Tell Me That You Love Me Anyway
34 Não pode ser o que você tá pensando.
Notas iniciais
–Te atrapalhei?
–Não. Eu não estava fazendo nada demais -abri um sorriso mas ele nem devia ter visto. Nem olhava nos meus olhos direito.
Ele entrou no quarto e eu comecei a descer as escadas mas parei. Tive vontade de voltar lá e ter, ao menos, uma conversa decente com ele, em que trocássemos mais que dez palavras. Mas não voltei. Simplesmente parei no degrau em que estava e me sentei, sentindo meus olhos arderem por causa das lagrimas que se formavam.
–Lana, ai meu Deus -alguem me levantou.
–Tudo bem, eu to... -comecei a enxugar as lagrimas mas fui interrompida.
–Ai meu Deus, ele tá aqui -então de repente, fui puxada o resto da escada abaixo. Não, esse alguém (infelizmente) não era o Nick.
–Ai meu Deus, quem ta aqui? -tentei disfarçar e perguntei olhando pra porta e Selena estralou os dedos na minha frente.
–Meu cabelo. Como ta o meu cabelo? -passou a mão trezentas vezes pra conferir se estava bom e eu assenti -Droga! Olha essa roupa! To parecendo uma... babaca, ai meu Deus! -ela passou o olho em volta.
–Quem ta aqui? -perguntei de novo.
–O Seth. Socorro -ela foi ate o espelho perto da escada. Caminhei na direção da porta mas ela me parou.
–Não não não, eu abro. Deixa comigo -eu assenti e fui ate o sofá.
–Oi... -ouvi a voz dele.
–Oi... -e depois a dela -Oi, Seth. Como você está?
–Hmm... Bem e você?
–Melhor agora -depois ouve uma pausa e vários "então"s.
–Então...
–Então... -a voz dela estava um pouco mais animada.
–Sua irmã tá ai? -an?
–An?
–A Lana, ela tá ai? -a voz dele ficou mais clara.
–Não -a dela ficou mais estridente.
–Ela ja voltou pra... -ele parou de falar. Esperei que ele tivesse esquecido da onde eu era mas não foi por isso que ele parou -Oi, linda -ele apareceu do meu lado e eu levei um susto.
–Hm... oi -sorri.
–Ó ela aqui, Selena -ele sorriu pra ela e depois pra mim.
–O que você quer com ela? -ela perguntou ja grosseira.
–Ué, vim continuar de onde nós dois paramos -ele olhou pra mim e sorriu bastante.
–Não veio, não! -Selena foi pra perto dele.
–O assunto é com ela -ele apontou pra mim e riu ainda olhando pra ela -Da pra dar licença?
–Ah, é assim? Então saiba que o namorado dela está no segundo andar dessa maldita casa. Acho melhor você não criar expectativas.
–Ih... -ele lamentou -Ja criei -voltou a olhar pra mim e eu me levantei.
–Acho melhor... -me interrompeu.
–Eu sei -e me beijou.
–Lana! -achei que tinha ouvido meu nome mas não era a voz da Selena -Lana? O que você...? -quebrei o beijo, mas quando fiz isso vi ele no meio parado da escada, com uma expressão indecifrável e com papeis na mão.
–Nick? -eu falei tão baixo que mal ouvi.
Depois tudo aconteceu rápido. Selena começou a bater no Seth e o mesmo saiu de casa reclamando e dizendo que iria voltar. Nick deixou os papeis que segurava cairem e voltou a subir a escadas e eu fiquei parada por alguns segundos esperando minhas pernas começarem a se movimentar, e quando isso aconteceu, eu fui atras dele.
–Nick! Nicolas, perai! -peguei os papeis sem nem olhar o que eram e continuei chamando por ele ate chegar na porta -Nick, abre por favor -sem resposta. E pelo visto, nem haveria. Que droga!
Sentei no chão e me encostei no batente da porta. Eu não sabia exatamente quando tinha começado a chorar mas as lagrimas começaram a molhar os papeis na minha mão. Enxuguei meu rosto rápido, porem inutilmente pois mais lagrimas se formavam, e dei atenção ao papeis, começando a ler.
–São... as minhas cartas? -falei pra mim mesma -Então, ele leu as cartas? -as guardei de qualquer jeito e me levantei.
Ele tinha lido as cartas, ele sabia de muita coisa agora. Coisas relevantes, eu diria.
–Nick, por favor, abre! -bati insistentemente mas nada de abrir a porta -Por favor, deixa eu conversar com você -e de repente eu parei de bater e me lembrei de uma coisa.
Meses atras a situação era trocada. Ele batia na porta do meu quarto querendo falar comigo enquanto eu chorava do outro lado não dando a mínima pra ele. E agora eu que estava levando o bolo.
–Por favor, abre -sussurrei apoiando a cabeça na porta e me preparando para mais uma enxurrada de lágrimas -Eu preciso de você -solucei -Eu sei que você leu as cartas, me deixa entrar pra conversamos -bati de novo -Eu quero te falar tanta coisa, por favor -de novo e de novo -Nick, me desculpa tá bom? Eu sei que eu menti e eu sei que você acabou de me ver beijando o garoto mas por favor... não pode ser o que você tá pensando -silencio total -Tudo bem, não quero te forçar a falar comigo -ia me afastar mas no mesmo instante a porta abriu.
Eu queria sorrir e chorar ao mesmo tempo mas parece que a segunda opção seria mais válida. A expressão no rosto dele era fria, vazia, como se não houvesse ninguém ali, e também era cansada como se estivesse dizendo "chega". Eu não sabia como eu estava mas devia estar beeeem ruim. Me aproximei dele de novo.
–Que bom que você abri... -ele me interrompeu.
–Desculpa atrapalhar sua vida aqui, foi mesmo um erro eu ter vindo -fiquei confusa.
–C-como assim? -eu tive medo antes que ele respondesse.
–Você sabe que eu li as cartas... Você tambem sabe que eu vim pra cá por você -assenti e limpei minha bochecha.
–Aham.
–Você sabia de tudo, eu não escondi nada de você. E agora, eu... eu vi você com ele e... -ele coçou a cabeça — E tudo o que você escreveu nas cartas pareceu não ter mais sentido nenhum.
–Nick -solucei.
–Não importa agora -ele hesitou -Parece que nunca importou.
–Por favor, vamos conversar -mais lagrimas.
–To cansado de brigar com você, to cansado de te decepcionar.
–Você não me... -ele me interrompeu.
–To cansado de fazer você chorar por mim. Guarda suas lagrimas pra alguem que não seja um total idiota apaixonado por você.
–Nicolas -isso não podia estar acontecendo. Não podia estar acontecendo. Não podia. Não podia.
–Estou voltando para Londres, Lana, voltando agora -e cabum, a esperança tinha acabado.
–O que?
Fale com o autor