Temores em tempos de guerra - Snames (completa)
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Sentado em uma cadeira de baloiço de madeira, Severus aconchegava o bebê em seus braços, enquanto observava a paisagem verdejante da Mansão Potter. Estava um belo fim de tarde, as árvores balouçavam de leve pelo vento primaveril.
O menino em seus braços se remexeu, sua boquinha fazendo alguns gestos de sucção, como se estivesse amamentando e Severus sorriu. Como seu filho era adorável. Uma combinação perfeita de seus pais: olhos cor de ônix, cabelo espetado para os lados como o de James, o pequeno nariz do formato de seu papai e os lábios iguais aos dele.
Tocou de leve na bochechinha rosada, sentindo a pele suave e cheirosa, típica de um bebê. Abraçou-o carinhosamente, enquanto murmurava uma canção de ninar. Esperava a chegada de seu companheiro. James era o chefe dos Aurors, o mais jovem dos ultimos 150 anos. Um dos cargos mais perigosos daquele tempo. Tinha substituído seu pai, que estava ficando demasiado velho para todas aquelas emoções.
Severus, mesmo estando escondido, sabia de todas as façanhas de James e tinha muito orgulho dele. Desde que Dumbledore que tinha revelado a Profecia, que envolvia Harry, que a família Potter estava escondida. Seu sogro, Fleamont, era o guardião secreto.
Tinham a ameaça de Voldemort sobre.eles, era extremamente desesperante não ter notícias de sua família, nem de seus amigos. Não podia receber correspondência de De não saber o que acontecia no exterior. Só tinha notícias através de James que, por vezes, trazia o "Profeta Diário" para ele ler. Sentia-se sozinho naquela enorme mansão, com a companhia dos elfos domésticos.
Suspirou, tinha saudades de sua mãe. Gostaria de vê-la mais uma vez, de vê-la segurar seu neto. Como sua mãe tinha ficado emocionada com o nascimento de Harry. Tinha-o segurado durante horas, enquanto lhe dava dicas de como cuidar de um bebê. Nunca tinha pensado que não a veria até hoje.
Passados alguns dias de ter dado à luz e de ter ido para a Mansão Prince, para ter uma ajuda de sua mãe e dos elfos domésticos, Dumbledore tinha-os avisado e dito que um Comensal tinha revelado uma profecia a Voldemort, que incluía seu filho.
Severus nunca tinha sentido tanto medo na vida por outra pessoa. Sempre soubera que sua mãe podia-se proteger das investidas de Tobias. Mas Harry era um bebê indefeso. Tão pequeno, mas que lhe tinha trazido tanta felicidade. Nunca iria conseguir viver sem seu menino. Amava-o mais que tudo, daria sua vida por ele.
Sentiu um vento agradável e ergueu-se da cadeira. Só queria James em casa. Entrou no quarto, um espaço largo e aconchegante, com uma cama king size, duas mesas de cabeceira. Um belo tapete persa decorava o chão de madeira e o enorme quadro de familía estava por cima da lareira. A primeira fotografia de família, tirada poucas semanas depois de dar à luz.
Deixou escapar um sorriso ao ver sua felicidade. Se não fosse a guerra, a pressão de estar escondido, seria o homem mais feliz do mundo , com o bebê mais lindo e o companheiro mais carinhoso. Como os amava. Nunca se arrependeria de ter aceitado o pedido de namoro de James.
Saiu do quarto e desceu as escadas. Viu que seu companheiro ainda não tinha regressado e se dirigiu para o jardim. Os elfos tinham colocado mesmo no centro uma mesinha retangular e duas cadeiras de madeira. Iriam ter um jantar ao ar livre, só os três. Como uma família.
Olhava distraidamente para Harry, como seu bebê dormia tão tranquilo. Sentou-se esperando sua chegada. James estava atrasado. Não gostava quando ele se atrasava, pensava sempre no pior.
Harry se remexeu, as pequenas pupilas estremeceram e se abriram, revelando uns brilhantes olhos ônix. Seus olhos. Os mesmos que os de sua mãe e de todos os antepassados da família Prince.
— Oi, meu amor. — Falou, baixinho, tocando em suas bochechinhas rosadas — Teve um bom soninho?
Harry deixou escapar uma risadinha e Severus deu beijo em sua testa. Não se tinha apercebido da presença de James, que tinha acabado de chegar. Tinha acabado de entrar no jardim e observava como Severus embalava seu filho. O filho de ambos. O maior tesouro que alguma vez poderia ter desejado. Com Harry, tinha aprendido realmente o que era amar incondicionalmente, sem reservas. Daria sua vida por eles.
Avançou calmamente, fazendo algum barulho, para que Severus não se assustasse e lhe lançasse uma maldição. Não queria ir para St. Mungus naquela noite. Tinha acabado de sair do hospital, depois de levar um colega, que tinha sido atacado por um Comensal da Morte. Felizmente, tinha sobrevivido, mas teria de ficar algumas semanas em observação.
Passou a mão pelo cabelo, despenteando-o ainda mais. Estava cansado, tinha sido um longo dia. Só queria estar com sua família. Severus olhou por cima do ombro e, ao vê-lo, sorriu e levantou-se. Aconchegando Harry em seus braços, falou:
— Veja, Harry. — Seu filho olhou para ele e sorriu — Papai chegou.
O coração de James se derreteu com tanta ternura. Harry era sua imagem, seus cabelos revoltos e seu rosto rechonchudo, tal como quando tinha sido em criança. Mas os olhos pertenciam a Severus.
— Boa noite, meua amores. — Viu como os olhos de Severus brilharam em sua direção, de felicidade ao vê-lo e alívio por perceber que estava bem. Se aproximou deles e beijou a testa de Harry, seu filho abanando o pequeno corpo e fazendo sons animados. Trocou um selinho com Severus, que comentou:
—Você se atrasou. — Sentaram-se em redor da mesa — Está tudo bem?
— Sim. — Tentou, não queria que ele se preocupasse — Estive no gabinete terminando alguns relatórios de ultima hora. Tinha de os entregar amanhã e não queria trazer trabalho para casa.
Severus acenou, enquanto os elfos traziam travessas com o jantar e pousavam em cima da mesa. Havia um pouco de tudo: uma pequena travessa com arroz branco, outra com batata frita. Uma travessa maior com cabrito e uma pequena com legumes. Uma refeição simples.
Um elfo pousou dois copos com suco de abóbora à frente de cada um. James começou por servir seu companheiro, que embalava Harry. Severus sorriu-lhe em agradecimento, antes de começar comendo. James se sentou e se serviu de imediato. Estava esfomeado. Severus não estava habituado a ser servido por elfos domésticos e James preferia servi-lo. Era seu companheiro, quem tinha dado à luz seu herdeiro. Gostava de mimá-lo de vez em quando. Comeu um pouco de tudo.
Conversaram um pouco sobre o que estava acontecendo no mundo bruxo. Voldemort continuava com seu reinado de terror, pessoas desapareciam todos os dias. St. Mungus estava cheio de feridos e apareciam famílias massacradas, torturadas dentro de suas casas.
Temia que Voldemort os encontrasse. Sabia que sua cabeça estava a prêmio, principalmente por ter recusado entrar no círculo interno dos Comensais, por ter recusado ser seu pocionista particular e por ser um membro da Ordem.
James era o inimigo nº 1, por ter recusado segui-lo quando um de seus Comensais lhe fez a proposta, por pertencer à Ordem da Fênix e ser chefe do Departamento de Aurors. E Harry, seu menino, por ser uma das crianças da profecia. A outra era Neville, o filho de Frank e Alice, que tinha nascido um dia antes de Harry.
Ainda se recordava de cada palavra proferida pela memória de Trelawney: "Aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas se aproxima… nascido dos que o desafiaram três vezes, nascido ao terminar do sétimo mês… e o Lorde das Trevas o marcará como seu igual, mas ele terá um poder que o Lorde das Trevas desconhece… e um dos dois deverá morrer na mão do outro, pois nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver... aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas nascerá quando o sétimo mês terminar..."
Tinha ficado dias sem dormir, preocupado com seu bebê. Tivera de tomar poções de sono sem sonhos para conseguir descansar um pouco. Mas sabia que, se seus sogros não fossem descobertos, ficariam em segurança.
Olhou para seu filho, que sorria para ele. Seu maior orgulho. Comia devagar, enquanto cortava magicamente sua refeição. Seu coração se apertava sempre que pensava que seu bebê estava em perigo.
Porque Voldemort simplesmente não sumia do mundo? Era um ser ruim, que causava caos e sofrimento. Queria que Harry vivesse em um mundo de paz, rodeado de sua família e amigos. Que fosse muito amado por todos. Sentiu a mão de James tocando na sua e saiu de seus pensamentos. James tinha o rosto sério, os olhos brilhantes.
— Eu vou proteger vocês. — Prometeu, como se tivesse lido seus pensamentos — Você não precisa de se preocupar.
Observou o rosto sorridente de seu filho e sentiu os olhos se enchendo de lágrimas. Tocou com uma mão trêmula nos cabelos negros, tão suaves.
— Eu amo vocês... — Murmurou, vendo Hary piscando para ele — Farei de tudo para te proteger, meu amor.
Fungou e James levantou-se, com a preocupação estampada em seu rosto. Sabia que Severus sofria com a ausência de notícias, mas não podiam contatar ninguém. Era perigoso demais. Se aproximou de seu companheiro e o abraçou. Severus encostou a cabeça em sua barriga e chorou copiosamente, os soluços fazendo tremer seu corpo.
O lábio de Harry tremeu, antes do pequeno o copiar. James tentou consolá-los o melhor que pode, o choro cortando seu coração. Sabia que essa tristeza não iria sumir tão facilmente. Não enquanto essa guerra não terminasse e o mundo bruxo voltasse a ter paz. Não sabia quando iria acontecer, mas esperava que fosse em breve.
FIM
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