“Volte aqui!” foram as últimas palavras proferidas pelo jovem lorde antes de cair inconsciente no chão em um dos aposentos da residência Trancy sobre o efeito de algum gás sonífero.

Ciel sentiu-se inquieto no momento em que entrou na mansão. Sua convocação para o baile foi rudemente concedida no dia anterior pelo mordomo principal da casa, Claude Faust.

Sendo informado de tal convite, Ciel opôs-se a comparecer, porém seu próprio mordomo, Sebastian Michaelis, mostrava uma relutância persistente à sua decisão a ponto de despertar a curiosidade do jovem lorde.

Agora ele lastimava o momento em que pisou nesta mansão.

***

Sua cabeça doía quando acordou; é claro, após sua queda nada mais era esperado.

Ele estava deitado ordenadamente em uma cama extensa com seus braços ao lado de seu corpo pequeno. Trouxe suas mãos em união para tocar seu anel e ficou reconfortado ao saber que permanecia em seu dedo.

A dor se remexeu em sua cabeça quando Ciel se sentou e ele amenizou-a com uma massagem nas têmporas quando ouviu uma risada abafada vindo à sua esquerda.

Ele estremeceu, recebendo um segundo riso de seu captor. Sua cabeça ricocheteou para a direção da voz e lá estava ela: a criada que tomou seu tapa-olho e persuadiu-o a entrar no quarto onde desmaiou.

“São realmente bonitos,” ela se aproximou da cama com as mãos atrás do corpo, “seus olhos, quero dizer,” seu vestido roxo combinava com o papel de parede elaborado da mesma cor, enquanto seu avental tinha o mesmo branco impecável dos lençóis. "Tão grandes... queria poder capturá-los e olhar para estas orbes perfeitas para a eternidade".

Apesar do desconforto, Ciel manteve sua compostura enquanto fitava a empregada tomar os passos restantes até a cama e sentar-se delicadamente no colchão fofo, passando suas mãos entre os fios obedientes de seus cabelos palidamente louros. Seu peso mal afundava o estofamento; ela devia ter a mesma idade que Ciel, senão alguns anos a mais.

“Onde estou?” ele inqueriu, mascarando sua insegurança com um tom monótono. “No quarto do anfitrião,” ela adicionou com um sorriso: “Alois Trancy”.

Que diabos ele estava fazendo aqui? O quarto onde havia desmaiado era uma dispensa escura, rodeada por prateleiras largas e caixotes de madeira. Seria ela quem o trouxe a este aposento? Com sua compleição pequena não via complicações para tal feito.

“Você parecia indisposto, então tive a gentileza de trazê-lo para um cômodo mais confortável,” havia uma doçura perturbadora em sua voz, “afinal”, continuou, “nada mais apropriado do que o quarto mais luxuoso para o queridinho de nossa nação, não? Ciel Phantomhive”.

Seu nome foi pronunciado de modo hediondo, paradoxalmente como um carinho e um escarro. Ela fechou os olhos que estavam semicerrados até agora e ofereceu um sorriso doce. Esta garota causava inquietação no jovem lorde com seu comportamento instável, e ele inclinou-se levemente de sua compleição.

Quando abriu seus olhos, semicerrando-os novamente, seu comentário fez Ciel querer se afastar além mais.

“Espero que aproveite sua estadia,” aquele sorriso malicioso estava em sua cara.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.