Já eram 3h da manhã e eu não conseguia dormir, fui para minha mesa de estudo e tentei rabiscar novas ideias, para quem sabe escrever um próximo livro.

Me chamo, Raquel, tenho 20 anos, estudo Direito na UFMG, moro em um AP não muito longe da casa dos meus país e meu maior hobby é escrever... Um sonho de criança, ser escritora, mas não tenho coragem para isso ainda.

Enfim estava tentando pensar em algo bom para anotar no livro de idéias, quando uma mensagem dela chegou. Levei um susto pela hora...

— Ei, tá acordada, Quel?

Meu estômago pareceu congelar como sempre que pensava nela ou a via. Estou falando da Luna, eu e ela temos uma espécie de relacionamento peculiar, somos companheiras, amantes e acima de tudo amigas.

— Estou sim, Luh.

— Desculpa a hora, mas é que eu não gosto de tempestades, elas me deixam apreensiva e, ligeiramente, assustada...

De certa forma achei aquilo muito fofo e me fez lembrar de quando sentia tal apreensão... Por outro lado, ler aquela mensagem ativou meu instinto protetor.

— Estou com você, meu amor, e o Thomas está aí para cuidar de você por mim...rs

'Thomas' era o nome do ursinho que eu tinha dado a ela. Simbolicamente, era a minha forma de dizer que estava sempre com ela.

— Sei que ele está aqui, mas nem ele é capaz de controlar meu medo... Já chorei tanto em busca de alguém que estivesse acordado...

A Luna é daquele tipo de pessoa que sempre tem um olhar confiante e sorriso no rosto. Era engraçado pensar que a chuva a assustava.

— Estou aqui... Ou melhor, estou aí, com você...

-Me sinto melhor sabendo que está comigo... Nunca gostei tanto de saber que está acordada a essa hora... Porque está acordada ainda?

— Eu estava tentando escrever alguma coisa, mas não consegui...

— Ah, estou te atrapalhando, não é?!

Claro que não estava, pelo contrário eu estava feliz de estar conversando dela... Mas pra variar ela fez uma de suas conclusões que sempre me davam um banho de água gelada pq eu sabia que nada a faria mudar de idéia.

— Vou ficar bem, não se preocupe... Desculpa qualquer coisa...

"Oh, menina difícil!" foi o que pensei quando me vi pegando a capa de chuva e a chave do carro. A casa da Luna era um pouco distante, contudo seria ainda mais difícil dormir se estivesse preocupada com ela.

Estava mesmo um temporal de deixar qualquer um preocupado, com direito a raios e trovoadas. Estacionei, na frente da casa dela, e liguei.

— Abre a porta, Mané! — eu disse fazendo-a rir.

Minutos depois eu estava na sala da casa dela, tirei a capa de chuva e Luna me observava com interesse. Estendi a mão para ela que segurou e me levou até o quarto.

Nos deitamos na cama que era de solteiro, mas felizmente cabia nós duas, sem problemas. A chuva estava piorando e os estrondos pareciam estar dentro do quarto.

Luna olhou para mim, eu abri os braços e ela se aconchegou, ainda em silêncio... Entre nós quase nunca era necessário que houvesse conversa, já que nos entendiamos pelo olhar. Mesmo assim ela disse:

— Nem acredito que está aqui...

— Não conseguiria dormir sabendo que você estava precisando de mim...

-E quando é que eu não preciso de você? — ela disse rindo, provavelmente, de si mesma.

— Eu realmente não sei...Por isso me mantenho por perto, para tais ocasiões... — eu a apertei em meu abraço e ela sorriu de un jeito meigo. — Já disse que estou aqui para qualquer coisa que você precise, Mané!

-Obrigada, Boko! — ela disse encostando o nariz no meu pescoço e, consequentemente, me fazendo arrepiar. — Me sinto muito melhor...

— Pois então durma, Maluquinha, estarei cuidando de você... — ela concordou e voltou a ficar em silêncio.

Quem diria que aquela menina marrenta e cheia de si pudesse ser, ao mesmo tempo, tão frágil e meiga. Eu, claro, já tinha descoberto aquele lado, mas era sempre tão raro vê-la assim que eu ficava surpresa, todas as vezes.

— Maluquinha... — chamei sem esperança de resposta.

-Sim? — ela murmurou sonolenta.

-Amo você! — ela sorriu como se estivesse sonhando e eu a beijei no topo da cabeça.

-Eu também, minha menina...

O sorriso em meu rosto não era nem a metade da felicidade que eu queria deixar transmitir. Como era possível amar alguém assim, querer protegê-la até mesmo da chuva... Não sabia como um sentimento grande assim podia existir em um ligar tão pequeno quanto o coração, mas enfim, pensando nisso eu deixei minha mente vagar até adormecer.

Não sei se amor verdadeiro existe, afinal o mundo de hoje é complicado demais para isso... Mas se existir deve ser parecido com isso que sinto pela Luna, algo puro, singelo, construído sobre uma amizade que felizmente apareceu na hora exata...

Pode ser que um dia tudo mude, afinal tudo nessa vida acaba mudando, mas quero ter certeza de que fiz tudo pela minha pequena Maluquinha que tanto me tira o ar e faz sorrir como criança na manhã de natal. Sendo assim, aqui vou eu...rs

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.