair assim, tão sorrateiramente.”

“S. Eu quero sair sorrateiramente pra que nada me impeça. Sair, sem ter algo pra olhar pra trás. As únicas coisas que eu realmente vou sentir falta, eu já me despedi. Ah, e a sua outra pergunta...” Agora a coisa ficara feia. Não era um sorrisinho discreto que brotava nos lábios dela, mas algo que iluminava a sala toda. Isso podia ser bom, mas não quando se aplicava numa distração! “Na verdade, também é bem simples. Pensamos que caso a sua festa não tivesse atenção suficiente, você podia fazer com que ela tivesse, de uma maneira simples, fingindo ficar bêbada e dar um show! Simples, não?”

Um minuto de silenciou pairou sobre a sala. Olhando de fora, era um plano simples, rápido e basicamente eficaz. Mas, olhando pelos meus olhos, quer dizer que: Minha mãe vai me matar, tem chances de Dan terminar comigo, as garotas vão ter algo o que falar e eu vou ter que agüentar gracinhas. Argh. Definitivamente, não era um plano tão simples. Eu bufei silenciosamente.

“Mais simples impossível.”

“Ta dentro, S.? Se não tiver, eu vou entender.” Os olhos dela perderam o entusiasmo só de pensar em não me ver pagar esse mico, essa humilhação! Mas pensando bem, ela precisava da minha ajuda.

“Estou, pode contar comigo.” Ai! Depois de eu dizer sim, Blair quase quebra as minhas costas com um abraço de urso tão forte! Meu Deus! Essa garota ainda mata um.

“Te amo, S.” E o pior, Dona Blair, é que eu sei disso.

\"Também te amo. De que horas é essa festa?” Espero que ela realmente já tenha planejado tudo. Não acredito que teríamos muito tempo pra organizar uma festa.

Játa tudo organizado, é só você mandar as mensagens quando for umas 10 horas.”

“Ta. Então, eu só quero saber uma coisa. Uma única coisa. Uma coisa que mudará o destino do universo...”

“FALA LOGO!” Ai! Será que ela não podia me deixar brincar um pouquinho! Mas valia a pena ver ela toda irritada, ela virava um monstro lindo, só que irritado, e que podia te matar com um simples olhar.

“Cadê sua tiara?”

“Ah. Aquilo?! Eu achei que estava brega, fora de moda.” Ok. Eu realmente não espero que ela pense que eu acreditei nessa mentira tão mal contada. “Ok, S. Na verdade, eu joguei todas no lixo. Ou pelo menos disse pra Dorota dar um fim em todas.”

“POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?” Eu me exaltara agora! A tiara fazia parte de Blair Waldorf, uma não existia sem a outra.

“Acho que pra você eu posso contar. É porque eu coloquei em todas elas, as iniciais C&B. Claro, que foi bem antes do ocorrido, então, eu fiz questão de destruí-las.” Nossa. Disso eu não sabia. Eu pensei que Blair “amava” o Chuck, mas não AMAVA ele. Olhando assim não faz diferença, mas de dentro faz muita! Ela deixou o registro dos dois nas coisas que mais importavam pra ela. Não esperava algo assim.

“Ah.” Foi o único som que eu consegui emitir. Eu estava um tanto estática.

“Ei! Você já ta pronta pra sua festa, ou vai passar em casa e se arrumar?” Ela se levantou e me puxou. Abraçou-me com uma força! Eu ia sentir saudades dela. Não acredito que ela vai sair daqui, me abandonar.

“Vou colocar um vestido. De 10 horas você pode estar pronta pra ir.”

“Vou estar. Faça uma festa de uma digna Serena Van der Woodsen!” Eu nem pensava nessa festa direito. Ela não era muito importante.

“B. Eu te amo.” Agora era a minha vez de chorar. Malditas fossem as lágrimas, eram salgadas e não serviam pra absolutamente nada.

“S. Eu te amo.” Ela me abraça e afagara meu cabelo. Meu último plano com a Blair e ela não visava uma destruição social. Só espero que ela seja feliz, ela merece.

Notas finais
Espero que tenham gostado. GRANDINHO, NÉ?
Quem gostou ou quer que eu mude alguma coisa, avisa, diz, mostre estar vivo!

Beijos :*