Temos Que Conversar Sobre O Kevin
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Agradecer a Gio de novo por betar o capítulo!
Algumas mudanças radicais, alguns detalhes sobre a origem de Kevin.
Sem retorno dos lobisomens, Stiles acomodou Kevin em sua cama e deitou com ele para passar a noite. Derek se aconchegou aos dois, o calor de seu corpo ajudando a trazer um sono reparador tanto para a criança quanto para Stiles.
Quando a manhã chegou, Stiles saiu da cama, passando por cima de Derek e puxando Kevin consigo, já que o rapazinho tinha os olhinhos bem abertos. Desceu com ele as escadas e foi até a cozinha, preparar a mamadeira.
Kevin parecia faminto e Stiles ainda teve que lhe dar um biscoito depois do leite para que ele parecesse satisfeito. Subiu para seu quarto novamente para trocá-lo e vestiu outra das calças de moletom que Derek havia comprado.
O estranho é que desta vez ele não precisou dobrar a barra da calça. Ela parecia servir perfeitamente. Só então Stiles reparou que os cabelos de Kevin pareciam uns dois dedos maior e no lugar dos dois dentinhos solitários, ele exibia um sorriso com pelo menos cinco dentes.
- Que porra é essa? – murmurou para si mesmo, colocando o menino sentado sobre o tapete.
E quando Kevin se apoiou em suas mãozinhas e ficou de pé, dando uma pequena corridinha desengonçada até a cama e subindo para pular em Derek, ele gritou por seu pai. O xerife atravessou o corredor o mais rápido que seu sono permitia, entrando no quarto de Stiles observando Derek completamente atordoado com o rapaz de agora 1 ano e meio, que pulava animado em sua barriga.
- O que foi? – o xerife perguntou, olhando por todo o quarto até notar o quanto Kevin tinha mudado em uma noite.
- Kevin? – Derek esticou os braços e ergueu o menino ao colo, levantando da cama, encarando Stiles como se pedisse uma explicação.
- Derk! – Kevin exclamou, batendo as mãozinhas no rosto do lobisomem.
- Ele sabe seu nome! – Stiles parecia surpreso.
- Ele sabe falar! – o xerife pontuou, preocupado – O que está acontecendo aqui?
- Isso é uma pergunta muito justa. – Stiles murmurou, sem conseguir pensar em nada.
Os três reunidos na sala da casa dos Stilinski observavam o menino que parecia distraído com um desenho na TV. De fato Kevin havia crescido o equivalente a seis meses em apenas algumas horas e isso era mais uma peça bizarra no quebra-cabeça que envolvia o aparecimento do menino.
Ninguém se atrevia a falar, já que toda ideia pareceria absurda diante da situação. Até que Stiles esfregou os olhos, cansado, e sugeriu:
- Se não temos o que fazer, vamos procurar o óbvio. Acessar nossa wikipedia de coisas sobrenaturais.
- Deaton? — Derek ergueu a sobrancelha enquanto indagava.
- Deaton!
O veterinário ficou bem uns quinze minutos em silêncio, observando as reações de Kevin. O rapazinho, por sua vez, pareceu encantado com os animais da clínica, esticando os bracinhos para tentar pegar principalmente os cachorros que estavam nas gaiolas.
- Xerife, o senhor pode colocar a placa na porta, por favor? — Deaton pediu, o homem imediatamente atendeu ao pedido, trancando a porta da frente — Ótimo. Vou precisar examinar o Kevin. Stiles, pode trazer ele aqui pra dentro?
Stiles chamou Kevin e deu a mão para ele, andando com calma até o interior da clínica. Não se sentia a vontade com a ideia de levar o pequeno para ser examinado lá dentro. Suas experiências naquela sala não eram das mais agradáveis.
Deaton cobriu a mesa de alumínio com um lençol azul claro e indicou que deveriam colocar a criança sentada ali. Stiles o fez, mas não se afastou, ficou ao lado de Kevin, segurando seus pés, cobertos agora por uma meia antiderrapante.
- Tirem as roupas dele e o deixem apenas de fralda. — Deaton pediu, enquanto buscava o estetoscópio.
Derek tirou a camiseta de Kevin e Stiles o segurou sobre a mesa para que o lobisomem puxasse a calça de moleton. O menininho ficou só de fraldas e chupeta, e parecia entender a seriedade da situação, porque quase não se mexia ou emitia qualquer ruído.
Deaton fez uma checagem básica nos batimentos cardíacos, mediu a temperatura, checou reflexos. Praticamente virou o menino do avesso.
- Ele não parece nada além de uma criança saudável. — informou o emissário, a expressão assumindo um ar confuso. Ele franziu a testa, um pensamento lhe passando pela cabeça — A menos que haja alguma coisa escondida...
Deaton passou uma das mãos pelos cabelos de Kevin, quase num gesto carinhoso se não fossem os dedos como se estivessem vasculhando entre os fios. Ele varreu a mão na cabeça do menino duas vezes até se deter num ponto, bem próximo à nuca.
- Segure a cabeça dele nessa posição, Derek. — ele ordenou enquanto buscava uma lupa na gaveta próxima à pia. — Deite-o, por favor.
Derek conseguiu colocar Kevin com a barriga voltada para baixo e o menino arrepiou com o frio que subia da mesa de metal, atravessando o lençol.
- Vai ficar tudo bem, campeão! — o lobisomem sussurrava para acalmar a criança, esfregando suas costas com a mão quente.
Deaton posicionou a lupa no lugar em que ele achou ser um pequeno caroço. Balançou a cabeça em sinal afirmativo e foi até o armário, tirando um vidro transparente, em que se viam lascas de madeira mergulhadas em um óleo avermelhado. Puxou uma delas com uma pinça e a esfregou na cabeça do menino.
Kevin começou a berrar de dor e se debater, enquanto Stiles sentia a própria cabeça queimando, seus olhos se enchendo de lágrimas e ele teria caído de joelhos se o xerife não lhe segurasse.
Deaton ainda insistiu mais um pouco, esfregando mais uma lasca de madeira na nuca de Kevin, até que jogou o material no lixo e, com a ajuda da pinça que ainda tinha em mãos, puxou uma espécie de larva de no máximo dois centímetros, marrom escura com estrias esverdeadas e três pares de espinho em cada extremidade do corpo viscoso.
Kevin parou de gritar e dava apenas suspiros cansados, enquanto Stiles respirava fundo e tentava firmar as pernas.
- O que é isso? — o xerife perguntou, querendo ver o que o veterinário tinha extraído de Kevin.
- Não faço ideia, John. — Deaton foi sincero — Vou precisar de um bom tempo para pesquisar. Por enquanto, vamos manter isso aqui na clínica, dentro de um frasco. E vocês mantenham Kevin em observação.
- E quanto ao Stiles? — o xerife perguntou, voltando para o lado do filho que ainda tremia de vez em quando.
- Ele também precisa de repouso.
Derek vestiu a roupa em Kevin e saiu da clínica, andando ao lado de Stiles, preocupado com o estado de saúde dos dois.
- Meu turno na delegacia já devia ter começado há meia hora. — o pai de Stiles falou.
- Não se preocupe. Levo os dois para minha casa. Tenho certeza que posso cuidar deles.
- Eu sei disso. Vejo vocês a noite e qualquer mudança me ligue.
Stiles permanecia calado, só falando quando entraram no carro do lobisomem e ele pediu para segurar Kevin enquanto Derek dirigia.
Assim que o menino foi para seu colo, Stiles sentiu-se bem melhor, as energias voltando aos poucos. Kevin, porém, caiu num sono tranquilo até chegarem ao apartamento de Derek.
- Vou colocar vocês dois na cama e depois preparar alguma coisa pra gente comer. – Derek declarou.
- Você na cozinha?
- Não. Quem falou em cozinha? Vou pedir uma pizza. Aliás, umas oito de uma vez porque daqui a pouco o pessoal estará aqui. Vai lá descansar enquanto isso.
Stiles não desobedeceu. Colocou Kevin no meio da cama grande no quarto de Derek, escorou o rapazinho com dois grandes travesseiros e foi para o banheiro. Queria um banho quente para tentar tirar de si as impressões ruins que teve na clínica.
Quando saiu do chuveiro, ouviu as vozes de Cora e Isaac questionando Derek sobre tudo o que tinha se passado desde que saíram a procura de pistas. Derek apenas pediu que esperassem até que todos estivessem juntos novamente, para que ele tentasse explicar apenas uma única vez.
O que não demorou a acontecer, já que em menos de uma hora a cozinha do apartamento estava lotada de lobisomens famintos, comendo pizza e falando de boca cheia sobre o quanto aquela tentativa havia sido frustrada. Apenas Scott obteve um sucesso relativo, conseguindo encontrar alguns artefatos estranhos no caminho que ligava a reserva natural de Beacon Hills à antiga mansão dos Hale.
Ele mostrou aos amigos o que achou e pegou com um pedaço da camiseta que rasgou no caminho. Eram pedaços de madeira de 8 centímetros, imitando bonecos, amarrados com uma corda rústica e penas coloridas.
Foi essa a hora que Stiles escolheu para aparecer na cozinha com Kevin, falando que o menino também merecia um pedaço de pizza. E a carinha sapeca do menino ali, de pé, dando seus passinhos incertos pelo apartamento fez todos se calarem.
- Toti! – Kevin bateu palmas e foi para o lado de Scott que o pegou no colo, sem entender.
- Esse é o Kevin? – Cora perguntou olhando de Stiles para Derek.
- Acho que podemos conversar agora. – Derek falou e chamou o bando para a sala, enquanto Stiles alimentava a criança.
Derek explicou que as mudanças aconteceram durante a noite e que depois disso foram atrás de Deaton. Quando terminava de contar sobre o que havia acontecido na clínica, o interfone tocou e Derek atendeu, surpreso com quem chamava. O veterinário estava ali, carregando consigo dois livros e o frasco com o verme que ainda se contorcia. Stiles se reuniu a eles com Kevin ao colo ainda mastigando um cookie.
- Descobriu alguma coisa? – Stiles perguntou, abraçando Kevin e acariciando a nuca no menino.
- Infelizmente sim. – Deaton estava mais sério do que de costume – Mas acho melhor conversarmos longe do Kevin. Precaução nunca é demais.
Scott se adiantou e pegou o menino do colo de Stiles e disse que eles podiam esperar pela explicação. O bando saiu para o quarto de Cora, deixando Stiles e Derek a sós com o veterinário.
Deaton colocou o frasco com o verme em cima da mesa e abriu um dos livros que trazia consigo, mostrando um desenho muito parecido com a criatura retirada da nuca de Kevin algumas horas mais cedo. Mas no desenho, o verme era maior e envolvia toda a cabeça de um homem.
- Isso é uma Thelina, um verme controlador ou dosador. – Deaton começou a explicar.
- Como assim, dosador? O que ele dosa? E o que ele controla? – Stiles ficou preocupado e curioso ao mesmo tempo.
- É complicado explicar, Stiles. Acreditava que esses vermes estavam extintos há muitos anos. Para você entender, pense numa pessoa no hospital que necessita de uma medicação a ser administrada num soro. Existe um aparelho que dosa o gotejamento do soro, para que o remédio seja absorvido pelo organismo.
- Então, o Kevin tomava alguma medicação mágica? Remover isso pode prejudicá-lo? – o tom de voz de Derek era receoso.
- Não, rapazes. As Thelinas não dosam remédios. Elas dosam feitiços e poções. Em geral, substâncias ou encantamentos feitos para controlar o corpo da pessoa infectada.
- Isso pode ser a causa do crescimento do Kevin? – Derek encarava o verme no frasco com repugnância.
- É bem provável. Mas só vamos saber se amanhã ele não acordar maior novamente.
- Deaton, Scott encontrou algumas coisas no caminho da mansão. – Stiles pegou a trouxa de pano com as lascas que o amigo havia levado para casa.
O emissário examinou com atenção as lascas de madeira, observou os outros materiais usados na confecção dos bonecos e até se arriscou a cheirar as cordas feitas de cipó fino.
- Acho que estamos lidando com algo mais sério do que podíamos supor. – ele sentiu os ombros pesarem com a gravidade da situação.
- Sabe o que são essas coisas? – Stiles torcia a barra da camisa, ansioso com tudo o que havia acontecido nos últimos dias.
- Sim. Isso é bruxaria, da pior espécie.
- Esses tronquinhos enfeitados com penas e cipós são tão perigosos assim? – o rapaz parecia descrente.
- Isso é mais do que tronquinhos. Isso é feito de Astronium, uma madeira sul-americana difícil de encontrar até mesmo no mercado negro já que ela não é encontrada na natureza há mais de cinquenta anos. Essas amarrações são firmes demais para serem feitas com cipó e pelo cheiro eu acredito ser raiz de Habenaria radiata, uma orquídea chinesa muito rara. E as penas, aposto em corvos. Tudo se volta para o pior tipo de bruxaria com toques de vodu.
- O que isso representa pro Kevin? Por que nele?
- Você está fazendo as perguntas erradas, Stiles. Não acredito que o feitiço tenha sido feito para atingir o Kevin. Acho que o Kevin era apenas um portador. Acredito mesmo que a pior parte do feitiço tenha sido destinada a vocês, ao seu bando.
Stiles e Derek trocaram um olhar confuso. Estavam em paz desde o fim do bando de Deucalion e nada até então parecia capaz de colocar em risco a segurança não só do bando, mas da cidade também.
- Diga-me, Derek, por acaso se lembra de alguém que pode querer o fim do seu bando? Alguém que odeie os Hale a ponto de apelar para magia negra da pior espécie e usá-la numa criança para afetá-los?
- Não! – o lobisomem exclamou, convicto – Não consigo pensar ninguém. Nossa família não tinha inimigos além dos caçadores e...
- Engano seu, meu mais estimado sobrinho! – a voz de Peter Hale encheu a sala, entrando pela porta que Deaton havia deixado aberta quando chegou – Existe uma pessoa que se encaixa perfeitamente na descrição do nosso emissário. Você era muito novo quando seus pais a enfrentaram pela última vez. Mas talvez se lembre do nome, considerado proibido, uma versão lupina de Voldemort — Peter tinha um sorriso carregado de mistério, ironia e um leve brilho de terror que nem Derek e nem Stiles já tinham divisado no olhar do mais velho dos Hale.
- Que nome é esse? – Derek perguntou, sentindo um frio lhe correr a espinha antes de ouvir a resposta.
Peter ergueu uma sobrancelha e, olhando diretamente para os olhos de Derek, respondeu:
- Katrina.
Notas finais
Mas e agora? quem é Katrina? O que essa pessoa tem contra os Hale?
Gente essa história está dando nós na minha mente.
Espero que vcs estejam gostando e me deixem saber disso!
Fale com o autor