Tempestade
3 Corra!
Notas iniciais
—– Entre, querida. Apenas não repare na bagunça. Sente-se aqui. –– Thelma tirou uma caixa de cima do sofá.
—– Mãe, o que são todas essas caixas? –– Elas estavam em todos os cantos do pequeno apartamento.
—– Ah, isso é... –– De repente, as feições sorridentes de Thelma tornaram-se hesitantes.
—– O que foi? –– Catherine se preocupou com a mãe.
—– Bom, eu conheci alguém e ele está vindo morar comigo. –– Sua mãe explicou em um só fôlego.
—– Nossa! –– Cathy não conseguiu esconder o choque, mas tentou se recompor. –– Isso é muito bom, mamãe.
Thelma a olhou. Parecia surpresa.
—– Você está falando sério?
—–Claro, não é porque o papai morreu que você não pode mais ser feliz. –– Ela estava sendo sincera, tudo que queria que Thelma encontrasse sua felicidade. Ela merecia, principalmente depois de tudo que passaram.
—– Muito obrigada, Cathy. Eu tive tanto medo que você ficasse brava comigo.
Catherine franziu a testa. Não conseguiu entender o motivo de sua mãe temer que ficasse brava, ela não era esse tipo de pessoa.
—– Então, quem é ele? –– Perguntou, curiosa.
A próxima hora passou rapidamente, com Catherine ouvindo sua mãe falar animadamente sobre Aaron, seu namorado. Ele trabalhava na mesma empresa que sua mãe e tinha um filho da mesma idade que Catherine. Ela se sentiu contente ao ver que Thelma estava superando a morte de seu pai. Ao menos ela estava.
—– Mãe, eu estou com problemas. –– Ela interrompeu Thelma, quando ela contava pela terceira vez seu primeiro encontro com Aaron.
Thelma a encarou, surpresa com a interrupção. Rugas de preocupação formaram-se em sua testa.
—– O que está havendo?
—– Austin Mason voltará para Blue Sky na segunda-feira.
Thelma arregalou os olhos e abriu a boca duas vezes parar falar algo, mas nada parecia certo.
—– O que eu faço agora, mãe?
—– Cathy, eu não sei. –– Thelma apertou os olhos. ––Tente ficar calma, talvez as pessoas nem se lembrem mais e...
—– Elas se lembram.
—– Não há nada que possamos fazer, querida. Não há como impedir Austin de voltar para a cidade apenas porque ele é seu ex-namorado.
—–Talvez eu pudesse vir morar com você por um tempo. –– Cathy sugeriu.
Thelma demorou antes de falar:
—– Filha, isso não será possível agora. Falta apenas um ano e meio para você se formar, em dezembro eu voltarei para casa e...
—– E seu namorado virá morar aqui, então eu vou atrapalhar. –– Catherine disse rispidamente. –– Mas, enquanto você está recomeçando sua vida, eu ainda sou a vadia de Blue Sky! –– Ela se levantou, o sangue pulsando em todos eu corpo.
—– O que é isso? –– Sua mãe também se levantou.
Catherine andou rapidamente até a porta, sentindo o mundo ao redor girar.
—– Espere, volte aqui agora! –– Thelma tentou impedi-la de sair.
Mas Catherine já tinha atravessado a porta. Ela desceu as escadas correndo, passou pela portaria e saiu para a noite de Saint Paul.
Cathy estava nervosa. Só queria uma chance de recomeçar, deixar a sombra de Blue Sky para trás e mudar de vida. Geralmente, Cathy não tinha um comportamento explosivo. Não queria ter brigado com sua mãe. Por que Thelma simplesmente não a ajudava?
Os olhos de Catherine estavam cheios de lágrimas, mas ela se recusava a deixá-las cair. Tinha que aguentar apenas mais um ano e meio, então iria para a faculdade e esqueceria completamente Blue Sky.
Foi só quando sentiu cheiro de fumaça e viu um rapaz fumado e olhando-a que Catherine percebeu que estava em uma parte de Saint Paul que não gostaria de conhecer. Ela começou a andar mais rapidamente. Sabia que era mais sensato dar meia volta e ir para casa, mas não queria passar pelo rapaz que a encarou e seu orgulho ainda estava ferido para ver sua mãe.
—– Ei, menina! O que você está fazendo na rua tão tarde?
O coração de Catherine acelerou e ela olhou parra trás apenas por tempo suficiente para constatar que a voz era do homem que estava fumando e encarando-a segundos antes.
Cathy estava definitivamente encrencada. Só os dois estavam naquela rua. Então, ela fez o que qualquer pessoa faria: correu.
Correu e correu como se sua vida dependesse daquilo. E, talvez dependesse.
Seus batimentos cardíacos ainda mais rápidos que os pés de seu perseguidor, que estava se aproximando. Ela já estava sentindo que seus pulmões não aguentariam por muito tempo quando o som de passos atrás de si cessou. Ela respirou, aliviada.
Mas o som que substituiu o dos passos foi muito pior. Um grito ensurdecedoramente angustiado ecoou naquela rua deserta.
Catherine não tinha noção de quanto tempo levou até que teve coragem de olhar para trás. Assim que o fez, se arrependeu.
O homem que a estava perseguindo jazia no chão. Seus olhos petrificados em uma última expressão de choque. Apenas naquele momento, Catherine notou que ele tinha no máximo vinte anos. Não havia ninguém na rua, então como...? As pessoas não caiam e morriam assim, abruptamente. Mas, e se ele não estivesse morto? Poderia ser um truque para enganá-la. O jovem conseguiria fingir a expressão medonha e tamanha palidez? Ou talvez ele tivesse só desmaiado.
Cautelosa, Catherine abaixou e encostou dois dedos no pescoço do rapaz. Ali não havia nem um sopro de vida. Ela levou a mão à boca para impedir-se de gritar.
O que faria agora? Ligaria para a polícia e diria que um jovem que estava atrás dela simplesmente caiu morto? Seu celular estava no apartamento de Thelma e ela nem sabia em que rua estava.
Cathy levantou e foi se distanciando cada vez mais do corpo. Suas pernas pareciam feitas de gelatina e pela segunda vez no dia, não sabia ao certo para onde estava indo.
Ela andou por aquelas ruas frias e escuras. Não lutava mais contra o medo O sentimento havia sido substituído pelo torpor.
Estava louca? Poderia ter imaginado tudo aquilo? Tudo tinha acontecido tão rápido... Se contasse à alguém, o que a pessoa pensaria? Mas, para quem contaria? O que ela estava pensando quando resolveu sair sozinha e à noite em uma cidade que não conhecia, se deixando guiar pela raiva? Catherine tinha tantas dúvidas que pensou que sua cabeça fosse explodir.
O bairro que Cathy estava parecia mais acolhedor e residencial que o anterior. Decidiu bater em alguma casa e pedir para usar o telefone. Seria humilhante chamar sua mãe para resgatá-la, mas melhor do que passar a noite na rua.
Cathy tocou o interfone de uma casa com portão preto. Ninguém atendeu. Tocou mais duas vezes, quando uma voz masculina sonolenta respondeu:
—– Quem é?
—– Boa noite. –– Cumprimentou. –– Eu estou perdida. Será que posso, por favor, usar seu telefone?
—– Você está de brincadeira? –– A voz grossa perguntou. –– Já passou da meia—noite. Saia daqui agora, senão eu chamo a polícia.
—– Espera! –– Catherine pediu, mas o homem já tinha desligado.
Ela passou as mãos no cabelo nervosamente, pensando no que poderia fazer. Estava assustada e com muito frio.
Em Blue Sky, ninguém gostava dela, havia um serial killer e Catherine recebera uma coroa de flores com seu nome, um bilhete estranho e uma ligação misteriosa, mas de repente, ela se viu sentindo saudade de sua pequena cidade, onde era impossível se perder.
Resolveu andar até encontrar um telefone público. Não poderia ficar mais perdida do que já estava. Os pensamentos dela foram interrompidos por uma música estrondosamente alta.
Catherine olhou ao redor, curiosa. Talvez fosse uma festa. Ela poderia pegar um celular emprestado e ir para casa. Andou o mais rápido que suas pernas permitiam. Só parou quando avistou um letreiro brilhante que dizia:
VI BATALHA DE BANDAS
Um segurança taciturno bloqueava a porta.
—– São vinte dólares. –– Ele disse para Catherine.
—– Oh, não. Eu não quero entrar. Só preciso fazer uma ligação.
—– São vinte dólares.
—– Para fazer uma ligação? –– Cathy sorriu, esperando que o guarda risse de sua tentativa de piada. Ele não riu. –– Por favor, eu estou perdida e...
—– Garota, ou paga ou saí da fila.
—– Nem há uma fila! — Ela exclamou, olhando para trás.
—– Exatamente, não há, porque o horário máximo de entrada era até meia-noite, ou seja, eu nem deveria estar falando com você.
—– Você não tem um celular?
O guarda bufou.
—– Olha aqui, eu estou perdida nessa droga de cidade e tinha um homem correndo atrás de mim e ele morreu. Do nada! Eu acho que alguém o matou, mas não havia ninguém na rua, então...
—– Respira. –– O guarda a interrompeu. –– O que você usou?
Catherine o encarou, pasma.
—– Eu não sou drogada! –– Ela exclamou.
O guarda bufou, impaciente. Catherine levou a mão ao bolso de sua calça jeans. Tudo que ela tinha eram cinco dólares.
—– Que droga!
—– Ah, pelo amor. Não sei se essa sua história é verdade, mas se não for, pelo menos, você tem muita imaginação. Ou está muito drogada. Sinceramente, estou sem paciência para lidar com adolescentes, ainda mais com adolescentes drogados. –– O guarda fez uma cara de desprezo. –– Então, tem certeza que quer entrar aí?
—– Não, eu já disse que só quero que você me empreste seu celular.
—– Ah, eu não tenho um. Essa coisas são para jovens e alienam o cérebro. Entre, faça sua ligação e saia rápido. –– Ele disse, dando-lhe passagem. –– Boa sorte.
—– Muito obrigada.
Lá dentro, Catherine pensou que seria varrida pela multidão. Muitas pessoas se abarrotavam no pequeno espaço. As pessoas eram jovens, estavam bebendo, rindo e pareciam selvagens.
Sentiu-se completamente deslocada. De qualquer forma, estava ali apenas para fazer uma ligação.
—– Com licença.
Ela cutucou uma garota de longos cabelos escuros, que se virou imediatamente.
—– Eu preciso de um... –– A voz dela foi cortada pelo som de um homem falando ao microfone:
—– Recebam agora a última banda a se apresentar esta noite. –– Ele fez uma pausa. –– Pode entrar, Gum in the Hair.
Catherine revirou os olhos ao ouvir o nome da banda. Era estranho e excêntrico. A multidão explodiu em gritos e aplausos. Todas as luzes foram apagadas, restando apenas uma que iluminava o palco. Cathy sentiu um ligeiro pânico ao ficar no meio de tantas pessoas, sem poder vê-las.
A banda começou a subir no palco. Eram quatro membros, que se posicionaram com seus respectivos instrumentos. Por um segundo, todo barulho cessou e ninguém parecia respirar. O acorde de uma guitarra irrompeu no silêncio. Havia alguma coisa extremamente familiar no modo que o vocalista—guitarrista se movia e quando ele começou a cantar, Catherine reconheceu a voz rouca imediatamente. Era Fred Sartre.
Mas, não podia ser. Catherine pensou que estivesse imaginando coisas. Foi abrindo passagem entre as pessoas até que chegou bem perto do palco. Com certeza era ele. Fred parecia diferente da última vez que ela o tinha visto, na quinta-feira. Mais selvagem e à vontade. Estava usando uma camiseta preta e calça da mesma cor.
A música tinha uma batida frenética e letra pesada que combinava perfeitamente coma voz de Fred.
Ele olhava fixamente para frente, parecia extasiado e absorvido pelo momento. De repente, seus olhos se voltaram para Catherine, o choque passou pelo seu rosto, depois ele relaxou e sorriu.
Se alguém pedisse que Cathy repetisse algo da música, não saberia sequer uma palavra. A única coisa que tinha consciência era que Fred estava bem ali, olhando para ela com seu sorriso debochado.
—– Valeu, galera. Torçam por nós. Boa noite! –– Fred agradeceu.
A música tinha acabado tão bruscamente quanto começara. Só então Catherine percebeu que não tinha respirado enquanto Fred cantava.
O mesmo homem que tinha falou ao microfone mais cedo voltou, dizendo:
—– E essa foi a última banda da noite. Nós vamos computar os votos dos nossos jurados –– ele apontou para uma mesa lateral com três homens –– e já voltamos. Enquanto isso, aproveitem!
Uma música agitada começou a tocar. As pessoas estavam dançando animadamente, Cathy perdeu a conta de quantas vezes foi acotovelada. Suspirando andou até o bar onde um casal conversava. Seria mais fácil pedir ajuda ali.
—– Oi. –– Ela disse para a garota de cabelo pixie.
—– Oi! –– A garota sorriu.
—– Eu preciso ir embora, mas estou perdida e...
—– Ir embora? Querida, é apenas uma hora e ainda nem anunciaram o vencedor. –– Ela falava alto e gesticulava. –– Você está sozinha?
—– Sim, mas...
–– Fique com a gente. –– A garota interrompeu. ––Eu sou a Ellie e esse é o Peter. –– O garoto loiro acenou.
—– Não, você não está entendendo. Eu estava andando e me perdi. Preciso ir para casa agora ou minha mãe vai me matar.
—– Mas, você já saiu. Então, por que não aproveita? –– Ellie se debruçou na bancada do bar. –– Ei, Michael traz uma bebida para nossa amiga aqui.
—– Cadê a identidade? –– O barman perguntou.
—– Você tem identidade falsa, certo? –– Ellie sussurrou para ela.
—– Eu não trouxe identidade! Eu saí para tomar um ar fresco, um cara começou a me perseguir e acabei me perdendo. Só quero que alguém me empreste a droga de um celular! –– Catherine explodiu.
—– Nossa, a garota é maluca. –– Michael riu. –– Toma, você está precisando, mas não conta para ninguém. –– Ele disse, enquanto lhe entregava uma garrafa.
—– Você tem namorado? –– A morena perguntou. –– Peter está solteiro.
—– E não preciso que seja minha cupido, Ellie.
Catherine só queria ir para casa e entender tudo que tinha acontecido, mas ninguém parecia disposto a ajudar.
—– Sejamos sinceros, Ellie, você não tem muito talento para cupido. –– Catherine pulou quando ouviu uma voz atrás de si.
—– Meu Deus, Fred! Você a assustou. –– Ellie exclamou. –– Tudo bem, querida?
—– O que você está fazendo aqui? –– Cathy questionou Fred.
Seus cabelos estavam mais bagunçados que antes e seus olhos tinham um brilho intenso. Uma garota alta de cabelos vermelhos e um decote gigante se agarrava ao seu pescoço.
—– Eu te conheço? –– Ele a olhou com a sobrancelha que tinha o piercing levantada.
Catherine não respondeu. Apenas o encarou.
—– Ah, você é a garota da aula de História. –– Ele lembrou após um momento. –– Kate?
—– Cathy. –– Corrigiu.
—– Você está um pouco longe de casa, não é? –– Fred comentou com um sorriso quase malicioso.
—– Estou visitando minha mãe. –– Catherine deu de ombros.
—– Ela mora aqui em Saint Paul?
—– Sim.
—– Você mora com seu pai em Blue Sky?
—– Não, meu pai morreu. –– Ela engoliu em seco.
—– Sinto muito. –– Ele parecia sincero.
—– Obrigada.
—– Então, com que você mora?
—– Com minha avó. –– Catherine mentiu rapidamente. Por algum motivo, não parecia uma boa ideia contar à Fred que vivia sozinha. Sempre que se encontravam ela se sentia em uma entrevista. Parecia que Fred estava constantemente avaliando-a. –– E você, o que está fazendo aqui?
Cathy queria acusá-lo. Não era estranho que ele estivesse na mesma cidade e lugar que ela?
—– Nós viemos parar a Batalha de Bandas.
—– É o evento mais esperado do ano. –– Ellie disse.
Fred tirou os braços da ruiva de seu pescoço.
—Valerie, chame Spike, Jimmy e Peter. Acho que Cathy os conhece.
Valerie atendeu prontamente, saindo para procurá-los.
— Você não os conhece. Eles são de Richfield. Eu só preciso respirar. — Fred explicou, passando a mão no pescoço, vermelho. — Sério, Elleanor, a próxima vez que for me apresentar à alguém, por favor, que não seja uma louca grudenta com tendências obsessivas e que fala com voz de criança.
Ellie riu.
—– Você não presta, Fred! –– Ellie tentou parecer séria, mas riu novamente. –– Ah, outro dia ela me mandou uma mensagem assinado como Sra. Valerie Sartre. Eu vou ser sua madrinha, certo?
—– Nós não vamos casar. Na verdade, não é ela que eu quero agora. –– Fred piscou para Catherine que corou fortemente.
—– Nossa, eu adoro essa música. Vem, Peter vamos dançar.
Ellie e Peter saíram, deixando-os sozinhos no bar. Um silêncio estranho pairou sobre eles. Cathy estava olhando para frente, mas sentia os olhos de Fred nela, o que a deixava completamente desconfortável.
—– Como uma garota do seu tipo veio parar nessa espelunca? –– Ele quebrou o silêncio.
—– Eu estou perdida.
Ela virou o rosto para ver um Fred confuso. Cathy reparou que, naquela luz, os olhos dele pareciam ainda mais escuros.
—– Briguei com minha mãe, então eu sai para andar um pouco. O problema é q eu acabei andando demais –– Explicou, sentindo-se patética. –– Aliás, você pode me emprestar seu celular?
—– Por quê? –– Ele arqueou as sobrancelhas.
—– Para eu ligar...
—– Para a mamãe e pedir que ela venha te resgatar? –– Fred interrompeu. –– Pelo amor, mantenha sua rebeldia, Catherine!
Ele estava zombando dela, o que a deixou completamente irritada.
—– Isso não é engraçado. –– Ela repreendeu.
—– Falando sério agora, não ligue para sua mãe. –– A expressão dele tornou-se suave. –– Eu te levo.
—– O quê? –– Foi a vez de Catherine ficar confusa.
–– Eu te levo para casa. –– Fred repetiu, pausadamente.
—– Como?
—– Obviamente voando, Catherine.
—– Ah! –– Ela se sentiu idiota. –– Você tem um carro?
—– Quase isso. –– Ele sorriu.
—– Eu não vou te atrapalhar?
—– Apenas espere anunciarem o vencedor da batalha. Enquanto isso, relaxe um pouco. Você parece assustada. –– Fred disse, pegando duas garrafas e entregando uma delas à Cathy.
—– Eu não bebo. — Ela dispensou.
—– Por quê?
—– Eu tenho uma espécie de regra. –– Disse Catherine evasivamente.
—– Nunca te disseram? –– Fred franziu a testa.
—– O quê?
—– Regras são feitas para serem quebradas.
Catherine sorriu. Ela pegou a garrafa. Não entendeu como cedeu tão facilmente. Talvez fosse a obstinação nos olhos dele.
—– Um brinde à liberdade. –– Fred disse e eles beberam juntos.
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