Teenage Dream

1 A place where the grass is really greener


Notas iniciais
Once upon a time a boy, in your own world...

Parte 1 – California Boys

Eu não sei bem como a minha história com Frank começou, na verdade, eu sei sim, mas há coisas maiores sobre o que vivi com ele a pensar em prioridade. Veja bem, para quem é de virgem o dia, tudo, a vida é um metodismo. É sair de casa às 7:50 para pegar o ônibus às 8:00, chegar às 8:00 se o encontro for às 08:15, e no nosso caso deve ser o horário que geralmente estamos falando um com o outro. Enquanto estou em Denver, ele está na ensolarada Califórnia. Frank é um daquele rapazes com o intelecto de Einstein, decidido a abraçar o mundo e todas as suas competências, mas nem mesmo sua mais pura racionalidade poderia fazê-lo terminar tantos cursos almejados em tão pouco tempo. Então, por hora, ele apenas decidiu, temporariamente, largar o curso de Biólogo e partir para a área nos estudos da língua.

Mas voltando aos horários, costumamos nos dar bom dia assim que acordamos, de acordo com a regra, quem acorda primeiro fala primeiro. Às vezes sou eu, às vezes ele. Por já estar no fim do meu curso, coincidentemente de línguas, muitos são os dias que já não preciso acordar cedo, exceto nos finais de semana quando trabalho para um cursinho. Fora este tempo, temos um dia inteiro de diálogos. Parte destes diálogos são como a distância machuca, mas ao mesmo tempo faz amar mais. Ou de como estamos jogando jogos online infestados de pessoas que não possuem vidas sociais e necessitam daquilo para estabelecer hierarquias fictícias e serem melhores que as outras.

Já faz alguns meses desde que eu não vejo ninguém da minha família, na verdade, muito tempo. Apenas minha mãe às escondidas uma vez ou outra, é uma longa história até aqui, porém, se eu a contasse eu fugiria do real sentido desta história. E o real sentido desta história está a quilômetros de mim, todavia, estamos tentando esse relacionamento dar certo. Dois corações quebrados são melhores que um no fim do dia, não concorda? Ambos tivemos relacionamentos antes, com pessoas diferentes, pessoas que souberam nos tirar exatamente o melhor de nós. Mas após ele, passei a descobrir que amor de verdade é uma vez só, e acima de tudo, vai ter paciência para juntar seus cacos, mesmo que longe.

Aproveito o que pode ser chamado de resto das férias, já que o último semestre está para começar, enquanto ele curte um entusiasmo iminente pela nova empreitada. Só que há coisas em mim que o faltam, como nele a mim. Não sei se por causa dos nossos problemas, dele não se dar bem com a mãe, de eu não ter “aparentemente” uma família, ou somente por gostaríamos de estar lado a lado, porém, há sempre razões para tudo.

— Hello, querida. – Digo ao dar um beijo nos pelos macios de minha gata. Kathryn não está num bom dia, mas parece não querer se soltar. Apenas mantém as feições de poucos amigos. – Parece que seu pai deixou uma enorme bagunça. – Meu amigo, Louis, havia deixado parte do que usara para se arrumar no sofá.

Minha história com Louis começou há exatos 4 anos atrás, durante um evento de Karaokê, um dos poucos que eu podia sair naquela época. Coincidentemente nos vimos seis meses depois na mesma sala de aula. Foi lá que ele e meu já amigo Rich se tornaram também amigos, até que formamos uma espécie de trio inseparável, ou muito pior do que isso como configurávamos. Louis era o mais pé no chão de todos, foi o que primeiro conseguira um bom trabalho, saiu de todas as perspectivas que dele tínhamos quando o achávamos apenas a pessoas que fazia piadas no grupo. Rich era nosso Brad Pitt, não havia olhar naquela universidade que não parasse para olhá-lo enquanto conferia assiduamente os avisos no quadro do corredor do segundo andar. Eu, bem, eu era o cara baixinho e totalmente sonhador do grupo. Ou como preferiam me chamar, “a trouxa”. Era um dos melhores nas cadeiras literárias e estava sempre com um novo projeto. Mas sem fugir, Louis foi o amigo que me ajudara em meu pior momento.

Após ir embora da casa dos meus pais e posteriormente da minha tia, não havia um lugar no qual eu pudesse estar, acho que me cobrariam aluguel até na rua e, até mesmo lá eu estaria ferrado para pagar. E num dia, quando já não aguentava mais tudo, ele apenas disse um “Venha” que mudara tudo. Então, desta maneira, Louis é esta pessoa que me salvou. Dividimos uma pequena casa e algumas inseguranças que apenas amigos de anos poderiam.

Removi os materiais e os coloquei devidamente em seus lugares. O segundo passo era encontrar meu celular, não havia feito que deveria.

“Kathryn mandou olá, e eu mando te amo. Bom dia!”

Enviei a mensagem e peguei uma pequena caneca de leite na cozinha. Senti o celular vibrar ao meu bolso da calça de moletom e o puxei.

“Estou indo naquele encontro dos amigos da faculdade. Fiz meus Brownies que você já deveria ter provado. Te amo.”

Meu sorriso se iluminou diante daquilo e respondi rapidamente. Abri a tampa do notebook e sentei diante do mesmo a continuar um capítulo do meu livro que havia parado na noite passada. Para completar a minha configuração, sou bem amador, amador mesmo, mas até que escrevo umas histórias bonitinhas. Frank me inspirava na última, mas era segredo, eu não pretendia falar tão cedo, ou nunca. Acho que ele perceberá uma hora. Conversávamos mais um pouco, enquanto eu conciliava aquilo com a justificativa dos parágrafos no computador, estava a contar como tocava minha cantora favorita em meio aos amigos e como lembrara de mim com sua sonoridade. Eram tantos emojis fofos na conversa que eu não era capaz de cota-los, acho que seja o nosso lado bobo, todo casal tem. Mesmo que seja o de apenas trocar olhares quando acha algo extremamente engraçado.

Naquele dia, diferentemente dos demais, ele me ligou. Frank não é uma pessoa de falar muito, ele prefere digitar ou, estar em seu cantinho. Mas naquele dia seu rosto apareceu em chamada em minha tela, fazendo com que o coração saltasse:

— Hey! – Disse ao atender.

— Falei sério, deveria provar os brownies há muito tempo. Foi tão bom rever todo mundo, vou sentir falta deles. – Frank comentou.

— Ainda continuarão sendo amigos, assim como, eu e o Louis, falta bem pouco para acabarmos a universidade. Fora que espero estar na minha casa própria daqui uns meses. Mas eu sei que, não só pelo fato da ajuda, mas pelo que tínhamos de forte antes, seremos sempre amigos. Mesmo que seja para sentar no antigo píer de St. Alberich para beber cerveja, ou somente para conversarmos ao telefone. – Disse.

Kathryn aninhara-se em meus braços ao passar e passo a fazer carinhos nela ao falar no telefone.

— Já fiz a matrícula, agora é definitivo. Mas desta vez eu estou mais decidido e feliz. Pretendo voltar ao caminho da biologia um dia, mas letras vai me dizer o que preciso no momento. Sempre racional, eis a premissa.

— Como sabido.

Desligo após alguns momentos, mas não deixamos de nos falar por mensagens. A ligação encontrava-se ruim por conta do sinal no trem ao qual ele apanhara.

“Tem um casal de franceses aqui. Engraçado, sei tudo que eles falam, mas não consigo dizer uma palavra. Estão falando sobre geografia.”

Frank era descendente de uma família de franceses, os Lasneau. Parecia prepotência da minha parte, mas no começo eu colocava o nome no final do meu só para me sentir alguém importante. Para pessoas como eu, era uma das coisas mais incríveis do mundo. Alguém que nunca teve nada de extraordinário, de repente, seria “francês”. Rimos do tal casal e eu terminei cansando de escrever naquela manhã, que aliás, logo virara tarde, depois noite.

— Hello, it’s me. Rich te mandou um beijo. Amigo, aquela festa privada foi ótima. Beijei dois gatos, claro. – Ele entrara pela porta como um foguete. Louis estava animado e risonho. Bebida.

— Parece que se divertiu mesmo. – Comentei enquanto trocava uma mensagem com Frank.

Louis já havia se acostumado com aquilo meu de estar sempre com pessoas distantes. A melhor coisa era tornar acessível o que parecia não ser.

— Já estás com aquele teu boy da Califórnia. Ai ai, Kyle. Para de sonhar tanto. – Disse ao partir para o chuveiro.

Tanto ele como Rich ficavam feliz pelo fato de eu estar amando alguém, até porque diante de tantas coisas ruins, aquilo significava algo bom, mas não gostavam, ou melhor, não acreditavam tanto quanto eu que os relacionamentos à distância podiam dar certo. Eu tomei para mim a certeza de que apenas eu precisava acreditar, eu e Frank. Eu acreditava que uma hora estaríamos juntos pessoalmente, e para ser doce não precisa de nada mais do que amá-lo. Aliás, eu acho que a gente não precisa de nada perfeito como seu signo, ou presencial para amar alguém. Acho que o suficiente, o maior de tudo ainda é o amor.

“Você sabe que eu amo você, não sabe?”

“- Eu sei, te amo igual.”

“Eu estou ansioso para quando virá.”

Eu gostaria de poder dizer a ele o dia que iria, mas não tenho isto certo. Tentei mestrado justamente na Califórnia para estar perto dele, mas a julgar pelo tempo da seleção, já não estava mais aprovado. Não tenho coragem de falar para ele que ainda levará mais tempo do que quero para abraçá-lo, então desconverso:

“Sabe um sonho bobo meu?” Andar de mãos dadas com alguém. Acho lindo.”

“A minha está disponível. Só vir buscar.”

É, parece que não ia dar para desconversar mesmo. Bip! Senti meu computador anunciar algo e corri para sua tela. Ao abrir meu email um remetente desconhecido portava o título “Resultado”. Abri logo a mensagem. Meus olhos ficaram abertos sem acreditar quando liam. Eu estava aprovado, a Universidade de Los Angeles estava me chamada para lá. Levantei do chão num pulo e largo o celular no chão. Cobri o rosto com as mãos ao gira pelo mesmo. Não possuo o medo de ficar tonto, nem mesmo de cair.

“Estou aceitando o convite da mão. Eu vou buscá-la.”

“O quê?”

“A Universidade de Los Angeles. Eu fui chamado. Eu passei.”

Notas finais
Eu acho que é vocês que tem de me dizer as notas finais disto. Eu vou esperar ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.