Teenage Dreams
2 Capítulo 2 - Prólogo: Sonho.
- Katy? – A doce voz de mamãe me chamava.
- Aqui! – Gritei por cima do ombro sem desviar os olhos do livro que estava lendo, o calor da lareira do meu quarto e o barulho da chuva tornava a atmosfera altamente reconfortante.
- Esta na hora do jantar querida, vamos. – Mamãe falou e eu suspirei. – So me deixe terminar essa página, por favor. – Não houve resposta, estranhei e finalmente desviei o olhar do surrado exemplar de Guerra e Paz. Só então eu tive noção de que estava sonhando. Não estava mais no meu quarto, estava num espaço aberto e não chovia mais. O local era repleto de árvores frutíferas e de pequenos arbustos alguns deles, floridos.
Parque das andorinhas.
O reconhecimento do local foi automático e a cena que estava na minha frente também.
Uma menina de cachos negros saltava de um lado para o outro ao redor de uma grande toalha verde estendida no chão, e sentados sobre ela um casal. O homem olhava a criança e ria revirando os olhos para a sua excitação exagerada; a mulher estava gargalhando do bico que a garota fez pelo pai ter dito algo que não a agradou. Haviam muitas pessoas ao redor do casal e da criança, porem ninguém parecia notar tal cena, estavam todos ocupados se divertindo.
- Mamãe, vamos por favor! – A menina de cabelos cacheados exclamou com sua voz mais que aguda. A mulher riu.
- Katy querida você ainda não sabe andar de bicicleta muito bem, e além disso daqui a pouco irá chover. – A forma como a mulher chamou a garota fez meus olhos transbordarem. Sim, aquilo sem duvidas era uma lembrança. Lembrava-me perfeitamente desse dia, e tinha perfeita noção do que viria a seguir.
- Mas não vai chover esta fazendo sol! – A garota fez um bico e eu ri junto com a mulher.
- Não duvide de sua mãe Katylin! Você sabe quando o assunto é previsão do tempo ela sempre acerta. – A Mulher, minha mãe, deu um rizinho orgulhosa de si mesmo, suspirei derrotada e sentei-me ao lado dos meus pais na toalha, papai riu.
- Ora menina não seja teimosa, andaremos outro dia!
- Ok papai. – Disse a antiga eu. Fiquei de birra por uns minutos mas logo ocupei-me com os pássaros que voavam ao redor de minha família. Suspirei.
Todas as melhores lembranças de minha infância aconteceram naquele lugar, e a pior delas também. Assim que pensei nisso a cena sumiu, e tudo ficou escuro. Flashes começaram a passar na minha cabeça, mais memórias, porém essas não eram nada agradáveis. Num segundo estávamos mamãe, papai, eu, os dois adolescentes e uma criança dentro da van brincando e cantando; no outro tudo rodava e mamãe gritava.
- Katy? Katy? – Alguma coisa me balançava, eu tentava abrir os olhos e esse ato doía. – Vamos filha acorde!
- Mamãe? – Eu tentei falar com firmeza mas a palavra saiu como uma pergunta.
- Vamos Katy, levante! Abra os olhos filha. – O tom dela era desesperado, abri os olhos com um pouco de dificuldade, alguma coisa escorria sobre os meus olhos, passei os dedos sobre eles e assim que percebi o que era um grito fino saiu de minha garganta.
- Calma, xii, vai ficar tudo bem. – A voz de mamãe estava extremamente fraca. – Olhe pra mim Katy. – Eu olhei e aquele não era o rosto da minha mãe, era uma mascara de sangue. Ofeguei e um cheiro forte atingiu minhasnarinas. – Katy se concentre, pegue os seus irmãos, rápido! Acha que consegue fazer isso? – Eu fiquei parada a encarando. – Katylin! – Ela gritou e tossiu depois. Isso fez com que eu despertar e um surto de adrenalina me atingiu não sei como. Minha perna esquerda doía muito, mas ignorei. Olhei para os lados e vi que estávamos dentro do carro, so que estávamos de cabeça para baixo, percebi isso apenas por causa de minha cabeça que estava pendurada e o peso da gravidade fazia com que ela doesse ainda mais. Minha mão voou pra o cinto e consegui abri-lo sem dificuldades.
Assim que o fecho de soltou eu cai com tudo no teto do carro e gritei de dor. Olhei para mamãe.
- Katy, salve-os. – Ela estava de olhos fechados e sua voz saiu como um sussurro. Não hesitei e fiz o que ela mandou. Comecei pelo meu lado esquerdo, a porta do lado direito estava interditada por uma árvore.
Olhei para Jhonny, ele estava de olhos fechados e sem nenhum machucado no rosto.
Soltei-o de sei cinto e ele como eu, caiu.
- Jhonathan? – O chacoalhei e ele não se mexeu. Abri a porta do lado dele com dificuldade, empurrei-o para fora ele saiu rolando e eu gritei, estávamos em um barranco, coloquei a cabeça para fora e vi que ele havia caído numa poça de lama. Isso amorteceu sua queda acho, porque ele não sofreu nenhum machucado. Fiz o mesmo com Abigail e quando chegou a vez da criança. Tânya notei que ela estava acordada.
- Katy esta doendo. – Ela disse com os olhos marejados, deu uma olhada rápida nela e logo notei o grande corte em sua perna, mas isso não me assustou mais do que o grande ferimento na sua cabeça.
- Calma meu amor, vai ficar tudo bem. – Disse chorando, minhas mãos foram rapidamente para o cinto de sua cadeirinha, minhas mãos estavam tremulas e eu não conseguia enxergar muito bem, estava ficando fraca novamente, cada movimento que executava era extremamente doloroso.
- Rápido. – Tânya soluçou. Ela não entendia? Eu tentava, minhas mãos trabalhavam o mais rápido que podiam, mas não era o suficiente. Respirei fundo e com esse movimento o cheiro queimante me atingiu novamente, só que dessa vez algo na minha mente me alertou, gritou para mim o que era.
Gasolina.
Novamente algo fez com que eu conseguisse ter forças novamente, consegui finalmente consegui retirar o maldito cinto da cadeirinha dela. A coloquei no meu colo e me arrastei para a porta, minha perna estava queimando como se mil sois estivesse próximo a ela. Olhei para mamãe, ela não havia dito mais nada, e eu sabia porque. As lagrimas jorravam dos meus olhos, mas ainda havia esperança. Não conseguia ver o rosto de papai, mas podia alcançar seu ombro.
- Papai? – Chamei e chacoalhei seu ombro. Nada so silencio. – Papai?
Novamente o silêncio.
- Katy, por favor! – Tânya chorou nos meus braços. Fechei os olhos e me emburrei com muito esforço porta afora. Deslizei pelo barranco de costas tentando manter Tânya intacta, ou ao menos, menos machucada. Senti quando minha cabeça atingiu algo molhado e frio. Olhei para cima e so o que me lembro é que menos de um minuto depois houve a explosão.
Novamente tudo escuro.
A dor me cortava. Meus pais, minha família.
- Katy? – A mesma voz do início do sonho me chamou. Olhei em volta e notei que estava novamente no meu quarto. A chuva estava lá fora e o fogo estava no mesmo ponto.
- Katy? – Mamãe perguntou.
- Aqui. – Tentei gritar mas apenas sussurrei. A dor ainda estava lá.
- Katy? – A voz derrepente era urgente. – Katy?!
- Aqui! – tentei gritar, mas novamente só o sussurro.
- Katylin! Droga acorda pelo amor de deus! – Não era mas a voz de mamãe e sim a de Abigail. A voz arrogante e desesperada dela. Isso fez com que eu despertasse em um sobressalto.
- Rápido! A Tânya, ela... – Estava totalmente desnorteada, mas antes de poder concluir sua frase um grito histérico e assustado a interrompeu. Isso foi o suficiente.
Mesmo sem entender o que acontecia pulei da cama e fui atrás da voz que parecia vim da cozinha.
O que vi fez meu coração parar.
- Tânya não!
Notas finais
Esperando mais :S'
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