Teia
1 Hipnose
Notas iniciais
Nunca pensei que poderia gostar tanto do cabelo de alguém, vai ver que é pelo fato de ele ser como uma teia que me prende e não me solta, sim os seus cabelos dourados eram como pequenos fios de uma teia de aranha que te prende para que a aranha venha te dar o bote, no meu caso aquele que me devora são os olhos castanhos achocolatados que tem o poder de hipnotizar todos aqueles que se direcionam ao seu rosto angelical.
Sim, eu já estou nessa hipnose faz dois meses. Lucy, esse era seu nome, a aluna transferida da Itália. Enquanto alguns idiotas se perdiam nas curvas da garota, que realmente eram belas, eu apenas queria ficar ouvindo sua voz. O problema era que a garota era muito tímida e tinha problemas em se relacionar, claro que isso se perdeu em algumas semanas com a turma mais barulhenta e bagunceira da escola, mas mesmo assim nossa relação não era das melhores. Quando a conheci achei que ela seria uma Levy da vida, mas descobri que ela pode ser bastante divertida, e com o tempo descobri que é mais bonita do que parece ser. Apesar de ela sempre se irritar quando eu faço alguma gracinha me divirto, ela também é fofa irritada, mas quando ela chega perto de outros garotos fica vermelha como se estivesse apaixonada e eu não sei por que, mas isso faz meu peito arder.
Era uma tarde normal como todas as outras, tirando o fato de que estávamos sozinhos na sala sem nenhum professor, o que é um erro fatal. Entendam, nossa escola é uma das privilegiadas que abriga os estudantes mais inteligentes do Japão, mas isso não tira os motivos de nós sermos a sala que mais bagunça também. E como estávamos sem nossa amável professora Mirajane começamos a fazer gracinhas e mais gracinhas. A sorte era que nossa representante de turma não estava lá, se não estaríamos ferrados.
Acho que Lucy era uma das únicas garotas que estava realmente concentrada nos deveres. E eu como bom moço que sou resolvi mudar sua concentração para outro lugar, começaria cochichando com ela.
—Ei, Lucy, o que você vai fazer na saída da escola. – Ela não respondeu. – Eu vou para o fliperama com a galera você quer ir? – E nada, ela nem se mexia ou fazia menção que ia se virar. – Vai ter um encontro? – Perguntei sem pensar nas palavras, apenas a ouvi suspirar. – Por que não responde Lu-Ce. – Pronto aticei a fera.
—Mas como você é chato Dragneel! – Ela falou um pouco alto e não pude reprimir o sorriso que veio. – Por eu ter caído na sua conversa semana passada quase que levo detenção.
—Mas eu só queria saber se você gostava de caras quietos ou mais ferozes. – Me defendi fingindo indignação.
—E isso é coisa que se pergunte numa sala de aula. – Ela já estava ficando com as bochechas vermelhas.
—Já estava na hora do casal começar a brigar. – Gray interrompe a conversa chegando mais perto. – Qual o motivo dessa vez?
—Aquele de “ninguém te chamou na conversa”. – Olhei feio para ele claramente dizendo para ir embora.
—Calma ai esquentadinho que meu papo também não é com você. – Ele se direcionou para Lucy. – Eai loirinha vamos ao fliperama hoje? – Ela reclama que eu a chame de Luce e não reclama quando a chamam de loirinha? E eu gostaria de saber dessa intimidade toda.
—Não, valeu. – Ela respondeu enquanto se concentrava no quadro.
—Vamos lá, vai ser divertido! Vai ficar uma garota em falta pro boliche. – Ele disse quase implorando.
—Como vocês conseguem ser tão cabeças duras? Não é não e ponto. – Ela reclamou se virando para nós.
—Desiste Gray, quem nasceu para ser tedioso é tedioso até a morte. – Ah essa voz irritante, como eu queria que sumisse da terra.
—Ai quando agente pede uma coisa boa me mandam uma assombração para me irritar. – Eu segurei a risada, já Gray indiscreto começou a rir. A albina olhou enfurecida para Lucy e voltou para sua mesa.
—Eu não sei qual é o motivo da graça, mas quero que parem para voltarmos à aula. – A professora disse entrando na sala e todos se calaram, a cara dela não era mais tão calma.
Passou algum tempo e a aula acabou. Já era a última aula o problema era que nosso professor era aquele maldito Ivan, se alguém sabe ser chato e irritante mais que a Lissana é ele e o pior é que ele dá história.
Eu estava com a cabeça deitada na mesa implorando para a aula acabar, mas ainda faltava um tempão. Mas logo achei minha distração, sim, aqueles longos cabelos loiros com fios finos e sedosos, eles me faziam querer mergulhar naquela cabeleira loira. Sem nem perceber eu já estava sorrindo, eu não sei o efeito que ela tem sobre mim, só sei que é muito forte. Sem minha intenção toquei em um fio, ela nem sequer se mexeu, logo peguei mais um pouco e comecei a brincar entre meus dedos, se alguém tem sensibilidade zero esse alguém é ela.
Uns e outros na sala olhavam para mim e davam risinhos, outros me olhavam com uma cara de decepção e um me fuzilava, nem precisava virar para saber que o que me esperava era um par olhos azuis. Depois de tão tentador que foi e de descobrir que o cabelo dela era mais macio que parecia resolvi arriscar mais, peguei mais fios e sem mais nem menos inalei o cheiro e não me arrependi, tinha cheiro de cereja e pêssego, duas frutas que eu amo. Antes que pudesse apreciar mais o cheiro, senti ela se virando bruscamente, e essa foi a história do nobre Natsu Dragneel.
—O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO IMBECIL??!! – A reação dela foi diferente da que eu esperava, eu achava que ela ia me bater ou algo do tipo, mas ela simplesmente ficou paralisada e vermelha, se fosse com outra garota eu teria rido, mas ela estava tão linda que eu não podia desperdiçar a visão. Seu rosto todo vermelho e confuso entregava que ela estava com o coração a mil, e eu devo dizer que vermelho combina MUITO com ela.
—Senhorita Heartifilia eu disse que se interrompesse mais uma aula minha eu teria de te levar para diretoria. – O professor disse exaltado e ela nem pensou em revidar. – E senhor Dragneel, eu pensava que você teria um comportamento mais educado perante uma dama. Quero os dois para a diretoria. – Legal suspenção, vou ter que ficar aqui até tarde só porque sou um adolescente com hormônios a flor da pele.
Eu e Lucy juntamos nossas coisas e fomos para a diretoria. O caminho até lá foi incomodo demais, tudo bem que tem momentos que eu gosto de silencio, mas a tensão que estava no ar e o silencio sepulcral não estava nada legal. Todo mundo está cansado de saber que eu não tenho nada de santo e que já tive relação com quase todas as garotas da escola, mas quando eu fiz aquilo com a Lucy não foi com uma intenção suja. Chegamos na sala do diretor e entramos, o diretor ao nos ver suspirou.
—Por que sempre a sala 2-D? – Ele resmungou baixinho e eu já fui sentando.
—E aí velho? Eu soube que o Laxus está voltando é verdade? – A cara da loira foi de espanto ao me ver assim. – Ah, Lucy não se acanhe, eu sei que é sua primeira vez aqui, mas logo você se acostuma.
—Eu espero que não, o que vai ser difícil considerando o lugar que me sento. – Ela me olhou feio sentando o mais longe possível, eu só pude suspirar. – Os alunos da nossa classe vem com frequência aqui?
—Todos da sua sala em um mês já vieram cinco vezes para a diretoria. – O diretor disse suspirando e eu só pude rir ao ver a cara de espanto dela. – Esse imbecil já ganhou a cota junto do outro imbecil brigão. Então qual é o problema dessa vez? Eu nunca tinha o visto vir aqui com alguma garota se não fosse a Erza, apesar de eu receber muitas reclamações de garotas de outras escolas dizendo que um tal de Dragneel as usou e as descartou. – Só pude ficar vermelho e sentir um olhar assustador por cima de mim.
—O professor me mandou para cá porque eu o interrompi pela segunda vez falando muito alto, isso graças ao seu aluno safado-Dragneel. – Ela disse me acusando. O velho suspirou.
—Ninguém merece Natsu eu disse para você tomar rumo e você faz uma idiotice dentro da sala? Sinto que os dois terão de ficar na detenção, pois a senhorita já tinha sido avisada uma vez certo? – Ela apenas assentiu cabisbaixa, agora isso me deixou mal.
Depois da conversa eu e Lucy voltamos para a sala para arrumarmos as coisas lá, o diretor disse que essa seria nossa punição. Já estávamos entrando quando sou puxada pelo braço por uma garota de cabelos brancos, agora sim vai ficar difícil.
—Ei Nat-kun vamos logo para o fliperama, está todo mundo esperando. Pode até chamar sua amiga. – Lissana frisou bem o “amiga”, apenas senti um olhar desapontado ela logo estava entrando na sala.
—Eu tomei suspensão, foi mal. – Isso não é algo que eu diga normalmente.
—E desde quando você liga para isso? – A Heartfilia apenas me olhava já sabendo da possível resposta. – Não quer ficar com sua albina preferida? – Neste momento ela já tinha entrado na sala.
—Desculpe Lissana, mas eu prefiro mais a companhia de garotas loiras. – Disse sorrindo e entrei na sala.
Olhos castanhos me olhavam intrigados e quando estes notaram que eu também os observava eles se desviaram, tive de conter a risada.
—Prefere garotas loiras hein? – ela disse baixo, mas ainda pude ouvir.
—Isso te deixa feliz? – Ela corou com a pergunta.
—Não pense que esse ato vai fazer com que eu goste mais de você. – De alguma forma aquelas palavras doeram, mesmo ela falando com um tom falso.
Apenas assenti e começamos o trabalho, limpamos tudo e no final sentamos nas carteiras exaustos. Foi engraçado a forma como limpamos, ela era desastrada e eu não sabia manejar nem uma vassoura. Mas vê-la sentada com os olhos fechados me deu um sentimento de paz, apenas a observei encantado, ela respirava calmamente e o brilho do por-do-sol fazia contraste com seus fios loiros e os faziam brilhar mais dando a impressão de uma cascata de ouro, linda. Ela realmente me dava uma imagem angelical, não tinha como eu querer apenas me divertir com ela como fiz com as outras garotas.
Inconsequentemente eu já brincava com seus cabelos, estava me sentindo tão feliz que nem notei que ela me observava. Me assustei e dei um pulo para trás, meu coração batia tão forte que sentia meus ouvidos zuniam.
—O que meu cabelo tem de tão especial? – Ela me perguntou calmamente se virando mais e me possibilitando de ver seu rosto sereno.
—Ele me deixa preso e me tira da realidade. – Respondi indiferente e ela recebeu a resposta surpresa. – Como posso dizer, eles parecem uma teia de aranha. Não se ofenda.
—Não me ofendi, é só... Estranho. Você fala como se ele fosse algo valioso. – Ela me responde sorrindo, e uau! Senti meu rosto pegar fogo.
—Eu... Hã... É-é... Cla-claro. – Só consegui responder feito um idiota e a vir rir. Patético, nunca me comportei assim é tudo muito novo.
—Mas isso não muda o fato de eu confiar em você. Minha visão sobre você ser um safado ainda não se apagou. – Fiquei com uma cara séria.
—Heartfilia. – Ela me olhou um pouco surpresa pelo meu tom de voz. – Quero que saiba que nunca faria nada que pudesse te machucar, eu não sei por que, mas sinto que não consigo não me preocupar com você e também não consigo me manter longe. Por isso peço que confie em mim, eu... Eu só quero seu bem. – Me sentia tão idiota, não conseguia nem olhar para ela.
—Eu sei. – Olhei em direção para ela, mas esta estava com a cabeça abaixada, mas vi seu sorriso de orelha a orelha MUITO vermelho devo dizer.
Saímos da escola conversando, estava divertido até ela parar e me olhar vermelha, é nestes momentos que eu devo ficar nervoso.
—Dragneel fique parado onde está, não mexa nada entendeu? – Apenas assenti me sentindo mais suado que o normal.
Ela começou a andar na minha direção e eu nunca fiquei tão nervoso, me sentia como uma garotinha indefesa, ela se aproximou mais até estarmos perto o suficiente para nossa respiração se misturar, só ai que notei que eu era mais alto. Ela levantou sua mão vindo em direção do meu rosto e eu fechei os olhos. Podia apenas ouvir meu coração e finalmente ela... Tocou minha cabeça? Abri os olhos confusos e a vi me olhando com o misto de curiosidade e fofura, ela acariciava meus cabelos, era tão gostoso que eu dei um suspiro.
—É tão macio. – Ela me olhava maravilhada e devo dizer que eu tive de desviar o olhar e tapar meu rosto, minha vontade era abraça-la – Igual algodão doce. Até que é um bom apelido, Natsu Algodão-Doce Dragneel. – Ela riu e... Que droga! Eu preciso realmente me conter com essa garota. E pela primeira vez me chamou pelo nome. Segurei sua mão e aproximei nossos rostos, dessa vez quem ficou vermelha foi ela.
—Vai poder tocar no meu cabelo o quanto quiser se começar a me chamar de Natsu e se me deixar acariciar seu cabelo também. – ela ficou mais vermelha ainda, soltei suas mãos sorrindo, claro que não era verdade.
—Tudo bem. – Ela disse baixo e olhando para outro ponto, eu realmente estava surpreso. – Mas vai ter que me deixar fazer o que quiser com o seu cabelo... Natsu.
Juro que me excitei ao ouvir ela falar meu nome. Dou uma longa risada e ela me olha confusa, então a puxo para um abraço e afogo meu rosto no topo da sua cabeça me permitindo sentir aquele cheiro mais uma vez.
—Feito.
Ela fica mais vermelha e me separa e logo começamos a caminhar juntos rumo a qualquer lugar. Pude sentir que um laço tão fino quanto seus fios de cabelos começava a adornar nós dois.
De alguma forma eu estava muito feliz por ter ficado preso nesta teia, era estranha a sensação que eu sentia ao estar com ela, mas ao mesmo tempo tão boa. Acho que o nome dessa sensação era... amor, não sei ao certo. Mas não importa, só queria me enroscar mais em seus fios dourados e perder horas olhando seus brilhantes olhos.
E eu não mais me importava em parecer idiota... Pois estava hipnotizado.
Notas finais
Beijinhos e Brigadeiros da Aki ^^/
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