Notas iniciais
Não, eu não morri. Eu tive algo que é chamado bloqueio criativo e é uma droga, mas finalmente consegui terminar esse cap. Se tiver algo errado me avisem, não tive tempo de reler. Boa leitura

Vestido em um yukata vermelho-escuro com uma faixa branca atada à cintura, Sabaku no Gaara encarava Uzumaki Naruto com frieza. O loiro sentiu uma gotícula de suor escorrer pela testa, com as mãos ainda agarradas ao ombro da kunoichi desfalecida. Aquele cara... Ele era encrenca.

—Uzumaki Naruto. – O tom gélido de Gaara cortou o ar, arregalando os olhos azuis do loiro. – Você me irrita. – O Uzumaki piscou. O quê? Aquele cara se arrastou até ali para lhe ofender gratuitamente?

—E qual seria o seu problema comigo? – O medo do loirinho já sumira, dando lugar a outra coisa: raiva. E os olhos foram se estreitando mais e mais, a cada palavra do ruivo.

—O jeito como você parece estar sempre contente; o jeito como se utiliza de chistes para vencer adversários mais fortes; o jeito como está sempre cercado de seus amiguinhos e se esconde atrás deles como o covarde que é. Vejo ódio em seus olhos, um ódio muito parecido com o meu. Mas sua alegria torna seu ódio fraco. E isso te torna fraco. – Naruto estufou o peito, colocando-se inconscientemente entre Hinata e o ruivo assustador. Konohamaru rapidamente se escondeu às costas do mais velho, trêmulo por causa da presença do jinchuuriki ruivo.

—Não vou ser intimidado por um cara sem sobrancelhas! Então, se quer cair pra mão, seu esquisito, pode vir! Eu não tenho medo de você, dattebayo! – Os orbes cerúleos e esmeraldinos se encaravam com raiva, e Gaara notou o brilho determinado que queimava na alma do desafiante. Interessante... muito interessante. O que aconteceria se ele lhe tirasse um de seus preciosos amiguinhos? Aquele brilho estranho continuaria ali, ou seu ódio tomaria conta? Ele com certeza notou algum tipo de força naquele loiro desbocado... E semelhança.

Semelhança consigo mesmo. Maior e muito mais forte do que a que sentia com o ódio de Uchiha Sasuke. Aquele garoto bobo podia entender sua dor melhor do que imaginava. O corpo de Gaara começou a tremer com a excitação de ter achado uma nova presa. Sim... Ele se roía de curiosidade para ver a extensão daquele ódio. O sorriso macabro do Ichibi no Jinchuuriki provocou um pequeno gemido assustado em Konohamaru, mas Naruto não recuou.

Gaara levantou a mão vagarosamente. Não havia trago sua cabaça, mas perto dali havia uma fonte com areia fina imitando uma praia. A areia da fonte lentamente se ergueu ao seu comando, com a suavidade de um sino de vento que é agitado por uma brisa de verão. Seria rápido. Talvez ele atacasse a menina patética desfalecida atrás dele. Talvez o pirralho. Não era muito, mas o suficiente...

E sua concentração foi cortada por um soquinho leve que levou no topo da cabeça. Gaara piscou enquanto dois braços se enrolavam ao redor de seu ombro e o do outro jinchuuriki, com uma cabeça ruiva sorridente.

—Maa maa, meninos! Isso não é lugar nem hora para briga. Estamos numa festa. Se têm alguma desavença, não acham melhor resolverem isso na Prova? – O tom tranquilizador de Haruka irritou os ouvidos do ruivo mais novo. Ela... Aquela já era a segunda vez que aquela sensora intrometida o impedia de lidar com o Uzumaki. O loiro pareceu feliz e aliviado ao vê-la, lançando-lhe um olhar agradecido. A Uzumaki mais velha olhou de um jinchuuriki para o outro, seu olho cerúleo demorando-se levemente sobre Gaara. Aquela seriedade... Aquele tom de ameaça...

—Não, Gaara! Não faça isso, é errado! – Seu tio parara entre ele e a garota caída, bloqueando com seu corpo uma investida da areia do jinchuuriki. Poucas vezes ele havia visto aquele brilho nos olhos arroxeados como nas vezes em que ele estava protegendo alguém.

…

—Yashamaru... Como se cura uma ferida do coração? – O loiro abaixou até a altura do ruivinho, encarando-o profundamente nos olhos.

—Uma ferida dessas se cura com o amor, Gaara.

Interessante. Como ele pensava, ela o estava protegendo o tempo todo. E como um verme, Naruto se escondia atrás dela e de seus amiguinhos. Ele era fraco. Mas aquele brilho em seus olhos despertara a curiosidade do Sabaku no.

Mas na próxima vez, ela não estaria lá para impedi-lo. Gaara deu de ombros, desvencilhando-se do braço dela e calmamente caminhando para longe do grupo. Ele teria a Prova para caçar... Para ver a intensidade do ódio do Uchiha e do Uzumaki. Para provar que estava vivo.

Ele parou, olhando para o outro jinchuuriki por cima do ombro.

—Espero que passe nas lutas durante a Prova, Uzumaki Naruto. Eu quero enfrentá-lo apropriadamente. Sem seus amigos ou a sensora para que você possa se esconder de mim. E fique avisado: Você é minha presa. – O tom soturno do ruivo pairou no ar mesmo após sua retirada. O cenho de Haruka se franziu quando ela se endireitou, olhando para o trio. Naruto a encarou, um pouco chocado e um pouco agradecido por ela ter interrompido o que parecia que ia se tornar uma briga feia.

—Valeu, Haru-nee. Se você não tivesse aparecido, eu...

—Não me agradeça ainda, Naruto. Ele marcou você, e isso é qualquer coisa, menos bom. – Ela o cortou imediatamente.

—Me marcou? O que você quer dizer com isso? – Ele estreitou os olhos, encarando-a confuso.

—Isso significa que ele não vai descansar enquanto não lutar com você. E pela fama que tem, só vai parar quando você estiver morto. E ele não é oponente que você possa enfrentar no seu nível de poder.

—Você tá dizendo que eu não aguento o esquisitão sem sobrancelhas? – Naruto retrucou, ligeiramente ofendido. Haruka olhou o ponto em que Gaara mergulhou na multidão.

—Não do jeito que você está. Na verdade, eu acho que de todas as pessoas aqui, a única que tem chances de enfrentar aquele jinchuuriki em seu poder total é você, Naruto.

—Jinchuuriki? O que raios é um jinchuuriki? – A pergunta saindo dos lábios do menor causou uma tensão no ar, e Haruka correu os olhos pela sala, atenta àqueles que estivessem ouvindo sua conversa.

—Isso é conversa pra mais tarde.

—Ah, não! Você sempre vem com esse papinho! Me fala...

—Mais. Tarde. – O tom pausado e o olhar autoritário da ruiva emudeceram o mais novo. Ele contraiu os ombros, resignado e contrariado, e a expressão dela se suavizou levemente. Ele merecia saber, mas não ali. Não na frente do Sarutobi e de todas aquelas pessoas... Na frente dos conselheiros da vila. Não. Se fosse explicar sobre aquilo, que fosse em seus termos. – Depois da festa eu te conto. Aqui não é lugar nem hora para isso. – Ele ficou menos mau humorado ao ver que ela cedera terreno, e lançou um olhar para Hinata.

—Está bem. Mas o que vamos fazer com ela? – Haruka piscou e seu olho seguiu a direção do olhar do otouto, encontrando a figura imóvel da Hyuuga sobre o banco. Haruka andou até ela e checou-lhe o pulso.

—O que houve com ela?

—Eu perguntei se ela era namorada do niichan e ela desmaiou. Garota estranha. – O Sarutobi finalmente se manifestou na conversa. A ruiva deu uma risadinha.

—Entendo... Então ela deve estar bem. Achem um pouquinho d'água ou algo forte para ela cheirar, está bem?

—Hai! – Disseram os dois em uníssono, cada um correndo para um lado em busca de algo para fazer Hinata acordar.

…

Os olhinhos de Hinata se abriram devagar. Os Uzumakis e o Sarutobi já haviam transferido-a para um divã do outro lado da sala, de modo que pudesse se deitar com mais conforto.

—O... O que houve?

—Você desmaiou de novo, -ttebayo. Tá tudo bem, Hinata? – Naruto espichou os olhinhos muito azuis, se aproximando do rosto da Hyuuga. Ela levou um tempo para processar o que estava acontecendo, e quando seu cérebro o fez, a vermelhidão costumeira tingiu a pele branca. Haruka segurou a cabeça do irmão, para evitar que ele maculasse mais ainda o espaço pessoal da menina e a fizesse desfalecer novamente.

—Deve ter sido hiperventilação. Afinal, você ainda não está 100%, não é, Hyuuga-san? – Haruka deu uma piscadela para a azulada por trás de Naruto. A mais nova notou que ela havia criado uma desculpa para seu súbito ataque e assentiu freneticamente, encolhendo-se no divã. Parecia que ela era uma aliada, afinal.

—Obrigada por tomarem conta de mim. E é um prazer te ver de novo, Namikaze-san. – A mocinha falou baixinho, olhando para os dedos que se mexiam nervosamente. Ela arregalou os olhos brancos ao se lembrar de um detalhe. – Ano... Namikaze-san...

—Sim, Hyuuga-san?

—Você é a aneki do Naruto-kun, não é?

—Hai! – Naruto assentiu antes que Haruka pudesse fazê-lo, coçando o nariz com as costas do dedo indicador. – Eu disse pra vocês, não disse?

—Essa é a sua irmã?! – Konohamaru a olhou de cima a baixo, admirado, o que se tornou em uma expressão suspeita logo em seguida. – Não parece nada com você.

—É porque eu puxei à haha-ue. Naruto puxou ao chichi-ue. – Haruka explicou brevemente. O loiro menor e o moreninho passaram um momento se encarando feio antes que Hinata fizesse seu comentário.

—Mas até o sobrenome de vocês é diferente. E parando para lembrar, Namikaze não era o sobrenome do Yondaime? – Konohamaru piscou. Aquilo era verdade. Já ouvira várias vezes de seu avô o nome Namikaze Minato. Ele deu uma olhada de Naruto para Haruka, surpreso. O sorriso convencido do loiro se alargou.

—O sobrenome dela é o mesmo do Yondaime porque ele é nosso pai, -ttebayo!

—NANIIIIIIIIII?!!! – O Sarutobi e a Hyuuga exclamaram juntos, atraindo um pouco de atenção dos demais convidados para o grupo. Haruka deu uma risadinha.

Hinata estava simplesmente incrédula. O garoto que ela conhecia há tantos anos, que fora escorraçado pela vila inteira... Era o filho do homem que morreu para salvá-la. Seu Naruto-kun descendia de heróis.

—Incrível...!

Konohamaru era sem dúvida quem estava mais surpreso.

—Nossa, oyabin... Isso é demais!! – O garotinho exclamou, cerrando as mãozinhas em um aperto entusiasmado. Naruto coçou o nariz.

—Eu disse que eu era impressionante, -ttebayo. – Haruka deu um soquinho na cabeça dele da mesma maneira que fizera com Gaara, fazendo-o acordar de seus delírios de grandeza.

—Se vocês estão bem aí, voltarei para o lado de Kakura-dono. Ela vai embora amanhã e seria bom eu passar um tempo com a minha mestra. Naruto, já que você está com seus amigos, vou deixar você aí. Só não se mete em mais confusão, tá? – Ela tocou a testa dele com o indicador e o médio e se levantou, caminhando para longe do grupo. Naruto deu uma olhada na dupla ao seu lado. Com certeza não eram quem ele esperava encontrar ali, mas não podia dizer que não estava feliz por ter a companhia deles. Gaara já parecera ter dado sua mensagem do dia, então não iria importuná-lo mais. Agora podia aproveitar a festa como devia, com todos aqueles olhares estranhos de pessoas que desaprovavam sua presença no local. Agora teriam que conviver com ele ali, dattebayo!

…

O coração do Uzumaki estava leve enquanto a dupla andava pelas ruas escuras em direção a sua casa. A luz tênue lunar era auxiliada pelos postes de luz, tornando o caminho menos sombrio. Haruka o observava, com um suave sorriso no rosto.

—Até que você se comportou muito bem, Naruto. Gostou da festa?

—Sim! A comida tava ótima, mas o melhor foi ver a cara dos bocós quando me viam lá, dattebayo! – Ele comentou em seu jeito entusiasmado de falar, com os olhinhos brilhando de felicidade. O sorriso foi murchando levemente enquanto pensava. – No final, começaram a me respeitar. Mas sei que só estão fazendo isso por sua causa e do tou-chan. Se você não estivesse lá... – Naruto fez uma carranca. Haruka sorriu, recolhendo os ombros.

—Ainda virá o tempo em que te respeitarão por quem você é, Naruto. Até lá, apoie-se em mim. Sou seu suporte de agora em diante. – Ela riu, deu uma piscadela e o abraçou com um dos braços pelo pescoço, desequilibrando o garoto um pouco. Com certeza, com a rapidez de aprendizado e a quantidade de chakra dele, se tornaria um shinobi extremamente poderoso no futuro.

Ele riu, mas rapidamente se lembrou de algo.

—Ano saa, Haru-nee. – Ela olhou para ele. – E aquele negócio de jichuu... Jinchuu...

—Jinchuuriki?

—Isso! – Ele sorriu de orelha a orelha. – Você prometeu que me contaria o que é. Agora estamos sozinhos, então desembucha! – O loirinho bateu o pé no chão, irredutível. A ruiva suspirou, massageando a nuca enquanto pensava em como diria aquilo. Era um assunto muito delicado.

Ela caminhou até um banco vazio e se sentou. Naruto se sentou ao seu lado, empertigado como um gato curioso.

—Bem, você quer saber o que é um jinchuuriki, não é? Primeiro, você tem que saber o que é uma Bijuu. – Ela começou. – Há muito tempo, existia uma criatura com uma imensa quantidade de chakra que assolava essas terras. Para enfraquecê-la, o Rikudou Sennin, criador do ninjutsu como conhecemos, derrotou e selou a besta em si. Quando viu que quando ele morresse ela se libertaria, dividiu o chakra desta besta, conhecida como Juubi, em nove partes. As partes do chakra do Juubi tomaram vida própria e viraram criaturas únicas, cada qual com suas habilidades e aspecto. Essas criaturas são as Bijuus.

—Entendi. Mas o que isso tem a ver com a história? – Ele estreitou os olhos, se esforçando para entender. Haruka colocou as mãos sobre o próprio colo. Lá vinha a parte difícil.

—As Bijuus são monstros assim como o Juubi e como eu disse anteriormente, são nove, espalhadas pelo mundo. Se dividem em número de caudas. Quanto mais caudas, mais poder possuem. São mais fracas do que a original, mas ainda assim têm um poder absurdamente grande e uma compulsão por destruição. Os ninjas, seguindo o exemplo de Rikudou, aperfeiçoaram técnicas de selamento e prenderam estas bestas dentro de pessoas que pudessem controlá-las. Assim a Bijuu estaria contida e poderia ser usada para fins de determinados grupos. Estas pessoas que carregam estas bestas em seus corpos são extremamente poderosas. A mera existência de uma delas é capaz de alterar o equilíbrio de forças entre nações. Essas pessoas, estes heróis que são o Sacrifício Humano feito para conter o caos que as Bijuus causam são os Jinchuurikis. – Naruto arregalou os olhos. Aquilo era familiar. Tristemente familiar. – Você já entendeu, não é? Konoha, assim como muitas das grandes vilas, possui um Jinchuuriki. A função dele, assim como dos outros, é de servir como um meio de intimidação. Uma arma que pode ser usada contra aqueles que atacam nossa aldeia. Um escudo. Um símbolo de força. – O rosto de Naruto ficou soturno. Ele entendera o ponto. – O Jinchuuriki de Konoha é você, Naruto.

O garoto olhou para a própria barriga, onde o selo estava. Então era isso o que ele era? O que eles eram?

—Foi por isso que você disse que o tou-chan selou a Kyuubi em mim?

—Sim. – Haruka assentiu. – A Kyuubi tem estado em posse da vila desde a época do Shodaime. Naquele dia, um acidente ocorreu e ela se libertou. Para garantir que a Bijuu continuasse presa e sob controle, ela precisava de um novo Jinchuuriki. Mas não podia ser qualquer um. O corpo humano tem um limite de chakra que pode suportar, e o chakra da Kyuubi é enorme. Qualquer humano normal teria sido rejeitado. A Kyuubi é a mais forte das nove Bijuus. Não é qualquer pessoa que aguenta essa quantidade ridiculamente grande de chakra. Não... Tinha que ser alguém que tivesse resistência natural contra isso. Alguém com uma quantidade de chakra grande e compatível com o da Bijuu. – Haruka sorriu tristemente para ele. – Tinha que ser um Uzumaki.

—Então... O tou-chan me escolheu... Porque eu sou um Uzumaki?

—Ele te escolheu como Jinchuuriki porque ele sabia que você resistiria. Seu sangue Uzumaki e a fé dele em você o fizeram tomar essa decisão. Otou-sama junto com okaa-sama selaram a Kyuubi em você. Mas quem é a pessoa que a carrega o tempo todo, quem é aquele que impede que um desastre daqueles ocorra de novo... O escudo entre nós e a Kyuubi. Aquele que carrega esse pesado fardo e ainda sim consegue sorrir... É você, Naruto. Você e somente você. – Os olhos do garoto faiscaram com um brilho emocionado ao olhar para ela. Aquelas palavras...

Todos o tratavam como um monstro.

E por algum tempo, ele acreditou neles.

Mas aquelas palavras o fizeram ver a história toda de um ângulo diferente.

O brilho no olhar de Haruka ao fitá-lo era o mesmo de quem olha para um herói.

Era simplesmente incrível. Não importava o tamanho da escuridão em seu peito, ela conseguia destruí-la somente com suas palavras com uma facilidade arrebatadora.

Mesmo que o mundo o odiasse, se houvesse uma única pessoa que acreditasse naquelas palavras... Ele seguiria em frente sem pestanejar. Sem olhar para trás. Enterraria aquele passado de tristeza e seguiria pelo amanhã sem medo. Aquele que viveu nas sombras emergiria na luz.

Os ombros do garoto começaram a mexer levemente por causa dos soluços. Ele limpou as lágrimas com a manga do kimono, enquanto a mão direita da irmã afagava-lhe os cabelos revoltos.

—Obrigado. – Ele murmurou fracamente, acalmando a pequena cascata de sentimentos que fluía pelos olhos. Haruka deu-lhe um sorriso terno, ainda com a mão sobre sua cabeça.

—De nada. – E permaneceram em silêncio por um tempo, somente iluminados pela luz dos postes e da lua. Ao se acalmar, ele finalmente se lembrou do que tinha começado aquele assunto.

—Haru-nee...

—Hm?

—Aquele garoto sem sobrancelhas... O estranho da tatuagem na testa... Ele é um jinchuuriki também? – Naruto a encarou. Ele sentia algo estranho quando estava perto de Gaara. Era quase como se... Ele o entendesse. Como se ele pudesse ver o que se escondia por trás de toda aquela crueldade.

—Sim. Ele é o jinchuuriki do Shukaku da Areia. É a Ichibi. Dentre todas as Bijuus, é a mais fraca. Mas não se conforte em saber disso. Ainda é uma Bijuu, e nem mesmo metade dos shinobis dessa aldeia juntos se igualariam ao poder dela. Eu disse que você é o único que pode derrotá-lo porque você também tem o poder de uma bijuu em você.

—Então eu tenho que controlar isso, dattebayo! Se aquele cara pretende cumprir a ameaça... As pessoas ao meu redor podem estar em perigo. Além do mais... Haru-nee, você parece bem forte. Você não seria páreo pra ele?

—Em minha condição atual? Nem pensar. – Haruka suspirou. Era realmente frustrante, mas ela tinha que conviver com aquilo. Metade de seu chakra era drenado pelo selo e metade da metade disponível era armazenada no selo de reserva. Para uma luta, Haruka contava apenas com um quarto de sua quantidade natural de chakra sem ativar o selo de reserva.

Naruto grunhiu. Parece que ele ia ter que lidar com aquilo sozinho.

—Se eu vou enfrentar aquele cara... Você pode ao menos me ajudar? – Haruka olhou para ele.

—Venha amanhã ao campo de treinamento dos tocos de madeira. Vou estar com a Sakura-san, mas vou poder te dar atenção também. Também tentarei contatar aquele Gama no Jiji safado. Ele prometeu que ia te ajudar, e ele vai fazer isso. – Um brilho maligno faiscou nos olhos dela, arrancando uma risadinha do loiro.

—Combinado então, dattebayo!

—Yoshi. Agora vamos pra casa, já está tarde e você tem que dormir. – Ela se levantou do banco e o fez em um salto, dando uma corridinha para alcançar a ruiva que já estava alguns passos à frente. Sua presença cada vez mais distante ecoava na rua deserta, levando consigo os sons que eram sufocados pela negritude da noite enluarada.

Notas finais
No próximo começa o treinamento pra prova! Mandem reviews, ein? Recomendações são bem vindas! Ja ne Kissus, Ina-sama