Roronoa Zoro estava entediado naquele dia. Não havia nada para fazer, a não ser ficar imerso em pensamentos; estes não eram poucos. Há um tempo atrás, descobrira um amor um tanto grande demais pelo seu capitão, Monkey D. Luffy. O único problema era que ele não sabia como expressar isso. Tinha o fato de que Luffy era um bobo inocente, e muito provavelmente não soubesse o que era o amor. E também, eles eram dois homens. Mas não que isso importasse muito, pois ali não existia preconceito.

Monkey D. Luffy estava exatamente no mesmo estado. Há poucos dias atrás, tivera uma conversa com Robin sobre o amor. Ele lera algumas palavras de um livro que a arqueóloga estava lendo, e resolveu saber mais sobre o assunto. A explicação que ela dera-lhe batia com o que sentia pelo espadachim do navio, Roronoa Zoro. Porém, ele nunca iria querê-lo; era infantil, brincalhão, bobo, e ainda por cima, um homem.

Os dois estavam jogados pelo navio, quando tiveram uma ideia, que por uma incrível coincidência, era a mesma. Que maneira melhor de se saber se alguém está amando, do que o ciúmes?

Luffy levantou da cadeira da cozinha, andando até a proa do navio, onde encontrou o espadachim, que vinha na direção dele. Sentiu suas bochechas arderem, apenas pelo nakama estar encarando-o. Sorriu, alegre, e logo botou o seu plano em ação.

- Oe, Zoro, suponho que você saiba o que é... Bem... Estar amando, certo? — perguntou, enquanto suas bochechas avermelhavam-se ainda mais.

Zoro o olhou surpreso, não esperava esse tipo de pergunta. Pensava que ele era inocente demais para saber algo sim... O que será que ele estava querendo? Talvez... Não, era completamente impossível o seu capitão estar apaixonado por ele.

- S-sim Luffy, mas por que a pergunta?

- É q-que eu estava conversando com Robin e... P-percebi que talvez esteja a-apaixonado p-pela... Nami.

Sentia-se um idiota dizendo isso, pois era a mais falsa das mentiras. Ele não gostava de mentir, mas nesse caso era extremamente necessário.

O espadachim congelou, não era possível. Seu coração doía, algo que ele era incapaz de controlar. Sentiu vontade de chorar, mas Roronoa Zoro não chorava. Apesar da pequena interferência no plano, resolveu seguir em frente.

- P-pois então, L-Luffy... Eu t-também estou apaixonado por e-ela...

Um silêncio constrangedor se instalou entre os dois. Ambos confusos, desesperados e suando frio. Buscavam uma maneira de seguir com o plano, mas parecia impossível. E foi aí que Zoro teve uma ideia.

- Bem... Parece que teremos que batalhar por ela, certo?

- É. Acho que sim.

- Então, boa sorte...

Zoro estendeu a mão, e Luffy apertou-a, selando assim, a luta por Nami. Apesar de nenhum dos dois estar realmente apaixonados por ela, não iriam engolir o orgulho e admitir que se amavam. Erro deles...

Luffy POV

Dei as costas para Zoro, e voltei para a cozinha. Será que era verdade mesmo que ele gostava da Nami? Bem, deve ser, já que ele nunca mentiu para mim... Eu deve realmente gostar dele... Meu peito está doendo, eu sinto vontade de chorar... Estou suando frio, e minha pele está arrepiada.

Mas ninguém mandou eu me apaixonar por ele mesmo... E agora eu ainda tenho que cumprir com esse plano idiota. Que ideia que eu fui ter. Agora tenho que "provar" para Zoro que gosto da Nami, sendo que isso nem é verdade.

Abri a porta da cozinha, e encontrei Nami sentada, ao lado de Robin, ambas tomando café e conversando sobre assuntos de mulheres, coisa que eu não estava nem um pouco interessado.

Ao me ver, Robin colocou a xícara na mesa, e levantou-se, falando que iria tomar um banho e depois ler um pouco. Despediu-se de nós, e saiu, lentamente. Nami, percebendo que eu estava encarando-a, olhou fixamente para mim, e perguntou:

- Algum problema, capitão? Está quieto.

- Nami... Você ama alguém? — vi que ela corou com a pergunta, certamente amava alguém. Espero que não seja eu... Odiaria se eu machucasse um nakama, mesmo que não tivesse a intenção.

- P-por que a p-pergunta repentina, Luffy?

- Ué, você perguntou se tinha algum problema — olhei para o teto, suspirando. — E na verdade, tem sim.

- Ah, e qual é?

- Eu estou amando... V-você.

Ficamos em silêncio durante algum tempo. Nami não gritou, enrubesceu, virou o rosto nem nada parecido, como eu esperava. Apenas ficou me encarando, para depois de um longo tempo, responder.

- Não ama, não.

Arregalei os olhos, e senti uma gota de suor escorrer pela minha testa. Eu era tão transparente assim? Será que Zoro tinha percebido?

- C-como você sabe? — perguntei, em sussurros. Não podia deixar Zoro me escutar, se não tudo iria por água abaixo.

- Acho que é bem fácil de perceber, Luffy. O jeito como olha para mim... Como me trata, quando diz o meu nome... Não dá a entender que você me ame — ela fez uma pausa. — Mas acho que está bem óbvio que nutre esses sentimentos por Zoro.

- S-será que ele acha isso, t-também? — ela soltou um risinho.

- Bem, quem terá que perguntar para ele será você, não eu.
Sorri para ela, e me preparei para sair dali. Quando cheguei na porta, lembrei-me de algo, e olhei para Nami novamente. Ela lia seu jornal.

- Mais alguma coisa, capitão?

- Quem você ama? — ela sorriu.

- Um certo cozinheiro dos cabelos loiros...

Zoro POV

Luffy estava saindo da cozinha, com um enorme sorriso no rosto. Quando me viu, fechou a cara, e tentou desesperadamente fazer uma expressão de choro, mas foi mal-sucedido. Andei até ele.

- Oe, Luffy... Como foi?

- Fui rejeitado — murmurou.

Alguém me diga, quem, em sã consciência, poderia dispensar o Luffy? Porém... Devo dizer que fiquei bem feliz com isso. Mas, eu não posso me permitir pensar nisso; pelo menos não agora.

- Ah... Que pena.

- Acho que não para você, não é? — falou, triste. — Sua vez...

Dizendo isso, ele virou as costas e saiu correndo, gritando por Chopper e Usopp. Tem vezes que eu simplesmente não entendo-o. Ele não estava feliz ao sair da cozinha? Será que me ver deixa ele triste? Balancei a cabeça, jogando o pensamento para longe.

Vi um vulto de cabelos alaranjados passar por mim e entrar em seu quarto, batendo a porta. Mas quando foi que Nami saiu da cozinha? Por quanto tempo que eu fiquei aqui, somente pensando?
Decidi ignorar isso, e terminar logo essa porcaria de "plano" em que eu fui me meter. Bati em sua porta.

- Quem é? — gritou.

- Papai Noel — escutei passos vindo em minha direção, e logo a porta foi aberta, revelando uma Nami de cabelos bagunçados e uma expressão divertida.

- Zoro, você vindo falar comigo? Vai chover hoje hein! — falou, enquanto olhava para cima.

- Hahá, morri de rir — entrei em seu quarto, sem pedir.

- Educação ficou em casa...

- Na verdade, eu nasci sem ela.

Me sentei em uma cadeira, e fitei o teto. O que diabos eu posso dizer para ela? "Nami, estou apaixonado por você?" Não! Eu vomitaria antes de terminar a frase. "Nami, você gosta de alguém?" Isso! Com certeza essa era a melhor opção. Abri a boca para perguntar, mas ela falou antes de mim.

- Então, me conta o que está acontecendo entre você e o Luffy.

- C-como assim? — perguntei, corando. Diabos! Não posso corar!

- Há pouco tempo atrás, ele veio com um papinho idiota sobre me amar. Não acredito muito nisso... Ele nunca deu sinais de que me ama. E, agora, eu recebo uma visita sua! Por favor, me ajude a entender a situação.

Ela deve estar enganada. Me lembro perfeitamente de Luffy dizendo que estava apaixonado por Nami... Será que ela estava gostando de outro alguém, e não queria machucar os sentimentos dele? Mas isso não faz sentido nenhum!

- M-mas ele disse que estava gostando de você e...

- Zoro — ela me interrompeu -, ele não gosta de mim. Assim como você também não, se foi isso que veio me dizer. Por favor, gostaria que não me metessem mais na relação amorosa dos dois. Se Sanji descobrir...

- Sanji? O que tem ele?

- N-nada!

- Humpf, que seja. Mas... Eu e Luffy não temos nenhum tipo de relação amorosa — ainda, queria acrescentar, mas fiquei quieto. Ela suspirou.

- Tudo bem, não tem nada que eu possa fazer mesmo. Façam o que quiserem com a vida de vocês. Agora, por favor, se não tem nada para me falar... Saia.

Me levantei, e saí do quarto de Nami. Bem, pelo menos não tive que dizer nada embaraçoso. Fui até a proa do navio, onde encontrei ninguém mais, ninguém menos, do que Luffy.

Autora POV

Luffy pensava na conversa que tivera mais cedo, com Nami. Bem, quem terá que perguntar para ele será você, não eu. Zoro sabia dos sentimentos de Luffy por ele? Mas... Então por que ele concordou com essa competição idiota? Era tudo tão estranho. Essa coisa de amor... Confunde a cabeça.

O moreno estava tão entretido em seus pensamentos, que nem percebeu a presença de Zoro ao seu lado.

- Falei com Nami, agora.

- Sério? E como foi?

- Fui rejeitado, também. Não que eu me importe.

O menor nada respondeu. Meio que entendia o que ele queria dizer. Não gostava de Nami, assim como ele não gostava.

O espadachim surpreendeu-se com o silêncio do capitão, esperava que ele fosse fazer-lhe milhões de perguntas idiotas. Devia ser verdade o que a navegadora dissera, afinal. Eles dois realmente tinham algum tipo de relação.

E foi assim que os dois ligaram os pontos. Juntando a conversa de Nami com o resto dos acontecimentos... Ambos perceberam que se amavam. Trocaram um breve olhar, o que fez os dois sorrirem.

E ali, na calada da noite, observando as estrelas, formou-se um casal. Não precisavam de abraços, beijos, nem palavras. O amor que sentiam podia ser percebido através do olhar.

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