Tell me your name

1 Capítulo único: Diga-me seu nome


Um bom observador sempre estaria propício a encontrar novas pessoas que lhe intrigassem e Yeji não era uma exceção.

A vida corrida era parte da realidade da garota. Acostumada com a instantaneidade das informações e a pressa de entregar o que era necessário em seu trabalho, talvez não fosse fácil para pessoas comuns notarem a beleza na cotidiana simplicidade ao redor com tanta euforia, mas ela sabia como fazê-lo.

Yeji caminhava apressada pelas ruas, enquanto terminava de pedir no aplicativo os serviços de uma agência de táxi para ela poder ir para o trabalho, estava atrasada e precisava correr; mas um vil detalhe a fez desacelerar por um instante. Um doce espirro ressoou no ambiente aberto e lhe chamou atenção. O rapaz de cabelos negros coçou o nariz, por uma alergia ao pólen ou simplesmente um resfriado, e sorriu sem jeito para a flor em suas mãos que compunha parte da linda ornamentação do jardim.

Ela sorriu com o rapaz que lhe chamou atenção e forçou os olhos para observar mais e melhor. Transmitia um ar calmo e de certa pureza ao admirar as flores amarelas e azuis, o que lhe encantou de uma forma extraordinariamente peculiar. Mesmo ciente de que estava atrasada e precisava continuar andando para poupar tempo de corrida, algo a fazia ficar observando-o mais um pouco.

A pele pálida iluminada pela amarela e suave luz da manhã deixava-o irradiante. Ele se levantou, visto que estava agachado, deixando o vaso no chão e pegando um grande regador verde claro para molhar as lindas flores que possuía. Sua feição mantinha-se sorridente e pacífica como se a melhor e a única responsabilidade que possuía fosse cuidar daquelas perfumadas formas de vida.

Observá-lo parecia fazer o mundo parar, pois sua inocente despreocupação com todos os que passavam em sua calçada era admirável. O que poderia ser mais belo do que ver um homem agir com tanto cuidado e carinho com flores tão comuns? Tal hobby não era tão apreciado pelos rapazes — e talvez nem pelas moças — que conhecia, o que a deixou cada vez mais fascinada pelo rapaz. E tudo o que agora queria saber era seu nome, mas não faria sentido ousar perguntar, por não serem vizinhos e muito menos ter motivos ou desculpas em mentes para tal interação.

Olhou no relógio e viu que o tempo corria contra ela, mas mordeu o lábio e franziu o cenho, questionando-se se deveria fazê-lo, e não hesitou muito para dar um passo à frente e soltar:

— Flores bonitas — disse chamando a atenção do rapaz, que sorriu com o elogio. — O que elas são?

— São papoulas — respondeu se aproximando um pouco mais da cerca. Seu estilo era despojado e parecia até mesmo um adolescente que odiava sair do quarto, mas sua feição dizia ao contrário; mesmo aparentando uma comum timidez, transmitia um olhar único que poderia acolher um mundo inteiro se fosse necessário. — Prática jardinagem?

— Eu moro em apartamento — respondeu meio sem jeito ao negar com a cabeça. — E quase não tenho tempo.

— Compreendo… — O rapaz se abaixou e pegou um pequeno vaso com um botão fechado de uma papoula vermelha e estendeu para a garota. — Talvez possa cuidar dessa em seu apartamento…

— Obrigada, mas não se faz necessário — respondeu, recusando-se a aceitar o presente do rapaz.

— Por favor, aceite… — Sorriu para tentar convencê-la.

Yeji ainda sem muito jeito e sem saber o que dizer, estendeu a mão e pegou o pequeno vaso olhando para a plantinha que havia nele. Estava encantada com a delicadeza dela, e sorriu percebendo a semelhança entre ela e seu dono. Mas foi desperta de seus devaneios pela buzina de um táxi, aquele a qual havia pedido, fazendo-a recordar-se de que precisava chegar ao trabalho em cinco minutos.

— Minha nossa, eu preciso ir! — disse se virando para a rua, mas deu uma meia volta olhando de novo para o rapaz. — Obrigada pela flor!

— De nada! — exclamou ele. — Eu me chamo Beomgyu! — gritou com força antes dela ir. Suspirou entre um sorriso ao perceber que ela havia o ouvido, mas não conseguiu responder por já ter entrado no táxi e o mesmo imediatamente acelerar sem dar-lhe tempo de lhe dizer o dela.

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