Tell Me That You Will Open Your Eyes
11 Capítulo 11 Don't stop when the red lights flash
Notas iniciais
Mickey’s POV
Nunca mais eu bebo. Não existe mais frase mais clichê e mentirosa que essa, eu sei, mas a dor que eu sentia no meu estomago era desumana. Por sorte, Ray estava comigo.
- Hey, Mikes, toma esse café que vai te fazer bem.
- Não agüento comer nada. Qualquer coisa que eu comer vai voltar, sério.
- Força, anjo. Se ficar muito tempo sem comer vai ser pior. Fiz o café bem forte e quase sem açúcar do jeito que você gosta. Ray disse no tom mais doce que tinha.
E tinha como recusar alguma coisa com ele falando assim?
- Obrigado, Ray. Me sentei na cama e peguei a xícara da mão dele e tomei um gole. Estava realmente bom, mas meu estomago revirou mais uma vez e eu gemi. Minha cabeça começava a doer também. Entreguei a xícara pra Ray e me deitei novamente.
Ele suspirou, parecia triste.
- Que foi, Ray? Perguntei curioso. Aconteceu alguma coisa?
- Não.
- Eu te conheço não é de hoje... Anda, pode ir começando a falar.
- Amanhã a gente conversa, pode ser? Toma esse remédio. Me entregou um copo com água e um remédio pra dor de cabeça. Ray era mesmo muito atencioso.
Tomei o remédio antes de respondê-lo.
- Você tem certeza?
- Tenho sim, Mikes. Sorriu. Era um sorriso falso e forçado, não era esse sorriso do Ray que eu tanto gostava.
Só tinha uma cama de casal no quarto e eu a ocupava quase que completamente. Ray estava parado em frente a uma das janelas do quarto e eu o olhava. O clima estava pesado.
- Ray...
- Oi, Mikes? Ele me olhou e parecia tão triste, mais ainda do que minutos mais cedo.
- Vem aqui. Chamei e minha voz saiu um pouco manhosa.
Um pouco receoso, ele se aproximou e sentou na beirada da cama.
- Você se arrependeu, né? Perguntei olhando-o, mas logo desviando o lugar e sentindo minhas bochechas corarem.
- Do que, Mickey?
Ótimo, agora ele vai fingir que nada aconteceu. Bufei e fechei a cara.
- Nada. Vou dormir. Fechei os olhos e virei pro canto.
Já estava quase pegando no sono, quando senti a mão de Ray na minha cabeça. Ele fazia um carinho lento ali, brincando com meu cabelo.
- Você dormiu? Ray sussurrou bem baixinho e eu pensei um pouco antes de virar meu corpo pra ele. Olhando-o.
- Ah... te acordei? Desculpa. Ele parecia enrolado.
- Não tava dormindo ainda, Ray...
- Não quero que você entenda mal minha reação, Mikes.
- Qual reação?
Se é pra fingir que nada aconteceu, vamos fingir direito.
Ele balançou a cabeça de forma negativa e suspirou.
- Eu gosto de você, Mickey.
Como assim ele gosta de mim? Claro que ele gosta de mim. Somos amigos desde sempre. Eu também gosto dele.
- Você... comecei a falar, mas fui interrompido.
- Acho que você não entendeu direito, Mickey. Eu te amo.
Meu coração disparou em um ritmo absurdo e por um momento eu pensei que fosse desmaiar. Cadê minha bombinha de asma. Respirei fundo algumas vezes e tentei me concentrar no que estava acontecendo. Será que eu já tinha dormido ou será que era delírio da bebida? Porque aquilo simplesmente não parecia real. Eu e Ray sempre fomos muito juntos e agora até que algumas coisas faziam sentido. Além dessa noite, já ficamos algumas vezes, mas Ray nunca se assumiu e sempre namorava uma menina.
- Desculpa, eu não devia ter te falado isso... eu..
Por causa dos meus pensamentos, minutos de silencio se passaram.-
- Não, Ray. Espera. Eu só preciso... pensar. Desde quando?
- Desde que ficamos próximos... eu só não queria admitir. Eu não queria admitir que eu sou gay e que sou apaixonado pelo meu melhor amigo. Sorriu ironicamente.
- Você tinha vergonha de mim, Ray.
- Isso não é verdade.
- É sim... quantas vezes você passava a noite lá em casa, nós ficamos e no colégio você agia como se mal me conhecesse perto dos seus amigos? E quando você começou a namorar aquela oxigenada?
Eu já não sabia o que pensar. Por muito tempo guardei um sentimento maior por Ray, mas ele nunca se mostrou interessado em além de beijos escondidos. Até que por fim eu parei de ceder.
- Isso faz anos, Mickey.
- E me machuca até hoje.
- Eu to disposto a contar pra quem você quiser, eu to disposto a tudo pra ter você ao meu lado. Você acha que é fácil pra mim? Aceitar que sou diferente da maioria e que sou apaixonado por um homem.
- Você é covarde.
- To disposto a te provar que não. Eu cansei de me enganar com pessoas que não me fazem sentir nada. Um sorriso seu é capaz de me desarmar, Mickey. Eu só quero você.
Eu precisava de um tempo pra raciocinar aquilo tudo. Tinha medo de machucá-lo, afinal ele parecia ter um sentimento muito maior.
- Eu tenho medo de machucar você, Ray. E estragar tudo de bom que temos.
- Eu vou te conquistar, Mikes. Me deixa tentar.
Ao terminar a frase, seu rosto já estava perigosamente perto do meu e nossas respirações já se misturavam. Fechei os olhos e esperei por aqueles lábios que não demoraram a encostar nos meus. Selamos demoradamente e ele sorriu.
Me ajeitei na cama e abri os braços para que ele viesse se deitar comigo e assim ele o fez. Dormimos abraçados e eu estava incrivelmente feliz, mas confesso, com muito medo.
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