Teenage Dream
10 I swear this time I mean it. (POV Kendall)
Notas iniciais
POV Kendall K.
O numero dela estava discado, me encarando na tela do telefone como se me desafiasse a apertar o botão “chamar”. Eu sabia o que dizer, sabia o que eu tinha que fazer, mas bem no fundo, uma parte de mim não parava de se perguntar “pra que?” Qual era o sentido? Recolocá-la na minha vida, pra que ela saísse a qualquer momento de novo?
Jo pode parecer uma garota qualquer, mas quem a conhece sabe que ela tem algo que a torna especial. Eu soube desde o primeiro dia em que a vi que ela era a garota certa pra mim. Nós namoramos desde a época do Palm Woods. Brigamos algumas vezes durante períodos de crise, mas nunca foi nada grave. As revistas costumavam nos chamar de “Brad e Angelina jovens”, e nós achávamos graça. Jo nos acompanhou enquanto crescíamos e ficávamos famosos, ela sempre esteve ao nosso lado, apoiando e nos fazendo voltar à realidade quando era necessário.
Eu lembro bem do dia em que aquilo mudou. Foi em um desses eventos, nós estávamos juntos no tapete vermelho respondendo a algumas perguntas e o repórter perguntou quando seria a data do casamento. Eu levei na brincadeira, como sempre, respondi que eu ainda tinha que pedir permissão para o pai dela ou qualquer outra coisa do tipo, mas aquilo afetou Jo de alguma forma. Ela ficou séria o resto da noite, e apesar de me dizer que estava tudo bem, eu sabia que tinha algo errado. Depois daquele dia, nós parecíamos brigar o tempo inteiro, mesmo que não houvesse motivos. A situação estava complicada, mas eu achei que nós iríamos superar. Eu esperava que pudéssemos superar. Mas aparentemente...
Depois de uma briga realmente séria, nós terminamos. Sem “é melhor sermos só amigos” nem nada do tipo, nós terminamos de verdade. Eu estava convencido de que nunca mais queria vê-la na minha vida, mas obviamente a realidade me atingiu na manhã seguinte. Qual era o sentido de levantar da cama se não era pra ver Jo? Pra quem eu ligaria para contar qualquer coisa idiota que acontecia durante o dia? Quem assistiria filmes de terror comigo, fingindo que estava com medo só pra que eu não me sentisse mal? Eu liguei pra ela assim que me dei conta da burrada que estávamos fazendo, mas ela não me atendeu. Ainda estava muito cedo, tudo bem. Nós conversaríamos mais tarde, acertaríamos as coisas, mas ela não me atendeu quando voltei a ligar. Não respondeu minhas mensagens, nada. Eu fui até a sua casa, mas ela não atendeu a porta. Depois de muito insistir na campainha, uma vizinha me informou que ela havia saído mais cedo com uma grande mala. Passei dias sem saber dela.
Só depois de algumas semanas que ela deu sinal de vida. Um e-mail. Dizendo que estava em Boston, que estava fazendo testes para um novo filme e que não pretendia voltar. Depois de tudo, nossa história terminou com um e-mail.
Um e-mail, sabe? Dez linhas, talvez menos. “O tempo que passamos juntos foi importante, mas eu preciso seguir em frente”. Eu decorei suas frases, como se aquilo fosse a única coisa que restava dela. Por algum tempo, foi.
Pouco mais de um ano depois, ela volta. Sem aviso prévio, ela aprece na minha frente no meio de uma festa, fazendo todos os muros e paredes que eu tinha construído desmoronarem sem nem falar comigo. Eu não sei nem se ela me viu aquele dia, e, na verdade, espero que não tenha me visto. Ela estava linda, ainda mais bonita do que eu lembrava que ela era. Ela estava ali. E mesmo que eu quisesse abraçá-la e levá-la para casa, eu não podia ignorar a parte de mim que secretamente desejava que ela quebrasse as duas pernas tropeçando em uma tartaruga. Eu não a abracei e ela não quebrou as penas, mas ela me ligou, alguns dias depois, “pra saber como eu estava”. Marcamos de nos ver, colocar a conversa em dia, como se fossemos velhos amigos. Nós éramos velhos amigos, afinal de contas.
Voltamos a conversar, falar da vida, sair para tomar café depois do estúdio. Nós nunca conversamos sobre... Sobre nós, sobre o nosso passado, sobre como terminamos. Era como se aquilo nunca tivesse acontecido, como se nós fossemos apenas velhos amigos.
Pra ser sincero, eu estava feliz com ela ali. Ela tinha voltado, afinal de contas. E um pedaço de mim ainda a amava, muito. Sempre amaria.
A única coisa que eu sabia é que eu queria ela de volta, mas de novo, aquela vozinha no fundo da minha cabeça insistia em perguntar: “Pra que?” E o numero dela continuava me encarando na tela do meu celular.
Aquela devia ser uma cena extremamente patética, olhando de longe. Eu estacionado na frente de seu prédio, encarando um celular, decidindo se deveria ligar para ela ou não. Eu ainda não estava decido quando ouvi uma batida no vidro, fazendo com que eu me assustasse. Jo estava ali, me olhando meio intrigada. Certo, ela decidiu por mim.
- Oi?! – ela falou, sorrindo apesar de confusa. – O que você está fazendo aqui?
- Eu estava por aqui, pensei em te chamar para almoçar. – respondi, dando ombros como se não fosse nada.
- Uh, eu gosto da idéia. – ela se animou. — Só preciso deixar essas coisas lá em cima. – mostrou as sacolas que tinha na mão.
- Ah, claro, eu espero por você aqui. – falei.
- Suba comigo, prometo que não vou demorar.
Acabei concordando. Conversamos bobagens no caminho até seu apartamento. Na verdade, ela falava coisas que eu mal registrava, com a cabeça cheia de pensamentos confusos.
- Fique a vontade, eu só vou trocar minha blusa. – ela avisou, indo na direção de seu quarto. Eu parei para observar sua estante, cheia de fotografias em porta-retratos. Bem no centro, em uma moldura de vidro, uma versão dois anos mais nova de nós dois sorria para a câmera. O sorriso dela não tinha mudado em nada.
- Kendall? – ela estalou os dedos na minha frente, chamando a minha atenção. Eu provavelmente tinha me perdido com a fotografia e nem notei que ela já voltara. – O que você tem, porque esta tão quieto? – estranhou.
Balancei a cabeça querendo dizer que não era nada, mas mudei de idéia.
- Posso te fazer uma pergunta? – falei, mordendo a boca, um pouco nervoso.
Acho que ela sentiu que a hora “da conversa” se aproximava, porque ela respirou fundo, como se se preparasse para o que viria a seguir. Segurou meu braço, me fazendo sentar no sofá e sentando-se ao meu lado.
- A gente precisa conversar. – disse, com um meio sorriso. Eu concordei.
- Quando você... Quando a gente... Me fala a verdade: Porque você foi embora? – minha voz ainda estava firme, mesmo que meus joelhos tremessem com medo da resposta.
Ela suspirou, evitando olhar para mim.
- Eu... Tudo era tão complicado, Kendall. Tudo o que a gente fazia estava em todas as revistas, tudo tinha que ser medido e controlado.
- Nós somos famosos. É assim que funciona. – respondi. Eu também não gostava disso, mas é a vida que escolhemos.
- Eu sei. – ela continuou. – É só que... Eu tenho 19. Eu tinha 18 anos e as pessoas pareciam esperar que a gente casasse. E eu tinha 18! Você foi o... Eu nunca... – ela tentava escolher a melhor forma de falar aquilo que eu já tinha entendido. – Tem tanta coisa que eu nunca tinha feito e eu estava...
- Perdendo o seu tempo comigo? – completei, com a voz amarga. Era isso, então?
Ela não respondeu. Por algum tempo, nós dois ficamos em silencio.
- Eu achei que... Achei que ir embora, aproveitar esse papel em Boston, era a melhor coisa que eu poderia fazer. – ela riu fraquinho, como se lembrasse de algo engraçado – Fui tão ridícula por pensar que você não faria falta. Você fazia, muita. Todos os dias. –confessou.
- E porque não voltou? – eu tentava não me alterar, mas estava difícil manter a conversa em um tom normal. – Porque não voltou quando eu pedi?
- Eu não consegui, ok? Eu me convenci de que só saudades e que ia passar, mas não passava, nunca passou. Só aumentou. E o que eu deveria fazer? Eu via vocês nas entrevistas e fotos suas em festas, eu via que você estava bem sem mim, o que eu deveria fazer? O que eu deveria dizer se você estava bem e eu...
- Eu não estava bem! – eu a interrompi. – Eu estava qualquer coisa, menos bem. Eu estava em pedaços, ok? Você me deixou em pedaços. Quando você foi embora, eu... Eu não estava bem. – algo dentro de mim se sentia bem em poder finalmente falar aquilo pra ela. — Você não desconfiou? Todas as vezes que eu te liguei? Todas as mensagens que você nem ao menos respondeu? Você realmente acha que eu ia te deixar ir embora assim, e ficar bem? – eu vi lágrimas brotando em seus olhos e minha garganta fechou. Eu não queria que ela chorasse. Eu não queria vê-la chorando.
Ela não respondeu. Fechou os olhos e virou-se para a parede para esconder o rosto.
- E ai você volta, como se isso não fosse nada, como se o que a gente teve nunca tivesse acontecido. O que eu deveria fazer? – eu continuei e ela permaneceu em silêncio. – Jo, o que eu devo fazer? – perguntei de novo. – Continuar agindo como se eu não me importasse? Como se as nossas conversas superficiais e saídas para tomar café fossem o suficiente? – eu tentava impedir minha voz de falhar, mas minha garganta doía, lutando contra aquelas palavras. — Se eu não sou o que você quer, porque você voltou? – finalmente perguntei.
- Porque eu não agüentava mais ficar sem você. – ela aumentou o tom de voz, largando os braços como se desistisse. Respirou fundo antes de conseguir voltar a falar. – Eu voltei porque não faz sentido eu ficar sem você. E nós dois sabemos disso desde que tínhamos 16. Eu voltei porque qualquer conversa superficial enquanto tomamos café é melhor do que não te ver. — Cada palavra que ela dizia me deixava um pouco mais fraco. — Eu fui embora porque eu estava com medo, mas eu voltei porque eu amo você.
- Você precisou ir embora pra entender isso? – falei. – Você ao menos pensou no que isso ia fazer comigo? – minha voz estava soando um pouco cruel, o que fazia mais lágrimas aparecerem em seus olhos.
Ela balançou a cabeça, culpada.
- Quando você foi... Você me deixou quebrado. E eu levei muito tempo pra conseguir colocar os pedaços no lugar de novo. Eu não sei se... Eu não sei se eu agüento te perder duas vezes.
- Eu não vou a lugar algum sem você. – ela garantiu.
- Eu achava isso da ultima vez, como eu posso saber que é verdade dessa vez?
Seus olhos estavam vermelhos. Eu faria qualquer coisa pra fazer com que ela parasse de chorar. Aquilo estava acabando comigo, vê-la daquele jeito. Eu só queria abraçá-la e falar que tudo ficaria bem, mas eu não conseguia.
– Eu voltei pra você. – falou decidida, respirando fundo para que sua voz não falhasse. – E dessa vez eu não vou embora. Eu vou ficar aqui, e eu vou esperar, até que você volte pra mim também.
Por alguns segundos aquelas palavras ecoaram na minha cabeça. “Eu voltei pra você”. Não era isso o que eu queria ouvir?
- Eu não to esperando que você me desculpe por tudo agora. – ela foi a primeira a falar. – Eu disse, eu não vou à lugar algum.
Nós ficamos em silencio. Não silencio constrangedor, só um silencio em que os dois refletiam os últimos acontecimentos. Eu me sentia alguns quilos mais leve depois de finalmente falar tudo aquilo pra ela, eu imagino que ela se sentisse da mesma forma.
- Você sabe que nada vai mudar, não sabe? – perguntei depois de algum tempo. – Nós ainda seremos noticia sempre que formos comprar pão, e os repórteres ainda farão perguntas constrangedoras...
- Se esse é o preço... – ela deu ombros.
Mais alguns segundos de silêncio. Aquela era Jo, a garota por quem eu era apaixonado desde os 16. Quem estava comigo desde o começo dessa loucura toda, quem me ajudava com a Katie quando minha mãe voltou pra casa. Ela não era o tipo de garota que se encontra em qualquer esquina, seria muito idiota da minha parte deixar que ela fosse embora duas vezes.
- Vai lavar seu rosto. – falei, dando um batidinha amigável em seu joelho. Ela me olhou confusa e eu dei ombros. – Eu disse que te levaria para almoçar. – respondi, tentando parecer simpático. Ela respirou fundo, deixando que um sorriso aparecesse em seu rosto. Nós não precisávamos voltar ao que éramos antes imediatamente, mas poderíamos tentar. Retribui seu sorriso, torcendo com todas as forças para que eu não me arrependesse disso depois.
xx
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