Notas iniciais
Não, eu não morri. E por favor, guardem as pedrinhas. Eu sei que demorou bastante e que não tá lá grande coisa, mas existem coisinhas chamadas faculdade e falta de inspiração que tornaram a escrita desse capítulo sofrivelmente longa. Como entro em recesso essa semana, tentarei postar o próximo até sexta. Boa leitura

Naruto abriu os olhos, levando um tempo para se acostumar com a luminosidade abundante. O canto harmônico dos pássaros sobre as árvores lhe transmitiram paz quando se sentou e olhou ao redor. Era uma clareira florida banhada pela luz matutina, de grama alta e aveludada. O Uzumaki admirou o lugar estranhamente familiar...

—Que bom, você acordou. – Uma voz suave cortou o silêncio da orquestra natural que se instalava no lugar, e fez o Uzumaki virar a cabeça rapidamente em direção a sua origem. Usando um yukata sem mangas rosado, estava uma das pessoas mais lindas que o loiro já vira. O coração dele se apertou ao ver aquele sorriso gentil dispensado a si próprio.

—Haku... O que está fazendo aqui? Você era para estar...

—Morto? – O Koori riu ao se levantar e caminhar até ele. Estava da mesma maneira em que estivera quando Naruto vira seu rosto pela primeira vez. De fato, aquela era a mesma clareira. Era quase uma lembrança... Quase. – Eu posso ter desaparecido deste mundo, Naruto, mas a minha lembrança, minha memória, persistirá em seu coração enquanto não me esquecer. – A voz aveludada do nukenin carregava sua gentileza característica, assim como os olhos castanhos que se pousaram sobre o menor. – Eu vim aqui porque pensei que quisesse conversar um pouco.

—Entendi. – Ele respondeu. Porém, era parte verdade. Até agora ele não entendera como uma pessoa morta poderia estar ali. – E sobre o que exatamente, você quer conversar?

—Sobre pessoas preciosas. – Haku olhou para o teto verde e vivo que se expandia sobre eles e sorriu. – Você finalmente encontrou uma para você, não é?

—Eu... Eu tenho pessoas preciosas, -ttebayo! Meus amigos...

—Não estou falando sobre simples amizade, Naruto. Mas sobre um laço familiar. – Os olhos cor de chocolate do Koori lentamente o olharam de soslaio, enquanto seu rosto permanecia virado para cima. – Estou falando de uma pessoa que faça você se sentir realmente importante. Necessário. – O loiro engoliu em seco. Ele finalmente entendia o que o outro queria dizer. – Alguém que faça você se sentir único... Insubstituível. É ótima a sensação de ter um propósito na vida de alguém, não é?

—Sim... Realmente é. – Ele suspirou, fazendo um sorriso pequeno cruzar seus lábios finos. – Haru-nee... Ela é... Eu sinto que ela vai sempre estar ali pra mim. É complicado de explicar. Meus amigos são importantes para mim. Eles são a minha família. Mas a Haru-nee está sempre me dizendo que eu sou especial. As palavras dela... – Ele cerrou os próprios punhos sobre suas coxas e olhou para eles, sentindo a emoção formar um bolo na garganta. – Elas fazem eu me sentir amado. Que não importa o que eu seja ou o que eu me torne, que ela vai sempre estar ali. Uma família é assim -ttebayo?

—A minha mãe era assim. Ela conseguia fazer com que eu me sentisse uma pessoa preciosa. Que meu poder era um dom, mesmo que as pessoas o temessem. Meu pai, infelizmente, não era igual. – O olhar do moreno endureceu por alguns segundos. – Mas, quando eu encontrei Zabuza... Ele me fez sentir o mesmo calor que eu sentia perto de minha mãe. Mesmo que ele dissesse que eu era só uma arma... Eu sabia que aquilo não era o que ele sentia realmente. É como se ele estivesse tentando mentir para si mesmo quanto ao que eu significava para ele. Ele não queria se apegar porque sentia que poderia me perder. Que poderia se deixar levar pelo próprio coração.

—E você não se importava que ele não era honesto?

—Não. Eu já sabia a verdade, e estar na companhia dele era mais do que o suficiente. Eu queria vê-lo realizar seu sonho e dei minha vida por isso. Ele, pelo menos, percebeu antes de morrer o que estava em seu coração. Aquilo o que eu sempre soube.

—Entendi. – Naruto também olhou para cima, observando os raios de luz penetrarem na clareira pelos espaços entre as folhas, cujo verde fora avivado por eles. – Acredito que a Haru-nee seja assim também. Não sei, às vezes sinto que ela sempre tem algo a esconder. O olhar dela fica sério de repente, ela demora a me contar as coisas... Às vezes, ela parece meio...

—Solitária? – O Koori arriscou, arrancando um meneio de cabeça positivo do loiro. – Zabuza era assim também. Quando eu era pequeno, mal podia dizer o que se passava por sua cabeça. Ele já vivenciara muita coisa, e a maioria delas era bem desagradável. Ele também ficava parado, pensando sobre seu passado, mas havia coisas que ele escondia, e que só compartilhou comigo depois de anos. Sua irmã parece ter o mesmo problema. Talvez se você for um pouco mais direto, ela te conte a verdade. – Haku finalmente olhou para ele, e o Uzumaki retribuiu o olhar. Levantando-se em um pulo, o sorriso colgate desabrochou nos lábios do mais novo, com confiança renovada.

—Tem razão. Eu ainda estou com ela há pouco tempo, e não a conheço muito. Mas acho que eu vou descobrir mais cedo ou mais tarde o que a perturba, não é? Obrigado, Haku. Você ajudou bastante.

—De nada. Mas agora, você tem que acordar.

—Ein?

—Acorde. – O sorriso de Haku sumiu em meio à escuridão, assim como o resto do cenário.

Quando Naruto deu por si que tinha os olhos fechados, abriu-os, identificando o quarto da irmã. Sonolento, sentou-se sobre a cama bagunçada e procurou um sinal da silhueta da ruiva no aposento. Jogando os pés para fora da cama, ele caminhou até a cozinha, já sentindo o cheiro do café da manhã. Ao chegar lá, entretanto, se escondeu atrás da pilastra para observar.

Haruka estava parada próxima a janela, com o rosto sereno ao contemplar o horizonte. Os raios de sol batendo em seus cabelos vermelhos os faziam brilhar como fogo. A mão metálica se agarrava ao antebraço oposto, com um aperto um tanto forte sobre a pele, como se estivesse tentando conter alguma emoção ou até mesmo dor. O olho azul transmitia tristeza.

Naruto deu um passo a frente, curioso para saber o que causou aquilo. Por que aquele olho tão gentil demonstrava tamanha miséria?

Foi ali que ele deu conta que não conhecia nada dela.

Ao dar mais um passo, sua presença foi finalmente notada. Aquele semblante triste se transformou em um sorriso gentil.

—Bom dia. Está com fome? – A voz dela soou natural aos ouvidos do mais novo, mas aquele resquício de tristeza ainda estava presente na safira que o encarava. Ele jogou seu peso de uma perna para a outra e timidamente assentiu, caminhando até a mesa onde a refeição já estava posta. Haruka o acompanhou, analisando seus movimentos com o olhar. – Você está bem?

—Hm? – Naruto já havia agradecido pela refeição e já tinha um peixe na boca quando a pergunta foi feita. Engolindo-o, ele finalmente se dispôs a falar. – Sim. Não é nada. – Ele viu a expressão dela endurecer um pouco por conta da incredulidade e baixou os olhos para sua tigela de arroz, cutucando-o com a ponta dos hashis distraidamente. – Ano, Haru-nee.. Você parece meio triste hoje. Aconteceu alguma coisa? – A cabeça permaneceu abaixada, mas as safiras do jinchuuriki encaravam a mais velha de soslaio. A expressão dela endureceu mais ainda, e após um silêncio sepulcral que parecia ser oriundo de um conflito mental, ela suspirou, dando-se por derrotada.

—Sabe, eu tinha um amigo. – Naruto se empertigou, finalmente virando o rosto para encará-la direito. – Um amigo de quem eu gostava muito. Ele era quase um irmão para mim. Nós costumávamos ser inseparáveis. Mas ele tinha feridas que eu não consegui curar.

—Mas eu pensei que você não fosse uma médica, -ttebayo. – O loiro piscou, confuso.

—Não estou falando de feridas do corpo. Mas do coração. – Um sorriso tênue enfeitou os lábios dela. – Esse meu amigo foi engolido pela própria escuridão que habitava sua alma... E agora não consigo alcançá-lo. Portanto, que isso lhe sirva de conselho se você um dia passar por isso: não desista, está bem? – Naruto a encarou por um momento. Por mais lento que o Uzumaki mais novo fosse para entender algo, isso somado a coisas que Haruka já havia lhe dito deixavam perfeitamente claras as suas palavras.

—Não é nada. – A moça sorriu para ele, dando de ombros. – Mas, Naruto, eu quero que me faça um favor.

—O que?

—Fique de olho em Sasuke. Aqueles olhos são os olhos de alguém que está disposto a tudo por seu objetivo.

Sasuke.

Ela estava falando dele.

—Pode deixar. – Ele sorriu levemente, e um sorriso de alívio permeou o semblante da ruiva.

—Bem, agora coma. Hoje teremos um dia cheio.

—Hai!

…

Os Uzumakis finalmente se aproximaram do campo de treinamento do memorial dos MEC, onde Sakura e Jiraya já estavam esperando próximos aos tocos. Naruto acenou enfaticamente ao avistar a rosada, mas ela respondeu simplesmente com um olhar confuso para Haruka.

—Haruka-san... O que ele está fazendo aqui?

—Naruto vai treinar comigo hoje. Gama no Ji... Digo, Jiraya-sama vai se revezar comigo pra ajudá-lo. – Sakura se arrepiou. Tudo bem, aquilo era esperado já que ela era irmã dele, mas isso significava que ela treinaria com o Naruto?

—Então eu vou treinar... Junto com ele? – O desânimo era quase palpável na jovem kunoichi, assim como a animação crescente no genin. O sorriso de Naruto já se alargava de orelha a orelha, mas murchou rapidamente diante da resposta da irmã.

—Chigau. Eu vou treinar vocês dois separadamente. Sakura-san, vamos mais para o fundo da floresta. Naruto vai ficar aqui.

—Mas, se você vai com ela... Como você vai me treinar também? – O loiro coçou a cabeça, estreitando os olhos para a ruiva. Haruka deu uma risadinha e ergueu a mão direita em um sinal de mão, criando um clone de si mesma. Os genins piscaram. – Você consegue fazer sinais de mão com uma só mão?! – Naruto exclamou, arrancando uma risadinha da ruiva. Sakura também estava estática.

—Mas é claro. – Jiraya finalmente entrou na conversa. – Se ela tem uma só mão, é óbvio que tenha desenvolvido essa habilidade, não é, Haruka?

—É isso aí. – A ruiva sorriu. Os genins se entreolharam. Era realmente óbvio. Provavelmente ela deve ter aprendido aquilo antes de ganhar a prótese.

—Bem, deixando sinais de mão de lado, vamos, Sakura-san. Está na hora de começar. – Uma das Harukas começou a andar em direção a floresta, sendo imediatamente seguida pela genin. A outra versão da jounin cruzou os braços e olhou para o irmãozinho, que as observava se afastar. – Bem, Naruto, seu treinamento consistirá em três habilidades a serem desenvolvidas: as chakra kusari, seu kuchiose no jutsu e sua habilidade de canalizar o poder da Kyuubi. Eu vou te auxiliar na primeira, Gama no Jiji na segunda e a terceira será um esforço conjunto. Então se esforce, está bem?

—Hai! E o que a gente vai fazer hoje?

—Primeiro vamos tentar ajudar você a liberar o poder da Kyuubi, pirralho. No final do dia, Haruka vai voltar para a Haruno e eu e você vamos praticar mais a Invocação. – Jiraya cruzou os braços e o mais novo sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

—Vocês não vão me atirar de um precipício de novo, vão? – A voz do loirinho saiu tremida enquanto ele lançava um olhar amedrontado aos dois. Haruka suspirou.

—Não, não faremos nada do tipo.

—E como vamos fazer isso, então? – O genin perguntou, incerto se gostaria da resposta ou não.

—O objetivo do treinamento aqui é simples: você vai tentar acessar o poder da Kyuubi através de uma situação de risco onde você será levado ao limite. Bem parecido com o que já fizemos, mas aqui o quesito principal é você se proteger.

—Me proteger? Me proteger do quê? – Ele piscou, confuso.

—De mim. – Haruka bateu os punhos e deu um passo a frente, encarando o garoto. Naruto recuou, certo de que aquilo seria uma péssima ideia. Para ele, pelo menos. Um dos cantos da boca de Haruka se curvou em um semi sorriso nada amigável. – Está pronto?

Naruto engoliu em seco, erguendo os punhos em uma posição de defesa enquanto ela calmamente cobria a distância entre eles com passos largos e lentos. Não havia nada além dos punhos cerrados da ruiva que pudesse indicar qualquer intenção ofensiva, mas havia uma aura maligna ao redor dela. Ele engoliu em seco novamente. Algo lhe dizia que aquele treinamento não seria fácil... Nada fácil.

Notas finais
Eu planejava descrever o treinamento nesse capítulo, mas como ele já ficou grandinho, vou dividir em dois caps. Foi enrolação? Talvez. Mas a verdade é que eu não estava com inspiração para cenas de luta e queria entregar o capítulo o mais rápido possível pra vocês, então ficou isso aí mesmo. Gomen ne. O próximo vai sair melhorzinho. Ja ne Kissus, Ina-sama