Teenage Dream

3 Here we go again.


POV James D.

Certo, parece fácil, não? Esquecer aquele assunto, deixar pra lá. Deveria ser fácil, mas adivinha: quando uma garota de 16 anos realmente bonita, sua amiga durante a vida inteira, diz que costumava gostar de você (e por “gostar”, você sabe o que eu quero dizer), não é muito fácil esquecer e deixar pra lá. Agora acrescente o fato de que a tal garota é a irmã mais nova do seu melhor amigo e mora na sua casa. É quase impossível “deixar pra lá”. Mas eu estava tentando.

Depois que o desconforto da primeira semana passou, eu e Katie acabamos nos tornando bem mais próximos do que costumávamos ser. Quer dizer, sempre fomos amigos e tudo o mais, mas agora era como se, sei lá, como se ela fosse mais ela mesma. Acho que é porque agora eu sabia, então ela não tinha mais que ficar fingindo estar indiferente perto de mim.

Parando pra pensar, eu fui meio otário por não ter notado antes. Estava bem na cara o tempo inteiro. Katie nunca gostou de ficar sozinha comigo, sempre arranjava alguma desculpa para arrumar algo para fazer. Logan podia falar qualquer coisa para ela, mas seu eu elogiasse sua blusa ela virava um pimentão de tão vermelha que ficava. E ela sempre ficava desorientada quando tínhamos algum contato físico, mesmo que eu sem querer tocasse sua mão na mesa do café. Realmente obvio que havia algo errado ali. Errado não, diferente. Mas agora que eu oficialmente sabia, ela parecia mais tranqüila. E ela sorria mais. Ela tinha um sorriso adorável.

No momento, jogávamos Imagem&Ação. Katie era minha dupla e tentava adivinhar o que eu desenhava, enquanto Logan e Carlos faziam o possível para atrapalhar.

- Peixe. Praia. Praia... – falava, quase subindo no tabuleiro. — Mar. Golfinho. Fusca. Ta, fusca não. – ela se corrigiu quando eu lancei um olhar de “Ta brincando, né?”. Fusca? – Submarino. – falou e eu larguei a caneta. – YAAAAY! – ela comemorou como se tivesse ganhado o campeonato mundial de Imagem&Ação. Katie levantou as duas mãos para mim e eu comemorei com ela.

- Assim não dá, só ela consegue interpretar os rabiscos do James. – Carlos reclamou, pegando o papel da minha mão e avaliando. – Cara, isso realmente parece um fusca.

- Cala a boca. – reclamei sem dar muita atenção.

- Ta, eu cansei de ganhar. – Katie fingiu que reclamava, levantando-se. – Vou para a cama.

- Boa noite, Kat. – Logan falou enquanto recebia um beijo na testa.

- Boa noite. – ela falou, me dando um beijo na bochecha e beijando a de Carlos em seguida.

- Durma bem. – falei, observando enquanto ela ia até seu quarto. Não fazia mais sentido continuarmos jogando já que faltava um jogador, então eu ia sugerir que assistíssemos a um filme um algo assim. Quando voltei a olhar para a mesa, Logan me olhava intrigado. Eu ignorei, mas senti minhas orelhas esquentando um pouco.

- Eu acho que também vou deitar. – mudei de idéia.

- Acabou de dar meia noite. – Carlos estranhou.

- Amanhã o dia é longo. – respondi, já me levantando. – Boa noite.

Eles responderam qualquer coisa e eu fui para o meu quarto. Fui para o banheiro tomar um banho, trocando de roupa. Eu não estava realmente com sono, mas acho que seria bom ficar um pouco sozinho. Resolvi ligar o computador.

- Deus, Logan, quer me matar do coração? – reclamei quando a porta do quarto abriu de repente.

- Desculpa. Eu tenho que falar com você. – ele fechou a porta ao passar, sentando-se na minha cama.

- Diga. – falei, receoso pelo tom de sua conversa.

- O que esta acontecendo entre você e a Katie? – ele foi direto ao assunto. Eu quase engasguei.

- Nada. Quer dizer, não esta acontecendo nada. Algo deveria estar acontecendo? – falei rápido e embaralhado, provavelmente soando como um idiota.

- Não, nada deveria estar acontecendo. – ele afirmou.

- Então, nada é o que acontece. – eu fiz um movimento estranho com os braços.

- Não é o que parece. – ele provocou de novo.

- Nós... Somos amigos... Como sempre... Sem benefícios. – garanti, como se isso fosse algo impensável. Ele avaliou meu rosto, procurando por sinais de que eu estaria mentindo.

- Você gosta dela. – ele afirmou baixinho, mas eu ouvi.

- O que? Não. Quer dizer, eu gosto dela, mas não... Não. – eu tentava desesperadamente soar coerente, mas estava complicado. Logan sorriu.

- Você esta totalmente caidinho por ela. – ele provocou.

- Logan, para de ser gay. – reclamei. Quer dizer, “caidinho”? Minha mãe falaria isso.

- Tanto faz, isso não muda o fato de que você gosta da Katie. – ele falou de novo.

- Dava pra falar baixo? – pedi, olhando para a porta. – Ou melhor, dava pra parar de falar? Eu não gosto dela dessa forma, ta legal? – garanti, mas nem eu acreditava muito nas minhas palavras.

- Olha, eu não acredito que eu vou falar isso, mas... – ele suspirou. – Isso não seria totalmente ruim.

- Como assim? – perguntei. O que ele estava querendo dizer?

- A garota disse que gosta de você. – ele rolou os olhos como se fosse obvio. — Certo, é a Katie, ela é território perigoso. Ela é mais nova e é irmã de Kendall, mas... – ele suspirou – Ela é a Katie. E ela gosta de você. E eu sempre achei que vocês dois... – ele cortou a frase na metade de novo. Logan tinha essa mania de cortar frases pela metade. Katie também fazia isso, as vezes. Acho que é a convivência.

Eu não respondi. Simplesmente porque não sabia o que responder.

- Mas, se você diz que não gosta dela... – ele deu ombros levantando-se. – Mas só para avisar, não é o que parece, observando vocês dois. — Eu ignorei de novo.

- Logan. – chamei logo antes de ele chegar à porta. Ele virou-se para mim. – Eu não estou dizendo que é verdade, mas... E se eu gostar dela? – perguntei. O que? Eu não estou dizendo que gosto, só quero saber o que aconteceria. Para a minha surpresa, Logan sorriu.

- Vocês teriam o meu apoio. – ele falou, fechando a porta ao passar.

xx

POV Katie K.

Provavelmente já passava das duas horas e eu ainda estava sem nem sombra de sono. Rolei na cama várias vezes, tentei até ver algum desenho na TV, mas nada de conseguir dormir. O engraçado é que eu não tinha nada me preocupando e tirando meu sono. Estava tudo bem. Quer dizer, eu havia enviado as inscrições para a faculdade, mas eu estava tranqüila quanto a isso, sempre tive boas notas. E em casa, as coisas nunca estiveram tão bem. Mesmo com James, eu nunca me sentira tão... Sei lá, confortável.

Sabe o que é legal? Antes ele raramente me dava atenção de verdade. Você sabe, eu era irmã do amigo dele, ele era simpático e tudo o mais, mas agora não passava um dia sem que ele viesse ao meu quarto assim que chegava em casa, só para ver como eu estava, ou me trazer comida, ou me convidar para assistir a um filme com eles.

Eu sei que fui eu quem disse que nós deveríamos esquecer aquela história e tudo o mais, mas é impossível você não sentir nada quando um cara daquele te trás um chocolate só porque “achou que você tinha estudado demais”.

Tateei ao lado da minha cama até encontrar meu telefone. 2h35 na madrugada. Resolvi tomar um pouco de água para ver se ajudava a dormir. Minha mãe sempre me dava água quando eu dizia que não conseguia dormir, acho que deve ter algum tipo de efeito psicológico.

Tentei caminhar o mais silenciosamente possível para não acordar ninguém. Peguei um copo e abri a geladeira para pegar água, mas quase deixei o copo cair quando fechei a porta.

- Por Deus, você ta querendo me matar de susto? – Sussurrei rindo.

- Desculpa, mas é você que faz barulho na cozinha escura no meio da noite. – James reclamou de volta, também rindo.

- Eu estava com sede. – Justifiquei, tomando a minha água.

- Sei como é. – ele roubou o copo da minha mão, tomando o resto.

- Hey. – fingi que reclamava, apesar de não me importar realmente. Até porque eu tinha acabado de notar que ele estava sem camisa. É difícil sem importar com qualquer coisa quando você vê James sem camisa.

- Ta tudo bem? – ele perguntou depois de alguns segundos em silencio. – Quer dizer, por que você esta acordada neste horário?

Eu dei ombros. Não tinha o que responder.

- Sem sono. – falei simplesmente. – E você?

- Sede. – ele falou, passando a mão pelos cabelos. Eu não sei porque, mas aquilo não me pareceu a história completa. – Você deveria dormir, amanhã você tem aula. – ele lembrou.

- Ta certo, mãe. – falei rolando os olhos. Ele riu baixinho, passando por mim para recolocar a água na geladeira. Eu senti que seu perfume fazia com que meus joelhos virassem gelatina. A luz fraquinha que vinha pela janela iluminava metade do seu rosto e... Eu mencionei que ele estava sem camisa? Aquilo era demais para eu agüentar.

Antes que eu pudesse me dar conta, minhas mãos seguravam seu rosto e meus lábios procuravam pelos dele com tamanha urgência que surpreendeu até à mim. Eu fechei os olhos e não pensei no que estava fazendo, apenas deixei que ele me empurrasse pela cintura até a parede mais próxima, sem parar de beijá-lo nem por um segundo. Eu já estava sem ar. Meus dedos faziam desenhos invisíveis em seu pescoço a medida que uma mão dele escorregava da minha cintura para minha perna, subindo um pouco meu pijama (que já era um tanto quanto curto). Nenhum dos dois parecia ligar para o fato de que nós estávamos na cozinha e que meu irmão dormia a alguns metros. Quando me dei conta do que estava acontecendo, senti que poderia desmaiar. Afastei meu rosto, empurrando o ombro dele de leve. Nossos olhares se encontraram por alguns segundos antes de ele soltar minha cintura como se ela desse choque, dando uns três passos para trás. Continuei apoiada na parede, tentando lembrar como respirar. James passou a mão pelo rosto. Ele ainda ofegava e evitava olhar para mim. Eu sou muito idiota!

- Desculpa. – Foi tudo o que eu consegui falar indo para o meu quarto o mais rápida e silenciosamente possível. Eu ouvi uma cadeira sendo arrastada atrás de mim e deduzi que ele estava se sentando. Idiota. Idiota. Idiota. Quando ta tudo indo bem eu faço uma dessas. Droga! Como eu vou olhar para ele amanhã?

xx