Notas iniciais
Em primeiro lugar peço desculpas pela demora na atualização. Infelizmente minha cabeça não funciona em um ritmo linear e algumas vezes eu preciso deixar algum projeto de lado, me dedica a outro, até que a inspiração volte para poder concluir. É o caso desta fic. Acho que agora eu consigo terminá-la de um modo que me deixe satisfeita com o plot e espero que vocês também gostem.

Kevin não cresceu no dia seguinte. Pelo menos não da forma que todos temiam. Ainda assim não seria errado dizer que ele havia crescido sim, mas dentro do bando, no coração de cada um. E apesar de todo o mistério envolvendo o seu aparecimento e o temor pela presença de Katrina na cidade, algumas vezes eles simplesmente se deixavam curtir aquela nova sensação de família que se formou quando a criança passou a fazer parte de suas vidas.

E eles tiveram duas semanas de paz, enquanto Ethan e Aiden saíram da cidade para encontrar Deucalion e cobrar o favor que ele devia a Derek e Scott. Os gêmeos tentavam rastrear o ex-líder, mas mantinham contato com o bando em Beacon Hills e pediam imagens diárias de Kevin.

Naquele intervalo de tempo, eles mantinham uma rotina bastante doméstica, com Derek aprendendo a cozinhar para fazer mamadeiras e papinhas enquanto os mais jovens estavam na escola. Depois da aula, Stiles cuidava das roupas, Isaac dava banho e trocava as fraldas e Scott fazia as compras do supermercado, farmácia, açougue e padaria. E a noite, Cora cuidava de Kevin até a hora de dormir, quando o menininho arrastava seu lobo de pelúcia para a cama de Derek e se deitava entre ele e Stiles para dormirem os três.

Quando ele ressonava de um jeito mais profundo, Derek levantava e o colocava no berço que foi de Stiles e o xerife restaurou, disposto próximo à janela e decorado com lençóis azuis e um móbile de lua e estrelas.

Nos dias de sol, todos se reuniam no parque para brincarem com Kevin, ora de pega-pega, ora de bola. E riam das tentativas frustradas de Isaac e Scott tentando ensinar o rapazinho a entender e gostar de lacrosse.

Além disso, duas vezes na semana, a irmã de Derek se prontificava a ficar com o “sobrinho” mais tempo para que ele e Stiles tivessem um momento a sós.

Aquela era uma dessas noites, em que ele e Stiles puderam ir ao cinema e namorar depois. E ainda que Derek achasse desconfortável transar com seu namorado no banco de trás do camaro, preferia não arriscar fazer nada em casa, com Kevin por perto.

Eles acabavam de chegar ao apartamento, andando de mãos dadas, sorrindo apaixonados como sempre, mas tentando não fazer barulho para não incomodar a criança e Cora. Mas o lobisomem não estava preparado para o que viu: Kevin dormindo, agarrado ao lobo de pelúcia, sobre a barriga de Cora que também estava apagada no grande sofá da sala enquanto a TV estava ligada em algum canal infantil.

Stiles seguiu para dentro da casa, indo direto para o chuveiro. E vinte minutos depois, quando saiu de banho tomado e dentes escovados, indo buscar uma cueca no guarda-roupa de Derek que agora tinha tanto roupas de Stiles quanto brinquedos de Kevin, ele notou que seu namorado parecia estranho, olhando fixamente o berço de Kevin, mesmo sabendo que a criança não estava ali.

– O que foi? – perguntou, já vestido, abraçando Derek por trás e descansando sua cabeça no ombro do lobisomem.

– Eu quero o Kevin. – ele respondeu, com a voz ligeiramente embriagada.

– Tudo bem, também prefiro dormir com o barulho dos ronquinhos dele. Vou lá na sala busc...

– Não, Stiles! – Derek cortou e se virou de frente para o namorado, os olhos úmidos e a expressão mais tensa – Eu quero o Kevin. Não agora. Não para dormir esta noite no berço. Eu quero o Kevin com a gente, sempre.

– O que você está...

– Eu quero a família que a gente virou depois que o Kevin apareceu. Você reparou? Reparou que sei pai não se importa mais quando você dorme aqui? Ou que Cora sorri mais, e Isaac está cantando e falando em arrumar um emprego? E eu juro que vi ele de mão dada com Scott ontem, no parque. – Derek falava rápido, mas cada sentimento vinha do fundo de seu coração e, mesmo sem instintos lupinos, Stiles podia sentir a verdade por trás de cada palavra – O Kevin consertou a gente. Uma cola, é isso, ele é como uma cola que uniu as peças desse nosso bando.

– Uma família? – o filho do xerife indagou, pensativo – É isso o que somos agora, certo? Uma grande família estranha e feliz?

Derek apenas acenou com a cabeça e deu um sorriso tímido.

– Também quero o Kevin! – ele falou, finalmente, recebendo um suspiro de alívio de Derek – Também quero essa coisa toda que nós criamos a partir dele.

Derek o abraçou com força e enterrou o rosto em seu pescoço, respirando feliz e sentindo o coração de Stiles bater tão satisfeito quanto o dele.

***

Depois de quinze dias, Ethan ligou para Derek informando que estavam voltando naquela tarde. Os ânimos se exaltaram, já que o rapaz se recusou a contar por telefone como foi o encontro com Deucalion.

Era quase 7 da noite quando os gêmeos chegaram em suas motos. Tinham a expressão cansada da longa viagem, mas não aceitaram comer ou descansar antes de ver o garotinho e ganhar um abraço apertado cada um.

Depois que Aiden se sentou, tendo Kevin ao colo e Ethan aos pés, segurando o tornozelo do pequeno, eles finalmente deram a notícia que todos estavam esperando.

– Deucalion aceitou. – Aiden respondeu, mas seus ombros permaneciam tensos.

– Mas...? – Stiles pediu, sentindo um frio correr sua espinha.

– Mas ele quer ver o Kevin primeiro.

Todos ficaram em silêncio na sala, até que Derek se manifestou.

– Não!

– É a condição dele. – Ethan explicou – Ele quer ver o Kevin para ter certeza de que existe um motivo real para ligar a criança à Katrina. Disse que é arriscado demais até para ele se aproximar dela.

– É justo. – Peter ponderou.

– Não! Deucalion não vai chegar perto do meu filho, ok? – ele foi ríspido, tomando Kevin do colo de Aiden e se afastando para a janela, sem nem ao menos notar do que tinha chamado o pequeno.

– Derek, — Stiles foi atrás de Derek, puxando-o pelo ombro – Todos queremos proteger o Kevin! Nós concordamos com isso ontem a noite, ele é nosso. Não apenas seu. E Deucalion não vai estar sozinho com ele. Podemos marcar esse encontro num território neutro, onde todos estaremos presentes para proteger “nosso” filho.

O lobisomem ainda balançava a cabeça em negativa, envolvendo os braços ao redor do corpo pequeno e olhava inseguro para Stiles, com uma expressão que o filho do xerife nunca havia visto antes, frágil, intensa e temerosa.

– E se Stiles levasse o Kevin? – Cora sugeriu – Nós podemos ir junto, mas Stiles vai antes com o Kevin e faz um círculo de proteção com Mountain Ash para os dois?

Derek estreitou os olhos e pareceu pensar por um momento na ideia, até que Stiles decidiu, tirando Kevin dos braços do namorado:

– Parece perfeito. Podemos marcar no estacionamento da clínica. Acho que Deaton não ia se importar. Vou ligar para Scott e pedir para ele falar com o chefe enquanto um de vocês – ele apontou para os gêmeos – pode ligar e marcar com Deucalion. Podemos nos encontrar amanhã, por volta das 7 quando a clínica já vai estar fechada.

Stiles foi para dentro, dar banho em Kevin e coloca-lo para dormir e pelo resto da noite não deixou que Derek retomasse o assunto do encontro com o ex-líder do alfas. Apenas quando Derek se deitou a seu lado, horas mais tarde, é que o filho do xerife tornou a tocar no assunto, explicando:

– Sei como você está se sentindo, Der. Acredite quando digo que sei. Você tem todos os motivos do mundo para temer esse encontro por causa de tudo o que aconteceu ano passado, por causa do que aquele monstro fez você fazer com Boyd. – o lobisomem permanecia calado, ouvindo, mas estremeceu com essas palavras – Eu estava do seu lado naquele momento, se lembra? E eu senti o quanto aquilo doeu em você. Mas agora é diferente e nós vamos estar protegidos. Além disso, Deucalion é o único que pode nos ajudar a solucionar esse enigma de uma vez. E quanto antes a gente fizer isso, antes Kevin fica livre para ser realmente nosso filho.

Derek ainda não respondeu. Apenas suspirou, puxando Stiles para seus braços e ficou assim, até adormecer, ponderando os argumentos de Stiles.