Ela vinha subindo as escadas para o pedágio do metrô. Vestia um uniforme colegial de marinheira, sendo a saia rodada e os detalhes da cor vermelha. Suas meias não chegavam até o joelho, pude ver que estava machucado. Suas pernas eram secas, como de uma criança. Era o fetiche perfeito para um pedófilo.

Mas eu não estava excitado, a única coisa que sentia era medo. Por trás dela subia a fumaça dos bueiros e que se perdia nos breus dos becos da cidade, cheiro de maconha pairava no ar. No rosto, era atingido uma luz vermelha saindo de um letreiro de uma hospedaria. Como um alarme pedindo para todos correr do incêndio, como uma viatura te acordando de madrugada e seu coração bater forte, como sangue.

Fazia frio, o asfalto ainda estava molhado pela chuva de uma hora atrás, um poste teve um curto circuito quando ela passou por ele. Eu engoli em seco, seus passos eram graciosos enquanto balançava seu quadril estreito para os lados, mas na sua mão havia uma faca.

Ela já me perseguia fazia um tempo, mas consegui descer na estação e subi correndo as escadas. No entanto, tropecei e gelei. Só a vi se aproximando aos poucos, com o cabelo descolorido desgrenhado e seu uniforme sempre impecável, nessa noite estava rasgado. Havíamos lutado no metrô para não morrer e, além do joelho machucado, um arranhão profundo se alojou em seus lábios.

Toda noite, eu vivia um filme de terror. Ela se contorcia de forma inimaginável como se fosse um body horror na tela do cinema. Em meu rosto, o sangue que descia todo mês, jorrava como um splat mais barato. E em meus membros, partidos e jogados numa sacola, a cabeça no valão, um gore de primeira.

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