Teia de aranha
1 Capítulo 1 - Capítulo Único.
Notas iniciais
![]()
Kuroko estava terminando de se vestir para ir embora com seus amigos para comemorar a vitória de Seirin contra Kirisaki Daiichi, um time que joga da maneira mais suja possível. O jogador estava sozinho, seus companheiros de time estavam reunidos do lado de fora do ginásio.
A porta se abriu devagar, relevando a silhueta de um homem pálido, cabelos negros que caiam sobre o queixo, seus olhos eram de um tom de castanho opaco, e suas vestes eram verdes como o do time que acabara de ser derrotado por Seirin.
– Não deveria ficar sozinho em um vestiário, nunca se sabe o que pode acontecer. – A voz ecoou por todo o ambiente.
Kuroko não se deu ao trabalho de virar-se para encarar a pessoa, pois ele já sabia quem era apenas ouvindo sua voz. – O que quer aqui, Makoto Hanamiya? – Perguntou o jogador em um tom inexpressivo como sempre..
Hanamiya trancou a porta e caminhou em direção do pequeno garoto â sua frente. – Ainda está bravo com o que aconteceu na quadra? – O mais velho deu uma risada sádica.
– Eu não estou bravo. – Deu de ombros, pegando sua bolsa e colocando-a sobre o ombro. – Você joga bem, mas deveria jogar de forma honesta. – Kuroko se virou, finalmente encarando a face cínica do seu rival.
– Não existe jogo limpo. – Concluiu o moreno, se recostando em um dos armários.
– Existe sim! — O azulado cerrou os pulsos prestes a avançar no mais alto, mas não o fez. – Seirin joga todas as partidas de forma limpa, então não venha me dizer que não existe honestidade no basket, pois existe e você sabe disso. – Seu tom era calmo, mas seus olhos transbordavam diversos sentimentos.
Satisfeito em ver o menor estava começando a ficar irritado, Makoto alarga ainda mais o seu sorriso. Ele parecia apreciar ver o pequeno jogador irritado. – Eu só sei jogar com força bruta. – Suspirou, cansado de ouvir as idiotices que aquele garoto irritante à sua frente dizia. – Não vou mudar, pois não tenho motivos para isso. – Concluiu.
– Por qual razão você é assim? – Questionou o mais novo, fitando o rival com indignação.
No começo, Hanamiya não havia entendido a pergunta de Kuroko, mas depois de refazer a pergunta para si mesmo, o jogador desleal entendeu a pergunta feita pelo menor.
– Eu sou assim, porque eu devo ser assim, esse é o meu modo de jogar e nada me fará parar. – Respondeu de forma seca.
Tetsuya lamentou pela resposta do jogador incrível à sua frente. Contudo, ele não poderia fazer nada para mudar a visão errada que o moreno tinha sobre o basquete. – Espero que um dia perceba que sua maneira de pensar é errada, assim poderá se tornar um jogador melhor do que é hoje. – Após dizer isso, ele passa pelo mais velho, rumo ao encontro de seus amigos, mas antes que pudesse se afastar por completo do homem-aranha, ele puxa Kuroko de volta para si, prensando-o no armário.
– Que gracinha você é... – Murmurou maliciosamente sobre o ouvido do azulado.
– O que pensa que está fazendo, maldito? – Questionou de forma irritada.
– Desde que meus olhos perceberam a sua presença na quadra, não consigo parar de pensar o quão bonitinho e delicado você é. – Comentou o moreno, seu tom era zombeteiro.
O ex-jogador da geração dos milagres estava em sério perigo, pois a impulsividade de Hanamiya o tornava uma ameaça ambulante.
– Me solta! – Gritou. – Me solta!
O mais velho tapou a boca do pequeno com sua mão, impedindo-o de continuar gritando. – Não faça isso Kuro-chan, eu só quero te conhecer melhor. – Seu sorriso de cobra se alargava mais e mais. – Vamos brincar, caso não goste da nossa brincadeira, eu te solto e você poderá ir embora, okay?
Kuroko chamava por seus amigos mentalmente, mas eles nunca iriam ouvi-lo. Infelizmente, o jogador prodígio não tinha como se defender com suas habilidades. – Ar... – Murmurei entre os dedos de seu agressor.
Ao perceber que o garoto estava quase sem ar, Hanamiya tirou sua mão da boca dele, permitindo que o azulado voltasse a respirar. – Não grite, pois voltarei a tapar a sua boca e não me importo se você morrer por falta de ar.
Kuroko virou o rosto para o lado, não querendo ver o rosto de satisfação estampada no semblante do mais velho. – Idiota. – Murmurou para si mesmo.
– Olhe para mim! – Ordenou. – Quero que aproveite esse momento junto comigo. – Sua mão pousou nos cabelos azuis do garoto prodígio, acariciando as madeixas macias e cheirosas que ele possuía. – Quero tê-lo só para mim. – Murmurou, descendo suas mãos até o rosto do menor. – Não me rejeite. – Pediu, aproximando seu rosto perto do rosto do menor, fitando-o por um longo tempo.
Azuis nos nos cinzentos, cinzentos nos azuis. Ambos se fitavam com intensidade em busca de respostas nos olhos um do outro. Aquele poderia ser considerado o pior momento na vida de Kuroko, mas de uma forma muito estranha, o garoto das sombras não via mais aquilo como um momento ruim, mas sim o momento oportuno para entender o seu rival.
– Me beija. – Pediu Hanamiya, fitando os olhos do prodígio com luxúria.
– Então me diga: Por qual motivo você não acredita em um jogo limpo? — Perguntou, mantendo seus olhos atentos em qualquer movimento suspeito que o homem à sua frente ousasse tentar fazer.
O moreno suspirou derrotado, não querendo tocar nesse assunto, mas se esse era o preço de um beijo do jogador fantasma, o que ele poderia fazer? – Nunca acreditei em jogos limpos. Para falar a verdade, sempre acreditei e ainda acredito que em qualquer esporte é assim. – Seu tom era calmo, diferente da maioria das vezes em que ele fala com qualquer pessoa.
– Você não está errado, mas existem pessoas que lutam para manter a honestidade no mundo dos esportes. – Explicou o jovem azulado, dando um sorriso pela primeira vez desde que saiu da geração dos milagres.
Sem reação perante a resposta de Kuroko, Hnamiya solta menino, afastando-se rapidamente do mesmo. A mente do jogador agressivo estava confusa, pois nunca imaginou que pudesse existir alguém que acreditava na honestidade nos esportes como o Testsuya Kuroko acreditava.
Colocando sua mão direita sobre sua testa, o mais velho da uma risada. – Você realmente acredita nisso?
Com determinação em seus olhos, Kuroko responde de forma segura. – Sim, eu acredito. – Um novo sorriso se formou entre seus lábios. – E também acredito que você pode se tornar um jogador honesto, com técnicas incríveis para mostrar para o mundo. – Concluiu.
As palavras de Kuroko tiveram um forte efeito sobre Makoto Hanamiya, isso estava mais do que visível para o pequeno e teimoso jogador. Mas como o mais velho era orgulhoso demais, ele jamais iria dizer algo do qual pudesse dar a entender que o mais novo o perturbou com suas palavras.
– Não diga tolices, Tetsuya Kuroko. — O semblante do jogador desonesto estava sério. – Eu jamais vou mudar meu estilo de jogo. – Após dizer isso, ele da às costas para o menor e caminha em direção a porta de saída, mas o garoto prodígio puxa o mais velho de volta para perto de si.
– Esqueceu o seu beijo! – Disse o azulado, aproximando seu rosto do rosto do moreno, selando seus lábios nos dele.
O beijo começou calmo, devagar e morno. As línguas de ambos exploravam cada pedacinho da boca um do outro. A cada segundo que o beijo se intensificava, Hanamiya e Kuroko se entregavam mais e mais á aquele momento. Suas línguas se entrelaçavam de forma sublime e sensual. Aquele era o primeiro beijo dos dois, o mais logico é que deveria ser com garotas que eles gostassem, mas para eles não existia garota que pudesse dar um beijo tão quente e cheio de intensidade como ambos davam.
Aquele momento era mágico para cada um deles, pois era um momento de entrega e descoberta. Kuroko entregou seu primeiro beijo para seu rival, e Hanamiya descobriu que talvez, só talvez, o jogador fantasma tivesse razão sobre haver honestidade no mundo dos esportes.
O ar foi se esvaindo, era terrível terem que se separar, mas caso não fizessem isso eles morreriam por falta de oxigênio. O moreno se separou do azulado, seus olhos fitavam o menor atentamente. – Nos veremos novamente? – Perguntou em um tom ofegante.
– Quem sabe... – Respondeu o garoto prodígio, pegando sua bolsa que havia caído durante o beijo e saindo do vestiário.
Fale com o autor