Tekken no Kimochi

12 Os sentimentos de ambos: o amor de Haruka e a dor de Naruto


Notas iniciais
"Naruto cerrou os punhos, mais uma vez derramando seus sentimentos pelos olhos. Ele jurara a si mesmo que não ia chorar mais. Que seria forte, que não olharia para trás. Mas ao vê-la ali, ver o quanto se importava com ele... Ao ouvir aquelas palavras que alguém nunca havia lhe dito... Ele não pode evitar." ALERTA DE DRAMA. Se você tem o coração fraco, não leia. Confrontada pelo time 7, Haruka finalmente revela a verdade a Naruto. Agora cara a cara com o irmão, está na hora de ambos revelarem seus sentimentos mais profundos. Não me responsabilizo por choradeiras A essa hora, já deu pra vocês notarem que eu posto de 3 em 3 dias, pra dar tempo de todos atualizarem a leitura e tempo pra eu dar uma relida e fazer modificações necessárias. Ao receber feedback, tendo a postar um dia mais cedo. Então, bebês de Ina, mostrem sua opinião. Quero saber o que estão achando da história. Boa leitura

Sépia.

Sempre que ele acessava as memórias de seu passado, elas vinham desfocadas e em um amargo tom de sépia. Talvez fosse sua mente tentando esquecer, jogando as lembranças dolorosas para o fundo de seu subconsciente.

Ou talvez o desfoque fosse por causa das lágrimas que embaçaram sua visão com frequência, trazendo a tona os sentimentos que rasgavam o pequeno peito e formavam um nó em sua garganta e estômago. Sua mente infantil não tinha condições de entender o porquê daquilo. Na verdade, até agora, a explicação para todo aquele ódio lhe parecia estranha, grotesca e malfeita.

Por causa da Raposa.

Por causa da Vila.

Por causa do que ele significava.

Por muito tempo, desde a revelação de Mizuki, suas noites foram mal dormidas, atormentadas por pensamentos, pelas lacunas que foram preenchidas, mas que criaram outras que o perturbavam. De fato, a informação adicionava muitas peças àquele quebra cabeças incompleto que era sua existência. O porquê de tanta gente o tratar com desdém, medo e principalmente, com ódio. Porém, outras dúvidas estranhas e dolorosas vieram com ela. Não eram perguntas incomuns ao olhar do Uzumaki. Não, elas vieram como velhas amigas amargas que ele não via há muito tempo. Amigas que já cruzaram sua mente, estraçalhando os pequenos momentos de paz em sua infância em que a criança se encontrara sozinha, perdida na quietude do mundo e no vazio de seus pensamentos.

As dúvidas doíam tanto quanto a indiferença.

Por quê?

Por quê tudo isso?

O que eu fiz para eles me odiarem tanto?

De onde eu vim?

Quem são meus pais?

Estou mesmo sozinho?

Quem eu sou?

Não. Melhor ainda...

O quê eu sou?

Muitas vezes se perguntava se era mesmo humano, e essa dúvida só piorou depois do incidente com o pergaminho. Ele trazia algo negro, algo ruim dentro de si, um mal que fora trancafiado nele por uma das pessoas que mais admirava. Em momentos de tensão, ele conseguia sentir a presença, um ódio poderoso e tão antigo quanto o tempo, que se acumulava ao redor de seu coração como vinhas negras e venenosas, apoderando-se de sua alma. Podia ouvir o chamado, uma voz terrível que lhe incentivava a cometer atos que ele sabia que eram errados.

Por quê?

Por que ele fez isso comigo?

Após muito confabular consigo mesmo, ele entendera, depois de anos de tormento, o que ele era.

Uma jaula.

Uma jaula para aprisionar aquele mal. A cada dia, mesmo na presença dos amigos, se sentia menos humano. Não era um pensamento que cruzava sua mente em momentos de lucidez, nos quais seu coração estava livre das vinhas da dor, da dúvida e do ódio pela força de sua determinação.

Não...

Era quando sua mente estava adormecida que aquele questionamento se apoderava de sua alma. Qualquer palavra proferida por alguém que não sabia da verdade era estranha, alimentava a angústia em seu peito.

Eles realmente o conheciam?

Ele realmente se conhecia?

E então... Ela apareceu.

Desde o primeiro momento que tiveram sozinhos, ele sentiu uma estranha familiaridade com a moça. O jeito como ela o olhava, as palavras que proferia, o sorriso doce e o brilho no olhar quando o via... Sua atitude para com ele era diferente. Ele já testemunhara gentileza antes. De Sandaime. De Iruka. De Teuchi. De Kakashi e o time 7.

Mas não era parecida com a dela. Na verdade, parecia algo diferente.

Desde o início, ele pode ver que o tratamento que ela lhe dava era especial. Os sorrisos que dava para Sasuke e Sakura não se comparavam à alegria dos que ela lhe dispensava. O brilho gentil em seu olho faiscava com mais intensidade perto dele. Era a primeira vez que alguém lhe tratava daquela forma. Como se ele fosse único, insubstituível. A presença da moça acalentou o coração maculado do mais novo de uma maneira que ninguém conseguira.

O momento em seu apartamento, a forma com que ela o segurou nos braços quando seus lábios proferiram uma das terríveis dúvidas que o perseguiam... Aquilo parecia o gesto de alguém que recuperava algo precioso há muito perdido, e ao notar que seu tesouro se quebrara, tentava desesperadamente juntar os fragmentos e segurá-los no lugar a fim de regenerar-se.

O brilho de orgulho que ele vira em seu olho no dia anterior ao derrotar Kiba mostrara o quanto ela desejava que ele crescesse e o quanto se regozijava em seu sucesso. Ela o admirava.

Será que...

Ela o amava?

Agora, em frente a si, a ternura no orbe azul da moça refletia mais um sentimento. Algo que ele conhecia muito bem.

Medo. Medo de rejeição.

Pela primeira vez desde que Mizuki lhe traíra, ele conseguiu juntar mais uma peça àquele quebra-cabeças. Ela.

Ela era a chave para preencher as lacunas. Ali, uma parte de seu passado estava de pé a sua frente. Intensa.

Real.

A emoção fez um bolo na garganta do loiro. Ele sentiu o peito pesado e aquela ardência incômoda no nariz, que era prelúdio a uma demonstração física – e molhada – de seus sentimentos. Naruto não conseguiu falar. Sua voz se perdera.

—Bom, isso é embaraçoso. – A ruiva desviou o olhar, focando-o na dupla que os fitava, atônitos. – Mas isso é uma conversa que temos que ter em particular. Perdoem-nos, Sasuke-kun, Sakura-san. Estamos indo agora. – Haruka andou até Naruto, pousando a mão em seu ombro. Ele se espantou com a proximidade, mas uma sensação esquisita varreu seu corpo por um segundo, antes de se encontrarem em um local totalmente diferente.

Eles estavam numa das colinas da floresta que cercava a vila. De lá de cima, os prédios, o muro e os campos de arroz de Konoha se erguiam no horizonte. A brisa leve de verão acariciava seu rosto e fazia os cabelos dourados farfalharem. A parte da floresta em que estavam se tratava de uma clareira, preenchida com uma esverdeada relva baixa e uma árvore de cerejeira majestosa, que pintava os verdes da mata com um suave tom rosado. Era admirável que aquela árvore produzisse flores fora do hanami. Pétalas de cerejeira eram carregadas levemente pelo vento, dançando ao lado das folhas que eram suas irmãs. A expressão serena de Haruka, que havia se congelado no rosto, finalmente desmoronou, e Naruto notou o punho enfaixado cerrado em uma tentativa de controle de suas emoções. A mão direita ainda pousava sobre seu ombro, macia, quente e reconfortante. Quando a ruiva falou, sua voz saiu amaciada, embargada pelo medo e pela culpa que ela carregava consigo.

—Me perdoe, Naruto. Eu realmente sinto muito.

Ele viu a face delicada se contorcer em uma tentativa de conter as lágrimas, enquanto o olhar fugia do dele. As palavras dela pareceram despertar sua voz o suficiente para dizer:

—Doushite? – A palavra teve o efeito equivalente de um tapa na cara da ruiva. A mão dela sobre o ombro do mais novo deslizou, até cair sem movimento ao lado do próprio corpo. Ganhando um pouco mais de força na voz, o garoto continuou. – Por quê, Haruka? Por que você esperou para me contar isso? Se você estava viva, por que não veio por mim? Por que não ficou comigo? Você também acha que eu sou um fardo? Você é como os outros? Você também me odeia, Haruka? – O olho da mais velha se arregalou. Ela sacudiu a cabeça freneticamente, negando com veemência a suposição do irmãozinho. Ela sabia. Ela já havia revisto aquela cena milhares de vezes em sua mente, esperava por aquelas perguntas. Mas havia uma grande diferença entre uma projeção mental e a realidade. O tom de voz dela saiu suplicante e sofrido, tentando desesperadamente convencê-lo de que suas suposições eram inverdades.

—Eu nunca poderia odiá-lo, Naruto. Nunca...

—Eu precisava de você. Eu... Eu... – Ele agarrou os cabelos, sentindo o ar ficar pesado. Lágrimas agora escorriam pelo seu rosto em profusão. – EU PRECISEI DE VOCÊ AQUI COMIGO!! POR QUE VOCÊ FOI EMBORA, DATTEBAYO?! POR QUE NÃO ME LEVOU JUNTO?!

—PORQUE EU ACHEI QUE VOCÊ ESTAVA MORTO!! – As palavras proferidas em um tom de voz inflamado que se igualava ao dele em altura desarmaram o Uzumaki mais novo. A mão da mais velha se fechou sobre o peito, agarrando o tecido do vestido delicado como se quisesse aplacar uma dor que sentia no coração. As lágrimas finalmente caíram dos dois olhos e ela prosseguiu, despejando as trevas que se alojaram no fundo de sua alma. – Eu os vi morrer, Naruto. Eu os vi morrer protegendo você. Meu braço estava cortado. Meu sangue se esvaindo do meu corpo. Eu era fraca. Eu os vi morrer, vi você em perigo e não pude fazer nada... Nada...! – Ela sacudiu a cabeça, soluçando enquanto falava. – Você foi cercado pelos conselheiros e eu desmaiei e acordei um dia depois no hospital. Perguntei sobre o que havia acontecido. O conselheiro me disse que você não respondia a estímulo nenhum. O selamento da Kyuubi o havia matado. Você era muito pequeno para receber uma descarga de chakra tão grande... – Haruka abriu o olho, finalmente encarando aqueles olhos perplexos que eram um reflexo do seu. – Eu havia perdido tudo. Tudo. Meus pais. Minha vila. Meu orgulho como ninja. Meu pequeno irmãozinho... Andar por esse lugar, respirar esse ar só era um tormento. Ainda hoje, não consigo andar pelas ruas sem ver os vultos de fantasmas do meu passado. Eu não conseguia ficar aqui, não nesse lugar que me lembrava tanto de vocês... Então eu fui embora. Eu podia ser uma ninja, mas ainda era só uma criança. Uma criança que não tinha mais nada. – O tom de voz foi se tornando mais calmo na medida que ela prosseguia. – A vida não foi fácil lá fora para uma menina sozinha com um braço a menos. Eu mal podia usar jutsus, somente o Kusari da mamãe e o Rasengan do papai. Superei as adversidades. Me tornei mais forte com o intuito de retornar a Konoha um dia. Proteger a vila que nossos pais e você morreram pra defender. Era meu modo de lembrar de vocês. De respeitar suas memórias. Você não sabe por quanto tempo eu sonhei, eu desejei que você estivesse vivo, Naruto... E quando eu te vi na fronteira durante aquela missão... Ao passar o tempo com você e seus amigos, eu pude notar que ao fugir do meu passado, eu tinha deixado algo muito importante para trás. A culpa é minha. A culpa é toda minha...! – A jounin agarrou a própria face, tentando esconder os olhos. Os soluços ficaram mais intensos. Toda aquela dor, toda aquela agonia entalada em seu peito finalmente sendo descrita em palavras. Ela podia sentir o sharingan latejando, como sempre fazia quando ela experimentava uma emoção muito forte. – Se eu não fosse tão fraca... Se eu fosse menos idiota... Por causa disso, você... Kh... – Ela mordeu o próprio lábio para conter um soluço. – Me perdoe, Naruto. Porque eu não consigo me perdoar pelo que eu fiz. Eu fui tão estúpida... Tão burra... – Os joelhos dela cederam e ela caiu sentada no chão. Curvando-se sobre si mesma, os punhos agarraram a grama com força.

Naruto a observava. Ela havia passado por tudo aquilo, pensado que tinha perdido tudo...

—Se você não suporta ficar em Konoha... Se esse lugar só te traz dor, por que você voltou? – Ele mordeu o lábio inferior. Ele precisava daquilo. Precisava saber se tudo o que ele notara nela era verdade.

—Porque você é meu irmão. Meu único irmão. Mesmo que não consiga me perdoar... Mesmo que me odeie, você foi o único deles que me restou. Se for para ficar ao seu lado, não me importo de voltar à Aldeia e enfrentar as sombras do meu passado. Eu quero te guiar. Quero ver você crescer. Quero cumprir a promessa que fiz à okaa-sama quando ela morreu. Eu quero te proteger. – Ela levantou o olhar para encará-lo. A ternura, a dor e a culpa se mesclavam na safira, que cintilava por causa das lágrimas. – Eu te amo... Eu te amo tanto...

Naruto cerrou os punhos, mais uma vez derramando seus sentimentos pelos olhos. Ele jurara a si mesmo que não ia chorar mais. Que seria forte, que não olharia para trás. Mas ao vê-la ali, ver o quanto se importava com ele... Ao ouvir aquelas palavras que alguém nunca havia lhe dito... Ele não pode evitar.

O loiro se jogou nos braços da ruiva, apertando-a com força e chorando com toda a alma. Ela estava atônita, mas logo entendeu que aquela era a maneira dele de aceitar seus sentimentos. E com um abraço que ela havia esperado 13 anos para lhe dar, chorou mais uma vez, não de tristeza. Não de ódio ou vergonha.

Mas de alegria.

E o garoto, acostumado há anos a ser desprezado, odiado e subestimado, pela primeira vez era a coisa mais importante aos olhos de alguém. O que tanto almejara estava estampado nela. Aquilo era algo seu. Somente seu.

Sua família.

Sua irmã mais velha.

…

O crepúsculo caía sobre a vila, pintando o céu de uma mistura alegre de azul, amarelo e laranja. Os Uzumaki ainda se encontravam sob a cerejeira, deitados próximos às raízes. Haruka tinha as costas contra o tronco da árvore e a cabeça de Naruto sobre suas pernas, deitado em seu colo. A mão direita da ruiva afagava os cabelos dele gentilmente. O loiro nunca havia experimentado um carinho antes. Era uma sensação gostosa e relaxante. Os olhos azuis se focaram nos galhos sobre si.

—Essa cerejeira é estranha. Estamos em pleno verão e ela está florida, -ttebayo. – Ele observou, guiando o olhar da mais velha para as flores rosadas sobre suas cabeças. Ela deu um sorriso enigmático.

—Essa cerejeira sempre foi especial. Mesmo que as outras floresçam na hora certa, ela sempre foi diferente. Isso se chama kurui-zaki*. – O olhar dela se tornou distante. – Eu costumava vir aqui com meus amigos quando era pequena. Deste lugar, conseguíamos ver a vila, e ninguém nos via. Era como um refúgio, onde podíamos ser nós mesmos. Por isso, se eu fosse ser honesta com você, escolhi este lugar. Me sinto confortável aqui.

—Entendi. – Ele ficou pensativo por alguns segundos, sorrindo logo em seguida. O garoto se sentou ao lado dela, empertigando-se como um gato e espichando os olhinhos azuis. Ele quase tremia de ansiedade. – Eu tenho tanta coisa pra te perguntar, -ttebayo! Ah, e primeiro: onde você tá morando?

—Eu estou no hotel. Ainda estou procurando um apartamento. Por quê?

—Família mora junto, não é? Você podia vim morar comigo, dattbayo! – Haruka piscou.

—Tem certeza? Ainda é muito cedo, e aproximar a distância* assim pode ser muito brusco. – Os lábios dela se curvaram em um sorriso bobo, e Naruto levou dois segundos para entender. Sua expressão murchou.

—*gota* Esse trocadilho foi horrível, -ttebayo. – O garoto comentou com cara de paisagem. Haruka deu uma risadinha e o cutucou com o cotovelo.

—Ah, qual é? Foi bom!

—Não foi não. – Naruto se arrepiou. Quem diria, ela era metida a engraçadinha! O Uzumaki deu de ombros, e logo o brilhinho pidão já retornara aos olhos de novo. – Mas então, você aceita?

Haruka entortou o lábio inferior e enrugou um pouco o nariz fino enquanto pensava.

—Tudo bem. – Ela finalmente respondeu. O irmão se lançou ao ar em um pulo, erguendo o punho em um gesto vitorioso.

—Yay!! legal, eu nunca morei com ninguém, -ttebayo! Vai ser legal. – Ele coçou a bochecha, recusando-se a deixar as memórias tristes do passado lhe afetarem. Agora ele ia morar com alguém. Ia ter uma pessoa em casa para lhe esperar quando ele voltava. Para lhe dizer “Okaeri” quando ele entrava. Uma família. O pensamento fez uma lágrima escorrer de seu olho, e ele fungou, tentando controlar o choro. O sorriso de Haruka murchou.

—Ei, o que houve? Está tudo bem?

—Sim, gomen... Eu só estou um pouquinho emocionado. Eu não esperava por isso, -ttebayo. – Ele fungou mais uma vez, limpando o rosto em sua manga. A mais velha sorriu afavelmente. A voz dele tremia por causa das lágrimas e da emoção, mas mesmo dentre elas, seu sorriso largo brilhou, iluminando seu rosto e olhar. – Eu... Eu estou muito feliz, dattebayo!

A ruiva suspirou, estendendo o braço até ele e cutucou sua testa com o dedo indicador e o médio, sorrindo.

—Eu também estou muito feliz, Naruto. Você não sabe quanto tempo eu esperei por isso. – A ruiva inclinou a cabeça para o lado, fitando-o. – Okaa-sama e otou-sama iam ficar felizes também.

—Ano, Haru-nee... – Naruto deu uma risadinha, coçando a cabeça. O olho da mais velha se arregalou com o apelido, e seus lábios se curvaram em um sorriso gentil. – Como eles eram, ein?

—Bem, a okaa-sama era uma mulher muito bonita. Ela era muito forte também, e assustadora quando estava brava. O jeito de falar dela era muito parecido com o seu. – Haruka se apoiou no braço esquerdo, olhando o céu estrelado enquanto contava, com um sorriso nostálgico, as lembranças dos pais que tanto amava. Naruto se sentou ao lado dela, absorvendo como uma esponja todo o conhecimento da irmã. – O que eu disse sobre os Uzumaki terem cabelo vermelho é verdade. O dela era bem vermelho mesmo. Eu puxei o cabelo dela.

—Mas se os Uzumaki têm cabelo vermelho, por quê eu sou loiro? – Ele tinha uma expressão decepcionada no rosto. – Seu cabelo é muito bonito, e aposto que eu ficaria legal com ele também. – Haruka deu uma risadinha enquanto ele se imaginava de cabelo ruivo. – O que foi?

—Nada. É que mamãe sempre dizia que os homens que ela mais amava foram os que elogiaram o cabelo dela. Ela dizia que era o seu Akai no Unmei Ito*, que a ligava ao papai. O mesmo se aplica a mim. Os poucos homens que eu já amei nessa vida já fizeram comentários sobre meu cabelo.

—Nossa. Isso é muito bonito.

—É sim. O amor dos nossos pais era uma coisa linda de se ver. – Ao notar a expressão do irmãozinho, ela rapidamente completou. – E o mais lindo mesmo era o quanto eles te amavam. Eles ainda estão aqui, sabe? Ao nosso lado, nos observando. – O mais novo olhou para o céu. Seria verdade?

—E o otou-chan, -ttebayo? Como ele era? – Ele rapidamente mudou de assunto.

—Eu já falei dele com você, não lembra? Na barraca de dango.

—Hm? – Naruto piscou, tentando se lembrar...

—Entendi. Ei, e como o Yondaime era? – Ele perguntou, com os olhinhos brilhando de curiosidade. Haruka deu um sorrisinho triste.

—Ele era uma pessoa muito calma e gentil. Não era o tipo de pessoa que levanta a voz, ao contrário da okaa-sama. Ela era assustadora. – Uma gota apareceu na testa da ruiva. – Otou-sama era muito bonzinho, protetor e confiante. Eu sempre podia contar com ele para qualquer coisa. – Ela notou que o clima estava ficando pesado para ambos. Para Naruto, Minato fora o Hokage que mais admirava, e o que o sentenciou àquela vida difícil que ele tinha. Ela suspirou e deu um peteleco no nariz dele para quebrar o silêncio. – Vou pegar outro dango. Você quer mais um?

—HAI! – Ele voltou ao seu modo energético em um segundo e seguiu a ruiva até a barraquinha de dangos.

O garoto estacou na mesma hora e a mais velha inclinou a cabeça, olhando-o com uma expressão divertida.

—Finalmente caiu a ficha.

—EH... EEEEEEEEEEEEEEEEEHHHH?!!! – O mais novo soltou um grito estridente, olhando em choque para a outra. – O Yo-yo-yondaime...?!

—Exatamente. – Ela assentiu com um sorriso paciente. Naruto demorou um tempo para se recuperar do choque e mais uma vez se lançou ao ar, pulando de alegria.

—UHUUUL, EU SOU O FILHO DO YONDAIME, YEAH!!!

Haruka ria enquanto ele dava pulinhos pela campina, antes de estacar de repente. Ficou parado alguns segundos, tocando o próprio estômago. Ela não precisava do Hijutsu de Kakura para saber o que se passava pela mente dele. Ao encará-la de novo, os olhinhos se iluminaram em compreensão.

—As pessoas temem o que elas não entendem, Naruto. Elas são ignorantes e tendem a agir com violência quando vêm algo que não compreendem. A culpa não é sua. Você não tem culpa de nada. – Ela lhe deu um singelo apertão. – Quanto ao meu pai... Eu acho que ele fez aquilo porque ele confiava em você. A Kyuubi tem um poder muito grande, Naruto, e você pode não saber, mas ela é extremamente importante para a vila. Mantê-la sob controle mantêm os inimigos fora. Ele não confiaria uma tarefa tão importante a você se não soubesse que você podia controlá-la. – Naruto se afastou, encarando-a confuso.

—Então o Yondaime selou a Kyuubi em mim... Porque ele confiava em mim? Mas como? Por quê? – As dúvidas começaram a se acumular na mente do loirinho. Haruka mordeu o lábio inferior.

—Porque ele é s... – *ROOOOOOOOONC* A ruiva parou na hora, piscando para o loiro com uma gota enorme na testa. Ele corou de supetão, dando uma risadinha sem graça.

—Eu acho que eu fiquei com fome, -ttebayo... – Ele se levantou, indo até a cozinha pra pegar dois copinhos de lámen e botar a água pra ferver. Haruka o assistia atentamente. – O que você tava falando mesmo, Haruka-san? – Ela deu uma risadinha. A habilidade dele de se desligar era impressionante. Traço clássico de um hiperativo.

—Me chame só de Haruka. E não é nada. Por hora, só acredite em mim. – Ela se levantou, indo até a mesa para esperar. Naruto fez beicinho.

—Ah, qual é, me conta! – A ruiva riu, cutucando a testa dele com o indicador e o médio. O menino fez uma carranca. O que raios era aquilo? Ela somente sorria ternamente para ele, exibindo todos os dentinhos muito brancos. Ainda era muito cedo para contar algo como aquilo. Seria melhor esperar até que ele se acostumasse com ela.

—Te conto mais tarde.

—Foi por isso que você disse aquilo naquele dia, não é? Sobre a Raposa? – A mulher sorriu torto, assentindo em silêncio, e fez um gesto para que ele se aproximasse. Naruto veio correndo, mas mais uma vez, foi surpreendido por um cutucão na testa.

—Exatamente. Mas hoje não é dia de falar disso. – Ela sorriu e se levantou, dando tapinhas no vestido para tirar a grama do tecido. Ela saiu andando. – Vamos. Eu tenho que levar minhas coisas pra sua casa, afinal. E já está tarde.

O rosto do loirinho iluminou-se e ele a seguiu, deixando para trás a cerejeira e aquela campina imaculada. O ar estava leve, carregando consigo risadas e bons sentimentos.

Notas finais
Kurui-zaki = Florescimento insano. É um fenômeno que acontece quando uma cerejeira floresce fora de época. Akai no Unmei Ito = Fio Vermelho do Destino. Distância = A piadinha da Haruka é um trocadilho com o próprio nome. Distância se lê como "haruka". Confesso que quase chorei escrevendo esse capítulo. Quase. Bem, agora o Naru sabe! Como será que vai ficar a vida deles daqui pra frente? Será que vai ser tudo um mar de rosas, ou outras coisas vão aparecer no caminho? Lembrando às pessoas imaginativas que não vai ter incesto aqui, tá? Ja ne Kissus, Ina-sama