Tempestuoso

15 Cookies de Hortelã e Bebida Doce


Notas iniciais
Olá leitores, hoje o chato do Yuri não pôde vir postar o capítulo, mas como sou um amor de pessoa, vim fazer isso por ele, já que também betei. Espero que gostem e riam tanto quanto eu. Seguem as músicas: Britney Spears - Womanizer: https://www.youtube.com/watch?v=rMqayQ-U74s Muse - Madness: https://www.youtube.com/watch?v=Ek0SgwWmF9w Boa leitura! Tô aqui agora, BITCHS!! Eu peço pra pessoa postar e ela me difama. H S Gonçalves - cara, obrigado demais pela recomendação. Você não sabe como isso me fez feliz e me motivou a continuar escrevendo. Muito obrigado ♥

Os poucos dias até o Ano-Novo passaram em uma velocidade surpreendentemente rápida, Sam passou todos eles na minha casa, saindo somente dois dias após o Natal pelo agravamento de sua gripe devido a brincadeira na neve para ir no médico. Meu pai só apareceu no dia da sua saída carregado de presentes como se pudesse substituir sua ausência em uma data de vital importância, como aquela era.

Eu estava sentado com Vick na sala de estar, dividindo o coberto com ela e compartilhando a companhia com Emy que tricotava um cachecol de lã carmim para Sam, quando ouvimos o som da porta se abrindo e ele entrando.

– Está um frio de matar. – Meu pai falou alto, sabendo da nossa localização.

Nós três trocamos olhares com diferentes significados, o meu era claramente confuso sobre como agir, o de Vick encharcado de ressentimento vingativo e o de Emy pedinte de calma e compreensão.

– Como vocês estão? – Meu pai apareceu embaixo do portal da sala, na maior naturalidade.

Ele vestia em tons cinzas e sorria tranquilamente ao entrar na sala, até que se deparou com a minha expressão e a da minha irmã, to sorriso desapareceu.

– Feliz Natal, Sr. McCarthy. – Emy tentou amenizar a tensão.

– Feliz Natal, Emily. – Virei-me dando atenção forçada ao televisor. — Não vou receber felicidades dos meus filhos? – Senti a sua mão no meu cabelo.

– Felicidades natalinas, só se dá no Natal. – Vick respondeu ríspida, também forçava a atenção para o televisor.

– Nem para um pai que trabalhou nesse dia?

– Principalmente este. Não é nenhum profissional de uma área essencial para não se abster no Natal. — Vick levantou, indo em direção ao seu quarto, chegando no Hall voltou a falar. — E não pense que os presentes que trouxe podem nos comprar.

Meu pai substituiu ela ao meu lado, suspirando pela reação negativa.

– E você, Blake? Não vai me desejar Boas Festas? – Mesmo não olhando diretamente para ele, pude ver um fraco sorriso de expectativa. Eu era o mais maleável.

– Feliz Natal. – Falei finalmente encarando-o. – Apenas de você ausente. Completei em pensamento.

– Obrigado. O mesmo, meu filho. – Ele estendeu a mão em cumprimento.

Queria que me abraçasse e pedisse desculpa pela ausência, só que esse não era o seu feitio. O cumprimentei, já sabendo que esse era o seu máximo de afeição comigo, segundo ele, homens não se abraçavam.

– Como homens. – Falou completando o meu pensamento.

– Sim. – Concordei, sem conseguir evitar de pensar nos diferentes “cumprimentos” sofridos por meu colega de quarto.

Uma certa amargura quis me abater, mas me controlei para não demonstrá-la. Qualquer tipo de estranheza poderia gerar perguntas e eu não era bom em desconversar.

– Espero conseguir driblar sua irmã, sabe. Sou um homem muito ocupado, mulheres sempre são muito temperamentais, não tenho tempo para essas besteiras. – Voltou a falar. – Não é mesmo, Emily? – Emy resmungou algo em concordância, estava concentrada em tricotar.

Pensei nas minhas amigas e sobre o que elas pensariam sobre esse comentário, certamente o considerariam errado, machista.

– O que trouxe? – Perguntei.

Ele se levantou e foi buscar os presentes que deixara no Hall, retornando com algumas sacolas. Entregou-me uma repleta de CDs e livros, imediatamente quis abraçá-lo, mas por instinto me refreei. Para Emy, entregou um envelope com um provável cheque ou quantia em dinheiro, ele nunca sabia presentear ninguém, a não ser os próprios filhos. As outras sacolas deveriam ser de Vick, elas tinham os logos de marcas famosas de produtos voltados para o público feminino. Minha irmã seria facilmente comprada quando visse os presentes, ou no máximo, faria mais drama e conseguiria alguma coisa mais cara de sua escolha.

– Obrigado. – Falei sorrindo.

Em resposta tive meus cabelos novamente bagunçados. Enquanto ia para meu quarto, Emy se alongava em seus agradecimentos e entregava um presente para meu pai, produzido por ela mesma, supus serem luvas.

No resto do dia me entreti com meus presentes no meu quarto, pude ouvir quando meu pai foi ao quarto de Vick e conseguiu em pouco tempo adquirir o seu perdão, presentes sempre a convenciam facilmente. Mick tentou falar comigo o dia inteiro, porém preferi evitá-lo, pois meus níveis de desconfiança tinham atingido um patamar que me impedia de ter qualquer contato com ele.

Já entardecia quando desci para beber um copo d’água e encontrei Sam, na cozinha, cochichando com Emy, devia ter acabado de chegar.

– [..] eles pediram mais exames. – Foi o consegui escutar antes de perceberem minha presença e imediatamente pararem de falar.

– Como foi a consulta? – Perguntei a Sam, como se não tivesse ouvido nada.

– Nada demais, só um resfriado pelo dia na neve. – Sorriu falsamente, sabia que era assim pelo conteúdo confidenciado a sua vó. Encarei Emy, ela estava pálida como papel, a notícia devia ser ainda pior do que supunha.

– Por que estão assim? – Perguntei.

– Assim como? – Sam perguntou, persistindo no falso sorriso.

– Diferentes e ligeiramente abatidas. – Falei a última palavra olhando fixamente para Emily. – Tem a ver com a consulta? – Também sabia ser persistente.

– Não! Não, nada disso. – Minha amiga desconversava. – Minha vó está desse jeito pelo tratamento, não é? – Olhou esperançosa para a outra, esperando a confirmação do que falara.

– Sim, certo. – Emy falou rouca. Por um minuto as olhei com desconfiança silenciosamente.

– Já que é só um resfriado não preciso, então, nem me preocupar, não é?

– De forma alguma. – Soou convicta.

– Ótimo. – Fingi acreditar e elas fingiram acreditar que eu acreditei.

– Seu pai já conversou com sua irmã? – Emy perguntou, claramente mudando de assunto.

– Ouvi ele entrar no quarto dela e não escutei nenhuma gritaria, provavelmente devem ter conversados. – Fiz um sinal de aspas ao falar a última palavra.

– Deveria falar com ela... – Sam falou misteriosa. – Sobre o Ano-Novo. Fiquei um tempo tentando compreender o que queria dizer com aquilo, minha demora foi o suficiente para Emily desconfiar.

– O que tem no Ano-Novo? – Perguntou. Imediatamente me lembrei da festa.

– Nada. – Sorri para senhora, saindo disfarçadamente do recinto.

Corri até o andar superior e bati na porta do quarto da minha irmã.

– Pode entrar. – Escutei seu grito de liberação.

Ao entrar, pude ver todos os presentes que ganhara espalhados por cima da cama e as embalagens, já antes vistas, ao redor dela. Era uma variedade de roupas e marcas, pares de sapato, bolsas e um perfume, porém mesmo em tantos artigos, algo despontava em meio a eles, um colar. Eu nunca fui muito bom em identificar joias, mas aquela parecia cara, principalmente devido ao seu acabamento em ouro e a pedra preciosa azulada, a mim, desconhecida.

– O que quer? – Puxou a caixinha, onde a joia estava sendo exposta, da minha visão assim que notou que eu a observava. A escondendo em suas costas.

– Eu queria confirmar a sua ajuda na festa, como falou que ajudaria. – Olhei para ela.

– Se falei que vou, então iriei. – Vick não me dava muita atenção, pois se entretia em sobrepor as novas roupas pelo corpo e se olhar no espelho ao lado da porta.

– Mas é daqui poucos dias...

– Fica tranquilo.

– ... Eu nem sei por onde começar...

– Relaxa.

– ... E se todo mundo odiar? ....

– Blake.

– ... É a festa de Ano-Novo, deve ser muito importante...

– Blake. Cala a boca! – Vick interrompeu a minha tagarelice, eu estava perambulando de um lado para outro. Lhe olhei aturdido. — Tenta se acalmar. Você não vai ter que se preocupar com nada, não vai organizar nada.

– Não vou?

– Você acha mesmo que eu, Vick McCarthy, vou deixar alguém, como você sem um pingo de experiência, organizar a primeira festa na minha casa. De jeito nenhum.

– Mas era a minha tarefa, foi o que o Coral falou. Vick suspirou como se eu a estivesse irritando.

– Entenda, pela última vez. Minha casa, eu organizo.

– Mas...

– Ou convenço o papai a ficar o Ano-Novo aqui e nada de festa, ele ainda está maleável pela mancada no Natal. – Não respondi, permaneci boquiaberto ainda com a frase interrompida nos lábios. – A escolha é sua.

– Só precisa ter karaokê. – Dei-me por vencido.

– Sei que precisa. Fui nessa festa do Coral, ano passado.

– Então, tá.

– Era só isso?

– Sim.

– Ótimo, agora saia do meu quarto que quero continuar aproveitando meus presentes. – Senti suas mãos me empurrando pela porta, ainda aberta, até o corredor.

– Não precisa expulsar, já ia sair. – Falei, ajeitando a minha roupa que abarrotara. Ia seguir para meu quarto quando escutei chamar o meu nome.

– Blake! — Virei-me, olhando para ela. – De nada. – Falou com apenas a cabeça para o lado de fora do quarto.

– Pelo o quê?

– Por ter essa irmã tão maravilhosa que sempre zela por você e sua reputação. – Não esperou que eu respondesse e fechou a porta.

Tive vontade de falar que ela só fazia isso por si mesma e que usava a festa para se auto promover, mas me controlei porque esse era o meu feitio. Os dias se passaram muito agradáveis, não tão como os anteriores, mas ainda sim bons. A presença, mesmo que silenciosa e distante do meu pai, fazia com nos contermos mais. Até as vésperas da festa fiquei receoso se ele iria trabalhar no dia ou não, mas logo me acalmei ao anunciar que iria no jantar.

No momento, olhei para Vick e ela piscou para mim sorrindo. A outra pessoa que poderia gerar problemas para a comemoração era Emy, mas esta deixou de ser um impasse ao dizer que iria passar a data com a mesma parente que passara a véspera do Natal.

Vick não exagerara quando falou que cuidaria e resolveria tudo. Em menos de cinco minutos depois que Sam sairia para levar Emy, meu pai tinha saído ainda mais cedo, um furgão apareceu com o equipamento de som, bebida e comida.

– Vai ser salgadinhos. – Ela falou para mim, enquanto observávamos dois homens descarregarem as coisas e as colocarem na cozinha.

– Quanta coisa. – Comentei.

A quantidade de bebida e comida que comprará era suficiente para alimentar uns setes corais da escola ou mais.

– Melhor sobrar do que faltar.

– Eu sei, mas são menos de vinte pessoas.

– Não, são não.

– Como assim?

– Chamei alguns amigos mais próximos.

– Quantas pessoas?

– Ao todo com o coral, quase cinquenta.

Esbugalhei os olhos, espantado com a proporção que a festa tomara.

– Mas a festa era do Coral, uma coisa mais íntima. Não sei se eles vão ficar confortáveis com essas outras pessoas...

– São meus amigos, terão que ficar. -

Suspirei, ao invés, de respondê-la. Olhando a quantidade de bebida alcoólica me ressaltou ao detalhe de cuidar com os objetos de casa, pessoas bêbadas não costumam ter muito cuidado com coisas quebráveis. Por isso, passei por todos ambientes sociais tirando artigos de decoração que pudesse quebrar e os colocando no deposito da cozinha.

Ao terminar isso, foi o tempo de Sam retornar e passarmos o restante do dia conversando no quarto de Emy, enquanto Vick acertava os preparativos para a festa. Só percebi que deveria me arrumar quando vi os últimos raios solares se porem no oeste pela janela.

Rapidamente corri para o banheiro do meu quarto e tomei banho. Ao sair de toalha, pois tinha esquecido a roupa, me deparei com Vick parada no meu caminho.

– Oi? – Foi minha primeira reação, pois, já me contraía de vergonha.

– Antes que surte pela falta de privacidade, só queria te integrar a roupa que vai usar hoje. – Apontou para minha cama, onde estava algumas peças bem dobradas e nunca vistas por mim.

– Por que escolheu minha roupa? – Perguntei.

– Por que não escolheria? – Me respondeu com outra pergunta.

Porque existe a liberdade de escolha a todos, é o que consta na lei desse país, pensei.

– Pode sair? – Lhe encarei levemente irritado.

Ela saiu aparentando não se importar, deveria estar pensando agora na sua própria roupa. Caminhei até minha cama e olhei para o que trouxera, era uma calça preta justa de um tecido parecido com jeans, só que mais maleável, uma camisa xadrez azul que certamente chegaria a altura da metade da minha coxa pelo longo comprimento e uma camiseta sem estampa azul. Me vesti, tendo dificuldade com a calça, era justa demais, agradeci o fato da camiseta ser longa o suficiente para cobrir o quadril.

Não tinha reparado até tropeçar, que ela também escolhera meu sapato, era um coturno de aspecto proposital gasto marrom escuro, o coloquei e era bastante confortável. No espelho do banheiro, olhei-me. Meu rosto havia adquirido um aspecto mais oval devido a comida mais pesada da escola, uma fina penugem crescia abaixo do queixo e meus cabelos estavam bem compridos, em longos cachos até os ombros. Com um elástico preto, os prendi.

A campainha soou e eu prontamente fui atendê-la animado com meus primeiros convidados, eram Peter e Steve. Vestiam despojadamente e carregavam um prato maior que o normal embrulhado com papel alumínio, atrás dele podia ver como nevava com uma certa intensidade.

– Sejam bem-vindos. – Lhes apresentei o melhor sorriso possível.

– Blake! – Eles sorriram de modo estranho para mim, temi com o que talvez planejassem para mim, mas me lembrei que estava em casa então relaxei.

– Entrem. – Liberei a passagem para dentro.

Eles entraram e ficaram olhando para tudo, analisando.

– Bela casa. – Peter falou, me entregando o prato. Olhei desconfiado com a procedência e identidade daquilo.

– São Cookies. – Steve falou como se respondesse a indagação que eu fazia em minha mente sobre o conteúdo do prato.

– Ah! Obrigado. – Falei. – Não pensei que trariam algo...

– Não trazemos. – Peter me interrompeu.

– Não costumamos trazer.

– Mas como você é novato decidimos trazer uma besteirinha para você.

– ... assim como...

– ... uma bebidinha especial, só para você. – Steve completou tirando uma garrafa térmica de trás do corpo.

– Obrigado. – Olhei ainda mais desconfiado. – Vou levar para cozinha, minha irmã comprou alguns salgadinhos. Se quiserem, podem se espalhar pela casa. São os primeiros a chegar, Vick e Sam ainda não terminaram de se arrumar.

Eles me acompanharam até cozinha.

– Tem karaokê? – Steve perguntou, servindo-se dos tacos que estavam em uma tigela no balcão, mergulhando no molho e também em um pote no balcão.

– Sim, Sam me falou que ter um era uma parte essencial da festa.

– o Som é potente?

– Não testei, mas Vick me garantiu que sim.

– Isso é bom, sua irmã deve entender um pouco.

– Ela que organizou as coisas, para falar a verdade. Se quiserem podem se apossar do aparelho e colocarem suas músicas.

– Ótimo que tenha oferecido, íamos fazer isso mesmo sem sua permissão. Mas antes brindemos só nós três. – Peter falou sorrindo.

Serviram-me com o conteúdo da garrafa, tinha um aspecto leitoso e caramelado.

– Isso não tem álcool, tem? – Perguntei receoso, olhando para o meu copo.

– Tem problema em beber se tiver? – Steve perguntou.

– Não, só que não acho certo e não devo ter muita resistência...

– Não tem. – Peter me garantiu, interrompendo-me.

Cheirei o líquido e o seu aroma não o denunciava, dei uma golada e uma leve ardência despontou na minha garganta em contraponto a abundância adocicada que inundou a minha boca ao seu contato compensou.

– O que achou? – Steve perguntou com uma sobrancelha arqueada, após ele e Peter também darem uma golada em suas respectivas bebida.

– Bom, eu acho. – Falei ainda olhando para o copo. – Tem o gosto extremamente doce.

– É pra mascarar...

– Combinar. – Steve interrompeu o amigo falando mais alto como se pudesse assim fazer-me esquecer da última palavra que o outro pronunciara. – Com você. Já que é uma pessoa tão doce.

– Obrigado. – Sorri estranho com o comentário.

Os dois se encaravam, como se estivessem tendo uma conversa apenas com os olhares.

– Coma um cookie. – Peter sugeriu ainda trocando olhares com o amigo.

– Só se me acompanharem novamente.

– Claro. – Ele respondeu, desembrulhando o prato, pegando um doce para si e outro para mim e Steve.

Nada parecia suspeito no Cookie, por isso, o comi em uma única mordida. A Hortelã deveria estar estragada, pois deixou um gosto amargo na boca que me criou a necessidade obrigatória de sentir algo doce para compensar o seu sabor na minha língua. Novamente bebi a bebida deles.

– Como está? – Peter perguntou.

– Está ótima. – Menti pegando mais um para não fazer desfeita, não sendo acompanhado desta vez.

Se olharam novamente e riram.

– Coma bastante, porque se você não comer pode ficar tonto facilmente em uma festa assim. – Mentiram.

– Tudo bem. – Balancei a cabeça positivamente, fingindo acreditar neles.

Nos encaramos por um tempo até a situação ficar constrangedora e Peter falar:

– Vamos indo para sala. – Indicou com a cabeça, sendo acompanhado por Steve.

No caminho, Sam apareceu.

– Blake, alguém apa... – As palavras morreram na boca dela ao ver os dois.

– Apareceu? – Peter sugeriu o que ela não dissera por completo.

– É. – Adotou uma postura de indiferença.

– Eu diria que sim. – Steve respondeu por mim.

– Você está muito bonita. – Falei, tentando quebrar a tensão que se instalara pelo conflito existente entre os três.

– Obrigada. – Sam agradeceu ainda com a expressão amarga no rosto.

Ela vestia um vestido rendado e levemente rodado cor de ameixa e botas de cano baixo e sem salto marrom claro e nos cabelos curtíssimos havia uma tiara com um pequeno laço vermelho. Antes que a dupla seguisse para sala, os avisei sobre a proporção que a festa tinha se tornado.

– Pessoal tem problema ter chamado outras pessoas?

– Não. – Steve me respondeu.

– E se chamasse mais umas trinta?

– Eita, como isso aconteceu? – Sam me perguntou.

– Minha irmã. – Revirei os olhos.

– Quando falaram que seria você a fazer a festa, já colocamos em nossa cabeça que provavelmente Vick a tornaria uma particular dela. – Peter falou. – Por isso, todo mundo do Coral já está ciente disso e mesmo assim virão.

– A menos mal, eu acho. – Respirei aliviado.

Peter e Steve foram para sala rindo da minha expressão.

– Não deveria ter deixado ela fazer isso. – Sam me censurou.

– Eu sei, mas o que iria fazer com ela ameaçando me atrapalhar?

– A ameaçava também, sua irmã é umas das pessoas com mais podres que eu conheço, é muito fácil chantageá-la.

– Ela é minha irmã e isso é errado.

– Isso não a impede de fazer o mesmo. – Conseguiu quebrar todos meus argumentos. – Porém não vamos falar sobre isso, mas sobre como está vestido.

– Gostou? – Perguntei, dando um giro para me mostrar por completo.

– Está sensacional. – Assobiou. – Não parece com seu estilo, no entanto, lhe caiu muito bem.

– Obrigado. – Sorri.

– Por que decidiu mudar de estilo?

– Eu... eu... eu. – Gaguejei.

– Não me diga que tem dedo dela também nisso? – Sam arqueou uma sobrancelha.

– Claro que tem. – Vick respondeu por mim.

Ela estava linda, usava um cropped azul marinho quase preto e uma saia cintura alta até quase o joelho preta. Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo descontraído, que deixava os seus cachos bem modelados em volta do corpo. Seu perfume era forte e anunciava a sua presença antes mesmo dela chegar.

– Você é controladora, pra caralho. – Sam falou de forma engraçada, me contive para não rir.

– Sou mesmo e até você concordou que ele ficou bem assim. Não sugeri que amarrasse o cabelo, mas ficou muito melhor assim, mostra mais o rosto.

Começaram a falar de mim como se eu não tivesse ali, uma música eletrônica começou a tocar e elas não pararam, só o fizeram quando a campainha soou novamente e desta vez eram os amigos de Vick e esta foi recebê-los. Tinham falado tanto de mim que me deixaram aturdido, por isso, comi uns dois cookies dos garotos e consequente mais outros quatro copos da sua bebida.

Ao meu redor as paredes e os moveis pareciam menos sólidos e uma risada histérica me acabou escapando pelos lábios.

– O que foi? – Sam estranhou aquele surto.

– Nada. – Falei incapaz de conter o riso.

Demoraram mais quarenta minutos para os todos convidados chegarem. Eles iam se espalhando pela casa e conversando em voz alta na tentativa de serem audíveis aos seus amigos contra ao som alto dos diferentes tipos de músicas que tocavam.

Quase cuspi o sétimo cookie que comia quando vi Yerik e Jesse chegarem juntos, mas para o meu alivio, Joanne e Zach apareceram imediatamente atrás deles, não estavam juntos e sim, sozinhos. Me censurei por pensar aquilo e me repreendi ainda mais por aquilo. Não demorou cinco minutos e a campainha tocou, dessa vez estranhei porque as pessoas já não estavam mais fazendo isso devido à altura da música e a barulheira das pessoas, que já indicava aonde deveria ser a festa destinada.

Ao abrir a porta não consegui me refrear em dizer:

– Mas que bosta...

Era Marc e Camille, estavam quase se beijando e abraçados. No rosto dela era visível alguns indícios da surra que levara de Sam, nos arroxeados envolta do rosto e no pequeno corte no canto da boca. Deveria estar com frio, pois seu vestido vermelho era curto e não usava mais nada para se proteger.

– Quem é? – Vick apareceu atrás de mim para piorar a situação.

– Sua amiga e seu ex. – Falei sem freio.

Os dois ficaram em choque e o mesmo ocorreu a Vick ao vê-los, me mantive a encarar cada um por vez, até me cansar e deixá-los.

– Essa é a minha deixa. – Falei depois de um tempo, caminhando em direção a sala.

Percebi que era acompanhado por Marc, que covardemente fugira da situação. Olhei para trás e as duas garotas já não estavam mais paradas na porta e nem no alcance da minha visão.

– Blake! – Senti dois pares de mãos afiadas agarrem-me.

Eram Mirna e Lucy, estavam vestidas esplendidamente e para o meu espanto compartilhavam da companhia de Olive. Esta estava vestida discretamente como sempre, mas o que chamava a atenção era o longo cabelo escuro ondulado solto.

– Seu cabelo não deveria ser liso? — Não contive a pergunta, não estava mais conseguindo conter mais nada que considerava inapropriado em situações normais.

– Não, sou mestiça. – Me respondeu sorrindo.

– Entendi.

– ELA É MUITO LEGAL! – Lucy gritou no meu ouvido.

Balancei a cabeça positivamente com uma careta de desconforto.

– Nunca falei com você. – Comentei com a asiática.

– Claro, sempre está com Sam. Não falo com ela.

– Você não fala com ninguém.

– Ninguém talvez do seu círculo de amizade.

– Por que?

Antes que pudesse me responder, as gêmeas gritaram juntas quando mudou a música.

– É NOSSA MÚSICA! Vamos dançar Blake!

Dito isso, começaram a me manipular como uma marionete descoordenada. Devo admitir que me deixei levar pela música e quando percebi já dançava sem pudores no meio das garotas.

– Eu quero ficar com o Harry. – Olive falou um pouco alto, deveria estar também alterada.

– Ele está ali. – Apontei para ele, estava em um canto apoiado na parede ligeiramente desconfortável.

– Eu sei. – Soou impaciente.

– Por que não vai falar com ele, amiga? – Lucy perguntou segurando no meu braço. Tínhamos que falar em um tom elevado pela música.

– Acho que ele não quer, passei esse tempo todo dando abertura para ele e nada.

– Aí é complicado, amiga.

– Ele ainda está gostando da vaca da Samantha. – Bufou irritada.

– Ei. – Cutuquei o ombro da asiática. – Não fala assim da minha amiga.

– Falo sim.

– Você tem raiva porque ela teve algo com ele e você não consegue.

– Ainda não.

– Está esperando o quê? – Mirna falou séria, interrompendo qualquer desentendimento que pudesse acontecer entre nós. – Vai chegando de mansinho e o prende na parede.

– Não vou ser muito vagaba?

– Você é meio invisível, ninguém repara em ti. – Lucy quis ajudar, soando muito mal.

Não entendi muito a conversa depois, pois, me distraí olhando para o nada. Só percebi que Olive falava muito, provavelmente arrumando justificativas para a sua falta de coragem em tomar o primeiro passo e as gêmeas a incentivando a fazer isso.

– Blake? – Mirna chamou minha atenção apertando o meu braço. – Tem como você arrumar esquema para nós?

– Como assim? – Perguntei confuso, ainda recobrando os sentidos.

– Falar para os meninos que estamos afim deles, assim eles viriam até nós.

– Ahh, entendi.

Fiquei parado olhando para cara dela sem agir.

– Então? ... – Olive balançou a mão na minha frente.

– O quê?

– Não vai ir fazer isso?

– Agora?

– É!

– Okay. Mas quem são os outros dois?

– Peter e Steve. – As gêmeas falaram juntas.

– Não pensei que fizessem o estilo de vocês. – Encarei as duas.

– Basta ser homem. – Lucy falou sorrindo abobada.

Não tive tempo de comentar mais nada, porque Mirna e Olive me empurraram em direção aos garotos impedindo-me de ter qualquer reação. Em tempos normais, eu jamais faria isso, porém eu não estava normal.

Peter e Steve estavam perto do som, adotando a função de DJ como haviam dito, precisei cutucá-los, duas vezes, para que prestassem atenção em mim.

– Oi, Blake. Está curtindo a festa? – Peter me perguntou com um sorriso travesso.

– Estou, apesar de me sentir meio louco, sabe?

– Sei. – Gargalhou ao compartilhar o olhar com Steve.

– Está tomando e comendo o que te trouxemos? – O outro perguntou.

– Estou. Falta só mais meia dúzia de cookies, não sei se ainda consigo comer todos e a bebida já está no finalzinho.

– Fico feliz que os tenha consumido. – Steve colocou o braço sobre os meus ombros. – Ficaríamos magoados, se não consumisse.

– Imaginei que sim. Mas queria falar sobre outra coisa.

– O que? – Peter se interessou.

Os chamei para perto de mim, como se fosse contar um segredo e os confidenciei.

– As gêmeas estão afim de vocês e Olive do Harry.

– Dessa última já sabíamos. – Peter falou.

– Quem não sabia. – Steve reforçou.

– Mas essa das gêmeas é novidade... Elas querem mesmo?

Balancei a cabeça positivamente.

Voltaram a se entre olhar e riram.

– Mano, tiramos a sorte grande. – Os dois se cumprimentaram animados e sorridentes.

– Já fiz meu serviço. – Fiz uma continência. – Agora, ajudem Olive arrastando o Harry até ela.

– Vamos tentar, mas ele é devagar, quase parando. (...mas ele é pior que tartaruga andando de costas.) – Olhamos para este, que ainda permanecia encostado desconfortável na parede.

– Bom, vou indo.

Não pude dar meia dúzia de passos e as garotas me agarraram, indagando sobre o que eu falará. Contei que fui direto e recebi três tapas.

– O que foi? – Perguntei, massageando as regiões atingidas.

Não tiveram tempo de responder, porque os garotos chegaram e elas me largaram sozinho. Dei de ombros e fiquei dançando singelamente, a música não era nem muito agitada e nem muito lenta. Foi então que perdi a noção de tempo.

Minha mente parecia ter sido embrulhada por uma película de filme antiga, como em uma lente desfocada e levemente amarelada. As pessoas pareciam dançar em câmera lenta em torno de mim e a música destorcia-se, só percebi que não estava bem após ver Marc com um chifre de unicórnio e crina colorida.

– Você é parte unicórnio? – Lhe perguntei.

Sua expressão ficou bem confusa, desconfiei que não tivesse me escutado devido à altura do som da música, por isso, prontamente repeti a pergunta:

– Você é parte unicórnio?

– Você sempre foi tapado assim ou está chapado? – Falou grosseiro.

– Ei. – Cutuquei seu tórax com o indicador. – Não seja grosseiro, é meu convidado pelo menos me trate bem na minha própria casa. – No estado em que eu estava não temia as consequências das minhas palavras ou das minhas ações.

– Acho que é o segundo e eu nunca fui grosseiro com você. – Se defendeu, respondendo a sua própria pergunta.

– Mas foi com a minha irmã. Na realidade, foi um babaca com ela. – Esta frase lhe fez franzir o cenho.

– Acha mesmo que fui um babaca? – Coçou a cabeça.

– Se você foi? – Eu ri. – Você é um grande babaca.

– Não fiz muita coisa e ela também...

– Não fez muita coisa?! – O interrompi. – Você teve um lance com a melhor amiga dela, enquanto a namorava e foi um completo egoísta após saber da sua gravidez. Isso do que eu sei.

Ter-lhe tacado esses fatos lhe causou um profundo constrangimento, se não fosse pela pouca luminosidade e por seu tom de pele, estaria completamente vermelho. Tentando disfarçar até bebeu um pouco da cerveja que carrega na garrafa que segurava.

– Estou certo?! — Falei sorrindo.

Em resposta recebi uma expressão ranzinza.

– Cala boca!

– Ainda teve a cachorrada de vir com ela.

– Camille estava sozinha na entrada, constrangida demais para entrar sozinha.

– Com certeza e você como o salvador da América se ofereceu para acompanhá-la.

– Ela que pediu.

– Você nem é americano para ser o salvador dela.

– O Brasil fica na América, gênio.

– Falo dos Estados Unidos, mas você está mudando de assunto. A questão é que veio com ela.

– Só fiz uma boa ação.

– Sabia que os primos delas estão aqui, gênio? — Retribui o elogio sarcástico.

– Estão? – Pareceu confuso.

– Estão e com ela. – Apontei para o grupo dançante, Cami estava com eles dançava ao lado de Joanne enquanto ambas tentavam fazer Zach se mexer além do habitual. – Acha que ela veio como?

– Com eles?

Fiz um sinal de positivo com a polegar. Se essa informação o fez abalar, não demonstrou.

– Ela estava constrangida para entrar na casa da melhor amiga dela? – Perguntei sarcástico.

– Não são mais amigas.

– Então, por que conversaram hoje no celular? – Isso não era verdade, mas algo dentro de mim me fazia continuar a envenenar ele contra Cami. – E andam juntas na escola, até antes dessas férias.

– Camille falou que brigaram no último dia.

– Idiota e ingênuo. – Revirei os olhos. – Ainda destrata os próprios amigos... – Ser acusador estava sendo legal.

– O que quer dizer com isso?

– Jesse. – Apenas falei o nome.

– O que tem ele?

– O ignora como se não existisse fora do Coral, isso não é legal. Deve machucá-lo por dentro, eu ficaria machucado, apesar de que também não te contaria.

– Somos ótimos amigos. – Defendeu-se.

– Claro, por isso, que ri com seus amigos quando zombam dele.

– O que você comeu, bebeu ou usou? – Me perguntou.

– Nada ilícito ou pecaminoso. – Enumerei com os dedos.

– Imagino que não, mas o que especificamente?

– Cookies de chocolate e hortelã de Peter e Steve. Eles foram gentis em trazer os doces e uma bebida.

– Hortelã? Que bebida?

– Uma bebida docinha, é gostosa, mas arde um pouco na garganta.

– Então, deve estar bêbado e chapado.

– Eita, vou pro inferno.

– HORA DO KARAOKÊ!!!! – Peter gritou no microfone atraindo a atenção de todos os presentes na casa, nem sabia se ele e os outros tinham ficado com as garotas. Provavelmente, ele e seu companheiro, sim.

– SÓ O PESSOAL DO CORAL PODE CANTAR! – Steve roubou o microfone do amigo e gritou.

– O CARALHO! – Vick apareceu na entrada da sala. – Eu vou cantar com minha amiga. – Camille apareceu atrás dela. – E vai ser agora.

Percebi que ela estava bêbada pelo seu caminhar até os garotos, já que ela estava meio capenga. Ela e Cami ficaram um tempo escolhendo a música sobre a vigilância silenciosa deles, pareciam desgostosos pela imediata contradição do que disseram.

– Essa música vai ser em homenagem a uma pessoa especial para nós. – Cami falou no microfone.

– Marc, essa é pra você. – Vick revelou a óbvia identidade do “homenageado” ao apontar para ele e encaixar o segundo microfone no aparelho, seu forte não era cantar, mas até que conseguia enganar bem.

Cami:

Superstar

Where you from, how’s it going?

I know you

Gotta clue, what you’re doing?

You can play brand new to all the other chicks out here

But I know what you are, what you are, baby

Vick:

Look at you

Gettin' more than just re-up

Baby, you

Got all the puppets with their strings up

Fakin' like a good one, but I call 'em like I see 'em

I know what you are, what you are, baby

Cami e Vick:

Womanizer, woman-womanizer, you're a womanizer

Oh, womanizer, oh, you're a womanizer, baby

You, You, You are, you, you, you are

Womanizer, womanizer, womanizer (womanizer)

Boy, don't try to front. I-I know just what you are-a-a

Boy, don't try to front. I-I know just what you are-a-a

Vick:

You got me going, you're so charming, but I can't do it, you womanizer

Cami e Vick:

Boy, don't try to front. I-I know just what you are-a-a

Boy, don't try to front. I-I know just what you are-a-a

Vick:

You say I’m Crazy, I got you crazy, you’re nothing but a womanizer

Nesta parte da música, Marc saiu da sala abruptamente, até que ele tinha aguentado bem em relação ao conteúdo cantado

Cami:

Daddy-O

You got the swagger of champions

So bad for you

Just can't find the right companion

I guess when you have one too many, makes it hard

It could be easy, who you are, that's who you are baby

Lollipop

Must mistake me as a sucker

To think that I

Would be a victim not another

Say it, play it how you wanna, but no way

I'm ever gonna fall for you, never you, baby

Cami e Vick:

Womanizer, woman-womanizer, you're a womanizer

Oh, womanizer, oh, you're a womanizer, baby

You, You, You are, you, you, you are

Womanizer, womanizer, womanizer (womanizer)

Boy, don't try to front. I-I know just what you are-a-a

Boy, don't try to front. I-I know just what you are-a-a

Vick:

You got me going, you're so charming, but I can't do it, you womanizer

Cami e Vick:

Boy, don't try to front. I-I know just what you are-a-a

Boy, don't try to front. I-I know just what you are-a-a

Vick:

You say I'm Crazy, I got you crazy, you're nothing but a womanizer

Cami:

Maybe if we both lived in a different world

It would be all good, and maybe I could be yaw girl

But I can't 'cause we don't

Elas foram aplaudidas por todos os presentes e como eu dissera, Vick conseguira se sair bem cantando, no entanto, não era nada excepcional.

– Saiam daqui, agora. – Peter as afugentou sorrindo. – O Karaokê é uma competição de duplas, o campeão não vai ganhar nada, porém a brincadeira é legal. – Continuou gritando para que todos ouvissem.

Me senti meio tonto, então fui para cozinha onde a situação parecia mais calma e menos abafada como na sala. Yerik e Jesse conversavam sorrindo enquanto comiam nachos, queria não tê-los encarados e nem ter permanecido fazendo por um tempo, mas eu fiz.

– Festa legal. – Jesse comentou querendo desfazer o clima de tensão, ele se vestia como sempre, tentado ao máximo esconder o corpo em trapos largos.

– Obrigado. – Sorri forçado, sem conseguir esconder minha cara de desgosto no final do sorriso.

Peguei mais da bebida dos meninos, dessa vez colocando em um copo fundo quase o total restante.

– Como está? – Yerik me perguntou.

– Bem, mas preferia não enxergar certas coisas.

Ele automaticamente ficou vermelho, sorri com o copo na boca.

– Vai cantar? – Jesse perguntou.

– Talvez, só preciso arrumar um parceiro. – Falei com uma sobrancelha levantada.

– Acho que provavelmente encontrará um. – Yerik forçava o canino contra o lábio inferior, inevitavelmente não consegui refrear-me em passar a minha língua sobre o meu.

– Não me tem uma sugestão? – Me apoiei no balcão. – Não quer ser meu parceiro?

Um silêncio incomodo se instalou, Jesse olhava para baixo, mas eu senti que seu olhar era para Yerik esperando uma reação. Olhei profundamente naqueles olhos azuis celeste esperando uma simples reação para uma leitura de seus pensamentos, porém eram impassíveis.

– Já combinei em fazer par com Jesse. – Sua voz estava carregada de sotaque e soou bem rouca, como se a conter e ao mesmo tempo tentasse dizer de uma única vez.

– Ahh, entendi. – Fiz uma melhor imitação da minha irmã possível para dizer tais palavras, devo ter soado debochado. – Que pena.

Jesse permanecia de cabeça baixa, porém podia ver o seu sorriso.

– E você, Jesse. Alguma sugestão?

O moreno levantou a cabeça e sorriu. Eu estava com raiva, o sorriso dele não era presunçoso, no entanto, naquele momento o enxergava assim.

– Acho que talvez, Sam. Já que são tão amigos.

– Boa. – Franzi o cenho. – Vou procurá-la.

Ainda com uma expressão desagradável reenchi meu copo e fui procurar minha amiga. Comecei pela sala, essa estava tão cheia de gente que demorei um pouco. Pude ver as gêmeas com seus respectivos pares se atracando na parede e Olive e Harry conversando, fiquei meio compassivo à situação dela. Por isso, caminhei na direção deles e falei.

– Harry beija ela logo. – Ele me olhou muito assustado e depois encarou ela.

A ação partiu dela, me chutou e beijou ele de supetão. Com a perna dolorida pelo chute sai da sala mancando, iria subir para o andar superior, mas um trio bloqueava a escada.

Marc, Vick e Cami discutiam nos degraus mais baixos, as duas acima deles. De imediato não pude ouvi-los, sabia que não era algo amistoso pelos gestos, minha irmã praticamente cuspia as palavras, Camille aparentava indiferença e Marc estava com uma veia saltada na têmpora e no pescoço. Conforme me aproximava se tornavam mais audíveis.

– Vai embora da minha casa! – Vick gritou, subindo um degrau.

– Eu te amo, caramba! – Marc falou grosseiro.

– Ama o cacete.

– Marc, por favor, vá embora. – Camille se fazia de falsa apaziguadora.

– Você é uma falsa. – Apontou para ela acusador. – Fica fazendo dois jogos e só pensa em si mesma no fim.

– Não fale dela. Não coloque os seus erros em cima dela. – Vick interviu, fazendo Cami sorrir.

– Não nego que tenha errado, mas você também não é santa. Também é outra egoísta.

– Você me abandonou.

– Isso é verdade. – A loira reforçou.

– Cala boca, CAMILLE!

– Quando eu precisei de você, como você agiu?

– Você só sabe falar de si mesma, o quanto o mundo gira entorno de ti. Quantas vezes nessa discussão você falou nós e quantas falou eu?

Isso lhe tirou a fala, Vick fechou os olhos e respirou fundo, vi que seu rosto estava molhado, mas não escorria lágrimas, não mais.

– Marc, acabou. – Falou séria.

– Vamos tentar de novo, sem interferências dessa vez. – Ele olhou para Camille.

– Já nos machucamos demais. – Vick saiu correndo para quarto, batendo a porta no processo.

Minha presença foi notada pelos outros dois e um silêncio constrangedor se instalou.

– Você não vai ir fazer o papel de boa amiga, agora? – Perguntei para Camille. – Sei que é boa nele e sua atuação está sendo requisitada no momento. Marc não pode consolá-la e eu provavelmente também não.

Tais palavras lhe causaram tal espanto, que não se manifestou, limitou-se a subir as escadas e ir bater na porta do quarto de Vick.

Olhei para Marc e ele chorava, meu peito se inundou de condolência. Por mais que o detestasse, não podia negar que ele amava minha irmã e sofria pelo termino.

– Eu sinto muito. – Toquei no ombro dele.

Seu rosto era obscuro, principalmente devido aos cabelos e barba estarem grandes.

– Não toque em mim. – Repudiou meu toque. – Sei que não gosta de mim e deve estar feliz com a situação.

– Admito que estou um pouco, pois a relação de vocês não era boa para Vick, depois de tudo que aconteceu e pelo aborto. Mas, ainda sou condolente a sua dor.

– Não quero a sua pena.

– E não a tem.

Instintivamente o abracei, foi estranho e seco.

– Você vai ficar bem. – Reforcei, o abraçando com mais intensidade. O seu cheiro era bom, principalmente o de seus cabelos.

– Acha mesmo? – Me deu uma abertura.

– Sim, você é um cara bonito. – O encarei. – E tem uns olhos bonitos e inocentes.

– Não sou virgem.

– Não nesse sentido. – Desfiz o abraço.

– Em qual, então?

– Simplesmente não sei explicar. Apenas aceite o elogio.

– Obrigado. – Limpou o rosto e depois coçou o cabelo.

– Seu cheiro é bom.

– Obrigado. – Falou novamente franzindo o cenho, não chorava mais.

– Deveria beber, o álcool te deixa mais solto e sem pudores. Como devo estar neste momento. – Fiz um fraco sorriso brotar no rosto dele.

Ia ir para sala, quando ele segurou minha mão, a apertou de forma calorosa. Sorriamos sem dentes um para o outro.

– Obrigado. – Me encarava intensamente.

– De nada. Sei que pode ser pedir demais, mas não fique com outra garota aqui, seria muito desrespeitoso.

Imediatamente soltou a minha mão resmungando, dei de ombros e segui para o caminho que pretendia antes de ser tocado.​Na sala, fui atacado pelas gêmeas que me enfiaram goela abaixo uma forte bebida clara que ardeu muito minha garganta, foram quatros doses que tiraram o que restava da minha sanidade.

Comecei a dançar, sem me importar com as pessoas ao meu redor que riam de mim, algumas até tinham celulares na mão. Pelo canto do olho, vi Marc se aproximar e pegar a mesma garrafa que continha o líquido que eu bebera e virá-la no gargalo, antes estava na metade.

Ele começou a dançar comigo, riamos um para o outros.

– Agora, a gente que vai cantar. – Peter e Steve falaram juntos, novamente atraindo a atenção de todos depois do que se pareceu ter passado uma ou duas horas.

Eu gritei e fui para mais próximo deles. Surpreendente, Harry se intrometeu na performance e a apresentação virou um trio.

Harry:

I

I can't get these memories out of my mind

And some kind of madness

Is starting to evolve, mm

And I

I tried so hard to let you go

But some kind of madness

Is swallowing me whole

Yeah

Steve:

I have finally seen the light

And I have finally realised

What you mean

Now

I need to know is this real love

Or is it just madness

Keeping us afloat, mm

Peter:

When I look back, at all the crazy fights we had

Todos:

It's like some kind of madness

Peter:

Was taking control, yeah

Now I have finally seen the light

And I have finally realised

What you need

Harry primeira voz, Peter e Steve coro:

Mad mad mad

Now I have finally seen the end (finally seen the end)

And I'm

Not expecting you to care, no

(expecting you to care)

That I have finally seen the light (finally seen the light)

And I have finally realised (realised)

Steve:

I need your love

I need your love

Todos:

Come to me

Just in a dream

Come on and rescue me

Yes, I know

I can't be wrong

And baby, you're too headstring

Our love is

Mad mad mad

Madness

– Blake! – Escutei alguém me chamar, virei automaticamente procurando o meu procurador.

– Oi. – Falei sorrindo sem saber quem era.

– Vem aqui. – Um mão forte me arrastou para fora da sala até o corredor de acesso a escada.

Naquele novo ambiente, a iluminação era melhor e pude ver que era Marc. Não entendia o porquê de ter me arrastado. Lhe encarei com atenção e ele ainda estava com o chifre e cabelos de unicórnio. Grudou minhas costas na porta do armário embaixo da escada e me prendeu e prensou com o braço, aproximando o rosto do meu.

– O que foi? – Perguntei solícito e inocente, sentia meu corpo bem mole e maleável.

– Realmente comeu e bebeu algo batizado. – O ar quente da sua respiração bateu no meu rosto carregada com o odor da cerveja que recentemente deveria ter tomado. – Está se comportando feito doido.

– Já tinha me dito e percebido isso antes. – Meu corpo amoleceu ainda mais, querendo sair daquele lugar. – Só que agora está tão alterado quanto eu, posso sentir o seu cheiro de cerveja.

– Não gosto, mas depois de bêbado dá para beber.

– Tentei conversar com sua irmã e...

– Transaram?! – Foi a primeira coisa incoerente que passou pela minha cabeça e falei de supetão. Percebi que minha voz estava em um tom mais elevado que o normal, pois sua expressão ficou alarmada, fazendo-o olhar para ambos os lados a procura de alguém que pudesse ter me ouvido. – Desculpa. – Pedi por tê-lo interrompido.

– Ela nem quis falar comigo...

– Ainda está chateada com tudo que aconteceu, não é para menos. Sinceramente, você deveria dar um tempo.

– Eu a queria tanto hoje. – Senti a pressão do seu braço aumentar conforme se aproximava mais de mim.

– Em que sentido? – Molhei meus lábios, pois estavam secos atraindo o olhar do maior.

– Exatamente no que está pensando.

– Não se pode ter as pessoas só porque as quer e nem deveria falar isso para mim, sou irmão dela. Para mim, ela não transa.

– Eu sei, mas estou muito louco.

– Sei...

Ele não me respondeu, ficou olhando para minha boca e umedecendo a sua. Não pude conter a vermelhidão de subir pelo meu rosto.

– Você já beijou garotos, Blake? – Ele não desviava o olhar.

Balancei a cabeça positivamente querendo muito beijá-lo, a boca carnuda parecia tentadora.

– Então não vai ter problemas com isso, eu sei que o que vou fazer é errado, mas você se parece tanto com ela...

Não ouvi direito o que dissera porque havia me perdido no seu cabelo colorido, já era naturalmente ondulado e por seu comprimento maior do que o comum, o movimentar das cores fazia com que ficasse quase hipnótico. Os toquei na altura da sua maçã do rosto, antes de começar a enrolá-los com os dedos.

Sua mão cobriu a minha e a forçou tocar diretamente no seu rosto, lhe fiz uma carícia sorrindo e com a cabeça meio pendente para o lado. Ele voltou a controlá-la, levando-a até sua boca e lhe dando uma série de beijos.

– O que está fazendo? – Perguntei.

Ele tirou o braço do meu peito e me tocou atrás da orelha, amaciando os cabelos da região, isto me causou arrepios. Sem empecilho, fiz menção de ir para frente só que ele voltou a me prensar com o corpo. A imobilização era mais forte que a anterior, porque seu corpo era rígido, grande e forte, eu tinha que levantar a cabeça desconfortavelmente para encará-lo.

– Você se parece tanto com sua irmã. – Sussurrou.

A força que exercia já era tamanha que fazia meu corpo levantar.

– Obrigado, eu acho. – A caricia atrás da orelha estava tão boa que eu pendia a cabeça para trás com os olhos fechados.

– Vou ter quer me contentar com você...

– Me beija, logo. – Colei nossos lábios.

Foi um beijo diferente, Marc era dominador. Não sei se por ter lábios mais carnudos ou o mais provável por ter mais experiência, ele simplesmente me devorou. Sua língua me explorou internamente sem resistência e mesmo que tivesse, com sua força seria facilmente vencida. Ele mordeu meu lábio inferior com força, causando certa ardência, e com isso acabei fazendo o mesmo, principalmente pela espessura deles.

Seu beijo não era bom, e sim estranho, mas nem por isso ruim. Seu corpo me prensou ainda mais contra a porta, fazendo-me arfar. Uma de suas mãos estavam no meu quadril e a outra no meu cangote, esta causava-me um pouco de arrepio. Quase encerrei o toque ao sentir no meu ventre sua ereção, mas o que me fez separar foi outra razão biológica.

– Preciso fazer xixi. – Separei com muito esforço nossas bocas, o empurrando e saindo correndo escada acima, no caminho acabei esbarrando em alguém, só que não olhei para ver quem era.

Abri abruptamente a porta do meu quarto, acabei tropeçando nos meus próprios pés e caindo, porém em tempo de ver a cena que acontecia perto da minha cama. Vi Jesse em pé, de costa a mim, com as calças abaixadas até a altura dos joelhos e Yerik sentado, na sua frente, na cama.

– Droga! – Falei pelo baque com o chão.

Isto os assustou, os deixando estáticos. Usei as duas mãos como apoio, ficando de quatro antes de levantar. Em pé, os observei atentamente. Não precisava vê-los no ato para saber o que acontecia, o pênis ereto despontando perto da boca do búlgaro dizia tudo.

– Caraca, desculpa. – Falei fechando a porta atrás de mim. – Não queria interromper ninguém, apesar deste ser o meu quarto e vocês não me terem pedido permissão para se chuparem aqui. Meio invasor e desrespeitoso, mas enfim, só vou usar o meu banheiro. – Apontei para a porta do lugar pretendido.

Algo desagradável despertava dentro de mim, só que minha urgência urinaria impedia-me de explorar esse sentimento.

– Bleika. – Yerik me chamou se levantando e limpando a boca, enquanto Jesse guardava sua intimidade desperta com certa dificuldade.

– Oi. – Sorri.

– Não conte...

– Contar o quê?

– Desculpa... – Segurou o meu braço.

Revirei os olhos, entediado e impaciente por estar sendo impedido de andar.

– Tchau. – Falei me livrando do seu toque.

– Sério, me...

– Cala a boca, você sempre pede desculpa e eu estou tão alterado que não vou lembrar disso. Então guarde todo o discurso, porque a única coisa que quero fazer agora é xixi. – O ignorei fechando a porta na sua cara, pude sentir os olhos dos outros dois sobre a caixilharia. Poderia ter soado rude, mas duvidava muito pela forma como havia dito.

Cambaleante fiz minhas necessidades biológicas, antes de lavar as minhas mãos e me observa no espelho. Percebi que estava avermelhado e com uma expressão extasiada, lavei o rosto com água fria e parei um momento para respirar com calma. Nesse único momento, revivi a cena que acabara de presenciar em minha mente e pude notar todos os detalhes com mais cuidado. O modo como Jesse movimentava o seu corpo para frente, principalmente o quadril, de como arfava em receber o toque e como o som sai da boca do búlgaro na prática do ato. Pensar nele, fez surgir uma profunda dor no meu peito. Um misto de tristeza e raiva tomou a minha mente, e aquela pratica carnal se tornou praticada somente por ele, só via suas mãos impulsionando um corpo contra os seus lábios. Não acreditava no sentimento tão recentemente revelados para mim. Quando dei por mim, já estava sentado no chão, chorando.

– Blake. – Escutei a voz de Sam e logo depois uma batida na porta. – Você está ai?

– Não. – Respondi fungando.

– Está chorando?

– Também não.

– Pode abrir a porta?

– Não estou aqui para isso.

– Então, como pode me responder, se não está? – Pude ouvi-la rir do lado de fora.

– Telepatia.

– Sabemos que não tem tais poderes. Pode, por favor, abrir a porta?

– Não quero, Sam. Não estou bem.

– Eu também não, preciso vomitar.

A visão do meu quarto sujo de vomito, me fez instintivamente abrir a porta de supetão.

– Não suja meu quarto! – Falei tentado secar meu rosto molhado.

– Isso sempre funciona. – Falou séria, seus olhos me analisavam com tanta seriedade que era impossível encará-los e de forma alguma, pareciam o de uma pessoa prestes a vomitar. – Pode me dizer o motivo do choro?

– Não. – Falei, liberando a sua entrada no banheiro e voltando a me sentar no chão.

Ela me imitou, sentando-se ao meu lado.

– Não estava passando mal? – Perguntei olhando para chão e abraçando meus joelhos.

– Não. Só queria ficar ao seu lado. – Me envolveu com um braço.

– Pensei que quem tivesse sexto sentido fosse a Beth, não você para saber que eu estava no banheiro. – Comentei.

– Acho que posso ter adquirido um pouco disso desde que a beijei.

Finalmente lhe encarei, sabia que meu olhar estava carregado de julgamento. Ela não pareceu se importar, seu desconforto só ficou aparente pois começou a balançar o pé.

– Desculpe... – Balancei a cabeça negativamente.

– Desconfiei que reagiria dessa forma, bem típico. – Riu.

– Vocês estão namorando?

– Não, só foi alguns beijos despretensiosos.

– Entendi... – Olhei para o nada, absorvendo a informação recém adquirida.

Um silêncio constrangedor se instalou até ser quebrado com o toque da sua mão na minha.

– Isso muda alguma coisa? – Sua apreensão era visível.

– Eu acho que não. – Enruguei a testa, divagando comigo mesmo se isso iria acontecer ou não, porém ao acessar algumas memórias minhas lágrimas implacavelmente retornaram.

Desta vez, chorei de verdade. Sem pudores, apoie minha cabeça no seu colo e chorei nele, sem me importar se a molharia ou não.

– Por que está chorando? – Senti suas mãos aflitas sobre mim. – Por acaso, gosta de mim?

Balancei a cabeça negativamente. Desde que havíamos nos beijado pela primeira vez, sempre pensei nessa possibilidade, porém algo dentro de mim sempre manteve claro que não eram sentimentos amorosos o que sentia por ela.

– Não. – Falei sincero. – E até acho melhor pararmos de nos beijar.

– Então, me explica o porquê de chorar, estou preocupada.

– Porque sou um hipócrita.

– Não entendo, o que você fez?

– Estou ou estava te julgando por beijar outras garotas, sendo que eu faço o mesmo. – Me levantei, lhe encarando.

– Não tem problema você ter beijado outras garotas, não tínhamos um relacionamento para nos preocuparmos com monogamia. – Ela sorriu, pensando se tratar de algo tão simples.

– Não é isso que eu quero dizer. – Limpei meu rosto. – Acontece que eu já beijei...

Não consegui dizer.

– Quem? – Fazia uma careta de curiosidade.

– Tenho tanta vergonha disso, ainda mais que aconteceu de novo hoje e com outra pessoa. Não tem nem mais jeito, já estou até condenado.

– Fala. – Apertou minha mão com carinho, incentivando-me.

Esperei um minuto de coragem e falei em um único folego.

– Eu já beijei garotos.

Nada mudou em sua expressão.

– Repete, que eu não entendi nada do que você falou, foi muito rápido.

– Eu.... Já beijei garotos.

O que aconteceu depois me fez desejar derreter e fugir pelo ralo do recinto. Sam gargalhou de tal modo que a fez cair de costas no piso do banheiro. Quem acendesse a luz poderia me ver tão vermelho como se tivesse passado um dia quente de verão na praia sem bloqueador solar. Não podia acreditar que ria de mim.

– Blake, você é inacreditável. – Ela falou ainda deitando, recuperando-se do surto.

Não respondi, estava em meu estupor de auto condenação e vergonha, encolhido.

– Ei. – Retomou a postura ao reparar no meu estado. – Isso é completamente normal. – Tocou no meu pulso.

– Não é. – Tirei a mão dela de mim.

– “Saia da bad, sei que está chapado, então não siga nessa vibe”. Aposto que Beth lhe diria isso, pois eu penso o mesmo. – Olhou-me séria. – Sei que poderia lhe passar o resto da festa lhe dizendo mil motivos para não ficar assim, que beijar garotos não é errado, mas esses ideais estão tão enraizados em você que apenas você pode mudar tais pensamentos.

– Não seja complacente comigo, está mais tempo no St’Agnes do que eu, sabe muito bem o que está escrito na bíblia.

– A bíblia está tão antiquada... E muito mal interpretada, isso posso te garantir.

– Não vou falar nada sobre isso, mas prometo que não beijarei mais garotos.

– Quem você beijou?

– Yerik vive me beijando ou tentando.

– Sério? Não pensei que ele gostasse de garotos, parece tão hétero.

Balancei a cabeça positivamente.

– Só deixei ser beijado por ele no Natal, quando passou a noite aqui. Todas as outras vezes, foi sem retribuição.

– Vocês transaram?

– Não! – Fiz cara de nojo.

– Não quis ofender. – Se defendeu. – Você falou garotos no plural, quem mais beijou?

– Eu não beijo ninguém. Apenas retribuo, não tomo a iniciativa. – Olhei de lado envergonhado com o rumo que a conversa levara.

– O nome do outro?

– Foi o Marc, hoje na festa.

– O MARC? – Ela gritou pasma.

– Ele estava bêbado e carente, minha irmã dispensou ele, então foi até a pessoa mais parecida com ela na festa.

– Quem beija um cara, por não conseguir uma garota?

Fiquei pensativo tentando encontrar uma resposta, por mais que me esforçasse, não conseguia formar nada concreto nela.

– Não sei... Alguém como o Marc, eu acho. – Falei sorrindo e Sam gargalhou. — Você é a melhor pessoa que eu já conheci. – Continuei rindo. – Digna de ser neta de quem é.

Notas finais
Sim, isso realmente aconteceu. Sim, o Blake estava chapado. Sim, o Blake estava bêbado. Sim, eles se pegaram. Pois é. Acho que ninguém esperava por esses acontecimentos, e eu mesma estou ansiosa para saber a opinião de vocês sobre. No próximo capítulo, a festa continuará, pois ainda tem muita coisa pra rolar, palavras do próprio Yuri. Então é isso, até algum dia. Beijos da Dani