Teenage Nightmare
2 Creepypasta
Ato II
A sra. Sykes estava acendendo um incenso em sua sala, enquanto seu filho, Rudy, atrás dela, tentava convencê-la a fazer algo.
— Por favor, mãe! É só por hoje, depois eu não te peço pra mais nada!
— Rudy, você pedir o meu carro emprestado já é demais! — Rachel falava enquanto ajeitava o incenso em uma estante na sala.
— Eu já tenho licença pra dirigir, oras! Por que pagaram auto escola se não me deixam dirigir?
— A questão não é só deixar ou não deixar você dirigir, Rudy, e sim que é inviável deixá-lo sair em uma situação como essa. Há uma garota desaparecida!
— E daí? Pessoas desaparecem todos os dias, se fossemos deixar de sair de casa por isso.
— Sim, é comum em Los Angeles, não em Shadow Hills! — Rachel falava enquanto caminhava pela grande sala, já havia acendido o tal incenso e agora pegava as almofadas das poltronas e as batia como se tivesse tirando poeira das mesmas.
— Ah, mãe, qual é? Eu estou começando agora nessa nova escola, e tem pessoas querendo ser minhas amigas. Eu não posso negar um convite desses, o que vão pensar de mim?
— Bem, vão pensar que tem pais que prezam por seu bem estar. — Rachel depois de terminar de "desempoeirar" as almofadas, sentou-se no sofá e ligou a TV.
— Não podem querer estragar a minha vida social logo agora no primeiro dia de aula.
Rachel suspirou e depois disse : — Rudy, não banque o dramático da família, eu sempre achei que esse fosse o meu papel.
— Mãe, a senhora não precisa se preocupar. Eu vou com o seu carro, não paro pelo caminho, desço na porta do lugar e depois faço o mesmo trajeto. E a senhora pode me ligar quantas vezes quiser pra saber como eu estou.
— Olha, cuidado com o que você promete, garotinho!
— Por favor, mãe! Olha, você nem vai precisar usar o carro hoje, está de folga, não tem nenhum parto pra fazer! E eu te deixo descontar da minha mesada o que for gasto de gasolina.
— Você realmente está disposto a ir a essa festa, não?
Rudy não disse nada, ficou a olhar pra sua mãe com uma cara de pidão. Rachel levantou os braços e disse : — Ok, mas esteja aqui em casa até as onze horas da noite. Fui clara?
— Tudo bem, mãe! Muito obrigado! Muito obrigado mesmo, de verdade!
— Tá, tá! Agora, eu não vou me esquecer da sua mesada, ok?
— Tá ... tá bom.
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Rudy agora estava em seu quarto, com uma câmera filmadora bem em sua frente, muito provavelmente estava pra gravar um vídeo para seu canal no Youtube.
Sentou-se em uma cadeira de frente para a câmera e começou a falar :
— Boa tarde a todos os meus seguidores. Desculpe por ficar tanto tempo sem atualizá-los, é que com a mudança estava um tanto quanto impossível gravar. Mas agora estou aqui, no quarto da minha casa, não mais em um colégio interno. Então, como foi o dia de vocês? Meu primeiro dia de aula foi cheio de surpresas, mas isso é um assunto pra outro vídeo, pois agora eu tenho algo muito mais intenso pra lhes contar. Voltei para minha cidade Shadow Hills e comecei a estudar no colégio Commitment. Tem uma garota chamada Tina Lewis que está desaparecida faz uma semana, e nesse meio tempo descobri um estranho jogo pra celular chamado Teenage Nightmare. Segundo informações de um amigo, é um jogo pirata e que possui um ranking regional, atualizado a cada semana. Aquele que for o último colocado do ranking está eliminado, não conseguindo mais jogar. E, bem, essa garota faz uma semana de desaparecida, mesmo período do último ranking desse jogo. Pode parecer loucura, mas algo dentro de mim diz que há uma ligação. Eu irei a uma festa mais tarde e tentarei descobrir mais coisas, irei lhes atualizar em breve. Sabem alguma coisa sobre o Teenage Nightmare? Deixem aqui nos comentários! Esse é o RudyTV!
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Já estava perto da tal reunião começar. E como prometido, Sabrina iria comparecer. Ela já estava terminando de se maquiar, olhando-se no espelho do seu quarto, passando um batom vermelho. Ao terminar de se maquiar, deu um toque final no visual pondo um arco com orelhas de gatinho na cabeça.
Estava vestida de forma bem diferente da que costumava se vestir. Muito bem maquiada, com um blusão preto de cetim, um short jeans, meia calça preta e botas da mesma cor.
Terminando de se arrumar, pegou sua bolsa e ao pegar o celular para guardá-lo na mesma, viu que havia uma notificação do aplicativo do youtube, sobre um novo vídeo de Rudy.
— Mas que droga, como só fui olhar essa notificação agora? Hmmm ... terei que assistir depois!
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Rudy estava a caminho da casa de Cora. Sierra realmente havia lhe enviado o endereço por mensagem. Dirigia o carro de sua mãe enquanto ouvia um rock qualquer no rádio. Assim como Sabrina, também estava bem vestido. Com uma camisa vermelha e quadriculada, sem mangas. Uma calça jeans pouco usada por ele e sapatos de camurça.
Estacionou em frente a casa, era uma bela e grande casa, com piscina e tudo o mais, e já estava um tanto cheia e com uma música que já poderia ser ouvida do lado de fora.
— Isso é mesmo uma reunião para amigos de uma garota desaparecida? Não é o que parece ...
Estranhado, Rudy desceu do carro, pegando no banco de trás o que havia sido pedido, um engradado de cervejas e um saco com o que pareciam ser batatas fritas congeladas.
Caminhou pelo grande canteiro até adentrar no casarão. E tudo o que viu foram jovens bebendo e dançando com a música eletrônica que tocava.
— Isso realmente não parece uma reunião para amigos de uma garota desaparecida. — concluiu Rudy.
Não demorou muito e Sierra apareceu, saltitante e sorridente em direção a ele : — Rudy! Você realmente veio!
— Sim, achei que seria uma boa idéia. Erm ... isso aqui está um pouco mais cheio do que eu imaginei.
— É, a Cora divulgou em todas as redes sociais e ... você sabe, né? De qualquer forma, serve como distração, sabe? Já que estamos todos tensos em relação ao desaparecimento da Tina.
— Eu imagino ... — Rudy respondeu sem mais delongas, embora demonstrasse em seu rosto que não via sentido algum naquilo.
— Vou lhe apresentar pra Cora! Cora, venha aqui!
Cora estava em um canto conversando com uns garotos quando foi chamada por Sierra. A anfitriã, extravagantemente maquiada e extravagantemente vestida, caminhou até os dois. Rudy já notou um ar de superioridade e sentiu algo estranho, sabe como quando você bate os olhos em alguém e já sente uma antipatia de cara? Foi o que aconteceu.
— Cora, esse é o Rudy! Rudy, esse é a Cora! — Sierra os apresentava com um largo sorriso no rosto.
Os dois se cumprimentaram. Cora olhou Rudy de cima a baixo e depois disse : — Sierra me falou sobre você. Então ... sinta-se a vontade, minha casa é a sua casa. Imagino que esperava encontrar um ambiente mais tranquilo, já que temos uma amiga desaparecida, mas não nos leve a mal. Eu não imaginava que iria encher tanto, e bem, eu como uma grande amiga de quase toda a escola, não poderia recusar.
— Eu entendo perfeitamente ... — Não, não entendia nada, mas não ia ousar contrariar o que Andrew chamava de o Satanás encarnado em uma garota de 16 anos em seu próprio habitat.
— Bem, me fale sobre você. É novo, não? Onde estudava?
— Em um colégio interno masculino em Fresno.
— Nossa, interessante. Você veio de um lugar com grande dose de testosterona.
— É ... pode se dizer que sim. Me sinto melhor agora, sabe, é melhor viver em lugares com doses balanceadas de testosterona e estrogênio.
— Hmmm ... entendi. E o que você gosta de fazer, Rudy? Algum esporte?
— Não sou muito de praticar esportes, mas até que me saio bem com lacrosse. E, eu sou mais da internet, eu tenho um canal no Youtube, sabe?
— Oh! Que incrível! — disse Sierra.
— Hmmm ... sério? Quantos inscritos? — perguntou Cora, mostrando um certo interesse.
— Estou só começando. Tenho apenas 218 inscritos até então.
Cora logo mudou a expressão em sua face, uma expressão de desprezo, dizendo : — Ah, ok! Sierra, pode levá-lo até a cozinha para guardar a comida e a bebida? Tenho que fazer umas ligações.
— Mas é claro! Vamos, Rudy!
Sierra acompanhou Rudy até a cozinha, onde ele foi guardando tudo na geladeira.
— Nossa, está bem cheia já ... — disse ele.
— Realmente. Mas não se preocupe, ainda temos a geladeira do porão.
Rudy não era bobo, reparou que Sierra estava interessada nele. E então, ele usaria disso para tentar arrancar algo dela para que tivesse uma boa pauta em seus vídeos.
Sendo assim, após guardar as coisas na geladeira, caminhou pela cozinha, dando uma boa olhada ao redor, e dizendo : — É uma bonita casa, cada cômodo ... tudo realmente belo.
— Sim, a mãe da Cora trabalha com decoração. Então ... não tem como ser menos perfeito.
— Entendido. Gostei muito daqui, talvez eu venha mais vezes. — dizia encostando-se no balcão, dando um sorriso de canto. Enfim, tentava jogar um charme de alguma forma.
E ela visivelmente ficou balançada. Passou a mão em seus longos cabelos escuros, engoliu seco e disse : — Seria muito bom, ainda mais agora que está começando em uma nova escola.
— É, eu gostaria de ter conhecido sua amiga Tina. Ela parecia ser uma pessoa legal.
— Sim, ela era maravilhosa. Uma pessoa muito boa, amiga de todos. Com certeza ia gostar de você também.
— Erm ... eu gostaria de lhe fazer uma pergunta, pode parecer estranho.
— Não importa, pode fazer.
— Sabe me dizer se sua amiga Tina jogava esse tal de Teenage Nightmare?
— O quê? Esse jogo de terror novo?
— É, eu vi uns garotos comentando a respeito.
— Bom, sim, ela jogava. Ela baixou só pra saber como era, ela é bem curiosa.
— Entendo. Eu ouvi falar sobre um tal ranking regional, que é atualizado a cada semana.
— Tina me comentou sobre isso, ela disse que havia ficado no ranking regional e se sentiu chateada por ter sido expulsa do jogo, ela realmente estava se divertindo.
Rudy paralizou com o que ouviu. Sua teoria só fazia mais sentido. Tina foi a última colocada do último ranking, atualizado semana passada. Agora,ela fazia uma semana de desaparecida.
— Rudy? Algum problema? — Sierra estranhou o silêncio repentino e a expressão de surpresa no rosto dele.
— N-não ... tudo bem, eu só tinha me lembrado de algo. Nada importante.
— Ah, sim. Eu acho que eu sei o que estava deixando a Tina apreensiva.
— Sabe? O que era?
— Ela leu algo na internet, isso que chamam de creepypasta, sabe? Diziam que o último colocado do ranking morria na vida real, não era apenas expulso do jogo. Hehe ... isso não pode ser verdade, não é?
— B-bem, não, é só bobagem, sabe? Mas ... ela estava mesmo com medo?
— Como eu lhe disse mais cedo, ela estava apreensiva com alguma coisa, mas não queria me dizer o que era.
Naquela hora, uma amiga de Sierra apareceu na cozinha, lhe puxando e dizendo : — Sierra, venha aqui, tem algo que você vai querer ver!
A garota foi logo a puxando pelo braço, Sierra se virou par Rudy e disse : — Bem, depois nós conversamos.
— T-tudo bem, tudo bem, sem problemas.
Rudy ficou parado e calado por uns bons segundos. Tudo estava se encaixando de forma cada vez mais perturbadora. Sabia o que eram creepypastas, já tinha lido muitas delas e inclusive já havia abordado o assunto em um de seus vídeos. Mas aquilo tudo soava muito real, aquilo tudo não podia ser coincidência.
Foi então que, saindo da cozinha e caminhando pelos corredores, desviando de alguns convidados, chegou a um canto do qual a música se distanciava e resolveu fazer uma ligação.
— Alô, Andrew?
— Rudy, é você? Espero que tenha um bom motivo pra me fazer pausar o jogo!
— Você não vai acreditar no que eu descobri!
— E o que você descobriu?
— Tina Lewis, ela jogou o Teenage Nightmare, e acredite, ela foi a última colocada do ranking da semana passada, Sierra me contou tudo!
— Wow ... isso é sério? Ela realmente estava jogando?
— Sim, pelo menos foi o que a Sierra me disse. E agora ela está desaparecida, cara, tudo se encaixa!
— Acha mesmo que o jogo tem algo a ver com o desaparecimento dela?
— É no mínimo estranho. A Sierra também me falou sobre uma creepypasta desse jogo, você já leu a respeito?
— Aquela que diz que a pessoa morre na vida real se for a última colocada do ranking? Sim, já li e achei péssima!
— Mas não acha que isso pode ter um fundo de verdade?
— Rudy, você está se ouvindo? Isso não passa de uma creepypasta! É o mesmo que acreditar no Slenderman, no Jeff the Killer ou no episódio perdido do Bob Esponja.
— Você tem alguma explicação melhor pra isso?
— Não, não tenho e não me importo, isso é trabalho pra polícia. Você não deveria estar tentando desvendar essa história.
— Eu não consigo, tem algo por trás disso, algo mais obscuro, e eu adoraria descobrir.
— Rudy, a sua vida deve estar bem tediosa pra querer brincar de Scooby Doo. Quer conversar?
— Vai caçoando, você vai ver que eu tenho razão! Com licença ...
Rudy desligou o telefone, e assim que se virou, encontrou uma pessoa não muito agradável.
Lane Grey, o valentão do colégio, andava em sua direção, com o olhar de uma hiena faminta que encontrou uma presa indefesa no meio da Savana.
Mas, Rudy não era nada indefeso.
— Olha só quem está aqui! Me dê um bom motivo pra não quebrar essa sua cara agora mesmo!
— Apenas tente, já que tem tanta convicção de que vai conseguir ...
Irado, Lane o segurou pela gola da camisa, dizendo quase rangendo os dentes : — Você vai se arrepender do que fez hoje cedo! O meu braço ainda dói, sabia?
— Que bom que ainda dói, é pra você não se esquecer mesmo!
Ainda mais irritado, Lane prensou Rudy na parede, dizendo quase que babando : — Eu odeio esse seu sorrisinho cínico, não vejo a hora de quebrar todos esses dentes pra nunca mais ter que vê-lo!
Foi quando, em meio aos convidados que assistiam, mas como na escola, não faziam nada pra intervir, uma desesperada Sierra corria até ali e dizia : — Garotos, parem com isso agora mesmo! Não estamos aqui pra brigar! É bom pararem com isso antes que a Cora veja, se não ela vai expulsar os dois!
Lane soltou Rudy e foi se retirando dali, apontando para ele e bradando : — Não pense que me esqueci de você, essa conversa ainda não acabou!
— Rudy, por favor, tente não se meter em encrenca, não responda as provocações dele. Por favor ...
Sierra saiu rapidamente dali, deixando Rudy um tanto quanto indignado : — Há! Ele quem arruma briga e sou eu quem leva esporro?
— Esteja acostumado com as injustiças. — disse um garoto que se aproximava, e esse garoto era Drake Barns.
— Esse tal de Lane, ele é um desgraçado! Qual o problema dele?
— Qual não é o problema dele? — retrucou Drake, com um copo de cerveja na mão, parecendo levemente alterado.
— É, é uma boa resposta.
— Sou o Drake Barns, e você? É novo aqui, não?
— Sim, hoje foi meu primeiro dia de aula e essa é a minha primeira festa. Prazer, Rudy Sykes.
— Então, Rudy, não vai beber?
— Erm ... bem, já que estou aqui, não?
Naquele momento, convenientemente alguém passou com uma bandeja cheia daqueles copos vermelhos de plástico com cervejas dentro. Rudy pegou um e começou a bebericar.
— E então, Rudy, gostaria de ir lá fora? Sair dessa multidão um pouco?
— Tudo bem, eu aceito.
Sendo assim, os dois garotos foram até a parte dos fundos da casa. Rudy notou a melancolia no olhar de Drake, parecia sempre cabisbaixo ou com um sentimento de culpa sabe-se lá o porquê.
— E então, Rudy, é o novo queridinho da Cora Winters?
— Não exatamente, eu estou aqui pela Sierra, ela me convidou.
— A Sierra é uma porta voz da Cora, se ela lhe convidou, foi pra agradar a Cora.
— Ela disse que me convidou por ter achado que eu mostrei preocupação com o desaparecimento da Tina mesmo sem conhecê-la.
— E você acha que essa festa faz algum sentido? Seja sincero.
Rudy riu e depois respondeu : — Não, nenhum sentido.
— A verdade é que Cora Winters sempre precisa se autoafirmar a todos. Ela quer mostrar pra todo mundo o quanto ela é forte e está sabendo superar tudo com o desaparecimento da amiga. Por isso montou esse circo.
— E por que você veio?
— Ela me chamou, e como eu sabia que as festas dela tem bebida a rodo, eu decidi vir mesmo assim. Posso criticar a falta de noção dela e beber ao mesmo tempo.
— Você parece já bem alterado, não acha que seria melhor dar um tempo? Ainda é começo de semana.
— Não fale como se fosse meu pai, ainda nem comecei. — Drake mexeu em seu bolso e tirou algo que Rudy julgou ser um cigarro de maconha.
Rudy não disse mais nada, apenas o ficou observando, enquanto ele acendia o cigarro. De fato era maconha. Drake deu uma puxada e depois ofereceu pra Rudy, dizendo : — E então, vai querer um pouco ou é um desses filhos do ano que não dão desgosto pros pais?
— Desgosto eu tenho dado bastante ultimamente, então ... eu quero.
Sendo assim, Rudy pegou o cigarro de maconha e começou a fumar com Drake.
—--
Nem sabendo das peripécias de seu filho, o xerife Sykes parava sua viatura em meio a um bosque. Ao descer, encontrou-se com uma policial, que lhe cumprimento e já tratou de ir logo ao que interessa.
— Que bom que chegou, xerife.
— Então, esse senhor tem uma pista sobre a srta. Lewis?
— Sim, xerife Sykes. Ele esteve uma semana fora de sua propriedade e então veio a encontrar quando voltou hoje.
— Veremos as evidências.
O xerife caminhou até onde estava o tal senhor, um homem já idoso. Sykes o cumprimentou : — Boa noite, deve ser o sr. Harris.
— Sim, sr. xerife.
— Então, pode me contar do início como encontrou a evidência?
— Eu passei uma semana fora, tratando da minha irmã doente em um rancho um tanto longe daqui. Quando voltei, resolvi tirar o excesso de folhas que haviam caído, foi quando descobri algo debaixo delas.
O sr. Harris retirou algo de seu bolo, envolvido em um pano escuro, dizendo : — Eu nem toquei nele pra não prejudicar as impressões digitais. Peguei esse pano lá dentro e o envolvi.
— O senhor fez bem, sr. Harris. — o xerife dizia enquanto pegava o que quer que fosse que estivesse envolvido ali. Abriu com cuidado, para que os dedos não encostassem e o que viu foi um aparelho celular. Nele, havia pendurada aquelas cordinhas com quadrados de letras formando um nome, e o nome era "Tina".
— Tina, não é esse o nome da jovem? — indagou o sr. Harris.
— Sim, senhor. — O xerife analisava a tela do celular, estava quebrada, não apenas trincada, como quando o celular cai no chão de forma muito brusca, mas sim, parecia que ela ou sabe-se lá quem usou algo para propositalmente quebrar a tela do aparelho.
—--
A casa de Cora Winters estava ainda mais cheia. E naquele momento, ela finalmente chegava. Sabrina Mills acabava de atravessar a porta, causando olhares de surpresa e estranheza dos presentes. Caminhando rebolativa e com um olhar de convicção, chegou até mesmo a tirar o copo de cerveja da mão de um garoto e beber tudo num só gole, jogando o copo no chão em seguida.
O local estava mais cheio, como dito anteriormente, e ela transitava tranquilamente pelos cômodos, ainda não havia encontrado Cora. Não muito longe dali, Rudy também caminhava em meio a multidão. Estava tonto e com a visão meio turva, afinal, ter misturado álcool e erva não lhe fez muito bem.
Sabrina ouviu alguns garotos dizendo que havia mais cerveja no porão, sendo assim, ela foi até esse tal porão, uma porta que ficava próximo da cozinha. Abriu e desceu as escadas.
Rudy, andando desorientado pela galera, acabou tomando o mesmo caminho, descia as escadas tropeçando nos próprios pés, por pouco não caiu.
Ao chegar no porão, encontrou Sabrina de costas, escolhendo as bebidas na geladeira. Esfregou os olhos e foi logo melhorando sua visão.
A ruiva notou a presença de alguém e rapidamente se virou. Ao ver Rudy ali, bem em sua frente, sentiu as pernas bambearem. O garoto nem notava sua surpresa em vê-lo, o que era bom.
Rudy olhava para Sabrina com um olhar bobo em seu rosto, ficando ali parado, enquanto ela se aproximava minunciosamente.
— Olá, eu sou a Sabrina, Sabrina Mills. E você? — apresentou-se, como quem não soubesse quem ele é.
— R-Rudy! Eu sou o Rudy Sykes, muito, muito prazer! — abriu um sorriso largo de orelha a orelha, parece que alguma garota havia finalmente lhe conquistado, afinal.
E para a alegria de Sabrina, essa garota era justamente ela.
— Prazer, Rudy! Está perdido por aqui?
— Eeeer ... eu acabei realmente me perdendo, eu ... eu ... — não conseguia completar.
— Você parece um pouco chapado.
— É, um garoto me ofereceu erva e eu fumei.
— Hmmm ... não está acostumado com baseado?
— Não, foi o primeiro que eu fumei.
— Que bonitinho. Beba um pouco, tem energético, talvez te ajude. — disse, oferecendo a lata de cerveja para ele.
Rudy aceitou a bebida de Sabrina e deu alguns goles. Terminando, devolveu a ela, dizendo : — Obrigado! Eu não tinha lhe visto, chegou agora?
— Digamos que sim.
— É amiga da Cora Winters?
Sabrina abriu uma larga e estridente gargalhada, dizendo em seguida : — Não, não mesmo, somos tudo menos amigas!
— Mas mesmo assim ela te convidou ...
— Não me convidou. Digamos que estou aqui de penetra.
Rudy deu uma risada mais contida e depois disse : — Estava entediada e decidiu vir mesmo sem terem lhe convidado?
— Eu quero mostrar a Cora que não tenho medo dela como a maioria das pessoas tem.
— Hmmmm ... interessante.
— E você, hm? Parece ser novo e está na festa dela. Ela já gostou de você assim?
— Na verdade foi a amiga dela, Sierra, quem me chamou. Na verdade eu acho que ela está um pouco afim de mim.
— E você está afim dela?
— Não ... não, eu não estou. Não sinto absolutamente nada por ela.
— Tudo bem, foi só uma pergunta. Então ... onde você esteve todo esse tempo, Rudy?
— Em um colégio interno. Fui expulso e aqui estou.
— Hahahaha, expulso, é? Adoraria um dia saber o motivo dessa expulsão.
— Acredite, não vai querer saber.
— Eu gostaria, mas claro, quando você quiser me falar a respeito. Agora vamos, não podemos ficar a noite toda, não é? — Sabrina foi caminhando, subindo as escadas para a porta de saída do porão.
"Eu não me importaria nem um pouco de ficar a noite toda aqui com ela" pensou Rudy.
Porém, quando Sabrina tentou abrir a porta, a mesma não abria, estava emperrada.
— Oh! Oh!
— O que foi, Sabrina?
— Parece que estamos presos aqui.
— Oh, droga! Eu acabei batendo a porta quando desci, talvez tenha emperrado.
— E agora? Não podemos passar a noite toda aqui!
Sabrina desceu as escadas e ficou olhando em volta, até que viu uma estreita janela que dava pro lado de fora. Deu de ombros e disse : — É, teremos que sair por ali mesmo.
— Vamos conseguir?
— Claro que vamos, não é tão estreita assim. Bem, eu vou primeiro. Afinal, se eu cair, você me segura. Com esses músculos aí eu não devo ter problemas — Sabrina deu uma piscadela para o garoto e começou a escalar.
A ruiva conseguiu passar sem maiores dificuldades pela janela, arrastando pela grama da parte de fora da casa, agora batia no vidro e chamava por Rudy.
Rudy fez o mesmo, escalou e saiu dali sem muitos problemas. Rindo bastante, ainda estava meio tonto quando ficou de pé.
Enquanto isso, lá dentro, Cora caminhava entre os convidados, quando uma garota veio até ela, com um olhar de pura tristeza e desespero, dizendo : — Cora, que bom que eu te encontrei!
— Céus, que cara horrível é essa? O que aconteceu?
— Por favor, l-ligue, ligue no noticiário!
Cora ficou sem entender nada, mas pela visível desolação de sua convidade, resolveu atender o seu pedido. Desligou a música e mesmo sob protestos dos outros convidados, ligou a TV no canal de notícias.
Ao ligar, não só ela como todos os presentes pararam aterrorizadas para ver o que se passava.
Tina Lewis, 16 anos, fora encontrada morta. Seu corpo estava em um lago próximo a propriedade do sr. Harris. Não haviam sinais de violência, e até então não descartavam a hipótese de um suicídio.
CONTINUA
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