Teia

1 Destino Imutável.


Notas iniciais
Olá, Helen! Confesso que tive muita dificuldade para escrever com tanta liberdade criativa. Eu não te conheço bem, mas adoraria de verdade, então não sei o que te agradaria. Ainda mais que tudo que eu escrevo acaba virando um romance. Lspalsp Enfim, espero que você goste. ♡

Aquela noite prometia ser uma das mais frias, os noticiários estavam sugerindo que todos ficassem em casa para evitar futuras nevascas. Tudo que ela poderia pedir. Chegava a ser irônico como tudo parecia escurecer e murchar para Laura quando o que ela mais queria era descansar.

Nada estava dando certo, e ir para aquele lugar a pedido dele deixava tudo pior.

O bar estava logo à frente. A jovem pressionou os lábios e respirou fundo, tinha de ser feito. Ela apressou o passo para chegar logo no estabelecimento, ajeitou seu sobretudo num abraço para tentar conter o frio.

A maçaneta estava bem fria, sentiu o corpo arrepiar até a coluna. Céus, isso era tão incômodo. Abriu a porta e escutou o soar do sino.

Em comparação com o lado de fora, o barzinho estava abafado e quente, talvez pela quantidade razoável de pessoas que conversavam lá dentro. Laura sentiu o corpo relaxar com o ar quente, o alívio foi quase imediato com aquela temperatura.

Procurou uma mesa para se sentar e tomar alguma bebida, de preferência vinho. Escolheu a primeira mesa vazia que avistou. Colocou sua bolsa numa das cadeiras e se sentou.

— Deseja alguma coisa, senhorita?

— Um vinho… por favor. — O olhar de Laura era cansado.

— Certo, senhorita. — O garçom ainda permaneceu parado por alguns segundos. Ele não tinha coragem para sorrir, não era um costume. Aquilo o corroeu.

Assim que ele se afastou, Laura apoiou a cabeça em suas mãos, ela invejava tanto a vida das pessoas que estavam frequentando aquele lugar. Ninguém parecia ter os problemas que ela tinha, e ela seria completamente egoísta de trocar de lugar com alguém. Mesmo que isso fosse estragar a vida de outra pessoa.

Como se eu fosse menos digna de ser feliz… Vai ver eu sou mesmo.

Laura teve uma vida conturbada, seus pais ficaram juntos apenas por uma noite, e esse evento foi o suficiente para a infância dela ser tão… estranha. Ela não tinha tempo de fazer amigos, sua mãe se mudava constantemente, mesmo que fosse sem dinheiro. Laura não entendia como sua mãe fazia isso naquela época.

A adolescência foi pior, com hormônios a flor da pele ela não procurava entender o porquê da mãe fazer isso. Ela só queria ser normal e entender por que tudo isso acontecia com ela. As brigas se tornaram constantes, e, talvez, o estresse que causara em sua mãe fosse um dos motivos do seu falecimento no futuro. Laura só conseguia ver assim pelo menos.

No momento que a escola acabou, Laura começou a entender o que sua mãe tentava fazer. Um dia antes do falecimento de sua mãe, ela entregou um gravador para Laura. A mãe de Laura sabia que viria a falecer, o pai de Laura avisou que isso aconteceria. Ele não conseguiu esconder as duas por muito tempo.

Laura escutou o áudio. Laura descobriu que tinha um irmão por parte de pai e que fugia de pessoas que elas não conhecia, mas seu pai sim.

“Você precisa mudar de cidade, se necessário de país, às vezes. É assim que ninguém consegue nos pegar.”

— Ridículo — bufou com raiva. Ela não tinha nada a ver com isso!

Ela só queria ser normal...

O sino do barzinho tocou novamente, abruptamente ela se virou para a porta. Era ele.

Laura franziu o cenho, ele estava machucado, ela sabia que eles eram severos, mas não imaginava que fariam aquilo! Assim que ela se levantou da cadeira, ele negou com a cabeça. Caio faria de tudo para não chamar atenção, igualmente como fora ensinado.

Ele se sentou na cadeira em frente a Laura.

— Caio! O que acont!- — O rapaz apenas levantou a mão, pedindo que a irmã ficasse calma. Ela balançava a cabeça em negação, não conseguindo entender como ele poderia agir assim.

— Irmã, por favor, não chame tanta atenção. Já basta o meu olho...

— Como você consegue ficar tão calmo?! Isso é tão errado... tão errado! A gente não merece isso! — Tentou falar o mais baixo que podia.

— Eu sei que você acha injusto, e para você até é, mas eu aceitei essa família, Laura. Nenhum deles tem culpa se sua... Desculpe.

— Ela não teve culpa de se apaixonar... E eu só quero o melhor para você. E apanhar desse jeito só porque questionou sobre a própria saída é imperdoável.

— Você sabe que não precisa fazer parte disso, não estou tentando te levar para o meu caminho.

— O seu caminho é errado... tanto quanto o meu. Porque mesmo que eu queira, eu ainda estou ligada a tudo isso. Eu não posso ficar mais de um ano num único país que já me encontram. — Laura apertava os próprios olhos tentando conter suas lágrimas. — E é você quem me avisa. Você não sente nenhum pesar no coração?

Ele encarou a mesa. Sentiu uma ânsia subir, não sabia mais se era pela própria irmã ou pelos golpes que tinha recebido no estômago.

— Sinto muito, Laura. Não tenho muito o que fazer, eu queria, mas eu não consigo. Única proteção que eu poderia oferecer é você se juntar-

— Nunca. Isso só vai me deixar mais presa a vocês. Eu não aguento mais...

— Laura... Você já está presa a nós. Você só não convive conosco e por isso sente tanto.

— Não era para eu sentir então?

Ele suspirou fundo. Caio não esperava que ela entendesse, nem forçaria isso, afinal, Laura só poderia entrar nisso se ela quisesse. Ele continuaria cuidando dela, mesmo que ela não acreditasse nisso, contudo era o dever que o pai dele deu para si. Caio o cumpriria com todas as forças a tarefa de proteger a sua irmã.

— Eu preciso ir então... Me desculpe novamente, eu não posso te acompanhar.

Laura limpou os olhos rapidamente, tentando se manter tão forte e fria como o próprio irmão. Por que ele tinha que ser seu oposto? Ele poderia ser como ela, assim ela teria com quem conversar a hora que quisesse. Entretanto... Caio era de outro mundo, um mundo que ela jamais aceitaria.

— Adeus, Caio. Obrigada por nada.

— Um dia você vai entender. — Laura o observou incrédula. — Era o que nosso pai dizia para mim. Me ajudou muito antigamente...

— Guarda pra você.

Caio manteve um sorriso triste e um olhar cansado no rosto, assim que tirou um relicário e o colocou na mesa, o rapaz foi embora, evitando deixar qualquer rastro para trás.

Laura olhou amedrontada para o relicário, sem vontade de pegá-lo e descobrir o que tinha ali. Ela encarou tanto aquela peça que nem notou quando o garçom retornou com o vinho, se fosse em outras circunstâncias, reclamaria da demora. Todavia, o motivo da demora era seu irmão, com certeza.

Foram necessários apenas alguns goles de vinho para que ela tomasse coragem de pegar o colar. Analisou com cuidado a peça, parecia ouro de verdade e o compartimento da foto tinha detalhes em prata. Quando Laura abriu o relicário ela viu a foto dela, ainda bebê, sendo segurada por sua mãe e um homem, que ela não conhecia, estava atrás dela.

Então ele é meu pai? Certeza ela não tinha, mas vindo de seu irmão não tinha por que ela duvidar. Só foi injusto demais entregar isso agora.

Ele estava mesmo tentando fazer ela entrar para aquela família, mas Laura jamais se conformaria com isso. Os anos que ela passou dessa forma só seriam repetidos de qualquer forma.

Seria a mesma coisa ano que vem.

E no outro ano.

E assim seria, pois ela sempre estaria presa.

Notas finais
Para quem chegou até aqui: Obrigada! Espero que tenha ficado do seu agrado, Helen. ♡
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!