Tempestuoso
17 Viral
Notas iniciais
— não betado-
Quando acordei no primeiro dia daquele ano, minha cabeça doía, indicando a resseca após ter bebido muito na noite anterior. Eu estava na minha cama, apenas de cueca acompanhado por Sam, ela roncava. A pouca luminosidade que minhas cortinas permitiam passar, já causava-me irritação, acentuando a dor de cabeça.
Na tentativa de levantar-me, um profundo enjoou acometeu-me, fazendo-me correr para banheiro e vomitar.
— Blake? – Sam apareceu na porta do banheiro com o rosto amaçado e coçando um dos olhos. O som do meu vomito a deveria ter acordado.
Não lhe respondi, continuei segurando a privada enquanto tudo o que ingerira na festa saía.
— Pode me dar licença. – Ela voltou a falar, tocando-me no ombro.
Entendi que ela também queria vomitar, e ao vê-la levemente esverdeada tive a certeza. Cedi o meu lugar e ela também começou a regurgitar. Fui até a pia e lavei meu rosto, no reflexo do espelho vi o quanto estava acabado.
— Estava na minha cama? – Perguntei apoiado na pia, ainda estava muito zonzo de mal estar.
— Sim, dormi com você. – Sua voz ecoou na porcelana. – Mas não lembro como cheguei na sua cama.
— Nem eu.
Ficamos revezando na frente da privada até nossos estômagos ficarem completamente vazios.
— Você se lembra do que aconteceu na festa? – Sam perguntou enquanto molhava a nuca na pia.
— Vagamente. – Tentei forçar a mente, mas a dor de cabeça me impedia.
— Lembro-me de você me falar que beijou o Marc e que já tinha beijado o Yerik. – Ela soou sem muita relevância, extasiada com o toque do líquido em sua pele, como se fosse a melhor sensação do mundo.
Não lhe respondi, as palavras ficaram engasgadas na minha garganta. Foi instantâneo, ao termino da sua frase um calor percorreu-me pela espinha subindo até minha cabeça e levando consigo uma avalanche de vergonha e pudor, que imediatamente dominaram cada partícula no meu corpo. Fiquei tão envergonhado que não conseguia me mexer e muito mal respirar, não podia ter lhe contato sobre Yerik e menos ainda ter beijado Marc.
— Não precisa ficar desse jeito, não vou te julgar, nem nada. – Seus olhos cor de canela transmitiam bondade, apesar do choque dentro de mim não conseguir assimilar nada, além de como eu cometia burradas e de como eu estava errado.
— O que eu fiz ontem? – Minha voz soou chorosa.
— O que sentia que deveria fazer. – Obtive uma resposta simplista e atenção de Sam, que virou para encarar-me. O tom da minha voz, a deveria ter alertado do estado em que começava a ficar.
— Não sei... – Olhei para os lados nervosos, conforme me abraçava.
— Calma. – Ela se aproximou de mim. – Tenta ficar calmo, que eu vou lhe contar tudo o que eu lembro e acho que isso pode lhe ajudar a lembrar com a própria memória.
Balancei a cabeça positivamente.
Após uma meia hora de conversa, antecedida por uma limpeza bucal, encontrava-me cada vez pior na minha cama.
— Blake, eu não posso lhe dizer o que você é ou o que deve fazer da sua vida, mas independente disso. Eu não gosto de classificações e parâmetros para nos definir como pessoas, por isso, sou independente do rotulo da sua orientação sexual, seja qual for ou não for ela. O que eu quero dizer é que nada, absolutamente nada muda para mim sobre as pessoas que você beija.
Ela tinha falado tanta informação que por um momento conseguira me resgatar do meu complexo de culpa interno.
— Eu não quero pensar nisso agora, minha cabeça já dói e em pensar nisso a faz doer ainda mais.
— Eu sei que sim. – Olhava-me preocupada. – Mas cedo ou tarde, terá que se confrontar sobre tudo isso.
Não a respondi, fiquei cabisbaixo digerindo e julgando os meus comportamentos.
— Preciso me confessar. — Falei antes de dar uma fungada no nariz.
— Se acha que sim, não vou lhe dizer que não. Mas aconselho a não fazer com o padre da igreja da escola.
— Por que?
— Não acredito na sua total confidência. Além disso, sei que vai contar tudo para ele, tenho medo que possa refletir de algum modo na escola.
— Eles não podem contar nada do que é dito no confessionário. É um voto que eles fazem assim que se tornam padres.
— Também fazem voto de castidade e depois abusam de criancinhas. — Soou séria.
Torci a boca com aquela afirmação.
— Será que podemos trocar de assunto?
— Claro. — Ela revirou os olhos. — Quase me esqueci, Vick sabe que você e Marc se beijaram.
— O QUE? AI MEU DEUS!!!
— Ela ficou a festa inteira atrás de você, aí você a deu um chega pra lá. Por isso, acho que não estão se falam.
— Preciso falar com ela! — Fiz menção de me levar, mas fui imediatamente impedido por ela.
— Não vai fazer agora com ela dormindo ou morrendo de resseca. Se fizer isso, só vão brigar ainda mais.
— Eu preciso me explicar pra ela, não posso deixar as coisas mal resolvidas...
— Espere alguns dias. O que aconteceu foi muito delicado, é um ponto fraco para ela.
Consenti desgostoso. A cada minuto descobria coisas piores do que as anteriores sobre o meu comportamento na festa. Após alguns minutos em silêncio, período em que nossos se perderam no nada, voltei a falar com Sam.
— Não me lembro de mais nada depois que eu cai do lustre.
Imediatamente ela começou a gargalhar, deveria ter se esquecido daquela performance, na realidade tinha mesmo, porque não cítara na sua narração da minha última noite. Conforme perdurava a sua risada, as minas orelhas se tornavam cada vez mais vermelhas.
— Para com isso. — A cutuquei desconfortável.
— Juro que estou tentando. — Falou arfando, vermelha de tanto de rir.
Torci o lábio e mordi a parte interna da bochecha.
— Esse sua apresentação ficará marcada por muito tempo no Coral. — Já conseguia controlar o riso, limpando os olhos que escorreram as lágrimas de diversão. — Memorável. — Completou.
— Será que ficarão muito tempo falando sobre mim?
—Acho que não. — Sam fez uma careta e a voz saiu mais aguda ao mentir. — Na verdade, se tem muito a dizer sobre tudo. Porém a sua apresentação e da Maggie terão um foco a mais.
Não me lembrava exatamente da apresentação de Maggie.
— O que ela fez?
— Se despiu enquanto cantava.
Minhas sobrancelhas arquearam pela surpresa.
— Como assim? Tem certeza que foi ela?
— Tenho, ainda estava sóbria o suficiente para lembrar.
— E Alex?
— A arraste para longe de todo mundo, antes que vissem alguma coisa que não deve.
— Só fez isso?
— Sim. Pelo pouco que percebi dele, é bem reservado e misterioso.
— E sombrio. — Acrescentei.
— Enfim, eu não esperava uma atitude assim dela...
— Sim.
— Ache tão acima de tudo e todos e se prestar a este papel... Realmente, não esperaria.
O som de vibração de celular veio do chão, oriundo de uma das peças de roupa de Sam da festa de ontem. Ela o pegou.
— Temos que arrumar a casa. — Ela falou se aprontando.
— O que era? — Perguntei curioso.
— Alarme para me acordar e limpar de arrumar a bagunça antes que minha vó ou seu pai chegue.
Sam pegou suas roupas do chão e caminhou em direção a porta.
— Arruma o seu quarto que eu vou ver os estragos lá em baixo. — Ela saiu pela porta.
— Sam! — A chamei, apenas sua cabeça retornou. — Feliz Ano Novo! — Sorri.
Um sorriso iluminou o seu rosto de canto a canto.
— Um Feliz Ano Novo para você também. Ahh, mas antes que eu me esqueça, também te contei um segredo meu.
— Não lembro.
— Estou ficando com a Beth.
Aproveitando a deixa de ter jogado a informação surpresa bomba sobre mim e minha total falta de reação, foi para o andar inferior.
Errado, foi a palavra automática que veio a minha mente para definir a relação da duas. Porém, também sabia que a minha definição era a que menos importava, até era um pouco hipócrita se comparada com meu comportamento desde que conhecerá Yerik. Fazê-lo ser revivido em minha mente despertou um feche do seu corpo sobre mim, desejei que fosse só o feche de um pesadelo, do que, uma memória. Já existia culpa o suficiente dentro de mim para rezar a mesma quantidade de pais nossos e ave maria de grãos de areia que existia em toda Costa Leste Americana.
Fiz o que Sam mandou e encontrei meu computador de baixo da cama, a tela estava escura, mas assim que o liguei a tela inicial era a das minhas conversas com Mick, estranhei isso, no entanto, minha atenção voltou para para a última mensagem que ele havia enviado, datava de poucas horas atrás.
Mick:
Obrigado pela noite de ontem.
Algo dentro de mim ficou em alerta.
Blake McCarthy:
Oi.
Desculpe, mas o que aconteceu na noite de ontem?
Por ele não estar o online, não obtive uma resposta de imediato. Porém, depois de já ter arrumado boa parte do quarto o som vindo do computador indicou a chegada da sua mensagem.
Mick:
Você está bem?
Não era à resposta da minha questão, por dentro algo em mim martelava em ansiedade.
Blake McCarthy:
Estou e você?
Não sabia que viria na festa, ontem.
Mick:
Me desafiei a ter coragem de finalmente te conhecer. Se lembra de mim, ou melhor do meu rosto?
Blake McCarthy:
Não lembro, infelizmente.
Porém, fico muito feliz de ter te conhecido finalmente.
Mick:
Imaginei que não lembraria, se não, teria me chamado pelo verdadeiro nome...
Nem mesmo na festa conseguia me enxergar direito, primeiro que você estava muito bêbado e segundo que caiu se pendurando no lustre antes.
Blake McCarthy:
Você chegou a ver essa cena!? Não acredito... Foi um vexame.
Mick:
Sim, a presenciei. Foi realmente vergonhosa.
Blake McCarthy:
Ainda reconhece, pensei que diria que não foi tão ruim.
Mick:
Não foi ruim, só foi vergonhosa, mas não tanto quanto a da Margaret.
Eu tinha prolongado levemente uma conversa rasa para não parecer tão persistente sobre o meu contato com ele na noite anterior. Porém, a ansiedade não permitiu que eu fizesse isso por muito tempo.
Blake McCarthy:
O que fizemos ontem?
Mick:
Quer realmente saber?
Blake McCarthy:
Vou me arrepender?
Mick:
Provavelmente,vai contra os seus preceitos.
Blake McCarthy:
Por isso mesmo que é melhor eu saber logo.
Mick:
Eu não bebi ontem. Me lembro de tudo.
Basicamente só ficamos em cima do telhado da sua casa, olhando para o céu na espera dos fogos de artifício, depois de eu ter te impedido de tentar voar pela janela do primeiro andar...
Blake McCarthy:
Falou que eu me arrependeria... Por enquanto é só um pouco de remorso pela quase tentativa de suicido.
Mick:
Não é só isso...
E não foi uma tentativa de suicídio.
Blake McCarthy:
Então continue contando...
Mick:
Nós ficamos na neve, e como era frio, ficamos com nosso corpos próximos um do outro e...
Nos beijamos.
Eu já suspeitava disso, por mais que minha memória estivesse ligeiramente vaga, ainda podia sentir dentro de mim.
Blake McCarthy:
Me desculpe.
Foi a única mensagem que consegui mandar para ele.
Mick:
Desculpa, por quê?
Blake McCarthy:
Pon ter te beijado, isso foi errado.
Mick:
Mas eu sou gay!
Blake McCarthy:
Eu sei, mas eu não sou!
E somos amigos também.
Mick:
Entendo...
Tudo bem, mas não me peça desculpa por algo que eu gostei, porque eu não a darei.
Blake McCarthy:
Sinto muito, por isso ter acontecido.
Me desconectei da rede social que conversávamos e desliguei o computador.
"Mais um para minha lista", pensei. A lista de meninos que eu beijava estava crescendo progressivamente, ou melhor, tinha crescido progressivamente ontem. Eu estava tentando ao máximo não pensar em meu problemas, eu sabia que cedo ou mais tarde teria que pensar neles e com certeza acarretaria em um crise culpa, então fazia o possível para ser o mais tarde.
Limpar a casa me ajudaria, por isso, tratei de sair do meu quarto e seguir para o andar inferior. No entanto, assim que passei pela porta do quarto da Vick se abriu. Minha irmã estava acabada, seus olhos estavam vermelhos e com profundas e escuras bolsas em baixo. Os cabelos estavam armados e embaraçados, tendo que provavelmente lavá-los para conseguir desembaraça-los. Apresentava uma expressão de profundo desagrado, deveria estar de ressaca.
Assim que me viu ficou extática, manteve o olhar fixo em mim enquanto franziu atesta ao estreitar os olhos. Controlava a raiva, suspirou e se dirigiu para o andar inferior como se eu não existisse, sem nem ao menos esbarrar em mim. Fiquei desnorteado sem entender um comportamento não hostil.
Iria descobrir que aquela seria a atitude de Vick contra mim, a tinha machucado em um ponto delicado que era o Marc e ela sabia que a melhor forma de causar-me dor seria me ignorando.
O recesso passou em uma velocidade surpreendentemente rápida, passei todos os dias conversando com Mick, na tentativa de suprir a falta da minha irmã. Meu amigo parecia diferente, não em um sentido ruim, mas como se fosse outra pessoa. Isso obviamente não me impediu de conversar com ele, apesar de carregar um pouco de estranheza nas conversas que tínhamos.
Sam voltara uma semana antes de mim, ela precisava adiantar algumas documentações e cartas de recomendações para a sua futura faculdade, além de ter uma semana a só com Beth.
— Vick! – Chamei minha irmã no corredor na nossa última tarde de domingo em casa, apoiado na parede um pouco antes da porta do seu quarto.
Nem seu olhar consegui atrair, passou por mim e foi pegar suas coisas no quarto para voltarmos para a escola. O caminho de volta foi igualmente silencioso, nosso pai nos levou de volta, este seria o nosso quinto momento juntos durante todo o recesso, quase não ficara em casa.
Minha irmã se despediu do nosso pai diretamente no carro e saiu apressada em direção a escola, como se fugisse de mim enquanto eu me despedia.
— Boas aulas. – Meu pai me desejou com um sorriso amarelo, nitidamente desconfortável.
— Bom trabalho. – Sorri discretamente.
Eu sentia a falta dele, queria lhe dizer ou demonstrar isso, senti que ele também tinha o mesmo desejo. No entanto, quando eu decidi abraça-lo pelo vidro do carro, ele acelerou e foi embora.
O vi se perder na estrada enquanto suspirava frustrado, estava tão frio, que ao fazer isso saiu fumaça dos meus lábios, que já ficavam ressecados. Virei-me e olhei para o imponente prédio Principal salpicado de neve. A neve quase sempre dava uma sensação acolhedor e aconchegante aos prédios, pois era sempre de costume ver em suas janelas luzes que remetiam a lareiras. Porém, com o céu pesado de nuvens de geada com cores crepuscular aliado a completa falta de indicio humano no prédio, lhe dava um ar macabro e tenebroso.
Caminhei pela escola sem qualquer sinal de vida até chegar no prédio dormitório, onde os ruídos dos alunos e funcionários surgiam, indicando que todos se encontravam em suas respectivas alas, protegidos do frio e acolhidos em suas lareiras.
Foi automático, eu não deseja uma chegada que atraísse a atenção de ninguém. Mas assim que abri a porta delicadamente para a ala masculina, todos que estavam lá dentro olharam para mim. Esbugalhei os olhos e paralisei.
Foram cinco segundos de muita tensão, até eu começar a andar o mais apressadamente para o elevador, podia sentir os olhares deles me acompanhando. Por que aquilo tinha acontecido?
Só me senti aliviado ao sentir o elevador começar a subir, me afastando daquelas pessoas e por sorte foi um trajeto interrupto, ninguém mais quis usar o elevador até eu chegar no meu andar.
Apesar da aparente falta de garotos nos corredores, era possível escutá-los através das suas portas fechadas ou abertas, desfazendo suas malas e conversando com os seus colegas de quarto. Reparar nessas relações, me fez me lembrar da minha. Teria que encarar e voltar a conviver com Yerik.
Peguei a chave do quarto e abri a porta apreensivo e novamente a sorte me ajudara, pois ele não estava presente. Desfiz minhas malas e adormeci na minha cama.
O quarto já estava completamente escuro quando ele chegou, o barulho do trinco da porta me fez acordar e indicando sua chegada, porém continuei fingindo que dormia.
— Desculpa, mas ele já chegou. – Só escutei sua voz sussurrando para alguém, seu tom era de decepcionado.
Minha garganta secou e um gosto amargo inundou minha boca, podia perceber que inevitavelmente minha expressão se fechava, mesmo tendo aparentar imobilidade.
— Deve estar tendo um sonho ruim, observe a expressão dele. – A outra pessoa era o Jesse. – Acho melhor eu ir.
— Ainda vou precisar de sua ajuda com aquilo, até amanhã.
Se despediram e Yerik fechou a porta. Senti que seu olhar pesava em mim, arrisquei abrir uma frecha entre as pálpebras para observá-lo. Ele sorria presunçoso, olhando diretamente para mim e percebendo que eu não dormia, sorriu ainda mais. Inevitavelmente fiquei vermelho de raiva, por ter sido descoberto. Me acomodei melhor na cama e virei para o lado oposto ao dele, ouvindo sua risada.
Na manhã seguinte, uma boa noticia aparece nos moral de avisos de todas as alas. A Irmã Mariah havia recobrado sua saúde a assumira o cargo de diretora, pois era hierarquicamente superior a Irmã Nancy e só não assumira antes pois estava doente. Como primeira medida administrativa-pedagógica abolira todas as regras de sua antecessora, reestabelecendo o modelo de gestão da falecida diretora.
No meu percurso até o refeitório percebi que os olhares das pessoas me acompanhavam, pensei que alguma coisa estivesse errada comigo, por isso fui duas vezes no banheiro verificar minha aparência que não tinha nada de errada, ao meu ver, antes de chegar aonde pretendia. Isso me gerou uma desconfortável curiosidade.
— Tem alguma coisa de errada comigo? – Perguntei direto para Sam e Beth quando as encontrei concidentemente entrando no refeitório.
— Bom dia para você também. – Sam me censurou.
Beth continuou calada, na verdade nem parecia ter reparado no nosso encontro. Seu cabelo estava mais longo do que nunca, a-contra ponto ao de Sam curtíssimos e com pequenas trancinhas dispersas no meio desarrumado.
— Beth! – Sam teve que chama-la algumas vezes até atrair sua atenção.
— Oi. – Olhou para mim, vindo em minha direção e me abraçando. – Como está?
— Incomodado, todo mundo fica me encarando como se eu estivesse com alguma coisa extremamente errada!
Confirmando o que eu dizia um grupo de líderes de torcida passou por nós, encarando-me e rindo em seguida.
— Viram! – Apontei para as garotas que acabavam de passar pelas portas duplas.
— E o que que tem? – Sam perguntou.
— Está estranho.
— Acho pode ser algum astro te influenciando. – Beth soou sugestiva.
— Não acho que tenha nada de astrológico nisso.
Beth franziu o cenho, descordando.
— Acho melhor tomarmos café e depois tentamos descobrir alguma coisa.
Entramos no refeitório e todos que estavam nele automaticamente se calaram e nos encararam, automaticamente travamos. Olhei para todos e ao mesmo tempo para nenhum, vi que a única pessoa que não vazia isso era a minha irmã, estava muito ocupada se olhando em um pequeno espelho.
Beth foi a primeira a dar o primeiro passo e agir como se nada tivesse acontecendo, a próxima foi Sam e eu permaneci estático. Ambas tiveram o bom senso de me puxar para frente, condicionando-me a andar e arrastando-me até a fila.
Todos continuaram a me encarar até que alguém gritou:
— LUSTRE! — A voz vinha da mesa que Marc costumava ficar.
A gargalhada foi generalizada, enquanto eu e minhas amigas ficamos sem entender, como se todos soubessem da piada interna e nós fossemos os estranhos.
— O que está acontecendo? – Sam perguntou sussurrando.
— Eu não sei. – Sussurrei de volta.
Quando a situação parecia que ia se acalmar, a porta se abriu e todos voltaram a ficar em silencio. Virei-me para ver quem chegará e era Maggie, ela estava ficando cada vez mais rubra e ofegante com a pressão dos olhares. Não demorou dez segundos e ela correu para fora do refeitório.
— O que as pessoas estão fazendo? Encarando cada pessoa que chega e depois rindo? – Beth parecia irritada.
Quando pegamos nossa comida todos já tinham voltado a fazer suas coisas e parado de me encarar.
— Será que foi a minha irmã? – Perguntei para elas.
— Não, sua irmã está com outra estratégia para te atingir, se fosse outra pessoa acho que seria... – Sam começou a falar.
— Marc! – Beth falou.
— Exatamente. – Sam concordou.
— Não, não é isso, não que eu também não ache, mas ele está vindo para cá.
Sam e eu seguimos o olhar de Beth e vimos o moreno vindo em nossa direção.
— Será que ele vai falar alguma coisa da festa? – Beth mais sugeriu do que perguntou.
— Como sabe?
— Sam me contou.
— Calados. – Sam nos alertou.
Marc esperou uns dois segundos parado, nos analisando antes de falar.
— Blake, precisamos conversar.
— Agora?
— Não! Mais tarde depois das aulas. – Consenti. – Eu te mandarei mensagem falando aonde.
— Que direto. – Beth comentou com a testa enrugada.
— Mas, acho que esteja certa. Ele vai querer conversar sobre a festa. – Sam concordou.
— Só espero que Vick, não nos tenha visto. – Murmurei olhando na direção dela e para o meu desgosto seu olhar se mantinha fixo na minha direção e de forma mortífera, abaixei a cabeça culpado.
— Não se sinta mal por isso, quem errou foi ele. – Beth me consolou, passando as mãos nas minhas costas.
— Tenho medo por você. – Sam mordeu os lábios. – Não sinto coisa boa vindo por aí. – Pude sentir sua apreensão.
— Ei! – Beth a censurou. – Eu sou a bruxa aqui.
Rimos até sermos interrompidos pelo primeiro sinal da nossa primeira aula.
— Melhor nos irmos. – Sam falou se levantando.
— Por que contou para Beth? – Sussurrei em seu ouvido.
Eu tinha convidado em nela que não contaria para ninguém sobre o que me acontecera na festa.
— Não pude evitar. – Fez expressão de culpa.
— Não te conto mais nada.
Saí chateado, deixando uma amiga culpada e outra sem entender nada.
Durante todo o meu dia os olhares seguiram iguais e sempre em mim ou sem Maggie, ela parecia sabe o porquê, mas se mantinha evasiva a todos, nitidamente afetada. Eu sabia que ela namorava com Alex, então provavelmente ele saberia o que se tratava.
Tínhamos aula no último período, havíamos escolhido a mesma matéria eletiva: marcenaria. Eu detestava a aula, pois não tinha jeito nenhum com os materiais, ao contrário dele que parecia ter o dom para cortar, cerrar ou parafusar.
— Oi. – Sentei lado dele.
— Olá, McCarthy. – Seu olhar estava distante e os olhos frios como sempre.
— Como foi o recesso?
— Normal, um pouco tempestuoso no meio, mas tranquilo no começo e fim. – Soou misterioso, sempre soava assim. – E como foi o seu? – Virou-se e encarou-me.
— Bom, só tive problemas com a minha irmã depois da festa.
— Realmente, a festa gerou problemas para muitas pessoas...
— Com quem mais?
— Algumas pessoas... – Foi evasivo.
— Você sabe se Maggie está bem?
— Por que pergunta?
— Ela está agindo de forma diferente, sempre é tão segura e hoje está parecendo querendo fugir.
— Quis dizer que ela era arrogante, não é? – Soou amargo.
— Vocês brigaram?
Ele não me respondeu de imediato. Respirou fundo e apertou os punhos, suas íris acinzentadas ficaram ainda mais destacados com o fundo avermelhado que se tornara seus olhos.
— Blake, eu vou ser honesto com você, nós terminamos depois da festa. – Sua voz parecia controlada.
— Por quê?
— Não tolerei seu comportamento.
— Mas…
Antes que eu pudesse continuar nossa conversa, o professor entrou falando do novo projeto que faríamos naquele bimestre.
—x-
Entrei no meu quarto e não tinha ninguém, a música que tocava no meu celular me despertou uma profunda vontade de cantar e dançar. Tirei meu tênis, calça e suéter ficando apenas de camisa, cueca e meia brancas, tentando realizar com precisão os movimentos que um dia Jesse me ensinara:
When I was listening to the ocean
I saw a face in the sand
But when I picked it up
Then it vanished away from my hands
I had a dream, I was seven
Climbing my way in a tree
I saw a piece of heaven
Waiting, impatient, for me
Saltei no ar e girei:
And I was running far away
Would I run off the world someday?
Nobody knows, nobody knows
And I was dancing in the rain
I felt alive and I can't complain
Sentei ao chão e tentei movimentar meus braços graciosamente:
But now take me home
Take me home where I belong
I can't take it anymore
Levantei-me e voltei a tentar praticar passos de dança contemporânea.
I was painting a picture
The picture was a painting of you and
For a moment I thought you were there
But then again, it wasn't true
And all this time I have been lying
Oh, lying in secret to myself
I've been putting sorrow in the farthest place
On my shelf
Por mais cansado que eu ficasse ao cantar e dançar, eu dava tudo de mim. Principalmente no refrão:
And I was running far away
Would I run off the world someday?
Nobody knows, nobody knows
And I was dancing in the rain
I felt alive and I can't complain
A porta do quarto se abriu e eu não percebi, pois estavam sem óculos e com os olhos bem fechados.
But now take me home
Take me home where I belong
I got no other place to go
But now take me home
Take me home where I belong
I got no other place to go
But now take me home
Take me home where I belong
I can't take it anymore
Girei, girei ficando zonzo e caindo em cima de uma das duas camas presentes no quarto, não pude perceber qual. Porém continuava a cantar, agora deitado:
But I kept running
For a soft place to fall
And I kept running
For a soft place to fall
And I kept running
For a soft place to fall
But I kept running
For a soft place to fall
And I was running far away
Would I run off the wall someday?
Me levantei abruptamente e voltei a dançar, parando no ultimo refrão na frente janela e cantando um pouco mais alto do que deveria para alguém que tinha paredes vizinhas.
But now take me home
Take me home where I belong
I got no other place to go
But now take me home
Take me home where I belong
I got no other place to go
But now take me home
Take me home where I belong
I can't take it anymore
Atrás de mim escutei palmas, virei assustado e vi que só era o Yerik.
— Deveria cantar no Coral, você não costuma cantar muito lá. – Ele sorria.
Mordi a parte interna da bochecha e não respondi.
— Pensei que estávamos de boa, ou estamos brigados? – Ele continuou falando.
Recolhi minhas roupas no chão, coloquei na minha parte do armário e peguei outras para ficar decente na presença de alguém.
— Se fiz alguma coisa na festa, me desculpe. Mas não lembro de nada.
— O quê? Não se lembra de nada? – Perguntei.
— Não. — Balançou a cabeça negativamente.
— Ainda bem. – Suspirei aliviado.
— Por que? Deveria lembrar de algo? – Me assustou aparecendo ao meu lado.
— Não. – Rapidamente coloquei minha roupa.
Ele sorria safado para mim.
— Boa noite. – Falei antes de deitar da minha cama e dar as cotas para ele.
— Boa noite. – Me respondeu rindo.
Na sala de projeção em cima do auditório todas as televisões estavam ligadas quando eu cheguei, mas ninguém estava lá. Eu deveria ter chegado mais cedo do que prefira, por isso olhei no celular, haviam algumas ligações de Sam e Beth, porém estava no horário certo. Marc é quem deveria ter se atrasado. Ia retorna a ligações dela quando todas as televisões começaram a passar uma cena.
O lugar era barulhento e muitas pessoas gritavam, o câmera não era muito bom em filmar, pois a imagem desfocava ou filmava nada muitas vezes. Quando finalmente tomou foco apareceu alguém dançando muito mal, saltando em um lustre e caindo. Isso se repetiu algumas vezes até eu finalmente perceber.
Alguém tinha me gravado durante a festa sem eu notar e agora todos usavam dessa mídia para zombar de mim. Sai imediatamente da sala e me deparei com um grupo de pouco mais de vinte pessoas, era o grupo que o Marc andava, ele os liderava na frente. Eles riam e apontavam para mim, começaram a gritar ofensas, só que não as escutei porque corri para longe.
Não sabia para onde ir, só queria ir para longe e fugir. Não ouvir mais o que gritavam para mim, no caminho, esbarrei em alguém e não pedi desculpas. Olhei para trás e vi que era Vick, ela parecia estar desnorteada, porém eu tinha certeza que deveria estar indo de encontro ao grupinho que me humilhara, só deveria estar atrasada.
Se antes conseguira evitar as lágrimas, dessa vez não pude. Elas saíram sem controle, molhando todo o meu rosto, ardendo ao esfriarem em contato com o vento frio invernal da noite fora dos prédios. Tive dificuldade de correr, pois exceto nas partes transitáveis, a neve estava com uma camada de trinta centímetros. Conforme tentava correr meus pés afundavam, impedindo-me de andar e prendendo-me.
Após correr pouco mais de cem metros em neve intacta, caí em cima dela de cara. Meu rosto imediatamente gelou, girei o corpo e fiquei olhando para o céu sem estrelas buscando um pouco de conforto. Por mais que eu desejasse ficar em paz, nunca conseguia, as situações vinham até mim como um castigo celestial. E deveria ser mesmo.
Mesmo estando agasalhado, a cada minuto que eu passava desabrigado podia sentir meu calor se perdendo, por sorte, a noite me acalentaria e levaria por fim.
Infelizmente isso não aconteceu. Não sei quanto tempo tinha passado, mas alguém foi até mim e me tirou do meu quase sono, era Vick.
— Saia daí, vai morrer congelado! – Me olhava com um misto de raiva e preocupação.
— O que? – Perguntei sonolento.
— Você está na neve e seus lábios estão roxos. – Pegou meu braço e me levantou, sempre foi mais forte que eu.
Eu não estava preparado ao que ela fez, por isso, automaticamente me apoie nela para não cair.
— Você me odeia. – Lhe olhei nos olhos.
— Não te odeio. – Falou sério. – Odeio o que fez.
— Eu te peço desculpa, vou me confessar no domingo.
Ela não falou nada, pegou na minha mão e começou a me arrastar até o prédio de dormitórios.
— Por que as pessoas fazem isso comigo?
— Foi você que pediu?
— Não.
— Por que fizeram? Sei que você pode manipula-las para fazer isso, já fez antes.
Vick parou abruptamente.
— Isso é diferente, o que você fez na festa comigo me magoou internamente, não o meu ego. E as pessoas fazem isso porque se sentem melhores sabendo que outra está se sentindo inferiorizada.
Engoli em seco.
— Desculpa por te acusar.
— Não se desculpe, sou capaz de fazer isso mesmo. Pelo menos não está sozinho nessa.
— Como assim?
— Sua colega do Coral, Maggie, acho que é esse o nome dela. Também está ficando famosinha. O vídeo dela faz mais sucesso principalmente com os meninos, pena que é em um sentido ruim.
— Não sei do que você está falando.
— Não se lembra da apresentação dela? – Balancei a cabeça negativamente, estávamos nos aproximando do prédio, podia sentir o calor cada vez mais próximo. – Ela fez um stip-tease e também filmaram, o engraçado é o corpo dela.
— Isso é horrível. – Murmurei, meu corpo tremia de frio. Temi estar tendo hipotermia.
Pensar na situação que Maggie deveria estar passando, me fez refletir que o impacto do meu vídeo em mim seria bem menor do que o dela nela. Não nos falamos mais, apesar de todos os riscos Vick me levou até o meu dormitório devido a minha situação.
— Ainda não estou falando com você. – Ela falou, após se certificar que eu estava bem agasalhado embaixo dos cobertores. – Peça pro Yerik te trazer algo para comer. – Ele estava tomando banho quando chegamos, então nem nos vira.
Ia negar, que preferia não comer do que pedir um favor a ele, mas seu tom imperativo me impediu.
— Obrigado. – Agradeci. – Mas, se não nos acertamos por que me ajudou?
Vick estava de saída, parou e me encarou.
— Porque sou sua irmã, apesar de tudo. E não nos acertamos porque sei que vai se sentir ainda mais pior depois de hoje. Invertemos os papeis, fui legal com você, mas não poderá aproveitar a Vick legal. E não se esqueça, virais passam rápidos por isso tem esse nome.
Dito isso foi embora, imediatamente a porta do banheiro se abriu e um Yerik seminu saiu dela envolto de vapor.
— Oi. – Ele sorriu, seu humor estava ótimo ultimamente.
— Pode me trazer comida? – Perguntei.
Percebi seu sorriso murchar um pouco.
— Pensei que falaria para me livrar da toalha. – Riu de costas para mim, enquanto pegava suas roupas no armário.
— Temos regras, nada de nudez. – Lhe advertir.
— Quando fui tomar banho não tinha ninguém aqui e outra, não é prudente retalhar alguém que você quer que te faça um favor, não acha? — Concordei, contrariado. – E por que eu tenho que te trazer comida?
— Porque fiquei muito tempo na neve hoje e estou um pouco gelado, além do saudável aceitável. Mas se não puder, tudo bem. – Virei de lado, pretendendo dormir.
— Você está bem? – Senti sua mão quente no meu rosto, fazendo-me virar.
— Estou. – Mordi a bochecha internamente.
Ele ficou me encarando com aqueles olhos azuis, que mais pareciam imensos portais de leitura da alma.
— Vídeo? – Sugeriu, Yerik já o deveria ter visto.
Não lhe respondi, apenas virei meu corpo e dormi, ignorando suas tentativas de tentar falar comigo.
Acordei no outro dia decidido a falar com Maggie na aula de Saúde, a última antes do almoço. Como de costume durante os últimos dois dias, todos me encaravam ou caçoavam de mim, eu tentava ignorar, mas doía. Sam e Beth sempre que possível andavam comigo, como se pudessem carregar um pouco consigo os meus olhares, porém não conseguiam. Isso me fazia pensar ainda mais em Maggie, eu não a via com frequência, mas sempre era acompanhada por Alex, agora sem ele provavelmente estaria sozinha.
Foi durante a aula de Escrita, do Sr. Jackson, antecedente a de Saúde, que pude fugir um pouco dos meus caos interno e externo. Me sentei em um canto mais afastado na sala para evitar olhares e camuflar, por sorte, Alex se sentou na minha frente.
— Bom dia a todos! – O Sr. Jackson falou ao entrar.
— Alex! – Sussurrei rouco, também lhe cutucando com o indicador.
Ele virou discretamente e me encarou.
— Por que me chama?
Seu tratamento me causou um pouco de receio em tentar conversar com ele, mas ainda sim prossegui com o dobro de cautela.
— Você está bem? – Soei bem artificial.
Ele enrugou a testa e virou para frente me deixando com uma expressão azeda. Tentei fazer uma outra tentativa de contato com ele, no entanto, fui repreendido pelo professor na simples menção de fazer. Optei por esperar a aula terminar para um novo assédio.
Ao sinal do final da aula, ele se apressou em arrumar suas coisas o mais rápido possível para ir embora, porem fui mais rápido.
— Alex. – O puxei pelo pulso antes que passasse pelo batente da porta.
— Não me toque. – Falou sério olhando para minha mão em seu pulso.
— Desculpe. – O soltei.
— Eu vou ser honesto com você, eu queria saber como está a Maggie depois da repercussão do vídeo.
— Teve o que mereceu. – Falou ríspido.
— Como assim?
— Ela é uma despudorada que eu nunca deveria ter me envolvido e uma péssima pessoa, visto por sua grande antipatia e impopularidade.
— Não estou entendendo.
— Eu não me relaciono com ela, não tenho mais contato com ela e não quero saber dela. Cansei desse assunto, se não se importa.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele foi embora, me deixando sozinho e atrasado para a próxima aula.
Quando cheguei na sala de Saúde, era uma sala de aula misturada com uma enfermaria toda branca, mais da metade dos alunos já estavam acomodados entretidos em conversas. Tentei atrair menos atenção possível e me apressei para ir para o fundo da sala, onde poderia localizar Maggie sem carregar o peso de terceiros nas minhas costas.
O que eu não esperava era que ela também estava no fundo, só foi um instante de distração pela surpresa de encontrá-la que acabei esbarrando em um esqueleto empoeirado e causando um tremendo barulho. Se tive a intenção de ser o mais discreto possível, tinha fracassado amargamente.
Todos automaticamente olharam para a origem do barulho e constatando que era eu, imediatamente, começaram a rir. Apressei-me em ir até a bancada de Maggie e abaixar a cabeça nela, frustrado e coberto de vermelho decorrente da vergonha. Pela expressão que ela fez quando me aproximei, a minha presença no seu lado não era querida.
— Margaret. – A chamei de canto disfarçadamente. Se ela me escutou, fingiu não me ouvir. – Queria saber se está bem.
— Estou ótima. – Soou nervosa.
Levantei-me da bancada e endireitei a minha postura, assim a vendo melhor.
Ela estava decididamente acabada e ligeiramente fedida, tinha odor de bebida. Seu rosto um pouco inchado e sua pouca maquiagem borrada, por trás da sua expressão de desgosto podia notar que estava aérea, bêbada.
— Eu...
— Não diga nada. – Seu bafo alcoólico bateu no meu rosto, trazendo me uma certa ânsia.
— Eu só... – Comecei a falar, porém minha voz foi completamente abafada com o som dela vomitando do meu lado.
Minha aproximação com Margaret não tinha sido exatamente do jeito que eu planejava, mesmo assim a analisando como um todo ainda estava em um saldo zerado.
O que Vick e Mick me disseram estava certo, virais tem uma vida útil equivalente ao seu tempo de ascensão, era muito rápido e terminava muito rápido e sempre eram substituído por outro. Foi exatamente no primeiro dia de fevereiro, que o meu vídeo e o de Maggie foi completamente abafado por uma nova mídia viral, não pensei que a próxima vítima seria tão próxima a mim, ao ponto de afetar-me.
Eu caminhava de volta para o meu quarto e pela primeira vez não carregava olhares sobre mim, todos olhavam para seus celulares rindo. Isso só significava uma coisa, uma nova vítima. Pensei que teria que recorrer para um terceiro para descobrir, porém meu celular vibrou e indicando a chegada de uma mensagem.
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