Tell Me How You Feel
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Oliver Queen sabia que estava cometendo um erro.
Ele soube no momento em que aceitou que Sarah o acompanhasse no passeio de barco do pai, que deveria durar poucas horas. Seria, supostamente, uma viagem para aproveitar o fim de semana. Talvez ela não notasse. Talvez ela não descobrisse.
Quando o navio afundou, Oliver sabia que havia perdido. Seu pai, Sarah, ele mesmo — mas, pior de tudo, ele sabia que a havia perdido. Aquele erro não teria conserto. Mesmo que conseguisse voltar para casa, mesmo que sobrevivesse, o futuro que desejara ao lado de Felicity Smoak se fora, antes mesmo de ter a chance de começar.
Por cinco longos anos preso em uma ilha deserta, ele se perguntou o que faria se a encontrasse novamente. Imaginava conversas, discussões, pedidos de desculpas, ou qualquer outra situação que sua mente pudesse criar. Ela nunca realmente esteve lá, embora tenha estado presente todos os dias, em pensamentos, mantendo-o inteiro, impedindo-o de desmoronar.
O tempo passou lento demais, e rápido demais. Eventualmente, ele perdeu a contagem dos dias. Em alguns, ele mal conseguia encontrar forças para se levantar e se manter saudável. Tinha esperanças de ser resgatado, embora elas diminuissem a cada dia.
Quando viu o navio, ao longe, pensou estar alucinando. Levou-lhe uma quantidade considerável de tempo até perceber que aquela era a chance pela qual estivera esperando. Disparou o sinalizador, rezando para que ainda funcionasse, e sentiu as lágrimas descerem pelo seu rosto ao ver as fagulhas vermelhas brilharem no céu azulado.
A viagem de volta foi a pior parte, porque Oliver sabia o que o esperava em casa. A dor. As consequências. As acusações. Os fantasmas dos erros que talvez jamais pudessem ser consertados. Ele podia imaginar o olhar de Laurel quando se vissem pela primeira vez, ou imaginar seu pai, detetive Lance, tentando estrangulá-lo com suas próprias mãos. Podia imaginar o alívio estampado no rosto de sua mãe, o sorriso no rosto de Thea — e, meu Deus, ela não seria mais uma criança —, mas nada o amedrontava mais do que seu reencontro com Felicity.
Ele tinha medo de ter causado um estrago grande demais para ser reparado. Mas, parte de si, uma bastante egoísta, desejava ardentemente que ela ainda precisasse dele, que ela ainda o amasse, apesar de tudo. Não era justo querer isso, ele sabia, ainda mais depois de tudo o que havia feito. Entretanto, se havia alguma coisa que sempre lhe pareceu certa, tanto para sua mente quanto para seu coração, foram seus sentimentos pela loira bonita, teimosa e extremamente irritante.
Oliver a amava, e isso o assustava mais do que qualquer outra coisa. Ele nunca se apaixonara antes. Ele nunca gastou uma única noite de sono em sua vida acordado, pensando em uma garota. Mas, durante todo o tempo que ele esteve fora, não houve um momento sequer em que Felicity não fosse parte de seus pensamentos.
Então, sim, ele estava apavorado. Parado no meio do quarto do hospital, observando a cidade através das janelas de vidro, ouvindo a voz de sua mãe, sussurrando ao fundo, conversando com o médico. Ele estava completamente fora de si. Não sabia o que fazer, como agir, o que dizer. Tudo estava tão confuso — e, encarando sua própria imagem refletida no vidro, ele percebeu que não se reconhecia mais. Aquele cara não era Oliver Queen. Oliver Queen morrera em um naufrágio. Ele — o homem que o observava de volta — era uma pessoa completamente diferente. Uma pessoa que jamais a machucaria. Uma pessoa que conhecia o significado da palavra dor, e a vivenciou por um longo período de tempo, e estava disposto a arrancá-la de vez de seu vocabulário.
Uma mão quente e macia apertou seu ombro, e Oliver se virou na direção da mãe, uma mistura de alegria e tristeza borbulhando em seu peito. Ele aceitou seu abraço, o seu conforto, mesmo achando que não o merecia, e se forçou a abrir um sorriso, ainda que ínfimo, apenas para tirar parte da preocupação de Moira. Prometeu a si mesmo que faria o possível para jamais preocupá-la novamente.
— Oliver — ela sussurrou, apertando-o com força contra si.
— Olá, mamãe.
E isso foi tudo o que ele disse.
~ x ~
— Eu vou sair — anunciou Oliver, beijando a testa da mãe e bagunçando os cabelos da irmã.
— Querido, você tem certeza? Ainda está se recuperando...
— Cinco anos, mamãe — ele respondeu. — É tempo demais.
Moira não compreendeu o olhar no rosto do filho, mas acenou com a cabeça, permitindo-o que fosse. Ela nunca tentou controlá-lo. E, depois de tudo o que havia acontecido, ela sabia que a última coisa que Oliver precisava era de alguém lhe dizendo o que fazer. Não havia, por hora, motivos com os quais se preocupar. Tudo o que importava é que Ollie estava vivo. Talvez não inteiramente bem. Talvez não completamente recuperado. Mas vivo — e é o que importava.
— Vai voltar para o jantar? — ela indagou, por fim.
— Talvez — Oliver sorriu. — E talvez eu traga companhia.
Thea arqueou a sobrancelha para isso, e riu para si mesma. Moira revirou os olhos, mas concordou com um aceno de cabeça. Oliver despediu-se das duas com um sorriso, e caminhou até o seu carro, que o esperava do lado de fora da mansão.
Ele passara três longos dias no hospital. Parte de si esperava que ela aparecesse, mesmo que só para receber justificativas. Mas, então, eles nunca foram um casal assumido, e seria estranho que uma funcionária da Queens Consolidated aparecesse gritando com o herdeiro da empresa sem motivo algum.
— Para onde, senhor Queen? — perguntou Diggle, seu novo motorista e guarda-costas, que sua mãe insistira em contratar.
— Para a empresa — disse Oliver, recostando-se confortavelmente no banco. — E Diggle? Seja o mais rápido possível, por favor. Eu tenho um assunto urgente a tratar, e ele não pode esperar nem mais um minuto.
Em resposta, Diggle pisou no acelerador. Oliver sorriu. Sentia-se extremamente nervoso, mas prometeu a si mesmo que sua história com Felicity se resolveria de uma vez por todas — para o bem ou para o mal. Depois de sua conversa, ou ele desistiria completamente, ou lutaria até o fim para reconquistá-la. Tudo dependia única e exclusivamente da resposta dele. E, honestamente, Oliver estava torcendo por um "sim".
Fale com o autor