Tekken no Kimochi
5 Arco-íris Solar
Notas iniciais
—Prova Chuunin? – Haruka perguntou quando o garoto lhe contou sobre a novidade, com o dango a 3 centímetros de sua boca. Ela não gostava da ideia. Não gostava nadinha. A Prova Chuunin era muito perigosa e ele era só uma criança!
Porém, os olhos dele brilhavam tanto com a notícia que ela engoliu em seco. Não poderia menosprezar a ideia, não quando ele havia a procurado para contar aquilo com tanta alegria. Dava quase pra ver a aura brilhante de euforia ao redor do loirinho, e a ruiva não seria aquela a estragar. Ela suspirou e lhe deu o seu melhor sorriso, rezando para que Kakashi soubesse o que estava fazendo. – Isso é maravilhoso, Naruto! Com certeza vocês vão se sair bem. – Ele retribuiu o sorriso colgate dela com o seu próprio, quicando no banquinho de felicidade. Ele se levantou em um salto e apontou para o céu, colocando a outra mão na cintura em uma pose dramática.
—Hai! Você vai ver, Haruka, eu vou ser incrível! Vou chutar a bunda dos outros concorrentes e principalmente a do Sasuke, e aquele idiota vai aprender a nunca me menosprezar de novo, dattebayo! A Sakura-chan vai me achar tão legal que ela vai desistir dele e vir correndo para os meus braços! É o plano perfeito!! – Coraçãozinhos substituíram os olhos do Uzumaki enquanto ele fantasiava com o momento em que a rosada o beijava. Haruka assistia a tudo de camarote, rindo em seu banquinho. Ele era realmente uma figurinha.
—Sim, seu plano é excelente, Naruto. Pena que as duas primeiras fases da Prova envolvem trabalho de equipe, então você vai precisar da ajuda da Sakura-san e do Sasuke-kun. – Aquilo foi como jogar um balde de água fria na cabeça do menino. Ele murchou na mesma hora, encarando-a com uma expressão cabisbaixa e melancólica.
—Harukaaa, por que você é tão má, -ttebayoo? – Ele fungou, ameaçando choro. A cabeça da ruiva pendeu para um lado, e ela agitou seu espetinho no ar enquanto falava.
—Isso não é maldade. É só experiência. – Ela deu de ombros, mordendo mais um pedaço de seu doce. Aquilo dera ao loirinho uma ideia e ele se aproximou dela devagar, com uma expressão de quem estava prestes a fazer algo ruim.
—Ei, Haruka... Você fez a Prova também, né? – A moça estreitou o olhinho muito azul. Não estava gostando do tom daquilo. A voz dele tinha aquele tom de quem ia pedir algo, ficando arrastada em alguns pontos da fala.
—H-hai... – Naruto foi chegando mais perto do rosto dela, fitando-a profundamente no olho enquanto ainda carregava aquele sorriso sinistro.
—Você pode me contar como foi? – Ele lhe mostrou a melhor cara de cachorro pidão que podia fazer, juntando as mãozinhas em uma prece. A ruiva riu.
—Você sabe que isso é trapaça, né?
—Não é trapaça. É coleta de informações, -ttebayo! – Retrucou ele, fingindo indignação.
—Yare yare... – A moça suspirou e deu outro cutucão com o indicador e o médio na testa do menino, fazendo-o cambalear um pouco. – Se você quer ser chuunin, tem que fazer isso com sua própria força, Naruto. Senão nunca vai virar um Hokage.
Ele levou a mão à testa, dando uma olhada feia pra ela. Haruka só piscou inocentemente e comeu o resto do dango em sua mão. Ela tinha razão, então Naruto não teve escolha a não ser se sentar ao lado dela. Logo outra pergunta pipocou na cabeça dele.
—Ei ei, Haruka, como você conheceu o Kakashi-sensei? – A ruiva olhou para ele e deu uma risadinha.
—Ele era minha babá.
—NANIIII?!!!! – O mais novo guinchou, mostrando toda a potência vocal de um Uzumaki. Kakashi como babá?!
—Hai hai. Kakashi era um dos alunos do meu pai, e tanto ele quanto a minha mãe eram ninjas. Quando ela estava ocupada para cuidar de mim, ela contratava um grupo de genins. Esse grupo era o time do otou-sama, e consequentemente, do senpai. Isso mudou quando virei genin, mas ainda assim, me lembro deles. – Naruto parou por um momento, imaginando Kakashi cuidando de uma Haruka pequenininha.
—E como ele era quando pequeno?
—Em uma palavra? Assustador. – Uma gota apareceu na cabeça do loiro. Haruka deu uma risadinha leve. – Ele era cabisbaixo, tinha uma personalidade horrível e era muito mau. Quando eu era pequenininha, eu preferia ficar perto da Rin-senpai ou do Obito-senpai. Eles eram bonzinhos comigo. Logicamente, quando eu virei uma ninja, minha relação com o Kakashi-senpai melhorou um pouco.
—Kakashi-sensei e seus podres... Mas ei, quando você virou genin?
—Hm? Ah, com cinco anos. – Ela respondeu naturalmente.
—NANIII?!!!! – E Haruka já tapou os ouvidos. O grito do garoto era ensurdecedor. – Tão cedo?! Mas como?
—Sei lá. As pessoas diziam que eu tinha jeito pra ninja, então meus pais me botaram na academia. Me formei tão rápido que otou-sama ficou orgulhoso, e comecei a fazer missões até virar chuunin.
—Entendi. Ei, e como o Yondaime era? – Ele perguntou, com os olhinhos brilhando de curiosidade. Haruka deu um sorrisinho triste.
—Ele era uma pessoa muito calma e gentil. Não era o tipo de pessoa que levanta a voz, ao contrário da okaa-sama. Ela era assustadora. – Uma gota apareceu na testa da ruiva. – Otou-sama era muito bonzinho, protetor e confiante. Eu sempre podia contar com ele para qualquer coisa. – Ela notou que o clima estava ficando pesado para ambos. Para Naruto, Minato fora o Hokage que mais admirava, e o que o sentenciou àquela vida difícil que ele tinha. Ela suspirou e deu um peteleco no nariz dele para quebrar o silêncio. – Vou pegar outro dango. Você quer mais um?
—HAI! – Ele voltou ao seu modo energético em um segundo e seguiu a ruiva até a barraquinha de dangos. Sasuke passava por perto e era seguido insistentemente por Sakura, que o convidava para comer um doce.
—Eu já disse que não gosto de doces. – Sakura ia abrir a boca ao argumentar quando avistou a dupla perto da barraquinha.
—Haruka-sama! – A rosada exclamou, atraindo a atenção dos colegas de time e da ruiva. Sasuke e a Haruno se aproximaram dos dois. – Bem que eu tinha ouvido que você estava na vila. O que você tá fazendo com o Naruto? – Ela perguntou, olhando da jounin para o loiro, que abriu um enorme sorriso e coçou o nariz, convencido.
—Eu e ela somos suuuper parceiros, -ttebayo! – Haruka corou um poquinho, levantando a mão para coçar a bochecha. Sasuke simplesmente ergueu uma sobrancelha.
—Isso é verdade?
—É isso aí! Somos super parceiros! – A ruiva riu, passando um braço ao redor do Uzumaki menor. Até ele pareceu incrédulo quando ela confirmou. Era a regra do improviso. Negação é proibida. Sakura e Sasuke olhavam para a ruiva como se ela fosse um bicho estranho. – E Naruto estava me contando sobre a Prova Chuunin. Parece que o senpai acha que vocês estão preparados.
—Ah, sim. – A Haruno deu um sorriso amarelo. Ela não se sentia preparada para aquilo, mas eles precisavam dela para participar. – Parece bem difícil, não é? – Haruka notou a inquietação da kunoichi menor e abriu a boca para adicionar um comentário encorajador, mas Naruto foi mais rápido. Passando um braço ao redor dos ombros dela, o loirinho lhe deu o melhor olhar 43 que coseguia fazer. A jounin teve que abafar o riso.
—Não se preocupe, Sakura-chan. Eu vou te proteger, dattebayo! – A veia na testa grande da rosada e o gancho de direita acertado bem no queixo do loiro foram uma dica clara de como ela lidaria com aquela constatação. Naruto saiu voando e Sasuke bufou.
—BAKAAAAAAAAAA!!!!
—Yare yare... – Haruka tinha uma gota enorme na cabeça enquanto o loirinho se recuperava, mas o olho azul captou algo estranho na postura da Haruno. – Sakura-san, sua postura está errada.
—Hm? – A raiva da menina esfriou e ela encarou a mais velha com um olhar confuso. Haruka sorriu pacientemente e repetiu.
—Seu soco. Quando for socar alguém, não lance só o braço. Um soco bem dado requer o corpo inteiro. – Naruto lançou um olhar desesperado a Haruka. O que raios ela estava fazendo? A ruiva se aproximou da menina e parou ao lado dela. – Afaste os pés. Você é destra, né? Pé esquerdo na frente. – A Uzumaki colocou o pé direito à frente, e Sakura repetiu a instrução, colocando-se em modo de ataque. Haruka começou a agitar a cintura, movendo o torso de um lado para o outro enquanto suas pernas permaneciam paradas. – Apoie o peso na cintura, vire o torso na direção oposta e contraia o braço. – Haruka flexionou o braço esquerdo, e como seu espelho, a rosada flexionou o direito. A ruiva sorriu. – Pense em seu corpo como uma mola e a tencione até o limite. Sinta a tensão e a libere, girando com a cintura. Firme o pé de apoio para não perder o equilíbrio. – Ela demonstrou e a Haruno copiou seu movimento logo em seguida. Ao sentir a potência do soco aumentada, o lindo rosto desabrochou em um largo sorriso.
—Obrigada, Haruka-sama!! Muito obrigada!
—De nada. E pare com o -sama, tá? Me chame de Haruka. – A moça sorriu de volta. Enquanto observavam a cena, Naruto e Sasuke tinham pensamentos diferentes.
—”Parece que essa técnica vai ser útil para nós.”
—”Eu tô ferrado, dattebayo. Sakura-chan vai me destruir.”
O silêncio foi quebrado por Sasuke, que tinha um sorrisinho presunçoso nos lábios.
—Parece que isso vai ser útil. A última coisa que eu quero é ter vocês como peso morto.
Sakura entrou em depressão instantaneamente, enquanto o loiro esbravejou, erguendo o punho.
—O QUE TU DISSE, TEME?!!
—Só a verdade. Sakura não tem nenhuma técnica específica, e se nos mandaram em equipes, exercícios de cooperação podem aparecer no exame. Preciso me certificar que não vou falhar por causa de vocês.
—Sasuke-kun... – Gemeu a rosada, tendo uma pedra inscrita com “peso morto” sendo suportada pela sua inner. Haruka franziu o cenho, levando uma mão à cintura.
—Não fique tão cheio de si, Uchiha-kun. Seus parceiros são importantes, e cada um tem um talento diferente. Além do que, trabalho de equipe é vital para um ninja. Um shinobi que não sabe trabalhar em equipe tende a falhar.
—Tanto faz. Meu objetivo é alcançar poder, não ser Hokage como um certo dobe. – Outra veia saltou na testa de Naruto. O moreno enfiou as mãos nos bolsos, olhando a jounin com um olhar entediado. A expressão dessa, entretanto, estava séria.
—Pra que? Por causa da sua vingança? – A expressão superior de Sasuke murchou na mesma hora. Como ela poderia...? – O caminho pelo qual você está indo não te trará felicidade, Sasuke-kun. Depois de concretizá-la, não restará mais nada. Não negligencie seus amigos. Você precisa e precisará deles. – O tom de aviso da Uzumaki fez os olhos do Uchiha se arregalarem levemente. O olho azul o encarava profundamente, como se pudesse ver sua alma. Ele sentiu borboletas em seu estômago e desviou o olhar. Havia algo de estranho nela, e isso o deixava inquieto. Ele deu de ombros e bufou, virando-se de costas para ela.
—Tanto faz. – E dito isso, ele se retirou, com uma Sakura aflita correndo atrás dele. Naruto notou que a expressão de Haruka continuava séria.
—Haruka, você tá bem? Do que vocês estavam falando?
—Não é nada. – A moça sorriu para ele, dando de ombros. – Mas, Naruto, eu quero que me faça um favor.
—O que?
—Fique de olho em Sasuke. Aqueles olhos são os olhos de alguém que está disposto a tudo por seu objetivo. – Ele a olhou intrigado, mas a Uzumaki mais velha deu de ombros. – Ah, que pena que eles foram embora. Eu ia convidar eles pra comer com a gente. Vem, Naruto. – Ela fez um beicinho e se dirigiu à barraca de dangos. O loirinho relutou por um momento, olhando para o local pra onde Sasuke fora. Aquilo tudo lhe dera uma sensação ruim, e ele não sabia se queria realmente entender o significado por trás das palavras da mais velha.
…
—Então, como sabem, a Prova Chuunin vai começar. – Sarutobi começou o discurso, olhando para os jounins ali presentes. Como via que todos prestavam atenção, continuou. – Para as três fases da prova, os examinadores serão: – Ele pegou uma lista. – Morino Ibiki, como primeiro examinador. – O torturador de sobretudo negro e bandana na cabeça deu um passo a frente. Sua aura inspirava medo. – Mitarashi Anko, como examinadora da segunda prova. – A mulher de cabelos roxos sorriu torto, dando um passo a frente. – E Gekkou Hayate. Mas, como ele está muito gripado e impossibilitado de concluir sua tarefa, Namikaze Haruka será a terceira examinadora. – O burburinho foi imediato quando a ruiva passou a frente. Ela trocou olhares significativos com o Hokage, sabendo o motivo por trás daquela mudança.
Havia um arco-íris solar pairando sobre a aldeia naqueles dias. Aquilo era um sinal. Sinal de que o mal se aproximava.
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