Notas iniciais
ANTES DE LER A FIC DOS JOVENS TITÃS, FAVOR LER A BIO NO OERFIL DONZELA DE FERRO PARA MAIOR COMPREENSÃO DA HISTÓRIA. GRATA.

Estava confirmado, eu de fato tinha despertado um interesse fora do normal por Robin. O acontecimento de alguns dias atrás sobre aquela manhã maravilhosa, quase que de filme hollywoodiano me deixou pensativa sobre isso. Eu queria de novo e de novo. Eu sempre fui uma pessoa que não era muito de se apegar às pessoas que se aproximavam de mim com o interesse de querer algo mais, aquilo então era algo inédito.

Fomos para a arena de treinamento bem cedo, eu estava devendo aqueles golpes que prometi ensinar a ele desde o incidente com Rancid, e aquele era o dia que isso aconteceria. Para isso, logo me preparei para ensiná-lo da melhor forma que eu pudesse, mas sem entregar quem eu de fato era, mesmo que eu já tivesse planos para contar a ele, o que não estava muito distante. Passamos boa parte do dia fazendo isso, no final, estávamos mortos, eu principalmente, porque acompanhar alguém com a energia de Dick não era nada fácil.

— Acho que por hoje já deu, né? Por que não saímos e tomamos algo? -perguntei.

— Não. Vamos continuar. Ainda não consegui aprender. — respondeu ele, de forma séria.

— Vai com calma, Robin, ninguém aprende esse tipo de técnica do dia para a noite! Todo mundo demora para pegar, eu mesma levei anos! — respondi, na expectativa de deixá-lo mais confortável, menos ansioso.

— Eu não sou todo mundo, muito menos você. Vamos continuar, sim. — falou, de forma grosseira.

Eu não sou de levar desaforo de ninguém. Ninguém. E não pense que só porque eu estava começando a ter uma queda por ele que essa grosseria ficou por menos. Falei:

— Escuta, você quer aprender e EU estou ensinando. A situação é essa. Termina na hora que EU disser que terminou.

A cara dele foi se fechando, parecia até aquelas crianças mimadas que quando lhes tem algo negado começam a fazer birra. Me fitou de uma forma que parecia querer me matar naquele exato momento. Mas respondeu de forma irônica:

— Agora entendo o porque de você ser solitária, menina dos buracos negros.

Isso me irritou profundamente, mas MUITO mesmo. Não externei isso, apenas dei um riso irônico, que indicava algo do tipo "tente sozinho então", virei as costas e saí andando. Ele gritava para eu voltar a lutar e ensinar, mas eu não dei ouvidos, naquele momento eu só queria desaparecer, sumir. Será que era algo tão visível assim o fato de eu ser uma pessoa solitária para ele dizer isso? Será que teve alguma coisa a ver com o que eu respondi? Passei a noite dando umas bicadas num whisky que eu tinha no meu cantil que Bruce me deu de presente, eu não sabia mais pelo que eu estava tão mal, se era porque eu me dei conta que, de fato eu era uma pessoa que estava se afogando na solidão da própria mente ou se era pelo fato do Robin falar isso. Pelo fato dele provavelmente pensar isso sobre mim, pois na minha concepção, ele dizer isso é porque provavelmente acha isso mesmo.

Eu estava dentro de uma cova emocional que só conseguia me puxar para dentro dela, cada vez mais. Quando pensei que não poderia passar, nem que eu morresse, alguém bateu na minha porta. Abri, mas não tinha ninguém. Senti um calafrio indescritível passando pela minha barriga como uma lâmina. Fechei então a porta do meu quarto de novo. Percebendo que eu estava meio tonta por causa do whisky, resolvi ir dormir.

Eu estava tão alcoolizada que meu sono estava pesado. Tão pesado, que acordei poucas horas depois, mas eu não estava em casa. Eu estava amarrada pelas pernas e braços num tipo de aparelho super potente. Ele neutralizava meus poderes de forma que eu não pudesse usá-los, da mesma forma que eu não podia mudar para a minha aparência de combate para usar de disfarce. Eu estava vulnerável. Numa situação que nunca me imaginei e estava como? Sozinha. Eis que surge um homem de máscara, das sobras do laboratório que eu estava.

— Quem diabos é você!!!??? -perguntei a aquele homem.

— Ah, você acordou. Achei que demoraria mais, afinal, você estava, ou melhor, está alcoolizada, não é mesmo Donzela de Ferro? Ou eu deveria dizer, Srta. Iron? Ou Srta. Wayne seria melhor? São tantas opções que nem sei qual escolher. — disse ele, com uma voz diabólica.

Aquela voz me era familiar, até demais para o meu gosto. Até que me dei conta de quem era o dono daquela voz. Era o Exterminador.

— Slade!!! Por que isso ainda me surpreende? — perguntei de forma agressiva.

— Surpreende? Então, isso quer dizer que ainda não sou previsível, que bom! -respondeu ele, rindo

— Seja homem e me tire daqui para lutarmos de forma digna, se é que ainda resta isso em você, dignidade!!! -gritei

— Minha querida, me poupe, poupe a si mesma. Você está bêbada, e mesmo que não estivesse, eu não lutaria contra você. Já tentamos e ambos sabemos como isso acaba... Tragédia. — falou

— Para você, porque sabe que perde para mim. -respondi

Slade Wilson já foi muito amigo de meu pai biológico. Mas quando soube do dinheiro que era investido e retornado à meu pai, ele o traiu, por ganância. Passou a vender informações, localizações, acarretando em diversos problemas, dentre eles, a morte de minha mãe, de meu pai, e minha suposta morte. Na verdade, ele sempre soube quem eu era, sempre soube que eu estava viva, que eu vivia com Bruce na mansão Wayne. Ele só não sabia que Bruce era o Batman, muito menos que meu pai trabalhava para ele na construção de seu arsenal. Fora isso, ele sabia de tudo sobre minha vida. Mas era algo pessoal, diretamente entre eu e ele, e essas foram informações que até hoje eu não sei o porque, mas que ele levou para o túmulo.

— Fique quieta, sua insolente! Vai ser rápido, porém, nada indolor! Diga adeus à Donzela de Ferro!!! — gritou ele.

— É melhor você me soltar agora, senão... — ele me interrompeu

— Senão o que???

Foi então que ouviu-se uma explosão, seguida de uma voz:

— Senão vai ter que lidar com o resto dos Titãs!!! — era Robin, que trazia consigo os outros Titãs.

Nesse momento, ele me olhou. Me encarou de uma forma que nunca o vi antes, parecia ter visto um fantasma. Eu planejava falar para ele quem eu era, mas não naquele momento, porém, não teve jeito.

— Vi...Victoria? -disse ele, com voz trêmula, me olhando nos olhos. Parecia confuso.

— Robin...- falei, meio tonta, ainda pelo álcool. Era tudo muito rápido.

Os outros Titãs, fora Mutano me olhavam com espanto ao descobrirem minha identidade. A filha de Bruce Wayne era a Donzela de Ferro. Nesse momento, onde tudo ocorreu numa rapidez esplêndida, Slade em seguida, disse:

— Jovens Titãs, que bom ver vocês aqui, mas é uma pena que já é tarde demais para a amiga de vocês! -e ligou a máquina.

A máquina começou a funcionar, começou a por meu corpo em dormência total, seguido de choques muito fortes que ao invés de injetar energia no meu corpo, tiravam toda a existente nele. Comecei a gritar, desesperadamente, era uma dor insuportável, algo inimaginável de tão doloroso. Estava sugando de pouco em pouco todas as minhas forças, energias, poderes. Minhas transformações começaram a ir e voltar, minha aparência de combate se fundia com a aparência normal. Meus olhos começaram a sangrar, parecia que estavam sendo arrancados centímetro a centímetro de suas órbitas.

Os Titãs logo entraram em combate. Slade era um excelente lutador, mas era assassino, e não pouparia energias para matá-los um por um. Primeiro, veio Estelar com seus ataques de energia e, percebendo que eles eram praticamente inúteis, pois Slade era ótimo esquivador, partiu para o combate corpo a corpo. Estelar era de fato uma impressionante guerreira, mas Slade a superou. Em seguida, em conjunto, Ravena e Cyborg uniram as forças presentes em seus poderes para tentar acertá-lo, sem sucesso. Cyborg então, percebendo que eu estava morrendo, gritou:

— Mutano! Destrua a máquina! Meus sistemas realizaram uma busca na estrutura dela, não é possível desligá-la!

Então, Mutano transformou-se num gorila, e começou a esmurrar a máquina como nunca havia o visto antes. Ele finalmente conseguiu desligá-la, mas de repente, ouviu-se um tiro. Slade o havia atirado um tranquilizante feito à base de veneno de baiacu, que pode paralisar qualquer um em questão de segundos. Mutano caiu duro no chão, já na forma de humano. Eu estava sem energias, mas quando a máquina parou, consegui finalmente, recuperar pelo menos a minha consciência, mas eu estava fraca, não conseguiria sair dali por conta própria.

Todos os Titãs estavam sem muitas energias mais para lutar, mas ainda faltava um. Faltava Robin. E ele atacou, golpe por golpe do que eu havia ensinado para ele naquela manhã. Ele fez o movimento completo, perfeitamente executado. Vendo que Slade não tinha defesa desses golpes, o atingiu em pontos cruciais, conseguindo o derrubar. Uma coisa que me chamou atenção nessa luta não foi somente a facilidade de Dick de pegar o que eu tinha lhe ensinado mais cedo, isso também, mas o mais impressionante foi a raiva com que ele desferiu aqueles golpes. Ele parecia, de fato com raiva, com sangue nos olhos.

Quando finalmente estava acabado, Ravena e Cyborg se ajudaram a recompor-se, Estelar foi até Mutano, desmaiado, para carregá-lo para casa. Robin caminhou em minha direção e me soltou da máquina, que era um pouco alta, dessa forma, eu caí no chão como se fosse uma panqueca, de tão mole. Eu não conseguia ficar de pé, estava fraca demais, tremia muito. Olhei nos olhos dele e disse bem baixo, só para ele escutar:

— Dick, eu...eu...- ele me interrompeu

— Está tudo bem agora, depois falamos sobre isso. — vendo que eu tremia demais, tirou sua capa e me cobriu, me pegou no colo e me carregou até em casa.

Chegando lá, não falamos nada, somente trocamos olhares, que disseram o que um milhão de palavras não poderiam dizer. Ele me pôs na cama e deu um beijo na minha testa. Pra mim, aquilo significou muitas coisas, mas a mais importante delas foi o recado que Bruce me ensinou sobre um beijo de boa noite na testa, que era algo como "protegerei você até o dia que eu morrer". Dick sentou no puff do meu quarto, pensativo e lá ficou, me olhando. Depois disso, adormeci e não sei o que mais aconteceu, só sei que ele não saiu de lá antes do amanhecer.