Tempestades de um espinho que ansiava virar flor

15 Fatigado relato marcado na pele mental castigada pelas incessantes chamas de um passado.


Apontaram-lhe os dedos, semearam-lhe ódio

com a inquestionável premissa amaldiçoada

de que pagaria por seus terríficos atos.

Incendeiem sua alma! Tragam-lhe pesadelo!

Vozes atrozes ecoavam, num ruído estremecedor.

Beberá de seu veneno! Há muita fumaça e pouco fogo!

Era passagem só de ida aos confins do inferno,

as correntes indicavam, era negada sua fuga.

No meio das chamas, a sentença estava clara:

Por seu erro pagará, pelo resto de sua vida!

Rejeitaram-lhe a defesa, esmagaram-lhe o rosto,

com todas as provas de seu trágico crime fatal.

Anunciavam seu fim, sem contar com um detalhe

que distinguia lacaios infernais de almas humanas:

Percebeu que estava cego pela sede da ira e do caos,

despertou para seu erro e anulou o controle hostil.

Não seria mais títere, ordenado pelo desejo sombrio

da maldição que nunca voltou, e nem permitiria voltar.

E em meio à rotina peculiar que antecedeu sua vinda

de infinitos dias insanos e impiedosas noites em claro,

o prisioneiro já estava, desde muito, cumprindo a sua pena.