Tempestade
1 Prólogo.
Notas iniciais
— Você e o Jason estiveram juntos por dois anos. Foram considerados uns dos casais mais bonitos do show business. Você ainda gosta dele? Você se vê com ele em um futuro próximo?
— Faz um ano que eu respondo a mesma pergunta, as pessoas parecem não entender que isso não vai rolar. Às vezes isso cansa.
Percebi que a apresentadora estava surpresa pelo jeito que respondi. Eu não queria parecer mal educada e sabia como funcionavam as coisas: Qualquer resposta que desse margem para uma suposta má educação vinda de mim seria assunto para uma semana inteira de capas de tabloides.
Respirei fundo.
— Me desculpe, eu não queria parecer mal educada ou algo do tipo. Só quero dizer que eu sempre respondo essa pergunta e seja o que eu for responder, vão continuar perguntando o mesmo.
— As pessoas se interessam por vocês dois. Tem algo de errado nisso?
Suspirei. Ultimamente parecia que a imprensa estava esperando qualquer deslize para falar mal de mim.
— Não há nada de errado nisso, mas eu já estou em outro relacionamento e ele têm andado com outras garotas, como sempre. Ele foi muito importante na minha vida, mas eu estou feliz com o Wayne.
Mentira. Wayne é como a areia movediça: Quanto mais eu me debato, mais ele me prende e sufoca. Eu não o amava mais, nem sei se um dia cheguei a amar ele de verdade, mas ele me fazia tanto mal e eu não entendia o porquê de não conseguir sair disso.
— Você precisa de um tempo?
A voz dela me tirou da minha gaiola de pensamentos.
— Sim. Só alguns minutos.
Ela assentiu. Levantei da cadeira e fui direto ao banheiro. Respirei fundo uma, duas, três vezes até que me sentisse melhor. Levantei a cabeça e me olhei no espelho, um reflexo cansado mentalmente de mim mesma se materializou assim que olhei para o objeto. Os altos e baixos haviam me derrubado.
Sempre me disseram que experiências ruins nos enriqueciam se soubéssemos tirar coisas positivas delas, que precisávamos sofrer para podermos crescer internamente, tipo aquele ditado que diz que depois da tempestade vem a bonança. Eu sempre odiei esse ditado. Acredito que algumas coisas ruins são importantes para o nosso crescimento sim, mas se o propósito da minha vida era passar por todas as coisas que passei para aprender alguma maldita lição de moral, eu estava pronta para desistir de tudo.
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