Tempestuoso

10 Yerik - Te Assombrando


Notas iniciais
Sorry, pela demora. Dani in love. Obrigado a todos que comentaram, vou terminar de responder. Esse é narrado por Yerik. Esse capítulo foi um tanto trabalhoso, tive sérios problemas de criatividade e fiquei 65% satisfeito com o resultado, aceito críticas se tiver ruim. Lykke Li - I Follow Rivers https://www.youtube.com/watch?v=vZYbEL06lEU Birdy - Wings https://www.youtube.com/watch?v=WJTXDCh2YiA Beyonce - Haunted https://www.youtube.com/watch?v=K4r4lysSgLE

O manjar dos deuses não se comparava com os lábios de Blake. Nem ter a estadia nos céus durante a eternidade seria tão bom como aquilo. Era como saborear o mais doce dos doces ou visitar o infinito.

Os movimentos dos meus lábios eram timidamente correspondidos por ele, mas ainda assim, correspondido. Temi que tivesse uma reação tão defensiva como da última vez, quando o meu freio para não o beijar não funcionou. Eu tentei ser o mais delicado possível, pois sabia que caso fosse muito adobado, estragaria tudo. Mas apesar disso, não conseguia me controlar e não mostrar anseio. Empenhava-me ao máximo.

As pessoas dizem que quando criamos muita expectativa sobre uma coisa e quando ela acontece nos decepcionamos com o resultado, essas pessoas estão enganadas. Pois tudo o que imaginei que seria provar o Blake se concretizou, na verdade foi melhor.

A minha mão que segurava seu maxilar aos poucos foi se afrouxando. Depois apoiando-se no seu peito, pude sentir sua respiração descompensada, ambas estávamos. Minha mão continuou o caminho, subindo pela curva do seu pescoço, e parando em seus cabelos. Embrulhei meus dedos nos delicados cachos, eram macios, ao tocar sua nuca massageei-a e notei-o arrepiar-se.

A outra mão foi mais esperta. Não me lembro de onde estava, mas quando dei por mim, estava segurando a lombar dele. Não necessariamente apertava, porém, o toque possuía firmeza.

Não queria que o beijo terminasse, sabia que o depois seria ruim. No entanto, ele foi demonstrando falta de ar, não podia matá-lo, mesmo que fosse uma morte legal. Soltei seus lábios do meu só para substituir pelos dentes, ele tinha demonstrado gostar antes. Desta vez mordi para valer, se tudo desse errado ainda poderia ver a marca nele e me lembraria disso. Blake soltou um suspirou frouxo ao sentir o lábio cortar e saborear o gosto do próprio sangue. O sabor metálico também me atingiu ao passar a língua pela região.

Ao abrir os olhos logo procurei pelos seus, agora verdes devido ao choro. A temperatura estava muito, muito quente, não atmosfericamente falando. Blake estava muito vermelho e eu também deveria estar. Nos encaramos, ele era terrivelmente transparente em suas emoções, eu podia quase adivinhar cada micro confusão em sua cabeça. Eu, por outro lado, conseguia ser inexpressivo.

Pensei que tudo desabaria quando ele desviou o olhar.

– Vou dormir. – Sussurrou cabisbaixo, o fluxo de lágrimas voltara a aumentar.

– Vou ajudá-lo. – Falei, me levantando da sua cama.

Ele me imitou.

– Nã-não precisa, eu me arrumo só. – Ainda não me olhava.

A passividade do seu comportamento após o beijo me preocupava, ele não estava bem. Ignorei suas palavras e peguei do nosso guarda-roupa a parte superior do seu pijama. Ele manteve-se calado ao me observar fazer isso.

O despi, tirei peça por peça até deixá-lo de roupas íntimas. Blake não era mais tão magrelo, os últimos meses o tinha feito engordar consideravelmente. Não estava gordo, porém os ossos já não eram mais tão salientes. Observá-lo assim fez-me notar o quanto a situação e o beijo me afetavam, pois, minha calça de pijama havia se tornado mais apertada. Eu estava excitado.

Meio sem jeito, passei a camiseta do pijama pelo seu tronco. Não precisei ordená-lo para se deitar, ele fez isso automaticamente. Também não precisei de um convite para juntar-me a ele em sua cama.

Blake ficou de costas para mim, sua silhueta era bonita. A cueca marcava as nádegas, isso fazia o volume de minha calça aumentar. Balancei a cabeça na tentativa de afugentar tal pensamento da cabeça. Já havia aceitado que gostava de Blake, mas não aceitaria que queria transar com ele. Nem havia transando ainda, quanto mais com um garoto.

– Me promete uma coisa? – Ele fungou, assustando-me.

– Sim. Tudo ou quase.

– Promete que quando a manhã chegar, você vai esquecer tudo que aconteceu hoje?

Fiquei pasmo.

– Prometo.

– Por favor, só me deixe de manhã.

– Vou te abraçar. – Lhe avisei.

De lado, fui me posicionando atrás dele. Parei meu corpo poucos milímetros do contato com o seu e passei meus braços em torno dele. Seus cabelos tinha o cheiro de rosas. O pouco espaço que nos separava, acabou, quando ele se aconchegou em mim. Não tinha como não notar o meu estado, mas se notou não pareceu se importar, pois continuou colado a mim e em silencio.

A aproximação era boa demais para ser verdade, suspeitei ser um sonho. Era errado se aproveitar do momento, porém não resisti a beijar-lhe no pescoço.

– Não. – Ele falou, dando a entender que se afastaria.

Fiz do meu abraço mais forte e encerrei o beijo. Blake tirou os óculos e supus que fosse tentar dormir. Amanhã eu descobriria o porquê de ele estar assim com a guarda tão baixa.

– Desculpe-me. – Sussurrei no seu ouvido.

Em algum momento acabei adormecendo e só acordando no outro dia já com a promessa me pairando.

O dia despontava frívolo, era o mais frio desde o início das estações frias. Pela janela pude ver uma fina geada no batente que mais tarde se derreteria aos raios solares mais quentes.

Blake dormia agora de bruços, sua bunda estava para cima e seu peito subia e descia lentamente. Pensei em levantar-me, mas ele dormia em cima de um dos meus braços e eu não queria acordá-lo. Ele surtaria, tinha “pecado” e perdido a missa, um pacote completo para uma destinação ao inferno.

Uma batida na porta o acordou e me assustou.

– Blake! Vamos ou iremos nos atrasar para a missa. – Falou alguém do outro lado.

Automaticamente o encarei.

– Já vou. – Ele respondeu sonolento da cama.

Abruptamente, Blake correu para o armário de roupas e depois para o banheiro. Suspirei e pensei no quanto esse amigo dele havia sido inconveniente. Em menos de cinco minutos Blake saiu do banheiro, e sem nem olhar para mim saiu do quarto. Pude ver o loiro que o esperava na porta, Alexander Smith. De repente, esse garoto para mim se tornou uma das pessoas mais detestáveis do colégio.

Suspirei, afundei-me no travesseiro alheio e senti o cheiro dele. Censurei-me por fazer aquilo, era muito gay. Porém, eu deveria ser em todo caso.

Não sei por quanto tempo fiquei na sua cama, porém quando sai no batente da janela só havia pequenos acúmulos de água, a geada tinha derretido. Decidi por ir ao refeitório tomar café antes do treino dominical de natação.

Pelos corredores as freiras passeavam aos sussurros, provavelmente falando uma da vida da outra ou de como o padre fizera ou dissera algo absurdo. Elas eram muito queixosas.

Eu não frequentava nenhuma igreja, no momento, minha família paterna costumava frequentar a Igreja Ortodoxa Búlgara, fui nos primeiros anos de vida e depois larguei. Não tinha paciência para as missas, me davam sono. Minha mãe também dizia: “se é para dormir na missa, é melhor dormir em casa”. Ela também não era religiosa, só casara na igreja pela pressão do meu pai. Ele sim era mais religioso.

Ivan tinha morrido no começo do ano. O motivo por retornado à América, minha mãe não teve psicológico de continuar na Bulgária. Por sorte ou algo assim, ela tinha educado Mila, minha irmã e eu também com o inglês. Mila passava por mais dificuldades de adaptação do que eu, ela me contava ás vezes por ligação.

Ao chegar ao refeitório me servi com um suco e uma fruta e sentei na minha mesa de praxe.

– Yerik! – Georgina me chamou por trás.

Estivera tão distraído que nem notara a sua aproximação. Ela era linda, sempre estava assim, sem nem ao menos se esforçar. Muitas vezes tentava ficar “feia”, porém falhava.

– Bom dia. – Lhe lancei um imenso sorriso antes de lhe dar um selinho.

Georgina era legal, mas muito boba e ás vezes vazia e sem ambição. Não era algo necessariamente ruim, mas incomodava em alguns momentos. Era do interior americano, considerava ser assim por isso. Sua família era abasta, dona de grandes terras produtoras no Kansas e também imensa, cerca de nove irmãos legítimos e outros quatro bastardos. Todos conviviam bem, uma grande família.

– Bom dia, vai fazer o que hoje?

Ela me perguntava isso todos os dias.

– Treinar depois daqui e sei lá, passar um tempo contigo talvez. – Sorri.

– Seu aniversário está chegando, já sabe o que vai querer?

– Nada em especial...

– Vou pensar em algo especial...

Revirei os olhos. Georgina conseguia ser contraditória e teimosa quando queria e isso me irritava. Fiquei conversando com ela até suprir o tempo recomendado antes de entrar em uma piscina após comer. Passado esse tempo, a deixei sozinha e fui para piscinas.

O vestiário estava vazio, quase ninguém treinava de manhã nos finais de semana. Rapidamente troquei de roupa, coloquei minha sunga e mergulhei. Não tinha ligado o aquecedor, por isso a água estava fria. Não me importei muito com isso e fiquei nadando absurdo em meus pensamentos que só eram em uma pessoa: Blake.

Ele me odiava pelo incidente no refeitório e estava certo, mas eu devia fazer aquilo. Nunca seria fácil ser novato ainda mais quando se é estrangeiro, me vi impotente ao pedido/ordem da Vick, fazia ou sofria, escolhi pelo primeiro. Ela me enturmou com o seu grupo, agora era um deles, começara a ter uma reputação, me respeitavam.

Parei de relaxar e iniciei o treino de verdade. Após meia hora de braçadas meus ombros e costas ardiam e deveriam estar vermelhos. Em uma pausa para recuperar o folego, observei um colega do Coral entrar no Complexo.

Ao deparar-se comigo vez uma expressão de assustado e menção de dar meia volta.

– Ei! Não precisa ir embora. – Falei tentando impedi-lo.

Ele já estava saindo pela porta quando sai da piscina, isso o fez parar.

– Des-desculpe, não quis interrompe-lo. – Gaguejou.

Eu não lembrava o seu nome, era uma figura invisível na sala. Usava óculos antiquados e tortos, mas por baixo deles existia um par de olhos muito lindos, tão quanto ou mais que o dos Blake, um misto de azul e verde. Suas vestes estavam abarrotadas, deveria ter despertado e se dirigido direto para cá.

– Não me interrompeu. – Sorri, ele possuía uma beleza a ser lapidada. – Mas se quiser mergulhar ou treinar, esteja à vontade. – Carregava uma mochila de pano nas costas.

– Não, não, não mesmo. Eu volto outra hora ou outro dia.

– Sério, não vá embora. Me sentirei mal se ir, vou ficar achando que tomei posse das piscinas impedindo os outros de usá-las.

– Vou te atrapalhar sou estabanado demais. – Tentava a todo custo ir embora.

– Bem, se o problema é esse como pode ver existem mais outras quatro piscinas. Eu vou voltar para que eu estava e você vai para outra e fingimos que estamos sozinhos. Combinado. – Eu afirmei, supus se colocasse como uma opção ele rejeitaria.

Retornei à piscina enquanto ele ficava parado impassível. Isso não perdurou por muito tempo, logo se deu por vencido e foi para vestiário se trocar.

Voltou de lá vestido com uma regata cinza uns três números acima do devido, um short preto na altura dos joelhos e sem óculos. A pouca parte de pele amostra revelava sua tonalidade tom de oliva, como se fosse morador das praias do Mediterrâneo.

Caminhou até a piscina ao lado da minha e deu um excepcional mergulho, lhe observei praticar natação. Era absurdamente rápido e centrado, deveria fazer parte da equipe de natação. Não fazia pausas, sempre constante.

Voltei ao treino, não poderia deixar meu o corpo “esfriar” demais. Continuamos assim durante uma hora, eu fazia pequenos recessos, mas ele não. Pela tangente do olho não vi parar um momento se quer.

– Você é bom. – Gritei.

– O que? – Ele parou.

– Eu falei que você é bom, na realidade, ótimo.

– Não, só pratico um pouco. Nada demais.

– Nada demais?! Cara acho que você ficou quase uma hora treinando sem descanso.

Sai da minha piscina e sentei na borda da dele, ele estava no meio da sua.

– Não, de verdade, nada excepcional.

– É sim, topa estilo livre ida e volta?

– O que? — Ele vinha na minha direção, quando foi se amparar tocando na borda acabou tocando na minha perna, acalorando-me. – Desculpe, sou quase cego sem os óculos.

– Não importa, mas topa competir agora comigo?

– Não, você deve ser realmente melhor do que eu.

– Pode ser, porém quero vê-lo nadar.

– Eu não sei não...

– Se não fizer vou falar para todos o que faz aqui. – Isso foi baixo, no entanto, eu não era muito adepto dos métodos ortodoxos.

Ele ficou pasmo, muito pálido.

– Estou no terceiro ano...

– Isso ainda não é motivo para eu não fazer.

– Tudo bem. – Suspirou.

– Foi fácil. – Falei ao pular.

O pulo ficou na linha tênue entre a distância razoável e a invasão do espaço pessoal dele, pude quase senti-lo por inteiro. Isso lhe causou visível desconforto.

– Espero que realmente não faça depois disso.

– Relaxa. – Pisquei para ele.

Ficamos lado a lado na parede da piscina, pelo seu ombro constatei que era mais alto do que eu, pouca coisa.

– No três. – Falei. – Um... Dois... Três!

Ambos disparamos pela piscina, ela não era a das maiores deveria ter no máximo uns trinta metros de comprimento e uns três de profundidade na parte mais funda.

No início ele tomou uma ligeira vantagem sobre mim, isso depois da hora seguida de treinos sem pausa. Só que o ultrapassei na metade da ida, não tomei muita vantagem, praticamente ficamos empatados. No giro de mudança de direção na outra borda, ele voltou a ficar à frente. Tirei não sei forças de onde e obriguei meus músculos já ardentes a darem mais de si, o ultrapassei e tomei a frente. O venci.

Por minutos merecidos tomamos o folego.

– Foi... bem... – Falei sem ar.

– Você... foi... melhor..., como... havia... dito. – Compartilhávamos do mesmo estado respiratório.

– Fez isso... depois de... todo aquele treino.

Ele não me respondeu.

– A propósito, qual é o seu nome? – Lhe perguntei.

– Jesse, e eu sei que o seu é Yerik, o búlgaro.

– Sou conhecido como “O búlgaro”?

– É.

– Bom saber.... Sei que você é do Coral.

– Sim.

– Eu também sou, sabia?

– Sim.

– Então por que quis embora quando chegou?

– Também é da equipe de natação e faz parte do grupo.

– Que grupo?

– “Os Santos”.

– Quem são “Os Santos"?

– Victoire, Marc e esse pessoal...

– É assim que os chamam?

Ele voltou a ficar branco, meu tom não devia ter ajudado, deveria ter suposto que o estava condenando por fazer isso.

– Não me importa. – Completei sorrindo.

– Eu vou indo. – Jesse falou já saindo da piscina.

– Mas já?

– Tenho que fazer um trabalho com a equipe de Computação. – Seguiu para vestiário.

Levantei-me e o segui. Quando cheguei no vestiário ele já estava se secando e vestido com uma roupa seca.

– Não vai tomar banho? – Perguntei.

– No meu dormitório.

Rapidamente arrumou suas coisas e partiu. Suspirei frustrado. Tomei um banho quente, arrumei minhas coisas e almocei.

No quarto, Blake só apareceu depois das cinco da tarde, sorria e na porta se despediu de Alex, o inimigo.

– Voltou tarde. – Comentei. Estava deitado na minha cama.

– Estava com um amigo. – Respondeu sem olhar para mim. Isso me irritava, gostava muito dos olhos dele.

– Fazendo o que?

– Coisas, purificando a alma. – Ele suspirou, sentava-se na sua cama.

– Que coisas? – De repente as “coisas” que eles fizeram pareciam me incomodar.

– Por que quer saber? – Olhou pela primeira vez para mim naquele dia.

Seus olhos estavam escuros e profundos, indicavam um longo período de choro. Sua expressão era abatida e ranzinza.

– Me preocupo com você. – Me ajeitei na cama, sentando nela.

– Não acredito, sabe muito bem disso. – Tirava os sapatos.

– Não achou isso ontem quando eu te abracei.

Ele ficou calado, depois pálido, vermelho, roxo e pálido novamente.

– Eu-eu... – Gaguejou.

– Sabe que me preocupo e não pode negar. – Me levantei da minha cama e me sentei na sua, na maior distância possível dele, não queria um afastamento brusco.

– Não deveria. – Terminou de tirar.

– Por quê? – Me aproximei.

– Porque sim, é o certo. – Ele se afastou.

– Quais são os seus parâmetros de certo ou errado? – Me aproximei mais.

– Os que são ditos por Deus e pela igreja. – Encostou-se à cabeceira.

– O que eles dizem? – Me aproximei mais.

– Que é mais sensato você se afastar. – Ele barrou-me colocando a mão no meu peito.

– Esse parâmetro era o certo ontem? Mas você não se importou. – Toquei na mão que me tocava, ela estava tremula e fria.

– Por que insiste em falar de ontem, não pode seguir em frente e esquecer?

– Foi bom demais para esquecer. E você não é o melhor exemplo se falando em “seguir em frente”. – Ultrapassei o limite imposto por ele.

– Respeite o meu espaço. – Levantou-se evasivo da cama.

– Por favor, converse comigo sobre ontem. – Lhe pedi.

– Você prometeu ontem que não falaríamos sobre isso. – Falou nervoso de pé olhando para mim.

– Desculpe, mas me fale sobre o que te levou a ficar naquele estado.

Caminhou de um lado para o outro demonstrando nervosismo, sua face escurecia-se com o decorrer.

– Não posso. — Falou rouco.

– Senta. — O puxei pela mão. — Confie em mim.

Ele se sentou.

–Não, não é sobre mim.

Acariciei sua mão querendo lhe transmitir segurança, ele me repudiou. Ríspido puxou a própria mão fugindo do toque.

Ficamos em silêncio por um tempo, ele permanecia triste.

– Podemos recomeçar de novo? — Lhe pedi sincero.

Blake ficou pensativo.

– Perdoai o próximo. — Brinquei com a citação bíblia.

Isso gerou nele uma expressão de censura, murchando meu sorriso.

– Se quer recomeçar, não caçoe da minha fé. – Não era bem o tipo de resposta que eu queria, mas foi o suficiente para eu voltar a sorrir.

– Sou Yerik Stanilau...

– Não precisa se reapresentar, não é para tanto.

– Já que já sabe o meu nome, então queira-me falar sobre ontem.

Ele olhou para o vácuo e falou sem emoção.

– Vick está abortando.

Por essa, eu não imaginava. Vick me parecia um tipo de garota que sempre se cuida e Marc também, como eu supunha ser o pai.

Não entendia como puderam ser tão descuidados. Também sabia que ela não era muito religiosa como o Blake, porém frequentava a igreja dominicalmente com ele. Supunha que fosse contra o aborto, saber que estava fazendo um, era um choque.

– Está abortando? Em uma clínica? – Não compreendi o porquê do verbo no presente.

– Não. Tomou algumas pílulas e agora está sangrando.

Sinceramente não sabia o que dizer, era um tópico bem delicado. Ao contrário do que o Blake pensava, eu nunca a tinha desejado. De início só flertei porque sabia que era a atleta estrela da escola e é sempre bom ter “boas amizades”, posteriormente só continuei porque isso o irritava e eu gostava de ver Blake irritado.

– Como ela vai treinar agora. – Pensei alto comigo mesmo.

Ele lançou-me um dos piores olhares que eu já recebi na vida.

– Está preocupado com o time e não com ela?! – Sua fala aumentava gradativamente. – EU PESQUISEI SOBRE ISSO, DOS RISCOS E TUDO. E VOCÊ SÓ SE IMPORTA COM O TREINO DELA, PRO INFERNO ESSE TREINO.

– Eu não quis dizer isso. – Menti, em parte pensei primeiro nisso e nem se quer nos riscos dela.

Olhou-me com nojo.

– Não me olhe assim. – Pedi, ele havia se levantado.

– Por um momento pensei que poderia conversar com você. – Falou indo em direção à porta.

– Não vá embora. Aonde está indo?

– Vou ir conversar com o Alex. – Disse ríspido batendo a porta.

– Me desculpe. – Fiquei com essas palavras engasgadas ao ver a porta bater.

Grunhi. Alex de novo. Cada vez mais ganhava minha antipatia. O que ele tinha melhor do que eu? Ouvia melhor? Dava conselhos melhores? Beijava melhor? Não, uma voz na minha cabeça, acho que minha consciência trouxe a resposta. Ele não agia como ou dizia as coisas que eu digo.

No restante do domingo evitei encontrar-me com Georgina, não queria descontar minha frustação nela, por isso, permaneci no quarto até o jantar. Estava prestes a sair quando o meu celular tocou, era minha mãe.

“Meu atleta. ” – Chamou-me em búlgaro.

“Oi, mãe. ”

“Treinou hoje? Sabe que está numa escola nova e não pode vacilar ou relaxar”. — Típico da minha mãe, a primeira coisa que ela pergunta nunca é se estou bem ou como foi meu dia, sempre era sobre treinos ou algo relacionado à natação.

“Sim, mãe. Como recomendo, todos os dias sem exceção. ”

“Esse é o meu garoto. Já tem uma data para quando vai iniciar o campeonato? ”

“O treinador falou que no final do inverno e início da primavera começa as Seccionais, mas a do Coral é dia quatorze. ”

“Se informe melhor com o seu treinador para eu ver se não bate com nenhum dia de competição da sua irmã. ”

Ela tinha ignorado a parte do Coral propositalmente, não lhe atraía muito a ideia de eu participar de clube artístico, sempre preferiria os esportes. Isso ficava evidente já na minha irmã, Mila. Tinha apenas sete anos e treinava quase como uma atleta profissional de ginastica artística. A Sra. Stanilau só seria plena após ver um dos filhos medalhista olímpico.

“Não quer me ver cantar dia quatorze? ”

“Sabe o que penso sobre isso. O tempo de esforço dedicado a essa atividade poderia ser melhor utilizado com a natação. ”

“Então não vai ir? ”

“Posso tentar. ”– Mesmo que tivesse toda uma antipatia pelas artes, seu espirito competitivo falava mais alto. Não perderia a chance de torcer por mim.

“Mila quer falar com você. ”

“Ivan? ”– Ouvi a voz grave da minha irmã, só ela me chamava pelo meu nome do meio, era o mesmo do nosso pai. Na realidade era Ivanov, só que preferíamos apenas Ivan.

“Ivanova? ”– Esse era o seu nome do meio, ela o odiava, por isso eu a chamava assim.

“Não gosto desse nome” – Falou quase histérica, escutei nossa mãe repreendê-la. – “Como está a escola? ”

“Bem, estou super ansioso para as provas. E como está a vovó? ”

“Chata, não para de dizer que pareço uma soviética. Acabou de brigar comigo por estar falando búlgaro. Falou que estou na América e devo falar inglês. Só sabe criticar o meu sotaque. Ela não reprende quando mamãe fala. ”

“Fale inglês quando ela estiver por perto e quando ficar irritada fale em búlgaro. ”

“Certo. Mas quando você vai voltar? ”

“Só no dia de Ação de Graças. ”

“Bom Saber porque a vovó falou que ia te buscar a força se não parecesse nessa data. Não entendi porque comemoram isso. ”

“Tradições americanas. ”

“Eu odeio a América. ”

“Eu amo os americanos. ” – Falei alto demais.

“O quê? ”

“Eu amo a América, Ivanova. ”

“Você é estranho. ”

“Você também é, porém tenho que ir comer. ”

“Fale comendo, oras. ”

“Não é possível fazer os dois ao mesmo tempo. ”

“Eu consigo. ”

“Isso porque você é porquinha e fala de boca cheia. Diga para elas que mandei um beijo. ”

“Diga você mesmo, me chamou de porquinha. Vovó vai falar com você. ”

“Yerik? ” – Era a voz grave e rouca da minha vó em inglês, logo tratei de falar nesse idioma também.

“Vovó. ”

“Quando vai voltar? ”

“No dia de Ação de Graças. ”

“Está muito longe, vou ir te ver no seu aniversário. Faço sua mãe me levar. ”

“A senhora sabe que não pode. ”

“Acha que é quem para me impedir? Meu médico? ”

“Não sou e a senhora sabe que não pode ficar vagando por aí. ”

“Nós vemos na quarta. ” – Desligou o telefone sem cerimonias, era assim meio grossa.

– Yerik! – Georgina me chamou assim que coloquei os pés no refeitório, tinha esperança que já tivesse jantado.

– Georgina. – Suspirei.

Ela acenava para mim, meio infantil, retribui o aceno com menos entusiasmo para que parasse de acenar. O ambiente não estava muito cheio, os jantares de domingo sempre eram as refeições mais vazias. Caminhei até onde nos servíamos, peguei a comida e me dirigi para onde ela estava.

Georgina tagarelou sobre alguma coisa, só que não dei muita importância. Olhava para a mesa à frente, mais distante. Blake comia ao lado de Alex, Sam e Beth, isso me irritou.

–x-

A segunda-feira seguiu-se típica, sem acontecimentos especiais a não ser pela ausência de Vick no treino de natação, ainda deveria estar sangrando. Blake continuou emburrado comigo, só que não me ignorava, pelo menos “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” eu ganhei.

Ás terças-feiras eram um dos meus dias preferidos, pois tinha Coral e aula de Geografia. Foi no corredor indo para aula que reencontrei Jesse.

Ele estava acompanhado de outras duas grotas também do Coral que eu não lembrava o nome, uma era gordinha e a outra possuía cabelo intensos e escuros. Ele carregava uma mochila grande e de aparência muito pesada, inclusive ele estava um pouco envergado para frente pelo peso.

– Jesse. – O chamei.

Jesse parou de andar e virou-se, as garotas que o acompanhavam fizeram o mesmo. Acenei para ele, que me retribuiu com um simples balançar de dedos.

Caminhava até ele quando alguém passou por este e o acabou derrubando. O sujeito não fez nem questão de ajudá-lo, passou como se nem o tivesse visto e ainda levando os seus óculos no processo.

– Babaca. – A garota de cabelos escuros falou se referindo ao mal-educado.

– Quer ajuda? – Olhei para ele no chão, estendendo minha mão.

– Não, dispenso. – Com certa dificuldade levantou-se.

– Yerik, certo? – A gordinha perguntou.

– Positivo. Me conhece do Coral, né?

– Esse nem lembra nossos nomes, é o novato dos Santos, está acima de tudo e todos. – A morena falou, eu queria contestá-la, mas em parte estava certa. – Nem pode negar.

Olhava-me com desprezo. Possuía uma beleza bruta, os traços bem marcados. As sobrancelhas eram grossas, arqueadas e bem desenhadas. O cabelo como dito, de um castanho espesso e intenso, levemente ondulado seguindo até a metade das costas. A pele parda, quase que indígena.

– Sei que são do Coral. – Sorri amarelo.

Continuou com o olhar de desprezo.

– Charlotte, ele também é novato do Coral, é normal não se lembrar do nome de todos. – A gordinha falou conciliadora.

Seu formato de rosto lembra um coração, culpa em parte das entradas em seus cabelos castanhos. Usava quase que ironicamente um colar com pingente em coração. Seus cílios eram bem grandes, de forma natural, assim como a boca fina era naturalmente avermelhada.

– Que seja...

– Sou Abigail, agora apresentação oficial. – Ela estendeu a mão para mim.

A cumprimentei.

– Prazer.

– Essa é minha melhor amiga, Charlotte. – Tocou no ombro na amiga. Esta não esboçou nenhuma reação.

– Prazer. – Falei, mesmo que sendo ignorado.

– Você é o protagonista da peça, como está lidando com a pressão?

Abigail se esforçava em manter o diálogo enquanto Jesse tentava fugir pela tangente, porém era impedido pela morena que praticamente o prendia.

– Você é amigo dele, vai aguentá-lo. – Não fazia questão de sussurrar.

– Suportando. – Sorri. – Ainda não estou realmente em choque com a carga de responsabilidade.

– Charlotte e eu tentamos, mas acabamos na figuração. Já Jesse quase conseguiu seu papel. – Ela olhou para ele, possuía um brilho diferente.

– Sabia que lembrava de ti de outro lugar. – Virei-me para ele.

– Não me diga que também não se lembrava disso? – Charlotte me censurou.

– Não importa, acho melhor irmos. – Ele falou baixo e piscando absurdamente.

– Concordo. –A morena esboçou um sorriso forçado, afastando-se puxando Jesse.

– Até mais tarde. – Abigail sorriu.

– Até, Abigail.

– Chame de Abi. – Falou distante.

– Meus óculos. – Pude escutar Jesse dizer.

Olhei para baixo e vi a uma curta distância os óculos trincados que havia sido arrastado. O peguei e fui na direção deles, eles vinham na minha.

– Aqui está. – Falei ao nos encontrarmos, abrindo a armação e colocando no rosto de Jesse.

– Vai precisar de um novo. – Abi comentou.

– Já pegou os óculos, ótimo. Agora vamos e tchau de novo para você. – Charlotte os puxou de novo para longe.

Acenei-lhes em despedida e somente Abi e Jesse corresponderam.

Só no corredor, corri para sala de Geografia, pois estava bem atrasado.

– Com licença. – Falei ao bater na porta.

– Está atrasado, mas pode entrar. – A Sra. Underwood falou.

Olhei para sala tentando localizar minha dupla, Georgina. Primeiro olhei para Blake, ele olhava para mim e se constrangeu quando eu o percebi e sorri. Beth parecia vagar com a boca levemente aberta, absurda em seus pensamentos olhando para o teto. Pensei que encontraria minha quase namorada atrás deles, só quem vi era o meu maior desagrado no St’Agnes, Alex. Acompanhado por outra garota do coral que eu não lembrava novamente o nome e com aparência de avestruz. Ele olhava para Blake sem piscar e a garota olhava para ele do mesmo modo.

Finalmente encontrei Georgina, ela estava no antigo lugar do “inimigo”. Olhei para ela emburrado. Durante todo o pequeno percurso até a carteira fulminei Alex, ele percebeu, mas não me importei. Tinha notado depois de seguir o olhar de Blake, que me acompanhou, e isso me deixou sutilmente feliz.

– Por que trocamos de lugar? — Foi à primeira coisa que falei ao sentar.

– O que? — Georgina parecia aturdida.

– Por que estamos sentados aqui? O outro lugar era bom, até melhor. — Deixei bem claro o meu descontentamento.

– Alex pediu. Achei que seria melhor, já que você e Blake não se dão bem, seria mais harmonioso.

– Achou errado. — Fui ríspido.

Ela demonstrou ficar bem magoada com a grosseria. Virou-se para frente ignorando-me.

– Desculpe-me. — Falei baixo.

– Seria legal, se você fosse menos rude para variar.

Tais palavras valeram como um tapa, ela estava certa. Não deveria lhe tratar com tanta aspereza. Eu realmente gostava dela, sentia prazer em estar e ficar com ela, também a desejava fisicamente, não tanto como desejava o Blake, porém ainda sim a almejava.

A aula da Sra. Underwwod seguiu-se monótona como de costume. Eu não concordava com esta postura dela, se não gostava da matéria que lecionava, pelo menos não prejudicasse os alunos com uma aula.

– Até mais tarde. – Georgina se despediu fria quando o sinal do término da aula soou e partiu rapidamente.

Pensei em ir atrás dela, só que fiquei com preguiça. Optei por pensar em alguma forma de me redimir. Consegui chegar a uma ideia, só que necessitaria da ajuda de alguém.

– Blake. – O chamei, já passava pelo portal da porta novamente acompanhado com “aquelezinho”.

Não me respondeu, apenas analisou-me com um quase olhar de desprezo.

– Preciso da sua ajuda.

– Em quê?

– Preciso me redimir com Georgina, venho sendo rude com ela. Hoje extrapolei.

– Sim.

– O que levou a isso, hoje? – Alex se intrometeu.

Descobri a pessoa certa com quem poderia ser mal-educado.

– Não lhe diz respeito. Blake, pode me ajudar?

– Só ajude depois que ele explicar tudo.

– Blake. – Fiz questão de reforçar o nome de quem me referia na tentativa que o intrometido se calasse. – Pode levá-la no Coral depois da aula de Culinária de vocês?

– Tá.

Quase sorri vitorioso, no entanto, eu fui mais sensato em fazer isso depois que se afastaram. Até quando nossa visão permitiu, Alex e eu nos encaramos, olhares de desavença.

Decidi por cabular a próxima aula e praticar um pouco no dormitório o número surpresa que faria no Coral. Escolhendo a canção certa, deparei-me com uma que mudou completamente minha ideia e que seria duplamente apropriada para momento.

Pelo tempo extra, pude chegar um pouco antes na sala e combinar com a Sra. Underwood a surpresa:

– Sra. Underwood. – A chamei. – Queria fazer uma apresentação hoje para alguém especial e queria sua autorização, já que ela não se encaixa com a proposta ainda pertinente para essa semana.

Ela ajeitou os óculos no nariz e disse:

– Seja rápido, começamos hoje o intensivo para as Seccionais.

– Certo.

Membro após membro foi chegando, Georgina e Blake foram quase os últimos. Chegaram entretidos em uma conversa. Eu fiquei no centro da sala em todo momento, acenei para os dois, mas ambos não retribuíram. Ótimo, tinha escolhido as melhores pessoas para magoar.

– Boa tarde a todos. Hoje continuaremos com os ensaios para as Seccionais, mas antes Yerik quer cantar algo. – A Sra. Underwood falou direta ao meu lado.

Os mais atrasados terminaram de chegar quando comecei a falar e se acomodaram nas cadeiras com os demais.

– Obrigado, professora. – Fiz uma para respirar e focando nos dois que estavam sentados um do lado do outro. – Sei que às vezes posso soar rude, porém só quero que saiba uma coisa:

Oh, I beg you: can I follow?

Oh, I ask you: why not always?

Be the ocean, where I unravel

Be my only, be the water and I'm wading

You're my river running high, run deep, run wild

I, I follow

I follow you deep sea baby

I follow you

I, I follow

I follow you dark room honey

I follow you

He a message, I'm the runner

He's the rebel, I'm the som waiting for you

You're my river running high, run deep run wild

I, I follow

I follow you deep sea baby

I follow you

I, I follow

I follow you dark room honey

I follow you

You're my river running high, run deep run wild

I, I follow

I follow you deep sea baby

I follow you

I, I follow, I follow you, dark room honey

I follow you

I, I follow

I follow you deep sea baby

I follow you

I, I follow, I follow you, dark room honey

I follow you

I, I follow

I follow you deep sea baby

I follow you

I, I follow

I follow you, dark room honey

I follow you

– Cara, acho que poderia ter escolhido uma música melhor para se expressar. – Peter falou quando eu terminei.

– Parece um perseguidor psicótico. – Steve completou.

Os dois pareciam quase um casal, sempre complementavam um ao outro. A equivalência de Mirna e Lucy masculina e não gêmea. Não prestei muita atenção no que disseram, pois estava focado na reação de outros.

Eu tinha que admitir que a música tinha um significado maior para o Blake do que para Georgina, apesar de sua parte ser referente ao quanto sua companhia era boa e lutaria para continuar a tê-la. Com ele, era para o fato de sempre querer se afastar de mim ou as situações nos afastassem, eu não desistiria dele, pelo menos não da amizade.

– Gostou? – Perguntei.

– Inapropriada. – Blake deu a primeira resposta, sua expressão era de puro desgosto e incomodo.

– Gostei. – Georgina sorriu tímida.

– Blake, não era para você. – Beth falou alto demais.

Ele não ficou vermelho, ficou roxo de vergonha, parecia querer se esconder na própria sombra.

– O que você estava pensando? – Cami falou do fundo da sala.

Ele não respondeu.

– Não sabe como isso me faz feliz. – Sorri para os dois, meus caninos pressionavam os meus lábios.

Pude escutar um ruído de comoção vindo de Joanne e Abigail.

– Amanhã é o seu aniversário e eu estava lhe preparando uma música, duas na realidade, e acho que agora é o melhor momento para apresentar uma delas, se a Sra. Underwood permitir. – Georgina olhou solicita para mulher.

– Não demore. – A professora fez com a mão um gesto para que se apressasse.

– Meu deus, outra para atrasar os ensaios. – A garota que era amiga de Alex falou irritadiça.

Mais um fato que comprovava que Alex não era uma pessoa legal, ser amigo daquela magrela azeda. Se ela chupasse o limão, ele que faria uma careta ou fugiria dependendo do caso.

Abi e Joanne lhe olharam com raiva.

– O que estão olhando? – Foi descabida.

Sentava-se de maneira arrogante na cadeira de metal e plástico, aposto que julgava ser seu trono. Com as longas e finas pernas cruzadas e o braço direito flexionado embaixo do queixo lhe acentuavam ainda mais a arrogância.

– Não seja inconveniente. – Joanne atacou.

– Por favor, guardem todo esse sentimentalismo para depois. Não sou obrigada a perder aula para paparicos de namorados.

– Fala isso porque não tem um.

– Por opção.

– Ou falta?

– Moças, queiram manter a compostura. – A Sra. Underwood interviu. – Agora, senhorita, por favor, apresse-se.

Esperei que só ela levantasse, porém Blake imitou-a.

– Ele me ajudou com essa música. – Ela falou ao ver minha expressão de incógnita.

Ao fundo, Sam tossiu.

Eles tomaram meu lugar ao centro da sala. Fiz menção de beijá-la, só que me controlei após o pigarro da professora. Limitei-me a apenas sentar.

Sunlight comes creeping in

Illuminates our skin

We watched the day go by

Stories of what we did

It made me think of you

It made me think of you

Under a trillion stars

We danced on top of cars

Took pictures of the stage

So far from where we are

They made me think of you

They made me think of you

Oh lights go down

In the moment we're lost and found

I just wanna be by your side

If these wings could fly

For the rest of our lives

Oh damn these walls

In the moment we're ten feet tall

And how you told me after it all

We'd remember tonight

For the rest of our lives

I'm in the foreign state

My thoughts they've slipped away

My words are leaving me

They caught an airplane

Because I thought of you

Just for the thought of you

Oh lights go down

In the moment we're lost and found

I just wanna be by your side

If these wings could fly

Oh damn these walls

In the moment we're ten feet tall

And how you told me after it all

We'd remember tonight

For the rest of our lives

If these wings could fly

Oh lights go down

In the moment we're lost and found

I just wanna be by your side

If these wings could fly

Oh damn these walls

In the moment we're ten feet tall

And how you told me after it all

We'd remember tonight

For the rest of our lives

Georgina foi a principal vocal e Blake a segunda voz, apesar dos diferentes graus de importância, eu só conseguia pensar na voz dele cantando tais palavras para mim e se o teor refletia o que realmente sentia.

–x-

Após uma manhã e tarde sendo parabenizado por meus colegas, menos Blake, esse não via desde o Coral, recebi o melhor presente após o ensaio da peça da escola. Georgina e eu estávamos perambulando pelos corredores quando ela tomou a iniciativa, beijou minha bochecha.

– Que inesperado. – Falei, mesmo que essa carícia fosse menos intensa que um beijo, era muitas vezes mais significativa do que um.

– Gosto muito de você. – Sorriu.

– Eu também gosto muito de você. – Retribui o sorriso.

– Lembra o que te falei ontem, antes da apresentação?

– Sim, mas seja mais especifica.

– Sabe, eu gosto muito de você. – Ao repetir isso um pensamento libertino me ocorreu.

– Sim, você já falou isso.

– Eu queria te dar uma coisa que só você vai poder ter para sempre. – Confirmou ainda mais esse pensamento.

– Como assim?

– Tenho uma surpresa para você. – Ela sussurrou no meu ouvido. Eu sorri provocante. – É um presente, só que só posso te mostrar no seu quarto.

Seus lábios rosavam no meu ouvido, causava me arrepios. Georgina beijou a linha do meu maxilar. Isso excitava-me. Ela estava nas pontas do pés, agarrei na sua cintura e a puxei para os meus lábios. Tentava acompanhar meu ritmo, mas não conseguia, seus lábios ficavam ao meu deleite.

Massageei sua cintura e lhe segurei com firmeza. Ela beliscava e arranhava meu abdômen. Mordi seus lábios, eles ficariam mais vermelhos do que o comum.

– Vamos para o seu quarto. – Deixou escapar em sussurro.

Balancei a cabeça positivamente.

Esgueiramos pelos corredores, ocasionalmente a puxava para um beijo até chegar a ala masculina. Lá fomos mais cuidadosos, apesar de estar próximo do horário de recolher alguns garotos ainda ficavam na sala. Bloqueando que a vissem, caminhamos até o elevador.

No elevador lhe roubei mais beijos, esses mais calorosos. O cuidado que tivemos antes foi esquecido assim que precipitamos pelo corredor, sem nem ao menos percebermos fomos para o meu dormitório. Ao invadirmos não notamos nada, apenas fechamos a porta antes de eu prendê-la na do armário de roupas. Depositei Georgina na minha cama e ataquei seu pescoço.

– Vai com calma. – Pediu manhosa.

Ignorei-a, continuei a beijá-la no pescoço e depois visualizei o fruto do resultado daquele ato, marcas bem vermelhas por toda extensão. Dado ao seu tom era certo que amanhã estariam roxas.

– Para, vai. – Estava menos manhosa.

Desci meus beijos para a base do seu pescoço.

– Yerik....

Coloquei a mão na sua camisa fazendo menção de abrir os botões, mas fui impedido por ela.

– Se for assim, não vou fazer amor.

– Pensei que sim. Hoje é meu aniversário.

– Eu sei, e eu falei que tinha preparado algo.

– Pensei errado então.

– Nem tanto. – Ela piscou para mim.

Georgina não era uma garota sensual, só era simplesmente bonita como uma boneca de porcelana. Era admirável, no entanto, não imaginava de forma libidinosa. Porém vê-la de face rosa, boca entreaberta úmida e vermelha, olhos dispersos e respiração ofegante mudava tudo aquilo.

Eu estava sobre ela, no meio de suas pernas e bem excitado.

– Um número de dança.

– O que? – De repente já não me sentia tão excitado.

– Você vai gostar. – Tentou me animar, tinha percebido o meu singelo desanimo.

– Tudo bem. – Suspirei saindo de cima dela e deitando ao seu lado.

Ela sorriu como se fosse dia de ação de graça e se levantou.

– Senta na cama do Blake que vai ficar melhor para mim. – A obedeci, livrando-me dos sapatos e meias no processo.

– Não dá no mesmo, se é uma dança. – Arquei as sobrancelhas.

– Não com a luz certa. Vou no banheiro. – Eu não tinha percebido, mas ela tinha trazido uma bolsa de tamanho médio vermelha.

Ela caminhou até o banheiro e se trancou. Aproveitei e afrouxei a parte superior do uniforme tentando ficar o mais confortável possível na cama dele. Escutei um rangido, mas supus ser do piso com o peso dela.

– Apague a luz e acenda só o abajur. – Pediu após um tempo.

O quarto ficou bem escuro, a única luz que provinha inicialmente da luz noturna vinda da janela e depois da do abajur. Georgina saiu do banheiro coberta por roupão de seda turquesa e usando um salto de ponta fina vermelho, carregava em mãos uma pequena caixa de som, a colocou no chão e uma batida sensual emitiu.

Sua voz acompanhou a que era emitida, só que mais forte e potente, sobrepondo-a. Seu corpo dançava conforme o ritmo. Parecia uma felina à espreita.

It's what you do

It's what you see

I know if I'm haunting you

You must be haunting me

Após virar-se pude vê-la melhor, estava maquiada. Os lábios em um rosa quase vermelho e os cílios bem ressaltados. Os cabelos pareciam mais ondulados, estavam presos em um coque alto. Conforme cantava foi abrindo roupão e se aproximando.

It's where we go

It's where we'll be

I know if I'm on to you, I'm on to you

On to you, you must be on to me

My haunted lungs

Ghost in the sheets

I know if I'm haunting you

You must be haunting me

My wicked tongue

Where will it be?

I know if I'm onto you

I'm on to you

On to you, I'm on to you

On to you, you must be on to me

Minha calça estava muito, muito apertada, tive que afrouxá-la, se não me machucaria. Georgina por baixo do roupão só estava com um corpete lilás com babados e lacinhos, que lhe acentuava a cintura já fina. E cinta-liga e meia sete oitavos preta. Estava diferente, menos boba e mais mulher.

Fez uma versão de dança contemporânea sexualizada. Os passos eram centrados, firmes, e ao mesmo tempo leves e sugestivos, porém não vulgares.

You want me?

I walk down the hallway

You're lucky

The bedroom's my runway

Slap me!

I'm pinned to the doorway

Kiss, bite, foreplay

Georgina subiu na cama e de quatro foi até mim. Quando se posicionou sobre mim, não aquentei e extingui a distância que nos separava. Seus lábios tinham o sabor de frutas vermelhas, um pouco enjoativo. A puxei para junto do meu corpo pela cintura, ela não me ofereceu resistência. A música continuava a tocar.

Soltei seus cabelos com delicadeza e eles ficaram como uma cortina dourada privativa sobre nós. Tirei as mechas do seu lado direito e comecei a beijar seu pescoço. Ela soltava finos gemidos enquanto passava a mão por meu abdômen por baixo da camiseta.

Sentou no meu colo e se afastou um pouco, mesmo com a pouca claridade notei seu semblante vermelho. Arfávamos. Ela me olhou com um pouco de timidez, eu a desejava. Tirei a parte superior das minhas roupas e Georgina beijou meus ombros.

A perspectiva da primeira vez tomou-me à mente, acompanhada de uma insegurança. E se eu fizesse alguma coisa errada? E se a machucasse?

Devo ter sido expressivo, pois Georgina olhou nos meus olhos e falou calma:

– Vamos devagar, conhecendo...

Eu sorri para ela. Voltamos a nos beijar. Minha língua dançou com sua uma dança rápida e coordenada.

Ao nos separarmos, desci meus lábios por seu pescoço. Através de seu ombro, notei a porta do armário abrir-se, pensei ser fruto da minha imaginação. A mordisquei, sua pele de porcelana, com certeza ficaria com marcas amanhã. Troquei nossas posições e a coloquei deitada na cama.

Beijei seu colo, seu aroma era bom, baunilha. Ela abriu as pernas e me acomodei entre elas. Continuei beijando o seu busto enquanto bagunçava meus cabelos.

– Posso? – Perguntei tocando na fita que prendia o corpete nas suas costas.

Georgina acenou positivamente e eu iniciei o processo de afrouxamento. Após solto ainda mantive a peça presa entre nós ao beijá-la. Quando tirei, pude ter total liberdade de ver seus mamilos rosados. Seus seios eram pequenos e muito bonitos. Eu não sabia mais o que fazer em relação ao volume em minha calça. Ela fez menção de esconder-se, mas segurei seus braços.

– Não, você é linda, não precisa se esconder. – Falei antes de massagear seus seios.

Com a caricias, ela iniciou uma série de suspiros. Era prazeroso deixá-la assim. Substitui minhas mãos por meus lábios. Eram quentes e estavam durinhos, os mordi e Georgina gemeu mais alto que nas outras vezes. Repeti o ato mais vezes e ela se retorceu. Os lambi também até eles ficaram parecidos com botões de rosas.

Lhe dei um rápido selinho antes de beijar sua barriga e seguir até seu ventre. Soltei sua sinta liga e demoradamente e delicadamente tirei cada uma das suas meias. Suas pernas eram lisas e macias, as massageei. Rocei os lábios por sua extensão até chegar no ventre, lá tinha uma fina penugem clara.

Novamente trocamos olhares, minha posição era sugestiva. Seus olhos brilharam com o misto de emoções e sensações, antes que desviasse ela deixou claro o consentimento para que eu fizesse. Passei às mãos por seu quadril e as parando embaixo da sua calcinha de renda também lilás. Fiz uma pausa para respirar e lhe livrei da peça.

Sua intimidade era mais curiosa do que desejável. Eu já tinha visto uma vagina antes, nas aulas de anatomia e nos próprios vídeos eróticos que procurava na internet, mas ver uma pessoalmente e antes de realizar um oral era totalmente diferente. A penugem acima do seu ventre seguia para baixo, loiro e fino. Receei um pouco, porém por fim, a toquei com a língua.

Era quente e úmido, com o sabor incomparável com tudo que eu já tinha provado. Fiz movimento com a língua que julguei ser capaz de lhe gerar prazer, demorou um pouco, porém após seu primeiro gemido fiquei satisfeito e me empei mais naquilo. Ela umedecia-se cada vez mais, olhei-a e a vi revirar-se. Massageava as suas coxas.

Cansei-me de fazer aquilo e voltei a tomar seus lábios, mudamos as posições e ela ficou sentada em cima de mim.

Não pude culpar minha imaginação quando a porta se abriu ainda mais com uma movimentação mais expressiva. Aprimorei minha visão na tentativa de visualizar o responsável pela movimentação e lá dentro pude ver alguém. Ele se mexeu mais e se colocou mais perto da abertura, era Blake.

Antes que pudesse pensar em qualquer coisa, Georgina me tapou a visão ao iniciar uma série de beijos por meu tórax. Por mais excitante que estava a receber tais caricias e sentir suas unhas pintadas de rosa claro me arranhar sutilmente, Blake naquele momento não saía dos meus pensamentos.

Ela continuou com o toque parando ao chegar na minha calça, a debotou e retirou minha cueca junto. Um constrangimento natural me tomou, só não tive tempo de apreciá-lo pois fui ao céu ao sentir sua primeira chupada e fechei os olhos. Sua inexperiência ficou clara quando por muitas vezes senti o toque dos seus dentes, eram momentos agonizantes, mas logo passavam. Empenhava-se.

Não sei ao certo quando reabri os olhos, porem quando os abri eles automaticamente buscaram os de Blake. Eu gemia e ele parecia vidrado em me observar. A letra da música que Georgina cantara começou a ressoar na minha cabeça.

My haunted lungs

Ghost in the sheets

I know if I'm haunting you

You must be haunting me

Coloquei a mão nos cabelos de Georgina a incentivando. Sua cabeça descia e subia e o seu olhar era travesso. Fechei os olhos e quando os abri por relance imaginei ser o Blake a me chupar, isso me deixou ainda mais excitado. A perspectiva de ser ele inundou meus pensamentos e tomou-me de desejo. Fingi ser ele a praticar.

Blake olhava para mim, a minha glande estava pela metade envolvida por seus lábios, seu olhar demonstrava expetativa, como se esperasse que eu ditasse algo.

My wicked tongue

Where will it be

I know if I'm onto you

You must be onto me

Eu toquei nos seus cachos, eram tão macios, e conforme o empurrava para baixo sua boca envolvia-me, nunca desviando o olhar. Sem que eu pedisse ou o fizesse fazer, ele ditou um ritmo próprio. Sua boca era mil vezes melhor do que a da Georgina, se ela me levava ao céu, ele me leva para o grau mais alto do paraíso. Blake com sua mão acariciava meu abdômen.

Prestes a atingir meu ápice, que não demorou muito pois dada a minha inexperiência era difícil manter-me, o puxei para beijá-lo. Seus lábios também eram tão superiores aos delas. O prendi em um abraço e aproveitei para passear minhas mãos pelas suas costas, descendo pela lombar até sentir suas nádegas, as apertei com vontade e ânsia.

– Yerik... – Gemeu ofegante entre nossas bocas.

– Blake. – Sussurrei em resposta, o beijando.

– O que disse? – Georgina falou grogue, tirando-me do estupor da minha fantasia.

– Nada. – Falei olhando para Blake.

Nem ao menos piscávamos. A coloquei deitada de modo que continuasse olhando para ele. Roçamos um no outro. Ela se contraiu ao sentir ser invadida por meu dedo, era virgem pois era muito apertada, quente e úmida. Aos poucos fui movendo o dedo enquanto se lubrificava.

Ela também tomou a iniciativa de me tocar, com a mão me masturbo. Novamente perdi-me nos pensamentos e Blake tomou-lhe o lugar.

Sua mão era gelada e travessa e sua face um rubor sem fim. Ele poderia me pedir qualquer coisa naquele momento, porque estava a sua mercê.

– Namora comigo? – Perguntou singelo.

– Tudo o que você quiser. – Falei.

Dessa vez, ele que tomou meus lábios. Um beijo tão carregado de ternura e amor que era como beijar um tostão de açúcar. Nossas mãos se entrelaçaram.

Ao olhá-lo mais atentamente já não era mais ele, Georgina tinha voltado, ou melhor nunca tinha saído. Ela sorria esplendida. Uma profunda culpa me tomou a ponto de meu desejo ir se embora. Não era certo usá-la de tal maneira, preparado tudo aquilo e meus pensamentos estivessem em outro.

– O que foi? – Perguntou preocupada, não conseguia encará-la, então encarei o culpado por estar na minha mente.

– Não posso, desculpe. – Falei rouco.

– Fiz alguma coisa de errada? – Sua preocupação aumentou.

– Não, não. – Neguei convicto. A última coisa que queria era que se sentisse culpada. – Só que não consigo.

– Não me acha bonita? – Uma tristeza a abateu.

– Não. Só não estou pronto.

Tão rápido como a tristeza tinha vindo ela foi se embora. Sua expressão ficou curiosa, indecifrável.

– Estranho. – Comentou, após deitar-me ao seu lado, antes eu estava entre suas pernas.

– Desculpe-me.

– Não tem que se desculpar.

– Mesmo assim, fez isso tudo à toa.

– Também não estava preparada. – Confessou.

Tomei coragem para olhá-la.

– Por que estava seguindo em frente, então?

– Por você, é seu aniversário. Minha mãe sempre falou que homens tem suas necessidades e devemos supri-las, se não nos deixam...- Falou séria.

– Comigo não precisa disso, se não estiver pronta para qualquer coisa, eu esperarei até estar.

Ela sorriu e beijou a minha bochecha.

– Acho que devo ir. – Falou. – Já está muito tarde.

Eu concordei e Georgina se levantou, caminhou pelas penumbra no quarto nua recolhendo suas roupas e entrando depois no banheiro. Seu corpo era tão puro, culpei-me por pensar desflora-la em um lugar tão insignificante, ela merecia algo melhor e alguém melhor.

A minha aparente solidão deixou o clima do quarto pesado, ambos sabíamos que um tinha visto o outro, por isso, evitei olhar para o armário. Agora só, se olhássemos um para o outro teríamos que dizer algo. Levantei-me da sua cama expondo toda minha nudez, causava-me constrangimento, só que como sabia que o dele era maior fingi não me importar. Recoloquei as roupas de antes e esperei por Georgina.

Após ela sair a acompanhei até a bifurcação entre as Alas. Fomos sorrateiros.

– Eu te amo, meu amor até amanhã. – Ela sussurrou.

Engoli em seco, acabara de ouvir um “te amo” que não era reciproco.

– Até amanhã. – Lhe dei um rápido selinho.

Aparentemente decepcionada, ela seguiu o sentido oposto, indo para a Ala feminina. No caminho de volta fiquei pensando em um argumento plausível para o que o Blake presenciara, mas não o encontrei.

Parei na frente da porta do nosso quarto e tomei coragem para entrar. Esperei encontra-lo em pé ou ainda escondido no armário, só que não o encontrei em lugar algum. Tinha fugido.

Na minha cama havia um pequeno bolo de chocolate com uma vela acesa em cima e embaixo dele um papel, que tinha escrito à mão:

“Feliz aniversário, do seu colega de quarto, Blake. ”

A escrita era caprichada, ao contrário da que estava no seu verso. Pertencia a mesma pessoa, mesmo esta estando garranchada como se tivesse sido escrita às pressas, os detalhes nas palavras eram quase idênticos. Nesta estava:

“Não acredito no que eu vi no nosso quarto e na minha cama! Faça-me um favor e não fale mais comigo, agora para valer. Respeite pelo menos isso já que não é capaz no mínimo. Aproveite o resto do aniversário, sabe quem sou! ”

Engoli em seco, decidi adiar pensar no problema. Mais tarde tentaria consertar as coisas por mensagem.

Notas finais
Dedico esse capítulo as pessoas que venho perdendo nesses últimos dias, meu avô e um garoto especial. Sentirei falta de vocês. Não tirem suposições apressadas sobre a fic. Meu ask: http://ask.fm/BjsInimig Pergunta para os personagens, sobre personagens ou sobre mim. Estamos aí. Reviews?