Tempestade
17 Edward - Divórcio
Notas iniciais
Ela é tudo o que eu sempre quis na vida.
Meiga, espontânea, sensível, inteligente, engraçada, gentil. Bella tem uma personalidade incrível, sabe ser ela mesma de uma forma que te faz ficar constrangido por não ser nem 10% do que ela é. Me sinto, ao mesmo tempo, sortudo e miserável, pois sei que não a mereço, mas merecê-la é a minha meta de vida. Estamos aqui, em plena quarta-feira a noite, vivendo uma cena de lua de mel. Assistindo um filme romântico, partilhando o dia, tudo que eu sempre quis quando me casei.
Resolvo expulsar tudo isso de minha mente enquanto a beijo intensamente. Minhas mãos deslizam em no corpo sinuoso de Bella de forma precisa e sedutora. As sutis mudanças que seu corpo vem tendo estão deixando-a ainda mais linda e gostosa, a ponto de me enlouquecer de forma perfeita. Eu me inclino por cima e ela enlaça suas pernas em minha cintura. Eu a olho, sentindo o meu prazer ardendo em mim e puxo sua camisola de seu corpo numa velocidade surpreendente.
— Edward! – ela exclama surpresa e eu lhe sorrio.
— Você é tão linda, Bella! – Digo rouco – sua pele é tão macia e quente – toco a lateral do seu corpo suavemente, de cima a baixo – seu corpo tem um cheiro espetacular – Ele aspiro seu pescoço olhando diretamente em seus olhos – e o seu gosto... É o mais perfeito! – Suspiro e então a beijo alucinadamente.
Eu e Bella temos vivido uma rotina incrivelmente feliz, apesar das dificuldades que temos enfrentado com nossos ex-conjuges. Riley é um filho da puta escroto, mas pelo menos se aquietou depois que conseguimos a medida protetiva contra ele. Confesso que ainda fico apreensivo dele burlar isso de alguma forma, afinal, ele sabe onde Bella trabalha e tem acesso livre lá, já que é onde o filho dele estuda.
Mas a nossa maior dor de cabeça tem sido a Lauren. Como é possível que mesmo com tanto tempo juntos eu não conhecia este lado baixo dela? Ela agiu de forma ardilosa, usando seus contatos para denegrir a minha imagem profissional e a de Bella. Minha raiva maior é ver que ela conseguiu isso. As pessoas ainda são muito preconceituosas e hipócritas demais para associarem qualidade profissional à vida pessoal de alguém. Isso me indispôs no hospital, o clima ficou estranho. Meu pai até quis interceder por mim, mas preferi só deixar que o tempo se encarregasse de resolver tudo. Até porque tenho pensado em conversar com Bella sobre novos projetos, novos horizontes para nós assim que resolvermos nossas pendências.
Nossos corpos e línguas começam a sua dança própria e logo somos um só mais uma vez. Cada vez que tomo seu corpo para mim, na verdade, sou eu quem me perco um pouco mais nela. É como se ela estivesse tirando algo de mim e acrescentando algo dela a cada vez que fazemos amor. Eu meto ainda mais fundo a medida que Bella se abre mais para mim. Ela abraça meus ombros quando seu prazer chega ao máximo, me apertando inteiro no processo. É a porra do paraíso senti-la me aperta com seu centro e com seus braços. Eu não me seguro e me derramo dentro dela. Depois de um breve momento, me deito ao seu lado e a coloco sobre meu peito. Uma das minhas mãos é atraída para seu ventre, onde faço pequenos círculos na discreta protuberância ali.
— Eu sou o homem mais feliz do mundo. – Digo antes que o sono me tome. Nunca vou cansar de declarar meu amor para ela. — Te amo, Bella!
— Eu te amo, Edward. – Ela responde, também meio sonolenta e eu sorrio satisfeito.
Estou no meu paraíso particular.
Quando a segunda feira enfim chega, eu estou exausto. Retiro o avental, as luvas, a touca e a máscara cirúrgica sentido o cansaço querer me vencer. Foi uma cirurgia linda e difícil. Um rapaz de apenas 17 anos teve o braço esmagado pela moto que dirigia após sofrer uma batida com um carro e perder o controle. Reconstruir os ossos do braço dele foi uma das coisas mais complicadas que já fiz na minha carreira, mas eu estava satisfeito com o resultado. Depois de parabenizar a equipe e assinar o prontuário, eu corro para o descanso médico. Retiro o meu celular do armário e disco o número que vem facilmente.
Hoje é a primeira reunião para o acordo de divórcio de Bella e a minha é em dois dias. Estamos na expectativa de Riley não causar problemas e simplesmente deixar Bella livre e em paz para seguir vida dela. Eu estou morrendo de saudade dela, de seu cheiro e de seu corpo. Confesso que os dias de plantão dobrado, que antes eram um refúgio para mim, agora tem sido uma tortura para nós. Ela atende no segundo toque, como se já estivesse à minha espera. Seu sorriso ilumina a tela de meu celular e eu sorrio automaticamente.
— Ei amor! Como você está? – Pergunto assim que a chamada se completa e abre a sua imagem por inteiro. – E nosso bebê?
— Nervosa ao extremo! – ela diz direta, sem pestanejar. Eu amo a sinceridade absurda dela. Ela sorri em seguida – Mas o bebê esta bem! — Seu cenho franze. – Meu bem, você está exausto!
— Estou bem, moreninha. Cansado, mas bem. Acabei de sair de uma cirurgia de 5 horas, foi complicada demais. – Eu lhe dou um sorriso cansado e coço um olho.
— Então meu amor, vá descansar para salvar mais vidas. – Ela diz e eu penso nas próximas horas que ainda tenho de plantão. – Eu vou cuidar das minhas crianças. – Ela completa e nós nos olhamos. Ela está visivelmente nervosa. Queria abraçá-la agora!
— Eu estarei lá quando você sair meu amor, vai dar tudo certo! – Eu digo lhe dando um sorriso, tentando passar a força que ela precisa. Mas não consigo segurar o bocejo.
— Vá dormir. Preciso de você inteiro mais tarde. – Ela diz carinhosa e me joga um beijo. – Te amo.
— Te amo, morena. Te amo, filhote! – Eu digo encarando seus lindos olhos apreensivos.
A próxima 1h30 eu passo entregue ao sono. Revigorado do breve descanso, vou até a lanchonete para comer algo. Quando estou na metade no sanduiche natural, sou chamado as pressas na emergência. Um acidente em um prédio em construção traz 3 trabalhadores para o centro cirúrgico em estado grave. Isso leva todo o meu dia de trabalho.
Perco um deles na mesa de cirurgia depois de 2 paradas seguidas. Os outros dois passam pelos procedimentos e vão para a UTI. O estado deles é muito delicado. Quando enfim localizamos as famílias, eu converso com cada uma, explicando tudo o que foi feito. A família do rapaz que faleceu ficou muito emocionada, a esposa dele está grávida do primeiro filho deles. Depois disso, passo o resto do plantão repassando os prontuários e avaliando pós-operatórios.
Às 17h, eu sequer troco minha farda, simplesmente disparo para meu carro e dirijo o mais rápido que posso para o fórum onde Bella deve estar em reunião com seu ex-marido. Após passar na recepção e identificar a sala onde está acontecendo a audiência, eu ainda aguardo cerca de 15 minutos até a mesma terminar. Assim que é anunciado o encerramento, eu me encaminho pra dentro. De onde estou fazendo a identificação na porta, vejo Bella abraçada à Victória, sua advogada. Não consigo ver seu rosto, mas os gestos de Victória me mostram que ela está confortando a minha namorada. Aquilo faz com que eu passe a andar mais rápido em sua direção.
Vejo Riley se aproximar dela e praticamente corro para lá.
— Você é uma verdadeira víbora, Jess estava certa sobre você, só quis se aproveitar de mim para conseguir dinheiro, sua vadia. – Ele rosna e eu fecho a mão em punho, louco para descer um murro naquele bastardo.
— Guardas, tirem este homem daqui! – Victória grita. – Ela não pode chegar perto de minha cliente!
Viro meu rosto em direção à Bella e me surpreendo com seu semblante. Conheço aquilo muito bem, aquilo é dor.
— Bella, amor? O que houve? – Eu esqueço Riley e todo o resto. Corro para ela e a seguro em meus braços. Ela me dá um sorriso fraco que não chega aos seus olhos.
— Edward! Está doendo! – Ela diz fraca e então eu a vejo infiltrar sua mão por baixo da sua saia. Um arrepio toma toda a minha espinha quando sua mão retorna coberta de sangue. Bella estremece mais uma vez e eu vejo seus olhos perderem o brilho e se fecharem.
— Bella! – Eu exclamo, mesmo sabendo que a inconsciência já a tomou. Seu corpo amolece em meus braços e eu a ergo.
— Oh meu Deus! – Victória exclama ao meu lado.
— Traga as coisas dela, temos que ir para emergência agora! – Eu digo atravessando a sala com Bella no colo. Eu só paro quando alcanço meu carro, onde a coloco deitada no banco traseiro.
— Aqui Edward! – Victória me alcança ofegante e me entrega a bolsa de Bella. – Vou acompanhar do meu carro.
Eu somente assinto e sento no banco do motorista. Sinto minhas mãos tremerem de leve.
— Respire Edward, vai ficar tudo bem! – Eu digo como um mantra. – Bella precisa de você!
Dali em diante, tudo é um borrão na minha mente. Me recordo de praticamente invadir a emergência onde passei um plantão de 36h com Bella sangrando em meus braços, implorando para que alguém a salvasse. Me lembro do doutor Jacob me dizer que faria de tudo para que ela ficasse bem, de 3 colegas enfermeiros me empurrarem para fora da sala de avaliação e de Victória me dá um abraço e um copo com água na sala de espera.
Depois, tudo é espera. Uma espera que parece interminável! Não sei exatamente quanto tempo se passa até eu ver Jacob saindo com um semblante preocupado, mas me pareceu uma eternidade.
— Edward, ainda bem que você foi rápido. – Ele diz sério e profissional. – Conseguimos parar a hemorragia, foi um descolamento de placenta. Ambos estão bem. – Ele diz e a cada frase eu sinto minha respiração voltar um pouco mais – Ela está descansando porque tivemos que usar um sedativo, ela acordou muito agitada do desmaio. Ela deve acordar nas próximas horas. Ela vai ficar 24h em observação, pelo menos.
— Graças a Deus! – Eu digo quando encontro minha voz – O bebê está bem mesmo? E ela vai ficar bem?
— Sim, está tudo bem. Como eu disse, um pequeno descolamento, mas foi perigoso, é bom que o obstetra dela avalie melhor depois, inclusive já solicitei. Talvez precise manter a medicação por um tempo e fazer repouso. – Jacob diz – Mas ambos ficarão bem, tenho certeza. – Ele completa e sorri quando eu vou falar – Apartamento 013, segundo andar. Não a desperte! – Ele diz revirando os olhos ao me ver impaciente.
Eu me encaminho para o local o mais rápido que consigo. Bella está totalmente adormecida. Eu deposito um beijo em sua testa e aliso seu rosto ainda pálido. Victória aparece na porta e sinaliza para que eu vá até ela.
— Edward, como ela está? – Ela pergunta aflita.
— Está bem agora, mas precisamos ainda da avaliação do obstetra. – Eu digo – Muito obrigado pelo apoio.
— Bella é incrível. – Ela diz com um sorriso que me faz sorrir em concordância – Vocês dois são, é muito bonito ver vocês lutando para ficar juntos. Pena que exista tanta gente querendo atrapalhar isso. Bella não merecia ter um dia tão difícil – Ela termina meio brava. Eu franzo o cenho.
— Como assim?
Victória passa a me contar de forma breve a forma asquerosa que Bella foi tratada no trabalho naquele dia. Depois de tudo, ela ainda teve o estresse da audiência de divórcio. Pobre Bella!
— Enfim, espero que ela se recupere logo. Entro em contato depois para saber como ela está. Dê um beijo nela por mim. – Ela diz se despedindo – Nos vemos na quarta?
— Sim, vos veremos na audiência. – Eu digo meio automático – Mais uma vez, obrigado por tudo.
Me despeço de minha advogada e volto para o lado de Bella. Sua respiração está profunda e lenta, significando que seu sono está pesado. Seguro sua mão direita na minha e faço um carinho leve. Olho para a monitoramento ligado a ela e meu coração aflito relaxa ainda mais por saber que nada está fora de ordem ali. Ela só precisa descansar. Eu suspiro.
Decido ir até a lanchonete comer algo antes que o cansaço eminente me vença. Ao passar pelos corredores cumprimento alguns colegas. Na lanchonete, que está até vazia, encontro alguns outros colegas, mas decido sentar sozinho em um canto. Praticamente engulo o lanche e percebo que além de sem dormir, estou a muito tempo sem comer também. Descarto meu lixo e volto para o lado das pessoas mais importantes da minha vida, Bella e meu filho.
Horas se passam e antes que consiga despertar totalmente estou ciente de duas coisas. A primeira é que Bella está acordada, pois está me fazendo o cafuné mais gostoso do mundo e a segunda é que eu estou todo quebrado e torto por dormir sentado de mal jeito, sentado na cadeira com a cabeça da borda da cama. O cafuné, porém, se torna um leve puxão, como que para chamar a minha atenção e me despertar. Abro os meus olhos de leve e encontro o semblante ainda meio pálido da minha moreninha.
— Oi moreninha! – Eu digo com a voz embargada de sono. – Desculpe ter dormido, eu...
— Edward, tudo bem... – Percebo Bella meio nervosa e olhando para a porta do quarto. O que me faz virar nessa direção e dar de cara com o meu pai ali nos encarando.
— Pai? Que faz aqui? – Eu me coloco de pé rapidamente, mas não tiro a minha mão da de Bella. Ela está nervosa, tudo que ela não precisa no momento.
— Eu fiquei sabendo que meu filho adentrou aqui com uma mulher em emergência. Fiquei preocupado. – Meu pai diz dando dois passos para dentro do quarto – Até que Jacob me pediu para te avisar que o obstetra estava chegando em uma hora, para eu ficar tranquilo que meu neto está bem! – Ele agora dá o sorrisinho. – Imagine o susto que eu levei?
— Pai, eu ia contar para todos, estávamos esperando um pouco... – Eu digo mexendo no meu cabelo, meio nervoso. Seu tom não é ruim, mas sei que ele está esperando uma explicação.
— Estava esperando o divórcio sair. Eu entendo filho, mas nós somos sua família, devia ter contado! – Ele diz e percebo um tom de mágoa.
— É que...
— A culpa foi minha, senhor Cullen. – Bella se pronuncia – Eu pedi a Edward que não contasse. Eu... estava com medo que não aceitassem muito bem a mim, ou o bebê... pedi para contarmos depois que estivéssemos divorciados... livres de vez. – Bella cora emocionada e meu pai se aproxima dela.
— Isabella, né isso?
— Só Bella, por favor.
— Certo. Bella, Edward te ama e está mais feliz do que nunca com você. Como não lhe aceitaríamos? – Ele fala e eu sorrio automaticamente por ouvir isso de meu pai. – Claro que as circunstâncias não foram as melhores, mas o importante é daqui em frente. E quanto ao meu neto, se prepare para o avô mais coruja do mundo! – Ele diz e todos rimos. Vejo o olhar de Bella lacrimejar. Ela faz um movimento para levantar.
— Não, amor. Não faça esforço! – Eu digo – Digo o que quer que eu trago ou faço para você.
— Afinal, o que aconteceu, filho?
Eu conto brevemente o que houve e que por isso precisamos da avaliação do obstetra para saber com mais certeza se está tudo bem. Ouço Bella fungar e engolir o choro.
— Ei linda, vai ficar tudo bem. Vamos passar por isso juntos. – Eu digo e lhe dou um selinho que faz Bella corar por ser na frente do meu pai. – Bom, acho que tenho que te apresentar formalmente, né? Pai, Isabella Swan, minha noiva. Moreninha, este é o meu pai, Dr Carlisle Cullen.
Ambos sorriem e se cumprimentam
— Pai, preciso te pedir para não contar nada para a mamãe. Não quero preocupá-la e Bella precisa se recuperar antes de conhecer toda a família assim. – Eu digo e ele assente.
— Filho, vai ser muito difícil esconder isso de sua mãe...
— Só até o sábado. Jantaremos em casa e levarei Bella. Assim contamos tudo. – Eu digo confiante – Minha audiência com Lauren será na quarta, a de Bella foi ontem... está sendo uma semana intensa para nós.
— Está bem, filho, mas não demore muito. – Meu pai me dá um abraço firme. – Somos sua família e queremos estar ao seu lado. – Ele se vira para Bella – E você já faz parte desta família, não tenha medo.
Depois disso, ele se despede de nós e volta ao seu trabalho.
— Agora sei porque você é tão perfeito assim, s eu pai é um homem incrível! – Bella diz admirada.
— Sim, sempre busquei ter o caráter igual ao dele. Porém espere até conhecer dona Esme, aí você verá de onde veio tanto charme e beleza!
Ficamos conversando um pouco até que, enfim, o obstetra chega e realiza alguns exames com Bella. Eu acompanho tudo, apesar de não ser minha área de especialização, sou médico e consigo acompanhar tudo o que ele faz com mais destreza. Logo ele nos libera, dizendo estar tudo bem com Bella e meu filho, porém indica uma ultrassonografia para a próxima semana, quando terminar o prazo da medicação. Com isso somos liberados para casa.
Bella faz repouso nos próximos dias. Por não estar trabalhando, isso se torna mais fácil. Eu tenho uma longa folga de 24h depois do plantão e passamos praticamente o dia seguinte deitados na cama. Logo a quarta feira chega e eu me encaminho para a minha audiência acompanhado de Victória. Bella queria vir me dar apoio, mas nem precisei falar muito para ela entender que não faria bem nenhum.
Depois de um bom drama inicial, um acordo foi firmado. Dividimos todos os nossos bens de forma igual, o que era o justo, mas não foi o que Lauren queria. Ela lutou até o fim por uma espécie de indenização moral, mas Victoria rebateu todas as alegações dela com maestria. No final, ela teve que aceitar o que era justo e pronto. Ficou acertado que venderíamos o nosso apartamento e o valor seria dividido. Cada um ficou com seu carro e as aplicações também foram divididas de forma igual.
Respiro fundo quando atravesso a porta do fórum, me sentindo mais leve e até mais novo. Saco meu celular e sorrio ao ouvir a voz da minha moreninha.
— Acabou, amor. Somos os dois livres agora!
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