Tell Me
1 Capítulo 1
Narrado por Rixon//
Eu tinha tudo planejado, há tempos. Sabia que teria que fazer tudo que fiz. Só não esperava sentir um sentimento tão repugnante como o arrependimento. Não deveria acreditar, não podia acreditar, não queria acreditar.
#FlashbackON
-Rixon, por que não sai com Vee? – Patch sugeriu, com a voz baixa, para em seguida deslizar o taco entre as mãos. Bola na caçapa. Como sempre.
-A amiguinha de Nora? Não, obrigado.
-Ora, Rixon. Ela é.....Interessante. Faz seu tipo. Você faz o tipo dela. Colabore.
-Por que está preocupado tanto com essa Vee?
-Não é preocupação... – Sua voz pausou. Tentei focar seus olhos, mas a aba do boné impedia – Só achei que dariam certo. – Deu de ombros, como se não quisesse nada. Se posicionou.
Bola na caçapa. Como sempre.
#FlashbackOFF
Sorri amargurado. Patch, sempre achando que sabe o que é certo. Sempre se achando.
Eu nunca deveria ter concordado com aquilo. Jamais. Tinha sido minha perdição. Deixe-me levar pelo mesmo mal que Patch. Só não iria admitir aquilo.
Como o bom servo que fui, aceitei sem contestar. Estava tão perto, ficar negando algo a Patch poderia levantar suspeitas. Ele era inteligente, malicioso, esperto. Então afirmei, e no dia seguinte, ele me apresentou á ela.
Suspiro. Ela.
#FlashBackON
-É aquela?
-Sim.
-Bonita.
-Vá logo.
-O que? Não vai me apresentar? Quer que eu chegue como se isso tudo fosse ocasional?
-Rixon, você é um conquistador. Sabe o que fazer.
-Não como você – bajulei. Patch sorriu. E odiei isso.
-Vá. – Ele disse mais uma vez.
Com a impaciência transbordando dentro de mim, acenei com a cabeça, e entrei na lanchonete. Olhei mais uma vez a moça. Pelo menos, que fosse divertido.
-Posso me sentar com você? – Perguntei, sendo extremamente direto. Ela me olhou, analisando, e esperei.
-Sente-se.
Fácil demais.
-Não, não. – Ela disse, como se le-se minha mente – Não sou fácil, como você deve ter pensando, com esse sorriso presunçoso no rosto. Patch me avisou de você.
Ouvi a risada baixa e debochada de Patch em meus pensamentos. Quis xingá-lo.
-Patch fala demais. – Falei, forçando um sorriso.
-Concordo com você. –
-Acha que isso vai dá certo? – perguntei, para confundi-la.
-Que tipo de pergunta é essa?
-Posso conquistar você, e deixar seu coração partido. Ou podemos ser um jogo divertido. O que vai pedi?
Seus lábios se curvaram num sorriso malicioso. Eu pisquei, perplexo, sentindo meu corpo estremecer de uma forma diferente. Aquilo era o primeiro indicio da minha perdição. Com a voz fatal, ela se inclinou:
-Conquiste-me.
#FlashBackOFF
Eu não esqueceria jamais aquele dia. A ousadia dela me conquistara. Quando na verdade, eu devia estar á conquistado, ela já me fisgara. Eu estava caído, em todos os sentidos. Os encontros se seguiram, e eu tentei agir de forma simbólica. Fingia que não dava a mínima pra ela na frente de Patch, que como eu dissera, seria apenas um jogo divertido. Dentro da minha cabeça, tudo estava formulado, só seria uma brincadeira. Eu partiria o coração dela. Não só o dela.
A minha revolta contra Patch já estava chegando. Iria terminar com ela, deixá-la ferida, como já fizera com tantas outras. Estava dobrando a esquina, quando a vi, esperando por mim. Meu corpo enrijeceu, eu travei. Dor. Não, eu não devia estar sentindo isso. Eu não podia. Quem sairia machucada era ela, não eu.
Seus olhos se ergueram, e me encontraram. Seu sorriso foi enorme. Ela correu em minha direção, com as mãos jogadas no meu pescoço, a boca encostando-se à minha.
-Mal posso te contar... – sua voz saiu com expectativa.
Eu percebi na confusão que tinha me metido. Percebi o quanto me deixara avulso naquela relação. Mais tarde, eu a deixei em casa, com o beijo mais doce e carinhoso, o abraço mais terno e apertado. E a maior dor que já sentira.
E aí, tudo aconteceu. Eu fui frio o suficiente para continuar. Eu sabia que seria. Eu sabia que iria me arrepender.
Foi tão rápido, a última vez que a vi. A despistei, mandando-a buscar o carro. Mas continuei em frente. Tive a noite anterior para me despedir. Não acabaria com meus plenos por um sentimento bobo.
Seqüestrei Nora, mas não consegui sacrificá-la. Eu esbanjava raiva e revolta, ela tinha me enganado na queda. Perdi o revolver. Encontre-o. O maldito Scott já estava com ela. Não que fosse problema, passar por ele. Tiros resolveram. Então, Patch apareceu.
E agora estamos aqui. Ele iria me mandar para o inferno. E eu, de bom grado estava aceitando.
-Patch – Deixei minha voz sair firme – Faça um favor para mim?
Ele me olhou perplexo.
-Diga a Vee... Por favor. Prometa que vai dizer á ela.
-Dizer o que?
Fechei os olhos, suspirando. Sem ela, eu não queria mais nada. Isso era repugnante. Deixei minhas ultimas palavras saírem sussurradas, e depois, só ouvi os passos de Patch, pronto para acabar comigo.
-Diga que eu a amo.
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